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Nossa Visão – 28/11/2016

Retrospectiva

E a crise política voltou ao noticiário local, superando os assuntos econômicos a até mesmo a eleição de Donald Trump, nos EUA. Acusado de ter pressionado o então ministro da Cultura, Marcelo Calero para a liberação da obra de um prédio em Salvador, onde comprou apartamento, o ministro Geddel Vieira Lima pediu demissão do cargo na última sexta-feira. Isso ocorreu um dia após ter se tornado público, o depoimento de Calero à Polícia Federal em que acusou o presidente Temer e o ministro Eliseu Padilha de também o terem pressionado para interceder em favor da obra ligada à Geddel.

A demissão do ministro titular da Secretária de Governo foi a saída encontrada pelo Palácio do Planalto para tentar salvar o governo da crise política que se avolumou. Geddel, articulador político do Governo com o Congresso, acabou saindo às vésperas da votação da PEC 241 no Senado, marcada para a próxima quarta-feira. O presidente Temer disse a aliados que, enquanto avalia nomes para a sucessão de Geddel, irá fazer pessoalmente a coordenação política para a votação da PEC que fixa um teto para os gastos públicos, considerada fundamental para o ajuste fiscal e a recuperação da economia.

Ainda para tentar minimizar os efeitos da “barbeiragem” política, no domingo, em entrevista coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, o presidente Temer, ao lado dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado anunciou um acordo institucional para impedir eventuais tentativas de tramitação no Congresso de medidas de anistia a políticos que tenham praticado o caixa dois.

Também ganhou contornos mais dramáticos a crise dos estados e municípios em decorrência da severa recessão econômica. O governo do Rio Grande do Sul, com sérias dificuldades para pagar salários e dívidas, assim como o do Rio de janeiro, decretou estado de calamidade financeira.  Na terça-feira a União e os governadores fecharam acordo para a liberação de mais de R$ 5 bilhões para os estados. Essa verba se refere à parcela de multas pagas no programa de repatriação de recursos mantidos no exterior, mas por ora o prazo para a liberação ainda não foi definido.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, foi divulgado que o PIB da Alemanha cresceu 0,2% no terceiro trimestre ante o segundo, quando o avanço foi de 0,4%. Já o PIB do Reino Unido, ainda membro da União Europeia cresceu efetivamente 0,5% no terceiro trimestre do ano, em relação ao anterior, apesar dos primeiros efeitos do Brexit.

Nos EUA, em uma semana de feriados, foi divulgado que as vendas de imóveis novos diminuíram em outubro 1,9%, em relação a setembro, mais do que o esperado pelos analistas. Por outro lado, a confiança dos consumidores aumentou mais do que o previsto em novembro, segundo estimativa final da Universidade de Michigan e o PMI dos manufaturados também.

Foi também divulgada a ata da última reunião do FOMC, realizada no início de novembro, em que a maioria dos participantes expressou a visão de que seria apropriada a elevação dos juros relativamente breve, desde que os dados a serem divulgados continuem trazendo evidencias do fortalecimento da economia.

Para as bolsas internacionais foi outra semana de alta, enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, subiu 0,33%, o FTSE-100, da bolsa inglesa valorizou 0,96%, o Nikkey 225, da bolsa japonesa subiu 2,30%, e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana avançou 1,44%.

Em relação à economia nacional, o IBGE informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação do mês, depois de ter subido 0,19% em outubro, acelerou a alta para 0,26% em novembro, mas mesmo assim foi o menor avanço em um mês de novembro desde 2007. A alta foi puxada por gastos com saúde e cuidados pessoais e pelas despesas com transporte e habitação.

Segundo a FGV, a confiança do consumidor brasileiro caiu em novembro, depois de ter registrado seis sequências seguidas de alta, diante da forte piora das expectativas em meio à piora crescente no mercado de trabalho. Nesse aspecto, o Ministério do Trabalho informou que em outubro a quantidade de demissões de vagas com carteira assinada superou as contratações no país em 74,7 mil.

Para o Ibovespa foi uma semana de alguma recuperação, mesmo com a turbulência política. A alta de 2,66% nesse período reduziu a queda no mês para 5,18%, embora a alta no ano seja de 42%. Já o dólar teve alta de 1,07% na semana, elevando a alta acumulada no mês para 7,76%, com menores intervenções do Bacen para conter o efeito Trump. O IMB-B Total acumulou alta de 0,34% na semana, embora a queda no mês esteja em 2,01%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro reduziu novamente a projeção da inflação deste ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para 2016 passou de 6,80% para 6,72%, a terceira redução seguida. Já o índice para o ano que vem foi mantido em 4,93%.

Para a taxa Selic, o boletim informou que a mediana das previsões para o fim de 2016 permaneceu em 13,75% ao ano e para o fim de 2017, em 10,75% ao ano.

Já o desempenho da economia previsto para este ano teve nova alteração para pior: a oitava seguida. Os analistas preveem uma queda de 3,49% no Produto Interno Bruto- PIB em vez dos 3,40% da semana anterior. Para o ano que vem, a previsão foi levemente piorada, passando de expansão de 1,00% para 0,98%.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,35 no encerramento de 2016, ante R$ 3,30 de uma semana antes. Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio permaneceu em R$ 3,40.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 65 bilhões em 2016 e de US$ 70,00 bilhões em 2017.

Perspectiva

Na zona do euro serão divulgados nesta semana a taxa de desemprego em outubro, o indicador de confiança do consumidor, a inflação do consumidor e o PMI industrial de novembro.

Nos EUA, será divulgada nova revisão do PIB do terceiro trimestre, o livro Bege, os gastos pessoais e a renda pessoal em outubro, a confiança do consumidor, o PMI industrial, e o relatório de emprego de novembro.

No Brasil, além dos indicadores parciais e finais de inflação e de nova reunião do Copom, será divulgado o resultado primário consolidado do setor público, a taxa de desemprego e a produção industrial em outubro, bem como o PIB do terceiro trimestre.

Com as agendas cheias de dados, as expectativas no mercado internacional estarão focadas na formação da equipe de Donald Trump e nos dados de emprego nos EUA, que poderão selar a alta dos juros na reunião do FOMC, em meados de dezembro. Para o mercado financeiro americano, os preços dos ativos de renda fixa embutem 100% de chance de que esse evento ocorra.

No mercado brasileiro, as atenções estarão voltadas para a votação da PEC 241 no Senado, em um momento em que o governo Temer passa por sua maior crise e em que o presidente reconheceu pela primeira vez em público estar preocupado com os efeitos da delação premiada da Odebrecht, que poderá atingir partidos políticos de todas as legendas.

Outro fato relevante será a reunião do Copom cujo resultado será anunciado na quarta-feira. Depois do efeito Trump e das complicações políticas, a maioria dos participantes do mercado acredita numa redução da taxa Selic de 0,25 p.p. Mas há os que não descartam a manutenção da taxa, dado o conservadorismo do BC.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, por ora nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 28/11/2016


Índices de Referência – Outubro / 2016


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