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Nossa Visão – 07/11/2016

Retrospectiva

De novo com a semana no Legislativo prejudicada pelo feriado, o noticiário político de maior importância acabou ficando restrito ao que ocorreu no Judiciário. A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal – STF votou, em sessão realizada na última quinta-feira, a favor de que réus no Supremo não podem ocupar as presidências da Câmara ou do Senado, cargos que estão na linha direta de substituição do presidente da República.

Embora o julgamento tenha sido interrompido por pedido de vistas do ministro Dias Toffoli, seis dos oito ministros que participavam da sessão votaram a favor da ação. O tribunal possui onze ministros. Não há prazo para que o caso volte à pauta de julgamentos do Supremo.

Notícia importante sob o aspecto fiscal foi o reforço de caixa obtido neste ano graças à Lei de Repatriação, que permitiu a regularização de recursos financeiros enviados ilegalmente para o exterior. Dessa forma, o governo arrecadou com impostos e multas R$ 50,9 bilhões e já negocia com o Senado um novo projeto para o ano que vem.

A ideia é que as taxas cobradas com um novo programa, a se iniciar em janeiro de 2017 sejam mais altas, o que permitiria segundo cálculos do governo, uma arrecadação adicional de cerca de R$ 30 bilhões. Quantia semelhante ao que se arrecadaria com a CPMF se reintroduzida.

Em relação à economia internacional, na zona do euro, o PIB do terceiro trimestre cresceu 0,3% em relação ao trimestre anterior e 1,6% na base anual, como era esperado. Já a inflação do consumidor em outubro avançou 0,5% na base anual, conforme estimativa da agência Eurostat, ainda longe da meta anual de 2%.

Foi também informado que a taxa de desemprego ficou em 10% em setembro, repetindo a leitura de agosto e em linha com as expectativas. Por outro lado, o PMI Composto final subiu de 52,6 pontos em setembro para 53,3 pontos em outubro, mas ficou abaixo da leitura preliminar de 53,7 pontos.

No Reino Unido, o banco central manteve a taxa anual de juros em 0,25%, apesar da queda da libra após o Brexit.

Nos EUA, o Departamento do Trabalho informou que 161 mil novas vagas de trabalho não rural foram criadas em outubro, quando a expectativa era de 175 mil, no entanto os salários se elevaram. A taxa de desemprego caiu de 5% para 4,9%.

Em sua reunião no último dia 2 o FED manteve a taxa de juros entre 0,25% e 0,50%, mas sinalizou que pode elevar a taxa em dezembro, com a economia ganhando fôlego e a inflação acelerando.

Em setembro os gastos pessoais cresceram 0,5%, em linha com as expectativas e as encomendas à indústria avançaram 0,3%, acima da expectativa de crescimento de 0,2%. Em outubro o PMI industrial evoluiu de 51,5 pontos em setembro para 53,4 pontos.

Na China, em outubro a produção industrial cresceu no ritmo mais forte em mais de dois anos e o setor de serviços no mais rápido em quatro meses, de acordo com o PMI.

Para as bolsas internacionais, a semana foi de queda generalizada. O forte recuo no preço do barril de petróleo, ocasionado por uma percepção de elevação dos estoques conjugado com desmentidos da OPEP sobre informações de que os sauditas ameaçam elevar a produção em meio a disputas com o Irã, além da indefinição das eleições nos EUA, derrubaram as bolsas.

Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã caiu 4,08%, o FTSE-100, da bolsa inglesa recuou 4,33% e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana perdeu 1,9%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-Fipe teve alta de 0,27% em outubro, depois de ter registrado um recuo de 0,14% em setembro, por conta do avanço dos preços das despesas pessoais. Já o IPC-S encerrou outubro com alta de 0,34%, acumulando a alta no ano em 5,65% e a de doze meses em 7,65%, conforme a FGV.

Conforme o IBGE, em setembro a produção industrial teve alta de 0,5%, em relação ao mês anterior, mas ainda apresenta queda de 7,8% em 2016. Por outro lado, após sete altas consecutivas, a confiança do setor de serviços recuou em outubro, perante o mês anterior.

Em relação ao setor externo, a balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 2,34 bilhões em outubro, elevando o superávit acumulado no ano para US$ 38,5 bilhões, recorde para o período. A expectativa para 2016 é de um superávit entre US$ 45 e US$ 50 bilhões, sendo que o maior já alcançado foi o de US$ 46,5 bilhões em 2006.

Na semana, por conta das bolsas internacionais, o índice Ibovespa teve queda de 4,21%, reduzindo a alta no ano para 42,1%. O dólar acumulou alta de 1,08% na semana, enquanto o IMA-B Total subiu 0,36%, elevando a alta no ano para 22,95%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro manteve inalterada a previsão para o IPCA deste ano em 6,88%, após sete reduções seguidas. Há duas semanas, a taxa ficou abaixo de 7% pela primeira vez desde 29 de abril. Já o índice para o ano que vem reduziu para 4,94%. Nas duas semanas anteriores a previsão estava em 5%, e está cada vez mais próximo do centro da meta do Bacen, que é de 4,5%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para este ano foi elevada para 6,84%, ante 6,81% na semana anterior. Para 2017, subiu para 4,99%.

Por outro lado, o desempenho da economia previsto para este ano voltou a sofrer leve alteração para pior, a quinta seguida. Os analistas preveem um tombo de 3,31% no PIB em vez dos 3,30% da semana anterior. Para o ano que vem, a previsão foi piorada pela terceira vez consecutiva, passando de expansão de 1,21% para 1,20%.

Para a taxa Selic, a expectativa novamente se manteve em 13,50% para o final do ano, sugerindo que os economistas esperam um corte de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros na última reunião deste ano do Copom. Por outro lado, as instituições que mais acertam as previsões passaram a ver uma redução menor, de 0,25 ponto percentual, com a Selic terminando o ano em 13,75%. Para 2017, o levantamento continua apontando a taxa a 10,75%, com o Top-5 mantendo a projeção em 11,25%.

Quanto à produção industrial, as estimativas seguem indicando um cenário difícil. A queda prevista para este ano permaneceu em 6,00%. Para 2017, a projeção de alta da produção industrial seguiu em 1,11%. Há um mês, as expectativas para a produção industrial estavam em recuo de 5,96% para 2016 e alta de 1,11% para 2017. Na semana passada, o IBGE informou que a produção industrial subiu 0,5% em setembro ante agosto, mas recuou 4,8% em relação ao mesmo mês de 2015.

Para a taxa de câmbio, o mercado manteve as apostas que ela estará em R$ 3,20 no final de 2016, e em R$ 3,39 no final de 2017, frente a última previsão de R$ 3,40.

Ainda conforme o relatório, a estimativa de superávit comercial para este ano caiu de US$ 48,00 bilhões para US$ 47,77 bilhões, e para o próximo caiu de US$ 45,00 para US$ 44,57.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de que o ingresso será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário neste e no próximo ano. A mediana das previsões para o IED em 2016 permaneceu, no Focus, em US$ 65,00 bilhões de uma semana para a outra – mesmo patamar de um mês antes. No acumulado deste ano até setembro, o IED somou US$ 46,335 bilhões e a previsão do Bacen é de que a cifra chegue a US$ 70,00 bilhões até o fim de 2016.

Para 2017, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto foi de US$ 68,00 bilhões para US$ 68,50 bilhões. Quatro semanas atrás, estava em US$ 65,00 bilhões.

Perspectiva

No campo externo, na zona do euro serão reveladas as vendas no varejo e produção industrial. No Japão, serão conhecidos o PIB e a ata do Bank of Japan.

Na China serão conhecidos indicadores da balança comercial. Já os números de inflação saem na terça-feira (8) e podem mostrar aceleração, tanto do CPI quanto do PPI.

Nos EUA será divulgada a confiança do consumidor em novembro.

Na agenda doméstica, destaque para a divulgação do IPCA de outubro na próxima quarta-feira (9). A expectativa é de desaceleração do índice, que pode recuar de 8,48% para 7,91% em 12 meses. A agenda também reserva a divulgação do IGP-DI, e parciais do IGP-M, IPC-S e IPC-Fipe, além de venda no varejo e venda de veículos.

Nos mercados internacionais, assim como no Brasil, as atenções se voltam para as eleições presidenciais nos EUA no dia 8. Aproveitamos para corrigir a edição anterior do Nossa Visão que mencionava as eleições nos EUA no dia 3, já que nessa data foram iniciadas as votações antecipadas por correspondência.

Por aqui, destaque para a tramitação da PEC do teto no Senado. Até quarta-feira (9) deverá ser votada na Comissão de Constituição e Justiça – CCJ do Senado. Na Câmara, espera-se pela votação dos últimos destaques ao projeto de lei do Senado que desobriga a Petrobras de ser operadora exclusiva do pré-sal.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, a nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 04/11/2016


Índices de Referência – Setembro / 2016


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