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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 26/09/2016

Retrospectiva

Com a proximidade das eleições municipais, o noticiário político esvaziou-se, em benefício do econômico. Aliás, a ida do presidente Michel Temer a Nova Iorque, para discursar na abertura da 71ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas – ONU acarretou em pronunciamentos a respeito da economia brasileira.

Em entrevista na sede da agência Bloomberg, prometeu levar adiante medidas impopulares para reanimar a atividade econômica, alegando que não ter ambições eleitorais lhe permite agir com liberdade. Disse que gastaria todo o seu capital político para fortalecer as contas públicas, demonstrando confiança em que o Congresso aprovará suas propostas até meados do ano que vem para impor limites aos gastos públicos e realizar a reforma previdenciária.

No dia seguinte, em um encontro com cerca de 270 empresários ainda em Nova Iorque, afirmou que o Brasil vive uma estabilidade política extraordinária, num esforço para restaurar a confiança dos investidores no país. Além das reformas necessárias, destacou a importância do Programa de Parcerias de Investimentos – PPI nos esforços do governo em retomar os investimentos e sair da recessão.

No âmbito da Operação Lava Jato, em sua 34ª fase, o ex-ministro Guido Mantega foi preso no hospital em que acompanhava a sua esposa, mas logo em seguida libertado pelo juiz Sérgio Moro, sob a alegação de que não oferece riscos para a colheita de provas. O pedido de prisão feito pelo MPF baseou-se na atuação de Mantega junto ao empresário Eike Batista, para negociar repasse de recursos para pagamento de dívidas de campanha de partidos políticos aliados do governo do PT, relativas às eleições de 2010.

Em relação à economia internacional, na zona do euro, além da confiança do consumidor, o PMI composto, que mede a atividade nos setores industrial e de serviços caiu na prévia de setembro. Registrou 52,6 pontos, frente aos 52,9 pontos de agosto, atingindo o menor nível em 20 meses.

Nos EUA, tanto a construção de novas moradias quanto a venda de imóveis usados recuaram em agosto, em relação ao mês anterior, tendo ficado abaixo das previsões dos economistas.  Já o índice de indicadores antecedentes também recuou nesse mês, no entanto ainda apontam um crescimento econômico moderado nos próximos meses.

Mas a principal notícia internacional da semana, no campo econômico, foi a manutenção da taxa básica de juros entre 0,25% e 0,5% pelo FED. A decisão não foi pactuada por três membros do colegiado, que preferiam uma elevação de 0,25 p.p.  No comunicado após a reunião, o comitê sinalizou que ainda pode elevar os juros até o final do ano, diante da melhora do mercado de trabalho.

No Japão, o banco central anunciou que modificará a composição do seu gigantesco programa de compra de ativos com o objetivo de evitar uma queda das taxas de juros de longo prazo. A ideia é manter o rendimento da dívida japonesa de 10 anos em torno de 0% e buscar uma inflação de 2%.

Para as bolsas internacionais, com a decisão dos bancos centrais dos EUA e do Japão, a semana anterior foi de boas altas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã subiu 3,41%, o FTSE-100, da bolsa inglesa 2,85% e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana 1,19%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-S perdeu força na terceira medição de setembro e subiu apenas 0,18%, depois de ter registrado 0,27% na segunda prévia. Já o IPC-Fipe ficou praticamente estável na segunda quadrissemana ao desacelerar para 0,01%, depois de ter registrado 0,05% na abertura do mês.

Por sua vez, o IPCA-15, considerado prévia da inflação oficial, surpreendeu os analistas ao desacelerar para 0,23% em setembro, depois de ter registrado 0,45% em agosto. Foi a menor taxa para o mês desde 2009. O que mais contribuiu com a perda do ritmo de alta da inflação foram os preços dos alimentos e bebidas, que ficaram mais baratos. De agosto para setembro, a variação passou de um aumento de 0,78% para uma queda de 0,01%.

Em relação à atividade econômica, o Banco Central divulgou o IBC-Br de julho com uma leve queda de 0,09%. O desempenho foi afetado negativamente pelas vendas no varejo que caíram 0,3% em relação a junho. No entanto, para a Confederação Nacional da Indústria o otimismo do empresariado atingiu em setembro o maior nível desde janeiro de 2014.

Em relação ao mercado de trabalho, pelo 17º mês consecutivo, o país fechou postos de trabalho. Em agosto foram 34 mil, com carteira assinada, conforme o Caged.

Na semana, o índice Ibovespa teve alta de 2,83%, elevando a alta no ano para 35,40%.  O dólar acumulou queda de 2,31% no período, enquanto o IMA-B Total subiu 0,93%, elevando a alta no ano para 18,76%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro passou a acreditar que o IPCA neste ano será de 7,25% e não mais de 7,34%. Para 2017, a projeção para a inflação caiu a 5,07%, contra 5,12% no levantamento anterior. Mas a conta para o avanço dos preços administrados subiu a 5,45%, 0,05 ponto percentual a mais.

Para a taxa Selic a expectativa novamente se manteve em 13,75%, para 2016, e em 11% para 2017. O Top-5, que reúne os economistas que mais acertam as previsões, também não apresentou mudanças, estimando a taxa básica de juros a 13,75% em 2016 e a 11,25% em 2017.

Em relação ao PIB, houve uma leve melhora das estimativas para este ano, de uma queda de 3,15% para 3,14% em 2016. Para 2017 os economistas projetam expansão de 1,30%, queda de 0,06 ponto percentual em relação ao levantamento anterior.

Quanto à produção industrial, neste ano a expectativa continuou em uma queda de 5,93%. Para 2017, a projeção melhorou de uma alta de 0,5% para 1%.

Para a taxa de câmbio, o mercado aposta que ela estará em R$ 3,29 no final de 2016, contra R$ 3,30 na semana anterior, e em R$ 3,45 no final de 2017, assim como a última previsão.

Ainda conforme o relatório, a estimativa de superávit comercial para este ano permaneceu em US$ 50,00 bilhões, e para o próximo caiu de US$ 47,32 para US$ 46,83. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas mantiveram-se em US$ 65 bilhões para este ano e para o próximo.

Perspectiva

No campo externo, na zona do euro serão divulgadas a taxa de desemprego em agosto e a inflação do consumidor em setembro.

Nos EUA serão divulgados o índice de confiança do consumidor em setembro, a renda pessoal e os gastos pessoais em agosto e a última revisão do PIB do segundo trimestre.

No Brasil, além dos índices parciais de inflação teremos a divulgação da taxa de desemprego e o resultado fiscal primário em agosto.

Nos mercados internacionais, a notícia mais relevante não foi apenas a manutenção da taxa básica de juros pelo FED, mas também o seu aceno de menos altas e de taxas menos agressivas para 2017 e 2018. A estimativa para a taxa de juros de longo prazo recuou de 3% para 2,9%. Esse sinal deu importante alento para os mercados, principalmente os de renda variável. Agora devemos entrar na zona de turbulência das eleições presidenciais americanas, cujo resultado parece ser o da eleição de Hilary Clinton.

No Brasil, a decisão do FED também teve impacto positivo na bolsa, nos juros e no câmbio. Em relação aos juros, o IPCA-15 abaixo das estimativas também estimulou a queda das taxas de mercado, além da declaração do ministro Henrique Meirelles de que é altamente provável os juros caírem até o fim do ano. Embora as medidas em direção ao ajuste fiscal sejam imperativas, com a projeção da inflação para 2017 rumando para o centro da meta de 4,5% estabelecida pelo CMN, a perspectiva de redução da taxa Selic parece se aproximar cada vez mais.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, a nossa recomendação é de uma exposição de 45% nos vértices mais longos (dos quais 10% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 35% para o IMA-B Total), 25% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 23/09/2016


Índices de Referência – Agosto / 2016


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