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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 19/09/2016

Retrospectiva

Na política, a semana anterior começou coma a cassação do deputado Eduardo Cunha aprovada por 450 votos, contra 10, no plenário da Câmara dos Deputados. Assim, Cunha ficará inelegível até 2027. No mesmo dia, em evento que contou com a presença de políticos, como o ex-presidente Lula e o presidente Temer, entre outros, a ministra Cármen Lúcia tomou posse da presidência do Supremo Tribunal Federal – STF, que comandará a corte durante o biênio 2016/18.

Do lado do executivo, o presidente anunciou que pretende realizar concessões e privatizações de 25 projetos, que irão resultar em 34 leilões de concessões, em 2017 e 2018, segundo atualização feita pelo governo, após reunião do Programa de Parceria em Investimento – PPI. O programa inclui ativos em rodovias, ferrovias, terminais portuários, mineração, geração e distribuição de energia e saneamento.

Diante das dificuldades políticas, o governo decidiu adiar para o segundo semestre de 2017 a reforma trabalhista e segundo Rodrigo Maia, presidente da Câmara, a proposta de reforma da Previdência, a ser enviada pelo executivo, também só poderá ser votada pelo legislativo no próximo ano. Por outro lado, devido ao calendário previsto internamente pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, o processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer na campanha de 2014 só poderá ser concluído em 2017, o que praticamente elimina a possibilidade de eleições diretas no caso de condenação. A disputa seria indireta, via Congresso.

No âmbito da Operação Lava Jato, o Ministério Público Federal do Paraná denunciou o ex-presidente Lula, sua esposa e outros, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O procurador Dallagnol afirmou que a investigação identificou Lula como o comandante máximo do esquema investigado na Operação. Cabe ao juiz federal, Sérgio Moro, que na quinta-feira condenou o pecuarista e amigo do ex-presidente, José Carlos Bumlai, a 9 anos e 10 meses de prisão por crimes como gestão fraudulenta e corrupção passiva, aceitar ou não a denúncia.

Em relação à economia internacional, na zona do euro, a inflação do consumidor foi de 0,2% na base anual, sendo que o núcleo, que exclui os gastos com energia e alimentação ficou em 0,8%, na mesma base. Já a produção industrial da região caiu 1,1% em julho em relação ao mês anterior, quando o mercado estimava a queda em 0,9%.

Nos EUA, as vendas no varejo recuaram 0,3% em agosto, quando a queda esperada era de 0,1% e no mesmo mês, a produção industrial recuou 0,4%, um pouco mais do que o 0,3% esperado. A confiança dos consumidores se manteve estável em setembro, em relação ao mês anterior.

Já a inflação do consumidor subiu 0,2% em agosto, em relação a julho, impulsionada pelos gastos com saúde e alugueis. Já o núcleo subiu 0,3% no mês e 2,3% na base anual, portanto acima da meta de 2% do FED.

Na China, a produção industrial registrou avanço acima do esperado atingindo a marca de 6,3% na base anual. As vendas no varejo se recuperaram ao atingir o crescimento de 10,6% em ritmo anual.

Para as bolsas europeias, a semana anterior não foi boa. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã caiu 2,81%, o FTSE-100, da bolsa inglesa recuou 0,87%.  Já o índice S&P 500, da bolsa norte-americana subiu 0,53%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-S desacelerou na segunda medição de setembro, para 0,27%, após marcar 0,34% na primeira quadrissemana, enquanto o IPC-Fipe registrou 0,05% na primeira semana, depois de ter encerrado agosto com alta de 0,11%.

Por outro lado, o IGP-M teve alta de 0,38% na primeira prévia deste mês, depois de ter ficado estável em igual período de agosto. E o IGP-10 também voltou a subir em setembro, marcando alta de 0,36%, depois de ter encerrado o mês anterior com deflação de 0,27%.

Quanto às vendas no varejo, o recuo de 0,3% em julho foi inferior à expectativa de um recuo de 0,4%, mas em doze meses, a queda de 6,8% foi o pior resultado dos últimos 15 anos.

Na semana, o índice bovespa teve queda de 1,59%, reduzindo a alta no ano para 31,67%.  O dólar acumulou alta de 1,12% na semana, enquanto o IMA-B Total recuou 0,38%, reduzindo a alta no ano para 19,48%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado na segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro acredita que o IPCA neste ano será de 7,34% e não mais 7,36% como previam na semana passada. Com relação a 2017, a expectativa dos economistas é de que o IPCA feche o ano em 5,12% – projeção semelhante àquela divulgada na última semana.

Para a taxa Selic, ainda sob influência da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e dos dados mais recentes de inflação do IBGE, os economistas mantiveram suas previsões para este e também para o próximo ano. A mediana das expectativas para a Selic em 2016 seguiu em 13,75% ao ano. Já a taxa básica para o fim de 2017 permaneceu em 11,00% ao ano. Há um mês, as projeções também eram de 13,75% e 11,00%, respectivamente.

O documento mostrou leve mudança, para melhor, nas estimativas para o Produto Interno Bruto – PIB deste ano. Os economistas projetaram retração de 3,15%, ante os -3,18% previstos na semana anterior. Um mês antes, a previsão era de queda de 3,20%. Para 2017, o cenário é mais favorável, com perspectiva de PIB positivo. O mercado previu para o país um crescimento de 1,36% no próximo ano, superior à alta de 1,30% projetada uma semana antes. Há um mês, estava em 1,20%.

Quanto a produção industrial, foi mantida a expectativa de uma queda de 5,93% neste ano e de uma alta de 0,5% em 2017.

Para a taxa de câmbio, o mercado aposta que ela estará em R$ 3,30 no final de 2016, contra R$ 3,25 na semana anterior, e em R$ 3,45 no final de 2017, assim como a última previsão.

Ainda conforme o relatório, a estimativa de superávit comercial para este ano permaneceu em US$ 50,00 bilhões, e para o próximo caiu de US$ 47,55 para US$ 47,32. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas mantiveram-se em US$ 65 bilhões para este ano e para o próximo.

Perspectiva

No campo externo, na zona do euro serão divulgados os índices de confiança do consumidor e os PMI industrial e de serviços em setembro.

Nos EUA, serão divulgadas as construções de novas residências, as vendas de moradias usadas e os indicadores antecedentes de agosto e a decisão sobre os juros, pelo FED.

No Brasil, além dos índices parciais de inflação teremos a divulgação do IBC-Br de julho e o índice de confiança da indústria em setembro.

No exterior e no Brasil, o fato mais importante da semana será a decisão do FED sobre a taxa básica de juros. Para o mercado financeiro internacional, uma elevação não ocorreria agora, talvez em dezembro. Caso a taxa seja mantida, cremos estar o fato já precificado pelos mercados. Uma elevação provocaria a alta do dólar no mundo e alta das taxas de juros de mercado também aqui.

Outro fator que tem impedido a queda adicional dos juros locais, por enquanto, reside no não andamento das reformas necessárias, cuja pauta está travada pelas eleições municipais. Resta-nos assim aguardar.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, a nossa recomendação é de uma exposição de 45% nos vértices mais longos (dos quais 10% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 35% para o IMA-B Total), 25% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 16/09/2016


Índices de Referência – Agosto / 2016


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