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Nossa Visão – 22/08/2016

Retrospectiva

Ficou definido, em reunião entre o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e os demais senadores, o roteiro da última etapa do processo de impeachment. A fase final terá início no dia 25 de agosto, e poderá durar pelo menos sete dias.

Dilma Rousseff decidiu que fará, pessoalmente, a sua defesa no julgamento do Senado, provavelmente em 29 de agosto. Antes disso, em carta intitulada “Mensagem ao Senado e ao Povo Brasileiro”, pediu aos senadores que não façam a injustiça de condená-la por um crime que alega não ter cometido e defendeu a realização de um plebiscito que decidiria a ocorrência de novas eleições presidenciais e de uma reforma política.

Ainda no início da semana anterior, o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no STF, autorizou a abertura de inquérito contra a presidente afastada, contra o ex-presidente Lula e os ex-ministros petistas Aloizio Mercadante e José Eduardo Cardozo. Para a Procuradoria Geral da República, que fez o pedido de investigação, a nomeação de Lula para a chefia da Casa Civil fazia parte de um cenário em que foram identificadas diversas tentativas de atrapalhar o andamento da Operação Lava Jato.

Em relação à economia internacional, na zona do euro, a revisão da inflação do consumidor em julho reiterou o avanço dos preços de 0,2%, na base anual. Já no Reino Unido ela foi de 0,6%, quando a expectativa era de 0,5%, também na base anual.

Nos EUA, a produção industrial em julho superou as expectativas e subiu 0,7% em relação ao mês anterior, cuja alta havia sido de 0,4%. Já a inflação do consumidor permaneceu estável em julho e recuou para 0,8% na base anual.

Foi também divulgada a ata da última reunião do Fomc, em que foi decidida a manutenção dos juros anuais entre 0,25% e 0,5%. O documento, de teor mais ameno do que o mercado esperava, em função dos indicadores econômicos mais recentes, revelou divisão entre os participantes quanto a alta futura dos juros. Os membros do Fomc em geral concordaram que, antes de dar outro passo em remover o ajustamento monetário, é prudente acumular mais dados, para poder avaliar a dinâmica do mercado de trabalho e da atividade econômica. No entanto, as portas ficaram abertas para uma elevação ainda este ano.

Para as bolsas internacionais foi uma semana ruim. O Dax, índice da bolsa alemã caiu 1,58%, o FTSE-100, da bolsa inglesa 0,83% e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana 0,01%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-S pressionado pelo preço do etanol subiu 0,48% na segunda prévia de agosto, frente a um aumento de 0,46% na prévia anterior, enquanto o IPC-Fipe, graças a menor alta dos preços dos alimentos, desacelerou para um avanço de apenas 0,05% na segunda prévia do mês, depois de haver subido 0,24% na primeira.

Já o IGP-M, considerada a inflação do aluguel, também teve a sua alta desacelerada para 0,09% na segunda prévia do mês, depois de ter subido 0,32% na primeira. Por seu turno, o IGP-10, calculado pela FGV como uma prévia da inflação do mês, registrou deflação de 0,27% em agosto, enquanto em julho subiu 1,06%.

Conforme o IBGE, a taxa de desemprego no país, apurada através da Pnad Contínua ficou em 11,3% no segundo trimestre de 2016, tendo subido em todas as regiões do país. A maior taxa foi observada no Nordeste, onde em um ano subiu de 10,3% para 13,2%.

Do lado fiscal, a Secretaria da Receita Federal informou que a arrecadação de impostos e contribuições federais teve em julho uma queda real de 5,8% em relação ao mesmo mês de 2015. Foi o pior mês de julho desde 2010. Considerando que a atividade econômica não tem caído no mesmo ritmo, os dados são um indício de que a inadimplência tributária está aumentando. Nos sete primeiros meses do ano a queda acumulada foi de 7,11% em relação ao ano anterior.

Na semana, o índice Ibovespa chegou a atingir o maior patamar em dois anos e fechou com alta de 1,37%, elevando a alta no ano para 36,33%.  Já o dólar acumulou alta de 2,10% no período, enquanto o IMA-B Total subiu no mês 1,87%, elevando a alta no ano para 21,28%.

Comentário Focus

No Relatório Focus, divulgado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro acredita que o IPCA neste ano será de 7,31%, assim como acreditavam na semana anterior, e que o de 2017 será de 5,12% e não mais de 5,14% conforme o penúltimo relatório.

Para a taxa Selic, a expectativa manteve-se em 13,75% para 2016 e em 11% para 2017. Em relação ao PIB, a expectativa para este ano manteve-se em uma queda de 3,2% e para o próximo cresceu de 1,1% para 1,2% a alta projetada.

Para a produção industrial neste ano, ocorreu uma nova manutenção de expectativa, neste caso de uma queda de 5,95%. Para 2017 a projeção de alta evoluiu de 0,75% para 1,05%.

Para a taxa de câmbio o mercado aposta que ela estará em R$ 3,30 no final de 2016, assim como na semana anterior e em R$ 3,45 no final de 2017, enquanto na semana anterior a projeção era de R$ 3,50.

Conforme o relatório, a estimativa de superávit comercial este ano permaneceu em US$ 50,00 bilhões e para o próximo recuou de US$ 49,84 para US$ 48,40. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas mantiveram-se em US$ 65 bilhões para este ano e para o próximo.

Perspectiva

No campo externo, na zona do euro será divulgado o índice de confiança do consumidor e o PMI industrial e de serviços em agosto, bem como a revisão do PIB alemão do segundo trimestre.

Nos EUA, será divulgado o índice de confiança do consumidor e o PMI industrial de agosto, a venda de novas moradias e de moradias usadas, bem como as encomendas de bens duráveis em julho, além de nova revisão do PIB do segundo trimestre de 2016.

No Brasil, além dos índices parciais de inflação teremos a divulgação do IPCA-15 de agosto e o resultado primário do governo central em julho.

Conforme dissemos na edição anterior do Nossa Visão, alteramos nossa recomendação de alocação dos recursos financeiros dos RPPS para uma exposição de 45% nos vértices mais longos (dos quais 10% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 35% para o IMA-B Total), 25% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 22/08/2016

Índices de Referência – Julho / 2016


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