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Nossa Visão – 08/08/2016

Retrospectiva

No campo político, a semana iniciou tendo como tema principal a votação sobre as dívidas dos estados. O relator do Projeto de Lei Complementar  nº 257/16, deputado Esperidião Amin, do PP-SC, concordou com sugestões dos líderes partidários para que a matéria seja votada apenas nesta semana devido á complexidade do tema e à quantidade de emendas.

O texto apresentado pelo Poder Executivo renegocia as dívidas dos estados com a União, alongando-as por mais vinte anos, com carência até dezembro de 2016 e redução de parcelas em 2017 e 2018. Os artigos que obrigam todos os poderes e órgãos estaduais a se enquadrar em novas regras sobre limites de gastos com pessoal, que também constam do projeto, são considerados, pelo ministro Henrique Meirelles, como secundário, na medida em que se não forem aprovados, não afetam o ajuste fiscal nos estados.

Ainda segundo o ministro, foi proposta uma atualização da Lei de Responsabilidade Fiscal, inclusive por solicitação de alguns governadores, mas esta não é a parte central do acordo. Se ficar para outro momento, não vai alterar a essência do ajuste fiscal. O ajuste fiscal é o teto. A posição da fazenda vai ao encontro de demandas da base aliada e pode facilitar a aprovação do texto.

Para desfazer a impressão que o governo poderia estar fazendo demasiadas concessões para ver o projeto aprovado, o ministério da fazenda afirmou que os estados que não cumprirem o teto que limita a expansão dos gastos perderão os benefícios da renegociação da dívida.

Em relação à Operação Lava Jato, em manifestação de setenta páginas, o Ministério Público Federal defendeu a competência do juiz Sérgio Moro para julgar o ex-presidente Lula e afirmou que ele participou ativamente do esquema criminoso da Petrobrás. O documento é subscrito por quatro procuradores da República que compõem a força-tarefa da operação.

Acusaram ainda os procuradores, que, considerando os dados colhidos no âmbito da Operação Lava Jato, há elementos de prova de que Lula participou ativamente do esquema criminoso engendrado em desfavor da Petrobrás, e também de que recebeu, direta e indiretamente, vantagens indevidas decorrentes dessa estrutura delituosa. A manifestação foi uma resposta à ofensiva da defesa de Lula que, em exceção de competência, alegou parcialidade do juiz Moro para conduzir as investigações contra o ex-presidente.

Em relação aos principais fatos da semana, na economia internacional, especificamente na zona do euro, o PMI industrial apontou uma queda preocupante da atividade industrial, sinalizando que uma desaceleração mais acentuada fora da Alemanha pode aumentar os pedidos para que o Banco Central Europeu volte a flexibilizar a política monetária.

Já o PMI do setor varejista avançou de 48,5 pontos em junho, para 48,9 pontos em julho.  Ainda no continente europeu, para aliviar o impacto do Brexit, o banco central britânico reduziu a taxa de juros de 0,5% para 0,25%, a primeira queda desde 2009. Decidiu também comprar mais de 60 bilhões de libras em títulos públicos, para aumentar a liquidez na economia.

Nos EUA, o ISM industrial caiu 0,6 pontos, mas manteve-se acima de 50 pontos, o que indica expansão da atividade. O ISM de serviços também desacelerou, mas assim como o índice anterior ficou acima de 50 pontos. Já os pedidos de bens duráveis às fabricas americanas caíram 3,9% em junho, depois de queda de 2,9% em maio, conforme o Departamento de Comércio.

Por outro lado, os EUA criaram em julho 255 mil novas vagas de trabalho não rural, 76 mil a mais do que a estimativa dos economistas. A taxa de desemprego ficou em 4,9%, o mesmo patamar do mês anterior.

Na China, a atividade industrial caiu em julho, após quatro meses de alta, e no Japão, o governo aprovou um pacote equivalente a estímulos de US$ 130 bilhões em medidas fiscais, dentro do continuado esforço em expandir a atividade econômica.

O Dax, índice da bolsa alemã terminou a semana com alta de 0,29%, o FTSE-100, da bolsa inglesa subiu 1,03% e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana prosseguiu em alta e terminou a semana com valorização de 0,43%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-Fipe, depois de ter subido 0,72% na terceira prévia de julho, desacelerou para 0,35% na quarta, graças a uma alta menos intensa dos alimentos. O IPC-S, que tinha subido 0,36% na terceira medição de julho, acelerou para 0,37%, principalmente por conta da alta de 15,33% do feijão preto e de 30% do leite.

Já a produção industrial cresceu 1,1% em junho, puxada pelo setor de veículos, mas a queda em doze meses é de 9,8%, a maior desde outubro de 2009. A boa notícia veio da balança Comercial, cujo superávit em julho foi de U$ 4,57 bilhões elevando o valor acumulado no ano para US$ 28,2 bilhões, o maior para o período em vinte e oito anos.

Na semana, o índice Ibovespa teve alta de 0,62%, elevando a alta no ano para 33,01%.  Já o dólar caiu 1,64% e o IMA-B Total subiu 0,96%, elevando a alta no ano para 20,20%.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, divulgado hoje, apontou uma nova queda da expectativa de inflação para 2016. Os economistas consultados, na média, acreditam que o IPCA subirá 7,20% neste ano e não mais 7,21%. Para 2017, a expectativa foi também de queda. De 5,20% para 5,14%.

Em relação à taxa Selic, a expectativa permaneceu em 13,50% para o final deste ano e em 11% para o próximo.

Quanto à atividade econômica, os analistas das instituições financeiras passaram a estimar um “encolhimento” menor do Produto Interno Bruto em 2016 de 3,23%, e não mais de 3,24% estimados na semana anterior. Em relação a 2017 a expectativa manteve-se numa alta de 1,10%.

Já as estimativas para a produção industrial voltaram a piorar no relatório Focus. Para 2016, a queda prevista passou de 5,95% para retração de 6,00%. Para o próximo ano, a projeção de alta recuou de 0,75% para 0,50%.

Pela primeira vez nos últimos meses, esses mesmo analistas passaram a projetar uma queda, ainda que ligeira, no superávit para a balança comercial. Até a última semana do mês de julho esses especialistas previam um saldo de US$ 51,10 bilhões e na primeira semana de agosto indicam que o saldo poderá ser um pouco menor, alcançando a cifra de US$ 50,44 bilhões. Para 2017, as projeções foram mantidas em US$ 50 bilhões.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas mantiveram-se em US$ 65 bilhões para este ano e para o próximo.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes, é esperada a divulgação da produção industrial da Alemanha e da zona do euro em junho e a segunda prévia do PIB da zona do euro no segundo trimestre do ano.

Nos EUA, serão divulgadas a produtividade do setor não agrícola no segundo trimestre e as vendas no varejo em julho.

No Brasil, teremos a divulgação do IPC- Fipe e do IPC-S, da primeira quadrissemana de agosto, das vendas no varejo e o IBC-Br de junho.

No plano internacional, os mercados estarão focados nas vendas no varejo em julho, nos EUA e internamente no IBC-Br do Banco Central, considerado uma prévia do PIB.

No campo político, a semana trará uma série de votações importantes no Congresso. Destaque para a votação do Senado, na terça-feira, do parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que recomendou a continuidade do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rouseff. No mesmo dia, a Câmara dos Deputados deverá votar a renegociação das dívidas de estados e municípios, uma das primeiras medidas do ajuste fiscal que o governo do presidente interino, Michel Temer, quer urgentemente ver aprovadas.

Neste contexto, em relação ao total das aplicações, mantemos a recomendação de uma exposição de 35% aos vértices mais longos, representado pelo IMA-B Total (cuja composição historicamente equivale a 35% do IMA-B 5 e 65% do IMA-B 5+), 30% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 10% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras. Importante destacar que o alongamento das posições deve ser feito de forma paulatina, visando aproveitar as movimentações do mercado, que ainda poderá apresentar alta volatilidade.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDIC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%). Para os 10% direcionados para o mercado de ações, sugerimos a mesma estratégia de entrada paulatina, já que o cenário esperado é o mesmo que prevalece no alongamento das posições em renda fixa.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente, para o longo prazo.

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