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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 27/06/2016

Retrospectiva

Surpreendendo os mercados ao redor do mundo, o Reino Unido decidiu pela saída da União Europeia, o bloco político e econômico que congrega 28 países, e ao qual aderiram em 1973. A decisão, ainda que dividida, referendou a opinião dos eleitores do bloco pela ruptura. Até a véspera, a previsão para o desfecho do referendo era pela permanência do Reino Unido na comunidade, e o imprevisto abalou os mercados financeiros e provocou uma onda de choque e incredulidade global.

Com a decisão britânica, investidores se voltaram no mundo todo para ativos considerados mais seguros e realizaram ajustes após os últimos pregões. A libra chegou a afundar 10% em valor, atingindo o ponto mais fraco desde 1985, provocando uma corrida de capital pela tradicional segurança do iene e do franco suíço.

Ao final do dia, a agência classificadora de riscos Moody’s cortou a perspectiva do rating do Reino Unido para “negativa” ante “estável”, mas manteve a perspectiva “estável” para a nota de crédito da União Europeia. De acordo com agência, a saída britânica do bloco trará um período de incerteza para o Reino Unido, com implicações negativas para o crescimento do país no médio prazo.

Para além do Reino Unido, a preocupação recai sobre o futuro do bloco econômico, com possível fortalecimento do separatismo em outros países.

Por aqui, a operação Lava Jato continuou fazendo vítimas. Desta feita, a Polícia Federal prendeu o ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Paulo Bernardo, no âmbito da operação denominada “Custo Brasil”, um desdobramento da Lava Jato. O ex-ministro é investigado no esquema que direcionou à contratação da empresa Consist para operacionalizar o empréstimo consignado a funcionários públicos da União.

No campo político, o governo interino do presidente Michel Temer deu demonstração de força no Congresso Nacional. O Senado aprovou o texto do Projeto de Lei que cria a Lei de Responsabilidade das Estatais, que estabelece normas de governança corporativa e regras para compras, licitações e contratação de dirigentes realizadas por empresas públicas e sociedades de economia mista, como a Petrobras. As novas regras inibem fortemente o aparelhamento político das empresas públicas e criam condições para uma administração mais profissional e técnica. Agora, a matéria irá à sanção presidencial.

No campo corporativo, os mercados domésticos foram pegos de surpresa com a decisão da Oi em pedir sua recuperação judicial, o maior da história considerando a inclusão no processo de um total de R$ 65,4 bilhões em dívidas. A Oi é a maior operadora em telefonia fixa do Brasil e a quarta em telefonia móvel, com cerca de 70 milhões de assinantes. Em fato relevante divulgado ao mercado, a Oi afirmou que o pedido de recuperação foi ajuizado em razão dos obstáculos enfrentados pela administração da companhia para encontrar uma alternativa viável junto aos credores. A empresa acrescentou que o ajuizamento do pedido de recuperação judicial é mais um passo na direção da reestruturação financeira.

No campo da economia, tivemos a divulgação do IPCA-15, colhido entre os dias 15 de maio e 15 de junho. O índice teve um aumento de 0,40%, ante expectativa mediana dos economistas consultados de avanço de 0,50% na inflação na comparação mensal, após o índice ter subido 0,80% no período anterior, e segue desacelerando. A queda nos itens alimentação e transportes contribuíram para a desaceleração do número.

Entre os indicadores de atividade, tivemos a divulgação da prévia do Índice de Confiança da Indústria – ICI, apurado pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. O índice subiu 3,9 pontos na comparação com maio, indo para 83,1 pontos, estabelecendo-se como o maior índice desde fevereiro de 2015, quando apurou 84,9 pontos. A alta foi determinada pela melhora das expectativas em relação aos meses seguintes.

Refletindo a saída do Reino Unido da União Europeia, o DAX, índice da bolsa alemã, desabou 6,82%, devolvendo os ganhos do rali de cinco pregões em alta, acumulando uma baixa de 11,04% no ano. O FTSE-100, da bolsa inglesa, desvalorizou 3,15% em relação ao pregão imediatamente anterior, acumulando no ano uma queda de 1,66%, enquanto o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, encerrou o pregão com queda de 3,60%, devolvendo todos os ganhos no ano.

O índice Ibovespa fechou em baixa de 2,82%, aos 50.105 pontos, mas ainda acumulando uma alta no mês de 3,37% e no ano de 15,58%. Já o dólar acumula queda de 6,40% em junho, enquanto o IMA-B Total sobe 2,26% no mês.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, divulgado hoje, apontou uma nova alta da expectativa de inflação para 2016. Nas projeções de instituições financeiras para a inflação neste ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a trajetória de alta das estimativas foi mantida pela sexta vez consecutiva, ao passar de 7,25% para 7,29%.

Para 2017, o mercado segue insensível em relação à projeção do Bacen para o IPCA do ano que vem, pelo cenário de referência, estabelecido em 4,50%. A mediana das previsões para o indicador permaneceu em 5,50% pela sexta semana consecutiva.

Em relação à taxa Selic, subiu a expectativa que era de 13,00%, para 13,25% no final deste ano. Um mês atrás estava em 12,88% ao ano. Para o encerramento de 2017, porém, as estimativas para a Selic saíram de 11,25% ao ano para 11,00%. Quatro levantamentos atrás estava em 11,25% ao ano.

Quanto à atividade econômica, o mercado manteve a estimativa de que o PIB de 2016 cairá 3,44%. Um mês atrás estava em -3,81%. Para 2017, a mediana das previsões do mercado ficou estacionada em 1,00%. Quatro semanas atrás a pesquisa apontava alta de 0,55%.

Para a produção industrial, a expectativa de queda, no ano, aumentou de 5,85% para 5,89%. Para o próximo ano, a projeção continua no terreno positivo, de 0,80%, e mais robusta do que no levantamento passado, de 0,67%.

Quanto a Balança Comercial, a projeção neste ano se manteve em um superávit de US$ 50,76 bilhões.  E no ano seguinte, as estimativas voltaram para US$ 50 bilhões, após terem atingido a cifra de US$ 50,07 bilhões na semana passada.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas subiram de US$ 60 bilhões para US$ 60,50 bilhões, neste ano e não mudaram para o próximo se mantendo em US$ 60 bilhões.

Perspectiva

A saída do Reino Unido da União Europeia segue em destaque no mercado internacional, e o mercado local manterá no radar atenção redobrada aos desdobramentos da ruptura e seus impactos.

Na segunda-feira (27), será realizada reunião pelos líderes dos 27 países que continuam na União Europeia. David Cameron, primeiro-ministro demissionário do reino Unido, participará do encontro em Bruxelas no primeiro dia para informar seus colegas oficialmente do resultado do referendo. No dia seguinte, seguirão as discussões sobre as implicações políticas e econômicas dessa decisão tomada pela população do Reino Unido.

Na cena doméstica, as atenções se voltam para a divulgação do Relatório Trimestral da Inflação – RTI, com previsão para ser revelado amanhã (28). A apresentação do documento ganha importância, na medida em que será o primeiro documento assinado por Ilan Goldfajn, que estará presente na apresentação a ser comandada pelo diretor de Política Econômica do Bacen, Altamir Lopes. No documento, o Bacen deve reforçar o discurso de inflação caminhando ao centro da meta no horizonte próximo. O discurso deve reforçar que os choques inflacionários do passado ainda se acomodam, e que uma trajetória benigna no horizonte relevante é possível se vislumbrar.

Também na quarta-feira (29), será conhecido o resultado consolidado das contas públicas, que deverá confirmar o consenso de nenhuma melhora nos resultados fiscais no curto prazo, mesmo porque as medidas fiscais dependem de aprovação pelo Congresso.

No mesmo dia será revelada a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – Pnad Contínua. O principal dado que a pesquisa trará é o desemprego referente ao primeiro trimestre do ano, que deverá mostrar estabilidade no número.

Lá fora, será conhecida a terceira estimativa do PIB dos EUA para o quarto trimestre de 2015, bem como os PMIs da China para os setores de serviços e indústria. São divulgações aguardadas com ansiedade pelo mercado, pois indicam as perspectivas de crescimento das principais economias mundiais.

Neste contexto, mantemos a recomendação de uma exposição de 35% aos vértices mais longos, representado pelo IMA-B Total (cuja composição historicamente equivale a 35% do IMA-B 5 e 65% do IMA-B 5+), 30% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 10% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras. Importante destacar que o alongamento das posições deve ser feito de forma paulatina, visando aproveitar as movimentações do mercado, que ainda poderá apresentar alta volatilidade.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDIC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%). Para os 10% direcionados para o mercado de ações, sugerimos a mesma estratégia de entrada paulatina, já que o cenário esperado é o mesmo que prevalece no alongamento das posições em renda fixa.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente, para o longo prazo.

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