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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 13/06/2016

Retrospectiva

Tivemos outro início de semana conturbado, com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, requerendo ao STF a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros, do ex-presidente, José Sarney, do Senador Romero Jucá e do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha. Os três primeiros, com base nas gravações do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

O mesmo procurador também solicitou ao STF que remeta ao Juiz Sérgio Moro, as investigações referentes ao ex-presidente Lula e ao ex-senador Delcídio do Amaral.

Também na segunda-feira, o Ministério da Fazenda divulgou nota à imprensa para informar que o reajuste dos servidores públicos, aprovado pela Câmara na semana retrasada, está sujeito ao limite de gastos públicos que será proposto ao Legislativo por meio de Proposta de Emenda Constitucional – PEC. Dessa forma, o governo vai retirara o apoio ao aumento de salários dos ministros do STF, embora esteja mantido o apoio à aprovação do reajuste dos servidores do Judiciário.

Ainda na segunda-feira, o presidente Temer anunciou a paralisação de todas as indicações para diretoria e presidência de estatais e fundos de pensão, até que sejam aprovados dois projetos que altera as regras para essas nomeações e o que estabelece normas de transparência e gerenciamento de empresas estatais. Já no final da semana, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão anunciou que o governo irá cortar 4.307 cargos e funções comissionadas e prevê, com o corte, uma economia de R$ 230 milhões por ano.

No meio da semana, a Câmara dos Deputados aprovou, em segundo turno, a PEC que prorroga até 2023 a permissão para que a União utilize livremente a sua arrecadação, a chamada DRU e foi aprovada, pela Comissão de Assuntos Econômicos – CAE, a indicação do economista Ilan Golfajn para comandar o Banco Central, que já tomou posse. Na ocasião, afirmou que o objetivo da sua gestão será cumprir plenamente a meta de inflação.

Em relação aos principais fatos da semana, na economia internacional, especificamente na zona do euro, a agência Eurostat comunicou que o PIB da região, após a segunda revisão, cresceu 0,6% no primeiro trimestre de 2016, em relação ao anterior e 1,7% em comparação a 2015. Já os preços ao consumidor alemão tiveram alta de 0,1% em maio, na base anual.

Por sua vez, o Banco Mundial reduziu as suas previsões de crescimento global para 2,4% neste ano, marcando uma estagnação em relação ao ano anterior.

Nos EUA, a presidente do FED, Janet Yellen fez pronunciamento em que afirmou que o aumento dos juros do banco central norte-americano provavelmente está a caminho, dado que as forças econômicas positivas compensaram as negativas e ressaltou que surpresas podem emergir e que mudem as expectativas para os juros. Mesmo assim, os analistas esperam uma eventual alta apenas na reunião do FED de julho.

Na China, a inflação desacelerou em maio, para 2% em base anual, graças à queda dos preços dos alimentos, que haviam subido com força no inverno e as importações caíram menos que nos meses anteriores, reforçando a visão de estabilização da economia.

O Dax, índice da bolsa alemã terminou a semana com queda de 2,66%, o FTSE-100, da bolsa inglesa com queda de 1,51% e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, terminou a semana com baixa de 0,15%.

No Brasil, em relação à inflação de maio, o IPCA subiu 0,78% e foi o maior índice para o mês desde 2008. No ano o seu avanço acumulou 4,05% e em doze meses 9,32%. Já o INPC subiu 0,98% no mês e acumulou alta de 9,82% em doze meses.

O IPC-Fipe, depois de ter subido 0,57% na última semana de maio, desacelerou para 0,40% na primeira semana de junho. O IPC-S, que terminou o mês de maio com alta de 0,64%, também desacelerou para uma alta de 0,59% na semana inicial de junho. Já o IGP-M acelerou na primeira prévia de junho subindo 1,12%, depois de avançar 0,59% no mesmo período de maio.

Por conta da inflação ainda alta, o Copom manteve pela sétima vez seguida a taxa Selic, na última reunião presidida por Alexandre Tombini, sendo que a decisão foi por unanimidade.

Na semana, o índice Ibovespa caiu 2,36%, mas ainda acumulando uma alta no mês de 1,96% e no ano de 14,01%. Já o dólar caiu na semana 3,24%% e o IMA-B Total ficou quase estável subindo apenas 0,04%.

Comentário Focus

Depois de sofrer menos pressão no início do ano, a inflação voltou a ganhar força nas últimas semanas com uma alta maior que a esperada nos alimentos e também por conta de tarifas como as de telefone. O último Relatório Focus, divulgado hoje, apontou uma nova alta da expectativa de inflação para 2016. A projeção de instituições financeiras para a inflação neste ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu pela quarta vez seguida, ao passar de 7,12% para 7,19%. Para 2017, a estimativa é mantida em 5,50% há quatro semanas.

Em relação à taxa Selic, subiu a expectativa que era de 12,88%, para 13,00% no final deste ano. Para o próximo ano a previsão foi mantida em 11,25%.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera agora uma queda do PIB de 3,60% e não de 3,81%. Em relação a 2017 a expectativa de alta melhorou de 0,80%, para 1,00%.

Para a produção industrial, a expectativa de queda, no ano, diminuiu de 5,90% para 5,87%. Para o próximo ano, a projeção de alta caiu de 1% para 0,80%.

Quanto a Balança Comercial, a projeção neste ano aumentou de um superávit de US$ 50 bilhões para US$ 50,52 bilhões.  E no ano seguinte foi mantida em US$ 50 bilhões.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas subiram de US$ 60 bilhões para US$ 61,30 bilhões, neste ano e não mudaram para o próximo se mantendo em US$ 60 bilhões.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes, é esperada a divulgaçãoda produção industrial e da balança comercial da zona do euro, em abril e o índice de preços ao consumidor, em maio.

Nos EUA, serão divulgadas as vendas no varejo, a produção industrial, o índice de preços do produtor e do consumidor, em maio, e o resultado da reunião do FED.

No Brasil, teremos a divulgação do IPC- Fipe e do IPC-S, da segunda quadrissemana de junho, as vendas no varejo e o IBC-Br, em abril.

No plano internacional, os mercados estarão focados no resultado da reunião do FED, que ocorrerá dias 14 e 15 de junho próximo, e internamente continuará focado no andamento das medidas econômicas do governo Temer e nos fatos políticos.

Enquanto analistas já começam a prever uma reação mais rápida da atividade econômica, os economistas divergem se será em outubro ou agosto a reunião do Copom que promoverá uma queda da taxa Selic. São apostas as serem confirmadas.

Em relação ao total das aplicações, recomendamos uma exposição de 35% aos vértices mais longos, representado pelo IMA-B Total (cuja composição historicamente equivale a 35% do IMA-B 5 e 65% do IMA-B 5+), 30% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 10% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras. Importante destacar que o alongamento das posições deve ser feito de forma paulatina, visando aproveitar as movimentações do mercado, que ainda poderá apresentar alta volatilidade.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDIC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%). Para os 10% direcionados para o mercado de ações, sugerimos a mesma estratégia de entrada paulatina, já que o cenário esperado é o mesmo que prevalece no alongamento das posições em renda fixa.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente, para o longo prazo.

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