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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 06/06/2016

Retrospectiva

Gravações fizeram uma nova “vitima” no governo. A semana começou com o pedido de demissão do ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, que foi gravado fazendo críticas à operação Lava Jato. Para o seu lugar o presidente Temer escolheu Torquato Jardim, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral.

Outras escolhas também foram feitas. Para a Secretaria do Tesouro Nacional foi anunciada Ana Paula Vescovi, com ampla experiência no setor púbico, estava no comando da Secretaria de Fazenda do Espírito Santo. É a primeira mulher a chefiar o Tesouro. Para a secretaria executiva do Ministério da Fazenda, foi escolhido Tarcísio Godoy, que já foi secretário do Tesouro no governo FHC. E para líder do governo no Senado, foi anunciado o Senador Aloysio Nunes, do PSDB.

De forma geral, embora tenha havido reveses, a semana foi boa para o atual governo.

Não foi possível antecipar a sabatina no senado de Ilan Goldfain, por conta da atual oposição que não aceitou, e o indiciamento pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Zelotes, de Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, por crimes de trafico de influência, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro, não foi uma boa notícia para a equipe econômica do governo.

Entretanto, mais no final da semana, a Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, a PEC da Desvinculação de Receitas da União – DRU, uma das prioridades do governo interino, que amplia e prorroga até 2023 o mecanismo que permite à União gastar livremente parte da sua arrecadação. O texto amplia de 20% para 30% o percentual que pode ser remanejado da receita de todos os impostos e contribuições sociais federais.

Apesar da perspectiva de fechar este ano com um rombo de R$ 170,5 bilhões nas contas públicas, foi também aprovado pela Câmara, com o aval do presidente, um megapacote de reajustes para todo o funcionalismo federal, com impacto de ao menos R$ 58 bilhões até 2019. Segundo o presidente Temer, a aprovação da pauta-bomba pacifica a relação do governo federal com os servidores, em um momento delicado do país e não prejudica o ajuste fiscal por enquadrar-se no teto para o crescimento dos gastos públicos.

Em relação aos principais fatos da semana, na economia internacional, especificamente na zona do euro, a inflação do consumidor em maio recuou 0,1% em base anual, as vendas no varejo ficaram estáveis e a taxa de desemprego manteve-se em 10,2%, em abril. Neste contexto, o Banco Central Europeu – BCE decidiu manter a taxa de juros em 0%.

Nos EUA, o índice de confiança do consumidor foi de 92,6 pontos, abaixo dos 97 esperados, o PMI industrial de 50,7 pontos superou os 50,5 esperados e o livro bege mostrou que o crescimento econômico foi modesto desde o último relatório. A criação de novos empregos não rurais, de 38 mil postos, veio muito abaixo da expectativa de 158 mil, e a taxa de desemprego caiu de 5% para 4,7%, em maio, embora menos pessoas tenham procurado trabalho. E para completar, os pedidos às indústrias cresceram 1,9% em abril, ligeiramente abaixo da estimativa de 2%.

O Dax, índice da bolsa alemã terminou a semana em queda de 1,78%, o FTSE-100, da bolsa inglesa perdeu 0,98% na semana, enquanto o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, encerrou a semana estável.

No Brasil, em relação à inflação de maio, o IPC-Fipe acelerou de novo e fechou com alta de 0,57%, enquanto o IPC-S terminou o mês de maio com alta de 0,64%, quando a última medição havia apontado 0,68%. Já o IGP-M avançou de abril para maio, quando subiu 0,82%, acumulando no ano, alta de 4,15%.

Por sua vez, a taxa de desemprego, apurada através da Pnad, alcançou 11,2% no trimestre terminado em abril, sendo que 11,4 milhões de pessoas estavam sem emprego. No primeiro trimestre, o IBGE informou que o PIB encolheu 0,3% em relação ao anterior, acumulando uma queda de 4,7% em doze meses. No entanto, o índice de confiança da indústria subiu em maio e alcançou os maiores níveis desde março de 2015 e o de confiança do setor de serviços, também o maior nível desde julho de 2015. Para a produção industrial, a alta de 0,1% em abril, informada pelo IBGE, não amenizou a queda de 10,5% acumulada neste ano.

Do lado fiscal, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 10,2 bilhões, em abril, mas em doze meses o déficit acumulado é de 139,3 bilhões. Só em abril, com a queda do emprego, o déficit da Previdência elevou-se 150% em relação ao mês anterior.

Por aqui, os dados de emprego nos EUA fizeram preço sobre os ativos. Na semana, o índice Ibovespa fechou com ganhos de 3,2%, elevando a alta no ano para 16,8%.  Já o dólar recuou na semana 2,38%, cotado a R$ 3,5249, juntamente com as taxas de juros longas. O IMA-B Total acumula alta no mês de 1,34%.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, revelado hoje, apontou uma nova alta da expectativa de inflação para 2016. A previsão do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano subiu de 7,06% para 7,12% na semana passada. Foi a terceira alta seguida do indicador. Para 2017, a estimativa do mercado financeiro para a inflação ficou estável em 5,5%. O BC tem informado que buscará “circunscrever” o IPCA aos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 2016 (ou seja, trazer a taxa para até 6,5%), e também fazer convergir a inflação para a meta de 4,5%, em 2017.

O mercado financeiro manteve, na semana passada, a previsão de que a taxa básica de juros será mantida estável em 14,25% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – que se reúne nesta terça e quarta-feiras (7 e 8 de junho) para definir o patamar da taxa Selic.

Para o fim deste ano, a estimativa dos economistas dos bancos permaneceu estável em 12,88% ao ano. Isso quer dizer que o mercado segue acreditando em uma redução dos juros básicos da economia nos próximos meses.

Já para o fechamento de 2017, a estimativa para a taxa de juros ficou inalterada em 11,25% ao ano – o que pressupõe a continuidade da queda dos juros no ano que vem.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera agora uma queda do PIB de 3,71%, e não mais de 3,81%.  Foi a terceira semana seguida de melhora do indicador.

Na semana passada, o IBGE informou que o PIB brasileiro teve queda de 0,3% em comparação com os três meses anteriores. Foi a quinta queda trimestral seguida do PIB brasileiro. Apesar da contração, o resultado veio melhor do que a expectativa dos economistas.

Em relação a 2017 a expectativa de alta melhorou de 0,55%, para 0,85%.

Para a produção industrial, a expectativa de queda, no ano, foi reduzida para 5,90%. Para o próximo ano, a projeção de alta se elevou para 1,00%.

Quanto a Balança Comercial a projeção neste ano manteve-se em um superávit de US$ 50,0 bilhões.  E no ano seguinte foi mantida em US$ 50 bilhões. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas elevaram-se de US$ 58,64 bilhões para US$ 60,00 bilhões, neste ano e não mudaram para o próximo se mantendo em US$ 60 bilhões.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes, é esperada a divulgação da produção industrial na Alemanha, em abril e a inflação do consumidor em maio, além do PIB da zona do euro, no primeiro trimestre de 2016.

Nos EUA, será divulgada a produtividade do setor não agrícola, no primeiro trimestre e o índice de confiança do consumidor de Michigan.

No Brasil, teremos a divulgação do IGP-DI de maio, do IPC- Fipe e do IPC-S, da primeira quadrissemana de junho e o resultado da reunião do Copom no dia 8 de junho.

No plano internacional, os mercados estarão atentos ao pronunciamento da presidente do FED, Janet Yellen, na segunda-feira, depois dos fracos dados de emprego nos EUA, que foram divulgados.

Internamente, o mercado continuará focado no andamento das medidas econômicas do governo Temer. Ainda falta ser delineada a proposta de reforma da previdência e submetida ao Congresso a PEC que limita as despesas públicas à inflação do ano anterior.  Deve também ser votada em segundo turno pela Câmara e depois pelo Senado, a elevação da DRU.

Para as consultorias especializadas permanece elevada a possibilidade de confirmação do impeachment da presidente e para os analistas as medidas anunciadas ainda não alteraram o pessimismo quanto à evolução no curto prazo, da atividade econômica.

Em relação ao total das aplicações, recomendamos uma exposição de 35% aos vértices mais longos, representado pelo IMA-B Total (cuja composição historicamente equivale a 35% do IMA-B 5 e 65% do IMA-B 5+), 30% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 10% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras. Importante destacar que o alongamento das posições deve ser feito de forma paulatina, visando aproveitar as movimentações do mercado, que ainda poderá apresentar alta volatilidade.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento, é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDIC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%). Para os 10% direcionados para o mercado de ações, sugerimos a mesma estratégia de entrada paulatina, já que o cenário esperado é o mesmo que prevalece no alongamento das posições em renda fixa.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente, para o longo prazo.

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