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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 30/05/2016

Retrospectiva

O governo Temer teve que enfrentar, logo no início da semana, o seu primeiro momento de crise. O vazamento do áudio de conversa do ministro do Planejamento, Romero Jucá, com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, sobre a contenção da Operação lava-Jato, acabou acarretando no pedido de exoneração do ministro, que reassumiu a sua cadeira no Senado.

No dia seguinte, o presidente Temer anunciou uma série de medidas econômicas para a contenção dos gastos públicos e criar condições para a retomada do crescimento, sendo que algumas necessitarão a aprovação do Congresso. Propôs a devolução, pelo BNDES, de pelo menos R$ 100 bilhões em recursos que tinham sido repassados pelo Tesouro Nacional, nos últimos anos, para o abatimento da dívida pública, sendo que esse retorno permitiria a diminuição de cerca de R$ 7 bilhões no pagamento de subsídios relativos aos empréstimos concedidos pelo banco.

Outra medida anunciada foi a adoção de um teto para os gastos públicos, que em um ano não poderão subir mais que a inflação. Isso também limitará os gastos com saúde e educação, sendo que a aplicação mínima constitucional passará a constar da PEC que deverá ser submetida ao Congresso, em duas semanas. Foi também informada a decisão de apoiar o projeto já aprovado pelo Senado, que retira da Petrobrás a exclusividade das atividades no pré-sal e acaba com a obrigação da empresa de participar com pelo menos 30% dos investimentos, e de propor a extinção do chamado fundo soberano, criado em 2008, com a utilização dos US$2 bilhões lá depositados para o abatimento da dívida pública.

O governo, além do anúncio das medidas, falou sobre a necessidade de ouvir a sociedade sobre a reforma da Previdência e que quer priorizar projeto de lei, também já aprovado pelo Senado, que trata da gestão dos fundos de pensão e das companhias estatais, estabelecendo critérios rígidos de qualificação, para a nomeação de executivos.

Em entrevista coletiva para explicar as medidas, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que em um primeiro momento não haverá a elevação de impostos, que somente será considerado em último caso.

E para completar a semana curta, porém intensa, o Congresso Nacional aprovou, já na madrugada da quarta-feira, o projeto de lei que reduz a meta fiscal de 2016 e autoriza o governo federal a fechar o ano com um déficit de até R$ 170 bilhões, dado a queda da arrecadação, em função de uma queda maior do PIB que a esperada. A rapidez na aprovação representou uma expressiva vitória para o governo.

Ainda no mesmo dia, o Ministério da Fazenda anunciou o nome de Gilberto Occhi, que já foi ministro das Cidades no governo Dilma, para a presidência da Caixa Econômica Federal e de Pauli Caffarelli, que já foi funcionário de carreira, para a presidência do Banco do Brasil.

Em relação aos principais fatos da semana, na economia internacional, especificamente na zona do euro, o PMI composto, que mede a atividade nos setores industrial e de serviços, caiu de 53 pontos, em abril, para 52,9 em maio, atingindo o menor nível em 16 meses. A expectativa era de alta, para 53,2 pontos. Apenas o PMI industrial do bloco recuou para 51,5 em maio, de 51,7 em abril, também contrariando a projeção do mercado, que era de avanço marginal a 51,9. No setor de serviços da zona do euro, o PMI ficou inalterado na prévia deste mês, em 53,1, e a previsão dos analistas era de leve alta a 53,3. Já a confiança do consumidor da região cresceu 1,1 pontos no mês de maio.

Nos EUA, o PMI industrial teve queda de 50,8 pontos em abril, para 50,5 em maio, quando a expectativa era de uma elevação para 51, e o PMI de serviços outra queda de 52,1 para 51,2 pontos. Por outro lado, a venda de imóveis novos teve uma boa alta em abril, de 511 mil para 619 mil novas unidades (+ 16,6%), quando o esperado era 531 mil, e as vendas de imóveis pendentes, no mesmo mês, subiram 5,1%, quando a expectativa era de uma alta de 0,8%.

Por seu turno, os pedidos de bens duráveis subiram 3,4% em abril, quando a alta esperada era de apenas 0,3%. Sem considerar as vendas de veículos novos, a alta foi de 0,4%. Já a segunda revisão do PIB do primeiro trimestre mostrou uma evolução de 0,8%, quando o esperado era 0,9% e o sentimento do consumidor de Michigam caiu de 95,5 pontos em abril, para 94,7 em maio. Na sexta-feira a presidente do FED, Janet Yellen fez um novo pronunciamento, sugerindo que uma nova elevação dos juros nos EUA está próxima.

Lá fora, os indicadores dos mercados de ações se valorizaram. O Dax, índice da bolsa alemã, terminou a semana com alta de 3,73%%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, com alta de 1,86%, e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, também terminou a semana com uma boa alta de 2,28%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-Fipe acelerou de novo a sua alta de 0,41% para 0,50%, na terceira quadrissemana de maio, enquanto o IPC-S terminou o mês de maio com alta de 0,68%, quando a última medição havia apontado 0,67%.

Já a confiança do consumidor, em função da melhora das expectativas, subiu 3,5 pontos em maio, chegando a 71,1 pontos, o maior nível desde junho de 2015. Outra boa notícia foi o anúncio, pelo Banco Central, de um superávit de US$ 412 milhões nas transações correntes do país, elevando o superávit acumulado no ano para US$ 7,17 bilhões.

A cena política continuou a interferir nos mercados. Na semana, o índice Ibovespa caiu 1,35%, elevando a queda no mês para 9,01%, embora a alta no ano seja de 13,15%.  Já o dólar subiu 2,11%, juntamente com as taxas de juros longas e o IMA-B Total caiu 1,68%.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, divulgado hoje, apontou uma nova alta da expectativa de inflação para 2016. Os economistas consultados, na média acreditam que o IPCA subirá 7,06% neste ano e não mais 7,04%. Para 2017, a expectativa foi outra vez mantida em 5,5%. Recentemente, o IBGE informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, passou de 0,51% em abril para de 0,86% em maio. A taxa é a maior para o mês de maio desde 1996, quando o IPCA-15 registrou alta de 1,32%.

Em relação à taxa Selic, subiu a expectativa que era de 12,75%, para 12,88% no final deste ano. Isso quer dizer que o mercado segue acreditando em uma redução dos juros básicos da economia nos próximos meses, mas em menor intensidade. Atualmente, a taxa Selic está em 14,25% ao ano. Para o próximo ano a previsão do mercado caiu de 11,38% para 11,25%.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera agora uma queda do PIB de 3,81% e não de 3,83%. Em relação a 2017 a expectativa de alta melhorou de 0,50%, para 0,55%.

Para a produção industrial, a expectativa de queda, no ano, manteve-se em 6%. Para o próximo ano, a projeção de alta também se manteve em 0,90%.

Quanto a Balança Comercial, a projeção neste ano aumentou de um superávit de US$ 49,57 bilhões para US$ 50 bilhões, e no ano seguinte foi mantida em US$ 50 bilhões. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas caíram de US$ 59,28 bilhões para US$ 58,64 bilhões, neste ano e não mudaram para o próximo se mantendo em US$ 60 bilhões.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes é esperada a divulgação da confiança e da inflação do consumidor da zona do euro, bem como as vendas no varejo, em maio, a taxa de desemprego em abril e a reunião do BCE para a deliberação da taxa de juros.

Nos EUA, será divulgada a confiança do consumidor, o PMI industrial, os pedidos à indústria e a taxa de desemprego, em maio.

No Brasil, teremos a divulgação do IGP-M e do IPC- Fipe, de maio, a taxa de desemprego, a produção industrial e o resultado fiscal, em abril e o PIB do primeiro trimestre deste ano.

No plano internacional, os mercados continuarão focados na evolução dos dados econômicos dos EUA, na medida em que boas notícias nesse front significarão más notícias para os mercados de risco, com a possível queda das bolsas, a alta nos juros de mercado e a continuação da valorização do dólar.

Internamente, o mercado permanecerá focado no andamento dos fatos políticos, com consequências para a economia. As medidas já anunciadas foram elogiadas no mercado financeiro, que, no entanto, vai aguardar com cautela a sua tramitação no Congresso. Para os empresários, as medidas deixaram uma sinalização positiva para o resgate da confiança na economia, sendo que ainda são aguardados cortes expressivos de gastos do governo central.

Na quarta-feira, Ilan Goldajn, indicado para o Banco Central, será sabatinado pelo Senado, fato que poderá viabilizar a sua primeira participação em reunião do Copom, com a próxima marcada para o dia 7 de junho.

Em relação ao total das aplicações, recomendamos uma exposição de 35% aos vértices mais longos, representado pelo IMA-B Total (cuja composição historicamente equivale a 35% do IMA-B 5 e 65% do IMA-B 5+), 30% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 10% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras. Importante destacar que o alongamento das posições deve ser feito de forma paulatina, visando aproveitar as movimentações do mercado, que ainda poderá apresentar alta volatilidade.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDIC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%). Para os 10% direcionados para o mercado de ações, sugerimos a mesma estratégia de entrada paulatina, já que o cenário esperado é o mesmo que prevalece no alongamento das posições em renda fixa.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente, para o longo prazo.

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