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Nossa Visão – 23/05/2016

Retrospectiva

A primeira semana do novo governo foi marcada por importantes definições e algumas indefinições também, principalmente em relação ao status ou não de ministério, da pasta da Cultura.

A definição da equipe econômica, que foi objeto do Nossa Visão Especial, publicado no dia 19 último, foi a mais importante. Complementarmente, na sexta-feira, foi divulgada a informação de que Pedro Parente, Chefe da Casa Civil do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e atual presidente do Conselho de Administração da BM&F Bovespa, aceitou a indicação para a presidência da Petrobrás. A escolha, que deverá ser referendada pelo Conselho de Administração da Petrobrás, no próximo dia 23, foi dentro da estratégia do presidente Temer de colocar no segundo escalão do governo os chamados “notáveis”, donos de perfil eminentemente técnico.

Também na sexta-feira foi divulgada a meta de déficit primário, para 2016, de R$ 170,5 bilhões, que deverá ser analisada e aprovada pelo Congresso Nacional. No Relatório de Receitas e Despesas, em que está embasada a projeção, o governo estimou que a economia brasileira vá encolher 3,8% neste ano, que a inflação será de 7%, que a cotação média do dólar será R$ 3,70 em 2016, e que a taxa média da Selic será 14%. O governo anterior projetava a queda do PIB de 3,05%, a inflação em 7,44%, a taxa média do dólar de R$ 4,18 e a taxa média de juros (Selic) de 14,17%.

Está previsto um pronunciamento do presidente, nesta semana, em que deverá anunciar as medidas econômicas para o aumento da arrecadação, para a redução de despesas e cortes de gastos. Ficou faltando outras importantes definições, como o nome dos futuros presidentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

Em relação aos principais fatos da semana, na economia internacional, coube destaque para a ata da última reunião do FED, o banco central norte-americano, sinalizando que uma nova alta dos juros será debatida na próxima reunião em junho, caso os principais indicadores econômicos continuarem favoráveis.

Nesse aspecto, colaborou a divulgação de que o CPI, que mede a inflação do consumidor americano, subiu 0,4% em abril, quando a expectativa era de um aumento de 0,3%. Dessa forma, a inflação dos últimos 12 meses se elevou para 1,1%, sendo que o núcleo do índice atingiu 2,1% anualizado. Também em abril, a construção de novas residências teve expansão de 6,6% anualizada, a venda de moradias usadas de 1,5%, em relação a março, enquanto a produção industrial, que cresceu 0,7%, teve a maior expansão desde novembro de 2014.

Ainda em relação à atividade, o índice de indicadores antecedentes, do Conference Board, subiu 0,6% em abril.

Na China, a produção industrial teve alta anualizada de 6% em abril, enquanto no Japão a produção industrial revisada para março subiu 3,8%. O PIB do primeiro trimestre, também divulgado, teve evolução acima das expectativas, crescendo 0,5%, ou 1,7% em taxa anualizada.

O Dax, índice da bolsa alemã terminou a semana com queda de 0,37%, o FTSE-100, da bolsa inglesa com alta de 0,29%, enquanto o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, teve alta de 0,28%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-Fipe acelerou a sua alta de 0,38% para 0,41%, na segunda semana de maio, enquanto o IPC-S acelerou de 0,64% na primeira quadrissemana de maio, para 0,67% na segunda. Igualmente o IGP-M acelerou de 0,59%, na primeira prévia de maio, para 0,68% na segunda prévia. Confirmando a tendência de alta da inflação, o IPCA-15 de maio subiu 0,86%, quando em abril havia subido 0,51%. Foi a maior alta para um mês de maio, desde 1996.

Foi também anunciada a décima terceira queda seguida da arrecadação federal, que em termos reais apresentou recuo de 7,91% no primeiro quadrimestre de 2016, em relação ao mesmo período do ano anterior. Os tributos federais recolhidos no período somaram R$ 427,9 bilhões, o menor valor para o período desde 2010.

Na semana o índice Ibovespa caiu 4,02%, elevando a perda no mês para 7,77% e reduzindo o acumulado no ano para 14,70%. Já o dólar subiu 1,08%, elevando o ganho no mês para 2,64% e as taxas de juros longas subiram ligeiramente, sendo que o IMA-B Total caiu 0,08%.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, divulgado hoje, apontou uma alta da expectativa de inflação para 2016. Os economistas consultados, na média acreditam que o IPCA subirá 7,04% neste ano e não mais 7%. Para 2017, a expectativa foi mantida em 5,5%.

Em relação à taxa Selic, agora é esperado que caia de para 12,75% no final deste ano, enquanto no último relatório a previsão era de 13%. Para o próximo ano a previsão caiu de 11,50% para 11,38%.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera agora uma queda do PIB de 3,83% e não de 3,88%. Em relação a 2017 foi mantida a expectativa de alta de 0,50%.

Para a produção industrial, o pessimismo cresceu com o aumento da expectativa de queda no ano, de 5,85% para 6%. Para o próximo ano, melhorou a projeção de alta de 0,74% para 0,90%.

Quanto a Balança Comercial a projeção neste ano aumentou de um superávit de US$ 48 bilhões, para um de US$ 49,57 bilhões.  E no ano seguinte foi mantida em US$ 50 bilhões. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas melhoraram de US$ 58,50 bilhões para US$ 59,28 bilhões, neste ano e não mudaram para o próximo se mantendo em US$ 60 bilhões.

Perspectiva

Na Europa, em meio aos indicadores mais importantes, é esperada a divulgação do PMI Industrial e o de Serviços, em maio, na Alemanha e na zona do euro, além da confiança do consumidor, em ambas as regiões.

Nos EUA, será divulgado o PMI Industrial, o PMI de Serviços e o índice de Confiança de Michigan de maio, as vendas de casas novas e os pedidos de bens duráveis, de abril, além da última revisão do PIB do primeiro trimestre de 2016.

No Brasil, teremos a divulgação do IPC-S e do IPC- Fipe, relativo a terceira semana de maio, em uma semana cortada pelo feriado de Corpus Christi.

No plano internacional, os mercados estarão focados na evolução dos dados econômicos dos EUA, na medida em que boas notícias nesse front significarão más notícias para os mercados de risco, com a possível queda das bolsas, a alta nos juros de mercado e a valorização do dólar.

Internamente, o mercado estará focado no andamento dos fatos políticos, sobretudo os com consequências para a economia, além do anuncio de eventuais medidas para o equacionamento do déficit gigantesco a ser enfrentado pelo novo governo.

Como foi dito no Nossa Visão Edição Especial, em relação ao total das aplicações, recomendamos uma exposição de 35% aos vértices mais longos, representado pelo IMA-B Total (cuja composição historicamente equivale a 35% do IMA-B 5 e 65% do IMA-B 5+), 30% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 10% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras. Importante destacar que o alongamento das posições deve ser feito de forma paulatina, visando aproveitar as movimentações do mercado, que ainda poderá apresentar certa volatilidade.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento, é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDIC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%). Para os 10% direcionados para o mercado de ações, sugerimos a mesma estratégia de entrada paulatina, já que o cenário esperado é o mesmo que prevalece no alongamento das posições em renda fixa.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente, para o longo prazo.

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