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Nossa Visão – 09/05/2016

Retrospectiva

No campo político, a semana foi de alta intensidade. O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, não só denunciou o ex-presidente Lula ao STF, como também pediu investigações sobre a presidente Dilma, além de alguns de seus ministros, como Edinho Silva e Jacques Wagner, entre outros.

Por seu turno, os ministros do STF decidiram, por unanimidade, suspender o mandato do deputado Eduardo Cunha e afastá-lo da presidência da Câmara dos Deputados, já que é réu em processo no próprio STF por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Enquanto isso foi aprovado por quinze votos a cinco, na comissão do impeachment no Senado, o parecer do relator, Antonio Anastasia, que pede a abertura do processo. Desta forma, em quarenta e oito horas o parecer deve ser votado novamente, pelo plenário do Senado, em sessão que deve ocorrer na próxima quarta-feira, dia 11.

Em relação aos principais fatos da economia internacional, na zona do euro as vendas no varejo recuaram 0,5% em março, em comparação com fevereiro, sendo que a expectativa era de uma queda de apenas 0,1%. Em doze meses a alta foi de 2,1%. Já o PMI composto, que engloba os setores industriais e de serviços, caiu levemente em abril, de 53,1 em março, para 53. O PMI só de serviços, ficou estável.

Na Alemanha, a atividade industrial encolheu em abril. O PMI do setor industrial, que responde por cerca de um quinto da economia, caiu de 49 em março, para 48,1 em abril.

O resultado marca o segundo mês em que o índice caiu abaixo da linha de 50 pontos, que separa o crescimento, da contração.

O Dax, índice da bolsa alemã, terminou a semana em queda de 1,68%%, enquanto o FTSE-100, da bolsa inglesa, recuou 1,86%.

Nos EUA, os pedidos à indústria subiram 1,1%, quando os analistas esperavam um aumento de 0,5%, mas a produtividade no país registrou um novo retrocesso, caindo 1%. Já a criação de vagas de trabalho fora do setor agrícola somou 160 mil, abaixo da média de criação de 200 mil postos do primeiro trimestre. A taxa de desemprego foi mantida em 5%, por conta da saída de pessoas da força de trabalho. Já a renda média por hora trabalhada subiu 0,3%, mantendo a tendência de alta.

O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, terminou a semana com perdas de 0,40%. O mercado acionário vem tendo dificuldade para ganhar tração após um rali de vários meses, pressionado por indicadores econômicos ruins, balanços corporativos fracos e volatilidade nos preços do petróleo.

Na China, a atividade industrial recuou pelo décimo quarto mês consecutivo, forçando as empresas a cortarem empregos. O PMI da indústria caiu para 49,4, permanecendo abaixo de 50 pontos.

No Brasil, a produção industrial avançou 1,4% em março, mas acumulou uma queda de 11,7% no primeiro trimestre do ano. Por sua vez, a atividade do comércio recuou 9,5% em abril, em comparação com o mesmo mês do ano passado, e 8,8% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2015. Já a confiança do consumidor brasileiro atingiu o pior nível em 11 anos, tendo atingido 64 pontos. Os valores abaixo de 100 significam pessimismo.

No lado fiscal, o governo federal anunciou, além do aumento dos valores do Bolsa Família, que estaria encaminhando ao Congresso, proposta de correção de 5% da tabela de imposto de renda na fonte. Para compensar, elevou o Imposto sobre Operações Financeiras – IOF de 0,38% para 1,1% na compra de dólares em espécie. E dada a precariedade fiscal do país, a agência de classificação de risco Fitch cortou novamente a nota de risco do país, com perspectiva negativa. Com isso, também por essa agência, a nota do Brasil ficou dois degraus abaixo do grau de investimento.

Em relação à inflação, embora o IPC-Fipe tenha recuado para 0,46% em abril, o IPC-S acelerou para 0,49% no final do mesmo mês. Fato que foi captado na apuração da inflação oficial, o IPCA, que se elevou em 0,61% em abril, acima das expectativas dos analistas. No ano acumulou alta de 3,25% e 9,28% em doze meses. Já o INPC subiu 0,64% no mês, acumulando alta de 3,58% no ano e de 9,83% em doze meses.

Importante mencionar que a empresa comercializadora de energia Comerc destacou, em seu último relatório, que o nível dos reservatórios das hidrelétricas do Brasil ainda é baixo, se considerado o histórico dos últimos 15 anos. Mesmo após um período de chuvas mais favorável e uma recessão que reduziu o consumo de energia. No Nordeste, Norte e Sudeste/Centro-Oeste é que os níveis estão mais baixos.

Também foi divulgada a ata da última reunião do Copom, em que o Banco Central sinalizou que ainda é cedo para reduzir as taxas de juros. A inflação ainda se encontra em nível elevado e os efeitos da política fiscal são bastante adversos.

No setor externo, foi divulgado o resultado da Balança Comercial em abril, que apresentou um superávit de US$ 4,8 bilhões, o maior para o mês desde 1989. Dessa forma, o superávit acumulado no ano se elevou para US$ 13,2 bilhões, resultado impactado mais pela queda das importações do que pelo aumento das exportações.

Na semana o índice Ibovespa caiu 4%, o pior desempenho semanal desde janeiro, reduzindo os ganhos anuais para ainda expressivos 19,30%.  Já o dólar fechou a semana em leve alta de 0,37%. Com a publicação do IPCA acima do esperado, as taxas de juros abriram e o IMA-Geral encerrou a semana com valorização de 0,15%.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, revelado nesta manhã, apontou para uma piora nas expectativas de inflação para 2016. Após o IPCA de abril superar as expectativas dos analistas, o mercado voltou a elevar as projeções para a inflação neste ano, interrompendo uma sequencia de oito semanas consecutivas de queda.

Os economistas consultados, na média acreditam que o IPCA subirá 7,0% neste ano e não mais 6,94%. Para 2017, os economistas e instituições consultados voltaram a reduzir as estimativas. A previsão para a inflação recuou de 5,72% na pesquisa passada para 5,62% nesta semana. O percentual se situa abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional – CMN para o próximo ano, que é de 4,5% com 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Em relação à taxa Selic, agora é esperado que caia de 13,25% para 13,00% no final do ano, apesar do Banco Central não acenar com essa possibilidade no curto prazo. Já para o ano que vem, a taxa foi mantida em 11,75%.

Em relação ao desempenho da economia, pela primeira vez após 15 quedas seguidas, os analistas previram um leve respiro. Em vez de queda de 3,89% no PIB deste ano, eles agora acreditam que o tombo será de 3,86%. Já para o ano que vem o Focus sinaliza para nova elevação, pela terceira semana seguida, passando de 0,40% para 0,50%.

Para a produção industrial, o pessimismo se manteve com o aumento da expectativa de queda, no ano de -5,83% para -5,95%. Para 2017, houve reversão nas expectativas e as projeções indicam uma alta de 0,50% para 0,74%.

Para a Balança Comercial a projeção neste ano recuou de um superávit de US$ 48,0 bilhões, para um de US$ 46,4 bilhões.  E no ano seguinte manteve-se em US$ 50,0. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas apresentaram leve recuo de US$ 58,0 bilhões, para US$ 57,3 bilhões em 2016. Para 2017 as estimativas permaneceram em US$ 60,0 bilhões.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes é esperada a divulgação do PIB do primeiro trimestre da zona do euro, e a produção industrial em março, e da Alemanha, dados idênticos, além da inflação.

Nos EUA, será divulgada a inflação do produtor e as vendas no varejo de abril, e o índice de confiança do consumidor em maio.

No Brasil, teremos a divulgação do IPC-S e do IPC- Fipe, na primeira semana de maio, as vendas no varejo, o desempenho do setor de serviços e o IBC-Br, de março.

Com a votação do impeachment, pelo plenário no Senado e o consequente afastamento da presidente, o vice Michel Temer passará a receber todos os holofotes, também do mercado financeiro, ansioso pela definição de toda a equipe econômica. Henrique Meirelles, virtual Ministro da Fazenda, já declarou que é preciso estabelecer metas realistas para a melhora da confiança no país e que o principal desafio é estabilizar a trajetória da dívida pública brasileira. Para tanto, confia no Congresso Nacional para aprovar as medidas necessárias. O desafio é enorme.

A dúvida que permanece, é se o otimismo com a mudança política já foi devidamente precificado pelos mercados, ou se há espaço para maiores evoluções. É consenso que a resposta dependerá da capacidade do novo governo implementar todas as reformas que são necessárias.

Enquanto se aguarda pelos desdobramentos, a maioria dos investidores parece não estar disposta a correr riscos. De acordo com dados divulgados pela AMBIMA, os fundos de renda fixa foram os únicos com entrada expressiva de recursos neste ano.  De janeiro a abril, as aplicações superaram os resgates em R$ 40,2 bilhões. O que chamou mais a atenção foi o fato de quase a totalidade dos recursos terem ingressado nos produtos chamados de duração baixa, que se concentram em títulos com vencimento no curto prazo. Em linha com o que temos orientado.

Nesse contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa aos vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDkA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, ou seja, para ativos indexados ao IRFM-1, ou mesmo ao DI, já que, mesmo que o rendimento não propicie a superação da meta atuarial, o risco de perda, num cenário tão incerto, fica substancialmente reduzido.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

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