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Nossa Visão – 02/05/2016

Retrospectiva

A semana que passou, foi mais uma dominada pelo cenário político. Depois de instalada, a comissão do impeachment do Senado prosseguiu com os seus trabalhos, sendo que foram ouvidos os autores do pedido e os integrantes do governo, escalados para a defesa da presidente, quanto ao crime de responsabilidade. Nesta semana novas pessoas serão ouvidas e está prevista, para o dia 06 de maio, a votação em plenário do parecer do Senador Anastasia, relator do caso. Por outro lado, o vice-presidente, Michel Temer, deu continuidade às articulações no sentido da montagem de sua equipe de governo, sendo que o PSDB se mostrou mais receptivo quanto a eventual ocupação de cargos. Enquanto isso, o ex-presidente Lula conclamou os movimentos sociais a irem para as ruas, entretanto, as manifestações que ocorreram em diversos estados foram pequenas e isoladas.

Em relação aos principais fatos da economia internacional, na zona do euro, conforme a agência Eurostat, o PIB do primeiro trimestre evoluiu acima do esperado e subiu 0,6%, em relação ao trimestre anterior e 1,6% anualizado.  No entanto, a inflação ao consumidor, de abril, voltou a ser negativa em -0,2%. Assim, o Banco Central Europeu, manteve inalterada a taxa de juros em 0%.

O Dax, índice da bolsa alemã terminou a semana em baixa de 3,2%%, enquanto o FTSE-100, da bolsa inglesa registrou declínio de 1,1%.

Nos EUA, o PIB de primeiro trimestre cresceu a uma taxa anualizada de 0,5%, abaixo da expectativa de 0,7%. Os gastos dos consumidores cresceram apenas 0,1% em março, também abaixo do esperado e as vendas de casas novas recuaram 1,5%. O banco central americano (FED) se reuniu e decidiu, novamente, manter a taxa de juros inalterada entre 0,25% e 0,5% ao ano. Por outro lado, na terceira semana do mês os pedidos de auxílio desemprego atingiram o menor nível desde 1973.

O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, terminou a semana em baixa de 1,3%, a maior queda semanal em mais de dois meses.

No Brasil, foi divulgado que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, IBC-Br, de fevereiro, recuou 0,29% e acumulou queda de 4,75% em doze meses.  Já o IBGE, informou que a taxa de desemprego, medida pela Pnad Contínua atingiu 10,9% no final de março, com 11 milhões de pessoas desempregadas.

Foi também anunciado o resultado da política fiscal, de março, quando setor público consolidado registrou déficit primário de R$10,6 bilhões , No ano, o déficit primário acumulado foi de R$5,8 bilhões, ante um superávit de R$19 bilhões no mesmo período de 2015. No acumulado em doze meses, registrou-se um déficit primário de R$136 bilhões (2,28% do PIB).

Por seu turno, o STF decidiu adiar, por sessenta dias, o julgamento de que tipo de juros deve ser aplicado no pagamento das dívidas dos estados.

Em relação à inflação, o IPC-S semanal suavizou a sua alta para 0,38%, na terceira prévia de abril e o IGP-M, o índice que ajusta os aluguéis, teve alta de 0,33% em abril e de 10,63%, em doze meses. Em relação à taxa Selic, o Copom optou novamente por deixá-la inalterada, em 14,25% a.a, mas desta feita a decisão foi unânime e não mais com dois diretores votando pela elevação de 0,5%.

Na semana, o índice Ibovespa subiu 1,90%, elevando o ganho no mês para 7,70% e o no ano, para expressivos 24,37%.  O ingresso líquido de capital estrangeiro na bolsa foi de R$ 2,9 bilhões em abril, elevando o acumulado no ano para R$ 13,5 bilhões.

Já o dólar P-Tax recuou 3,68% na semana, e 3,03% no mês. As taxas de juros longas caíram e o IMA-Geral subiu 1,07% na semana, acumulando alta de 2,89% em abril.

Comentário Focus

As expectativas dos economistas para a inflação em 2016 continuaram a melhorar, como vem ocorrendo nos últimos dois meses, e a perspectiva para a atividade econômica parece ter parado de piorar. Ao mesmo tempo, ao longo das últimas duas semanas, o mercado começa a ver uma perspectiva melhor para a economia em 2017. A expectativa de inflação está se distanciando do teto da meta, de 6%, enquanto houve dois pequenos ajustes para cima na estimativa do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). Também se espera juros menores no ano que vem.

De acordo com o boletim Focus revelado hoje, a mediana das estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2016 caiu pela oitava semana, de 6,98% para 6,94% de aumento. A aposta, contudo, ainda segue acima do teto da meta, de 6,50%, para o período. A projeção de inflação em 12 meses também recuou, pela quarta semana, de 6,20% para 6,19%.  Para 2017, a redução das estimativas para a inflação foi um pouco mais intensa, de 5,80% para 5,72%. Entre os analistas Top 5, os que mais acertam as previsões, a mediana do IPCA para 2016 seguiu em 7,05% de alta, mas a de 2017 passou de 6% para 5,90% de elevação.

Esse recuo nas estimativas de inflação é acompanhado por uma melhora nas projeções para os preços administrados, que devem subir 6,95% neste ano e 5,73% no ano que vem. As previsões anteriores eram de incremento de 7% e 5,80%.

Quanto à atividade, os economistas continuaram a ajustar a previsão para o desempenho do PIB de 2016 para baixo, mas com menor intensidade. A estimativa passou de queda de 3,88% para retração de 3,89%. A expectativa para 2017 foi ajustada para cima pela segunda semana, desta vez de crescimento de 0,30% para 0,40%.

Após vários ajustes, os economistas mantiveram a mesma projeção para a taxa Selic da semana anterior, em 13,25% ao fim deste ano – há quatro semanas, estava em 13,75% ao ano. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o colegiado manteve a Selic inalterada em 14,25% ao ano, em decisão unânime.

Para o ano que vem, o mercado espera que a Selic termine o ano em 11,75% ao ano, ante taxa de 12,00% ao ano apontada na última semana – há quatro documentos estava em 12,50%. Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, a estimativa para 2016 ficou mantida em 13,38% ao ano. Um mês atrás, a mediana das projeções estava em 13,25%. Já para 2017, a previsão é que a taxa encerre o ano em 12,25% ao ano, mesmo valor do último documento – há quatro semanas estava em 11,75%.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes, é esperada a divulgação do PMI industrial e de serviços da Alemanha, em abril, o PMI de serviços, também em abril e as vendas no varejo, na zona do euro, em março.

Nos EUA, será divulgado o ISM industrial, os empregos gerados e a taxa de desemprego, de abril, as encomendas às indústrias, em março e o nível de produtividade no primeiro trimestre.

No Brasil, será divulgado o IPC-Semanal, quarta quadrissemana, o IPC-Fipe de abril, a ata da última reunião do Copom, além do IPCA de abril.

É ainda na política que continuarão concentradas todas as atenções do mercado financeiro. Prosseguirão os trabalhos na comissão do Senado que discute o impeachment, com a possível votação do relatório, na própria comissão, no dia 06 de maio e em plenário, no dia 11.

O vice-presidente Michel Temer, deverá avançar nas tratativas para a formação do seu governo provisório, sendo que os nomes mais comentados, entre outros, são o de Henrique Meirelles, na Fazenda, Romero Jucá, no Planejamento, José Serra nas Relações Exteriores, e Eliseu Resende na Casa Civil.

O fato é que uma série de medidas urgentes aguarda o novo governo, principalmente às relativas à política fiscal. Com a rigidez orçamentária para o corte de despesas, e o pouco espaço político para a elevação de impostos, desarmar a bomba relógio do crescimento acelerado dos déficits primário e nominal, além da dívida pública, em relação ao PIB é tarefa das mais difíceis. O país corre contra o tempo, para evitar o avanço da deterioração de seus principais indicadores.

Nesse contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa aos vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDkA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, ou seja, para ativos indexados ao IRFM-1, ou mesmo ao DI, já que, mesmo que o rendimento não propicie a superação da meta atuarial, o risco de perda, num cenário tão incerto, fica substancialmente reduzido.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

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