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Nossa Visão – 25/04/2016

Retrospectiva

Depois da admissibilidade do impeachment, aprovada pela Câmara dos Deputados no último dia 17, tivemos uma semana de poucos negócios e abreviada pelo feriado de Tiradentes. Recebida a decisão da Câmara, os blocos partidários, com representação no Senado, já indicaram os nomes dos seus representantes para a formação da comissão, composta por 21 integrantes titulares e por 21 suplentes.

Durante esta semana, os integrantes da comissão serão eleitos pelo plenário e será instalada.

Lembramos que o parecer do impeachment será votado na comissão e depois no plenário, onde a aprovação se dá por maioria simples. Se efetivamente aprovado, a presidente é afastada por 180 dias, quando assume a presidência o vice, Michel Temer, até o Senado julgar a presidente pelo suposto crime de responsabilidade, em sessão que será conduzida pelo presidente do STF. A votação do parecer deve acontecer em meados de maio e o processo todo poderá se estender até o mês de outubro.

O que também pudemos observar, durante a semana anterior, foram as movimentações do vice-presidente no sentido de escolher nomes que comporão o seu eventual governo.

Em relação à economia internacional, na Europa, o Banco Central Europeu – BCE realizou mais uma reunião do conselho de política monetária, que manteve em 0% a taxa básica de juros e em -0,4% a taxa de depósito sobre as reservas dos bancos comerciais estacionadas no BCE.

Por sua vez, a confiança dos consumidores nos 19 países da zona do euro aumentou em 0,4 ponto, para uma leitura -9,3. O PMI de serviços subiu de 53,1 em março, para 53,2 em abril e o PMI da indústria, de 53,1 em março, para 53,2 em abril.

Se o DAX, índice da bolsa alemã terminou a semana subindo 3,20%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, caiu 0,53%.

Nos EUA, se a construção de imóveis novos encolheu 8,8% e as novas permissões de construção 7,7%, as vendas de imóveis usados subiram 5,1%, em março.  O que causou surpresa, foi a inesperada queda dos pedidos de auxílio desemprego, que atingiram o menor nível desde 1973, demonstrando a continuada força do mercado de trabalho norte-americano. Declarações de presidentes regionais do FED vieram no sentido de uma nova alta dos juros, na reunião do próximo dia 27 de abril.

O índice S&P 500, da bolsa americana, terminou a semana com alta de 0,52%.

No Brasil, o IPC-S (FGV) desacelerou de 0,45% para 0,38%, da segunda para a terceira medição de abril, o IPC-Fipe desacelerou de 0,94% para 0,75%, da primeira para a segunda prévia do mês, o IGP-M também desacelerou de 0,43% para 0,30% na segunda prévia de abril. Já o IPCA-15, considerado uma prévia do IPCA de abril, acelerou de 0,43%, em março, para 0,51%, neste mês.

Por seu turno, a taxa de desemprego aumentou para 10,2%, no trimestre encerrado em fevereiro, de acordo com a Pnad Contínua. Nessa data havia 10,4 milhões de pessoas desempregadas.

Também foi divulgado, pelo Banco Central, o índice de atividade econômica IBC-Br, que mostrou uma contração da economia, em fevereiro, de 0,29%. Nos doze meses, encerrados em fevereiro, o IBC-Br acumulou queda de 4,63%.

Em consequência da atividade econômica, que seguiu enfraquecendo, a Receita Federal informou que a arrecadação de tributos federais registrou uma nova queda real em março, desta feita de 6,96%. No primeiro trimestre do ano, o recuo foi de 8,2%.

Foi também divulgado pelo BC, o déficit em transações correntes de US$ 855 milhões, em março, sendo que no trimestre foi de US$ 7,6 bilhões, folgadamente coberto pelo Investimento Estrangeiro Direto – IED de US$ 16,9 bilhões, no trimestre.

O dólar (P-Tax 800) fechou a semana com alta de 1,57%, acumulando no mês um avanço de 0,67%, enquanto o índice Bovespa fechou a semana com queda de 0,60%, diminuindo o ganho no mês para 5,70%.

Comentário Focus

O Relatório Focus, divulgado na segunda-feira, apontou uma nova queda das expectativas de inflação para 2016 e 2017. Os economistas consultados, na média, acreditam que o IPCA subirá 6,98% neste ano e não mais 7,08%. Esta foi a sétima semana consecutiva de queda nas previsões do mercado para o indicador. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado em março, a estimativa do BC para o IPCA de 2016 estava em 6,6% no cenário de referência e 6,9% no cenário de mercado.

Para o próximo ano, também houve uma queda na expectativa, de 5,93% para 5,80%. Há quatro semanas estava em 6,00%.

Em relação à taxa Selic, houve queda da expectativa para o final de 2016 e 2017. Para este ano, de 13,38% para 13,25% e para o ano que vem, de 12,25% para 12%.

Com sinais de arrefecimento da inflação, o mercado financeiro agora prevê que o Copom vai começar a baixar a taxa básica de juros em setembro. A taxa, hoje em 14,25% ao ano, seria reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano. Iria para 13,50% ao ano em outubro, 13,25% ao ano em dezembro, 12,75% ao ano em janeiro de 2017, chegando a 12,25% ao ano em fevereiro e 12,00% ao ano em abril, mantendo-se estável até o final de 2017. Todos os números estão em níveis mais baixos que os projetados na semana passada.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera que a recessão se aprofunde ainda mais, com o PIB caindo 3,88% e não mais 3,80%. Para 2017 a situação se inverteu. É esperada uma alta de 0,30% e não mais de 0,20%.

Para a produção industrial, foi mantida uma queda de 5,80%, para este ano, enquanto para o próximo, espera-se uma queda de 0,54% e não mais 0,69%. Já para a Balança Comercial, espera-se agora um superávit de US$ 48 bilhões, ao invés de US$ 45,51 bilhões neste ano e de US$ 50 bilhões no próximo.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de US$ 55,1 bilhões, neste ano e continuam em US$ 55 bilhões, no próximo.

Perspectiva

Na Europa, serão divulgados o índice de confiança do consumidor, da indústria e dos serviços, bem como a inflação do consumidor em abril, o PIB do primeiro trimestre do ano e a taxa de desemprego de março. Todos os indicadores da zona do euro.

Nos EUA, serão divulgadas as vendas de casas novas, em março e os índices de confiança do consumidor e da atividade industrial em Chicago, em abril. Além da reunião do FED, que deliberará sobre a taxa básica de juros.

No Brasil, serão divulgados o IPC-S da terceira quadrissemana, o IPC-Fipe, do mesmo período, o IGP-M de abril e os dados da política fiscal, em março. Haverá também reunião do Copom, para nova deliberação sobre a taxa Selic.

No campo político, enquanto o Senado continuará dando prosseguimento ao processo de impeachment, o vice-presidente Michel Temer continuará a sua mobilização para angariar apoios para o seu projeto de governo. Para o ministério da Fazenda, a principal pasta, dada a situação atual da economia, os favoritos parecem ser Henrique Meirelles e o Senador José Serra, cujas competências são reconhecidas pelos mercados, depois da recusa de Armínio Fraga.

De qualquer forma, com a continuada deterioração das contas públicas, a atenção do mercado se volta não apenas sobre quais medidas poderiam ser tomadas pelo novo governo, para começar a reverter a situação e recobrar a confiança dos investidores, como também sobre qual seria a sua base de sustentação, para atingir os objetivos propostos para o país.

Como a semana nos reserva eventos importantes, como as reuniões de política monetária, tanto no Brasil, quanto nos EUA e a sessão do STF que deliberará sobre a questão das dívidas dos estados, muita volatilidade é esperada em todos os mercados, além de todas as incertezas políticas.

Na semana passada, os subíndices AMBIMA, das carteiras de títulos públicos prefixados, de longa duração, tiveram rentabilidade negativa, apesar de ainda acumularem os maiores ganhos no mês. Para esta semana, embora os indicadores de inflação estejam mais amenos, continuamos aguardando dados muito ruins em relação à execução da política fiscal. No nosso entender, a mãe dos principais males do Brasil.

Nesse contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa aos vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDkA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, ou seja, para ativos indexados ao IRFM-1, ou mesmo ao DI, já que, mesmo que o rendimento não propicie a superação da meta atuarial, o risco de perda, num cenário tão incerto, fica substancialmente reduzido.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

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