Telefone: 13 3878-8400  |  E-mail: consultoria@creditoemercado.com.br

Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 28/03/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em leve queda de 0,07%, aos 49.657 pontos, acompanhando o recuo das bolsas internacionais pressionadas por um forte recuo no preço do petróleo, além da expectativa de que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) eleve o juro na próxima reunião a ser realizada em abril. Na semana, o índice de referência do mercado acionário acumulou baixa de 2,28%, após cinco semanas consecutivas de alta impulsionada pelo “rali do impeachment”. Ainda assim, acumula alta de 16,03% no mês.

Pesou sobre os mercados a notícia de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, mandou o juiz Federal Sérgio Moro devolver ao STF as investigações sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bem como determinou o sigilo das interceptações telefônicas, inclusive as já divulgadas, por considerar que pessoas com foro privilegiado aparecem nas gravações. A decisão do ministro tem caráter liminar. Agora, a decisão definitiva vai para o plenário do Supremo, ainda sem data para acontecer. O ministro Teori não decidiu sobre a nomeação de Lula para ministro da Casa Civil, que continua suspensa por decisão anterior do Ministro Gilmar Mendes.

Ainda no campo político, a notícia de que o Grupo Odebrecht (a qual pertence à principal empreiteira envolvida na operação Lava-jato) resolveu colaborar definitivamente com a investigação, ao anunciar que todos os executivos da empreiteira concordaram em fazer acordos de delação premiada. A decisão foi anunciada no mesmo dia em que a 26ª fase da Operação Lava Jato cumpriu mandados de busca e apreensão e prisões de pessoas ligadas ao grupo. A notícia caiu como uma bomba no meio político e deve arrastar para o centro das investigações, políticos de mais de 20 partidos.

A Polícia Federal sustenta que a empresa mantinha um “Setor de Operações Estruturadas” que servia como uma contabilidade paralela para o pagamento de propina. Nas buscas realizadas na casa do ex-presidente de Infraestrutura da empreiteira, Benedicto Barbosa Silva Junior, no Rio de Janeiro, foram apreendidos arquivos que revelaram inúmeras tabelas e planilhas com nomes de políticos das principais siglas da base aliada e da oposição. A descoberta tende a reduzir o ímpeto do processo de impeachment, visto que as lideranças que apóiam o processo não vão querer se expor neste momento.

Do lado dos fundamentos econômicos, pesou sobre os mercados o anúncio pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, de uma nova proposta de meta fiscal para o ano de 2016. A proposta é reduzir a meta fiscal deste ano para R$ 2,8 bilhões. Como argumento a proposta, avalia que houve uma forte desaceleração da economia que se reflete nas receitas do governo,

Na segunda-feira, Barbosa já havia anunciado uma série de medidas fiscais, com destaque para a flexibilização de pagamentos da dívida dos Estados com a União. Em contrapartida à negociação, os governadores precisarão aprovar leis locais de responsabilidade fiscal, não conceder novos incentivos fiscais e não nomear novos servidores, salvos os casos de reposição por aposentadoria ou falecimento nas áreas de saúde, educação e segurança.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou a mais recente Pesquisa Mensal de Emprego (PME), relativa a fevereiro. E os números só pioram no mercado de trabalho. Se em janeiro o desemprego havia sido de 7,6%, em fevereiro atingiu 8,2%, maior nível em quase sete anos. A renda média também foi afetada pelo atual cenário, com recuo de 1,5% em fevereiro sobre janeiro, atingindo R$ 2.227,5 reais. Na comparação com o mesmo mês de 2015, a queda foi de 7,5%, num cenário de inflação alta e juros elevados. Já a população desocupada registrou alta de 7,2% contra janeiro e forte aumento de 39% sobre um ano antes, chegando a 2,015 milhões de pessoas à procura de uma posição.

A boa notícia veio do IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial mensal, que registrou forte desaceleração em março ao fechar com variação de 0,43%, resultado que chega a ser 0,99 ponto percentual abaixo da taxa de 1,42% de fevereiro. De acordo com o IBGE, este é o menor resultado para os meses de março, desde os 0,25% registrados em março de 2012. A queda de preços entre fevereiro e março foi praticamente generalizada com retração em sete dos nove grupos de produtos, à exceção de Artigos de Residência (crescimento de 0,86% para 0,88%) e Vestuário (de 0,14% para 0,44%).

Pesquisa Focus

O relatório de mercado Focus revelado hoje mostra que os analistas continuam não acreditando em uma nova alta dos juros, ou corte dos mesmos, no decorrer de 2016. O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa Selic em 14,25% ao ano. Já para o fechamento de 2017, a estimativa para a taxa de juros permaneceu inalterada, pela quarta semana consecutiva, em 12,50% ao ano – o que pressupõe queda dos juros no ano que vem.

Em relação à inflação, a expectativa do mercado para o IPCA de 2016 caiu de 7,43% para 7,31%. Foi o terceiro recuo seguido do indicador. Um mês atrás, as projeções indicavam que o IPCA fecharia o ano em 7,57%. Apesar da queda, ainda permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas e bem distante do objetivo central de 4,5% fixado para este ano.

A melhora na previsão de inflação do mercado financeiro para este ano aconteceu na mesma semana em que foi divulgado o IPCA-15 de março, que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somou 0,43 – contra 1,42% no mês anterior. Com isso, o índice deverá manter a trajetória de queda pelo segundo mês consecutivo.

Para 2017, a estimativa do mercado financeiro para a inflação permaneceu estável em 6% – exatamente no teto do regime de metas para o período, e também longe da meta central de 4,5% estabelecida para o próximo ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para o PIB de 2016, o mercado financeiro passou a prever uma contração de 3,66% na semana passada, contra uma retração de 3,60% estimada na semana anterior. Foi a décima piora seguida do indicador.

Recentemente, o IBGE informou que o PIB brasileiro teve um tombo de 3,8% em 2015 – o maior em 25 anos. Se a previsão de um novo “encolhimento” se confirmar em 2016, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948.

Para o comportamento do PIB em 2017, os economistas das instituições financeiras baixaram a previsão de alta de 0,44% para 0,35%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Perspectivas

A agenda política deve manter o protagonismo e fazer preço sobre os ativos negociados no mercado de capitais.

Os olhos do mercado estarão voltados à decisão do PMDB em deixar ou não o governo. O diretório nacional do partido se reúne na terça-feira (29) para decidir sobre a permanência ou não na base aliada do governo. Nos bastidores, peemedebistas favoráveis e contrários ao rompimento tentam ampliar apoio em articulações de bastidores. O presidente do partido, Michel Temer, cancelou uma viagem que faria a Portugal, a pedido de lideranças do partido, para comandar as conversas. Até agora, 14 diretórios estaduais defendem o rompimento, entre eles o diretório do Rio de Janeiro que anunciou na semana passada que vai votar pelo afastamento. A bancada do PMDB do Rio é a maior do partido na Câmara, com 12 deputados.

Com o desembarque do PMDB do governo, aumentam as chances do impeachment acontecer. Mas, na política tudo pode acontecer, e não está descartado outro desfecho. Caso haja uma divisão muito equilibrada dentro do partido, é possível que uma ruptura definitiva seja adiada até que se consiga um consenso dentro do partido.

A operação lava-jato promete não dar tréguas, e a repercussão da lista de políticos que receberam dinheiro da Odebrecht ainda dará o que falar. A divulgação de diversos nomes da situação e da oposição entre os possíveis receptores de propina aumentam o imbróglio político e colocam mais pressão sobre o governo, na medida em que uma possível delação premiada dos executivos da companhia, incluindo o presidente Marcelo Odebrecht, traz maior poder destrutivo.

Na agenda semanal macroeconômica, destaque para a divulgação do resultado consolidado das contas públicas de fevereiro. Os dados devem mostrar uma piora da situação fiscal. Após os R$ 27,9 bilhões de superávit registrados em janeiro, a expectativa é que haja um déficit.

La fora será conhecido os PMI’s da China para indústria e serviços. Os números dirão se a economia do maior país asiático mantém ou não o ritmo de arrefecimento.

Na sexta-feira (01), será divulgado o Relatório de Emprego dos EUA. Tido como principal indicador observado pelo Fed antes de subir os juros, a expectativa do mercado é de que foram criadas 200 mil vagas em março. A taxa de desemprego deve se manter nos atuais 4,9%, bem como os ganhos por hora trabalhada deve registrar novos avanços.

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

Deixe um Comentário

Repetir o Post