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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 21/03/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em leve alta de 0,19%, aos 50.814 pontos, em sessão bastante volátil, com as questões políticas dominando a pauta, ora em alta após a fala do peemedebista Wellington Moreira Franco, de que o partido irá romper com o governo, ora em baixa após o presidente do TRF – 2ª Região suspender liminar que impedia a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro chefe da Casa Civil. Na semana, o índice de referência do mercado acionário acumulou alta de 2,37%, enquanto no mês a alta é de 18,74%. Seguindo os principais índices acionários, dólar e juros recuaram diante da percepção de que o governo Dilma está com os dias contados diante da chance real de que o pedido de impeachment seguirá seu curso.

Mais uma vez os fundamentos macroeconômicos foram deixados de lado, com a cena política dominando o noticiário e permeando a vida do cidadão brasileiro.  Desde o início da semana os investidores foram às compras, animados pelo desfecho da convenção nacional do PMDB, que decidiu dar um “aviso prévio” ao governo, ao postergar a decisão sobre abandonar ou não a aliança nos próximos dias. Outro fato que animou os investidores foram as manifestações do domingo contra o governo, que mobilizou mais de 3 milhões de pessoas em todo o País.

Em contraponto veio a reação negativa quando começaram os primeiros rumores de que o ex-presidente Lula iria aceitar um cargo de ministro no governo. Sucederam-se uma sequencia de fatos, dentre eles a divulgação de áudios interceptados de Lula e pessoas relacionadas que, de forma geral, mostram estratégias de interferir nas investigações da operação lava Jato.

Confirmando os rumores, Lula foi empossado ministro da Casa Civil em meio ao protesto de diversos setores da sociedade. Com Lula ministro, as investigações contra ele foram transferidas da Polícia Federal para o Supremo Tribunal Federal, dado o foro privilegiado conquistado. A partir deste ponto, uma série de medidas judiciais foram promovidas com objetivo de suspender a nomeação, sendo concedidas liminares por juízes de primeira instância, derrubadas posteriormente em ações do governo julgadas pelos tribunais superiores.

No campo da economia, destaque para a decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) que manteve a taxa básica de juros inalterada entre 0,25% e 0,50% na reunião de quarta-feira (16).  Essa foi a segunda reunião seguida em que a instituição segurou as taxas, após tê-las elevado, em dezembro passado, pela primeira vez em mais de nove anos.

Apesar de manter os juros, o Fed manifestou que o crescimento econômico moderado nos Estados Unidos e “fortes ganhos no emprego” permitirão que o banco volte a apertar a política monetária ainda neste ano. No entanto, o Fed destacou que o país continua enfrentando riscos provenientes da economia global incerta. O banco também revisou para baixo sua projeção de alta para o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, que passou de 2,4% para 2,2%, e anunciou que prevê mais dois aumentos do juro em 2016, chamando este movimento de elevação gradual.

Pesquisa Focus

Após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter mantido os juros básicos da economia estáveis em 14,25% ao ano na última reunião, o mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa Selic neste patamar no fim deste ano.

O relatório de mercado Focus revelado hoje mostra que os analistas continuam não acreditando em uma nova alta dos juros, ou corte dos mesmos, no decorrer de 2016. Já para o fechamento de 2017, a estimativa para a taxa de juros permaneceu inalterada, pela terceira semana consecutiva, em 12,50% ao ano – o que pressupõe queda dos juros no ano que vem.

Em relação à inflação, a expectativa do mercado para o IPCA de 2016 caiu de 7,46% para 7,43%. Foi o segundo recuo seguido do indicador. Um mês atrás, as projeções indicavam que o IPCA fecharia o ano em 7,62%. Apesar da queda, ainda permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas e bem distante do objetivo central de 4,5% fixado para este ano.

A melhora na previsão de inflação do mercado financeiro para este ano aconteceu na mesma semana em que foi divulgada inflação de fevereiro, que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somou 0,9% – contra 1,27% no mês anterior. Com isso, o índice perdeu força no mês passado.

Para 2017, a estimativa do mercado financeiro para a inflação permaneceu estável em 6% – exatamente no teto do regime de metas para o período, e também longe da meta central de 4,5% estabelecida para o próximo ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para o PIB de 2016, o mercado financeiro passou a prever uma contração de 3,60% na semana passada, contra uma retração de 3,54% estimada na semana anterior. Foi a nona piora seguida do indicador.

Recentemente, o IBGE informou que o PIB brasileiro teve um tombo de 3,8% em 2015 – o maior em 25 anos. Se a previsão de um novo “encolhimento” se confirmar em 2016, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948.

Para o comportamento do PIB em 2017, os economistas das instituições financeiras baixaram a previsão de alta de 0,5% para 0,44%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Perspectivas

O embate político não deu tréguas nem no final de semana. Em decisão diante de Mandado de Segurança impetrado pelos partidos de oposição PSDB e PPS, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil e decidiu que o processo do petista deve ficar com o juiz Sérgio Moro. Agora, o governo – por meio da Advocacia-Geral da União (AGU) – está debruçado sobre os argumentos da defesa e pretende recorrer à Corte Suprema no início da semana, mas a decisão deve ficar para depois da Páscoa, quando os ministros devem se reunir para avaliar o mérito.

Embora a perspectiva de mudança na cena política sustente expectativas favoráveis para a economia, para os agentes financeiros o retorno de Lula enfraquece o processo de impeachment de Dilma e possibilitaria sobrevida ao atual governo, o que preocupa, uma vez que os mesmos avaliam que a melhora das perspectivas econômicas passa pela troca do governo.

Por outro lado, o cenário de ruptura política trava a pauta no Congresso e piora ainda mais a aprovação das medidas de ajuste fiscal.

Apesar do aspecto coadjuvante, a agenda semanal de indicadores chama atenção e não deve ser desprezada pelo mercado.

Na quarta-feira (23), será conhecido o IPCA-15, considerado como uma prévia da inflação mensal. O número ganha importância na medida em que é esperado novo recuo do indicador, e que pode afetar principalmente o mercado de câmbio e de juros futuros caso venha abaixo ou acima do esperado. A mediana das expectativas entre os economistas consultados revela um avanço de 0,58% em março, um recuo em relação ao último número divulgado.

Também na quarta feira será conhecida a Pesquisa Mensal do Emprego (PME) de fevereiro, que deve confirmar o enfraquecimento do mercado de trabalho no País. A estimativa é de que o desemprego tenha subido para 7,9%, ante 7,6% de janeiro.

Na sexta-feira (25), em pleno feriado por aqui, será divulgada a terceira estimativa para o PIB dos Estados Unidos referente ao quarto trimestre de 2015. A expectativa é de que a maior economia do planeta mantenha o crescimento de 1% reportado na segunda prévia

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

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