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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 14/03/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em leve alta de 0,14%, aos 49.638 pontos, em sessão bastante volátil, com os investidores na defensiva e atentos ao final de semana, que terá convenção do PMDB e manifestações no domingo. Na semana, o índice de referência do mercado acionário acumulou alta de 1,13%%, com o noticiário político dominando a pauta. No mês, a alta é de 15,99%. Seguindo os principais índices acionários, dólar e juros recuaram diante da percepção de que os escândalos de corrupção no âmbito da operação Lava Jato estariam elevando a chance de a presidente Dilma Rousseff não concluir seu mandato.

Destaque para a notícia de que o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto com a denúncia de que o triplex no Guarujá teria sido preparado para a família. No pedido, os promotores alegam que a prisão de Lula é necessária para garantir a ordem pública, a instrução processual e a aplicação da lei penal. Em suas justificativas, os promotores apontam que Lula, em liberdade, pode destruir provas e agir para evitar determinações da justiça. Além de Lula, o pedido se estende aos executivos da empreiteira OAS, ao ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e a ex-dirigentes da Bancoop, a cooperativa habitacional do sindicato dos bancários que gerenciava as obras.

Na esteira do pedido de prisão, circulou a notícia de que a presidente Dilma teria oferecido um ministério a Lula, convidando-o a ocupar uma pasta de sua preferência. Horas mais tarde, Lula confirmou o convite, e afirmou que pensará com calma antes de decidir. Caso aceite, o pedido de prisão se esvazia em razão de que o cargo de ministro de estado possui foro privilegiado por prerrogativa da função.

Pesquisa Focus

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na semana passada, que manteve a Selic inalterada indicou, segundo analistas, que o BC pode cortar os juros ainda em 2016. A pesquisa Focus revelada hoje apontou que a inflação corrente e as projeções seguem elevadas e acima da meta, mas sinalizou que a grande ociosidade da economia contribuirá para reduzir a inflação no futuro. A despeito disso, o Focus continua a mostrar a expectativa de que a Selic permaneça em 14,25% até o fim deste ano, para depois ser reduzida a 12,50% até dezembro de 2017.

A projeção dos economistas para a inflação deste ano voltou a cair, após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro ter ficado abaixo do esperado. Esse movimento nas expectativas, mostrado no relatório, foi acompanhado de um novo ajuste para baixo na estimativa para a atividade econômica. De acordo com o Focus, a mediana das projeções para o IPCA em 2016 caiu de 7,59% para 7,46%. Há três semanas, a estimativa para a inflação oficial do país recuou um pouco, voltou a subir na semana seguinte, para agora cair de novo. Em fevereiro, o IPCA avançou 0,90%, taxa que ficou abaixo do 0,98% esperado pelos analistas, e também abaixo da inflação de 1,27% de janeiro. Parte dessa desaceleração foi resultado de repasses mais contidos em preços de serviços tradicionais, como no segmento educacional. Para alguns economistas, a recessão econômica já aparece no IPCA, índice que deve ver uma temporada de taxas mais baixas à frente.

No Focus, os analistas também reduziram as expectativas para outra variável que influencia a inflação: o câmbio. Eles vêem um real menos depreciado ao fim deste ano – R$ 4,25, de R$ 4,30 antes – e em dezembro de 2017 – R$ 4,34, de uma estimativa anterior de R$ 4,40.

A projeção para o PIB apurada no Focus caiu de uma retração de 3,50% para 3,54% neste ano. Há um mês, a mediana das projeções estava em 3,33%. Mas a estimativa para 2017 seguiu inalterada, em crescimento de 0,50%. A estimativa para a produção industrial, por outro lado, teve uma melhora relativa, saindo de queda de 4,50% para recuo de 4,45% neste ano. A projeção para 2017 cedeu, de aumento de 0,57% para avanço de 0,50%.

Perspectivas

A política continuará no centro das atenções e dando o tom dos mercados. Não há nenhum prognóstico de como os mercados se comportarão, diante de notícias e fatos que nos levam a caminhos dicotômicos.

Os mercados se manterão otimistas com as notícias que empurram o governo para o fogo cruzado. No sábado foi realizada a convenção nacional do PMDB que reconduziu Michel Temer para a presidência nacional do partido. Mas, o que chamou atenção foi a decisão do partido em avaliar a proposta de romper com o apoio ao governo Dilma Rousseff. O Diretório Nacional do PMDB terá até 30 dias para avaliar se rompe ou não com a aliança, a depender dos fatos, e nesse período ficou decidido que nenhum peemedebista assumirá cargos no governo federal.

As manifestações deste domingo também jogam lenha na fogueira do governo. Mais de 3 milhões de pessoas foram às ruas em todo o País, superando com folga as manifestações de março de 2015, e também as Diretas Já, em 1984. As manifestações foram infladas pelas recentes ações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e os especialistas avaliam que os congressistas sentir-se-ão pressionados pela voz das ruas.

Em oposição ao otimismo, são fortes as possibilidades do ex-presidente Lula aceitar um ministério no governo Dilma. O pedido de prisão deflagrado na semana passada, em análise pela justiça comum, acelera a decisão. Como efeito secundário, o ingresso de Lula no governo fatalmente adicionará novo ingrediente no processo de impeachment, dado o bom trânsito de Lula entre os congressistas, dando fôlego ao governo.

Do lado externo, destaque para a reunião do Fomc (comitê de política monetária dos EUA) que ocorrerá na quarta-feira (16). É um dos eventos mais aguardados do cenário macroeconômico e deve ser acompanhado de perto pelos investidores. Os prognósticos consideram bastante provável um novo aumento na taxa de juros americana, corroborando com o fortalecimento do mercado de trabalho e aumento da inflação local, além da recuperação do preço do petróleo.

Neste contexto, alteramos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

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