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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 07/03/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em forte alta de 4,01%, aos 49.084 pontos, com volume financeiro de R$ 16,97 bilhões. Os fundamentos foram deixados de lado, e o “rally da Lava Jato” se estendeu desde o pré market com as notícias da operação da Polícia Federal atingindo o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na semana, o índice de referência do mercado acionário acumulou alta de 18,01% diante de uma série de notícias que abalam o governo Dilma.

O ambiente externo também contribuiu, com os preços dos ativos sustentados pelas altas das principais commodities no exterior, como petróleo e minério de ferro influenciando as blue chips Petrobras e Vale. A decisão do Banco do Povo da China (PBoC) de cortar em 0,5 ponto percentual a taxa de compulsório para estimular o crédito e dar sustentação ao crescimento da economia chinesa também fez preço e animou os investidores.

No campo político, as novidades não pararam. E todas prejudiciais ao governo. Executivos da Andrade Gutierrez afirmaram, em delação premiada, que a empresa pagou despesas da campanha eleitoral de 2010 que elegeu Dilma Rousseff para presidente, através de contratos fictícios com a agência de comunicação Pepper no valor de R$ 5 milhões.

O foco também se estendeu ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Por 10 votos a zero, o Supremo Tribunal Federal – STF – acolheu a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que acusa o deputado de exigir e receber ao menos R$ 5 milhões em propina da Petrobras. Com a decisão, Cunha passa a ser réu na primeira ação penal do Supremo originada das investigações da Operação lava Jato.

Porém, o caldo começou a entornar com força quanto passou a ser veiculada a notícia de que o senador Delcídio do Amaral teria formalizado acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato. Político influente e muito próximo do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Delcídio tem muito que dizer. E se confirmada a notícia, o governo estará em maus lençóis.

Coroando a semana de pesadelo para o governo, na sexta-feira a Polícia Federal realizou a 24ª fase da Operação Lava Jato no prédio do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa fase da operação, batizada de Aletheia, apura se empreiteiras e o pecuarista José Carlos Bumlai favoreceram Lula por meio do sítio em Atibaia e o triplex no Guarujá. Lula foi alvo de mandado de busca e apreensão e de condução coercitiva, prestando depoimento nas instalações da Polícia Federal no aeroporto de Congonhas.

Diante do noticiário político conturbado, passou quase que despercebida a reunião do Comitê de Política Monetária – COPOM, que decidiu pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) nos atuais 14,25% ao ano. A decisão não foi unânime (dois membros votaram pela elevação em 0,50 pontos base). No comunicado pós reunião, a leitura é de que as apostas de um corte na taxa no curto prazo foram reduzidas, porém deixando a porta aberta para um corte mais a frente, supondo que a inflação anual caia suficientemente.

O dado fraco do PIB é mais um elemento que reforça as apostas de que o BC pode cortar a taxa de juros ainda neste ano. A economia brasileira retraiu 1,4% no quarto trimestre ante o terceiro e 5,9% frente ao mesmo trimestre de 2014. Em todo o ano de 2015, a contração foi de 3,8% sobre o ano anterior.

O dado frado do PIB reforça as apostas de queda no juro ainda este ano. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o PIB do 4º trimestre do ano passado, que fechou com redução de 1,4% na série com ajuste sazonal na comparação com o trimestre anterior. No ano, o PIB recuou 3,8%, a maior queda desde o início da série histórica atual, iniciada em 1996.

Pesquisa Focus

Após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve a Selic inalterada em 14,25% ao ano pela quinta vez consecutiva, analistas do mercado financeiro praticamente não mexeram em suas projeções para a taxa básica de juros.

Pela quinta semana consecutiva, os economistas mantiveram as estimativas para a Selic em 2016. De acordo com a pesquisa Focus revelada hoje, em levantamento realizado com aproximadamente 120 instituições, a taxa básica de juros permanecerá nos atuais 14,25% ao ano até o encerramento de 2016. Para o fim do ano que vem, o relatório mostra que a Selic estará em 12,50%, a mesma taxa prevista na semana passada e também há quatro levantamentos.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa (médio prazo), também não houve alterações: a previsão para a Selic no fim de 2016 manteve-se em 14,00% ao ano pela quarta vez seguida. Para o encerramento de 2017, esses mesmos analistas mantiveram a expectativa de taxa a 12,25% ao ano também há quatro semanas.

O levantamento trouxe um novo repuxo das estimativas para o IPCA deste ano, após a queda vista na semana passada. No documento, a mediana das previsões para a inflação de 2016 apresentou alta ao sair de 7,57% para 7,59%. Segue, portanto, distante do teto da meta deste ano de 6,50%. O Bacen vem reforçando que continua trabalhando para evitar que o índice extrapole esse patamar. Quatro semanas atrás, a mediana na Focus estava em 7,56%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do índice no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das expectativas permaneceu em 7,95% de uma semana para outra – um mês antes, estava em 8,13%.

No caso de 2017, a previsão ficou congelada em 6,00% pela quarta vez, justamente no teto da meta do ano que vem. Essa barreira, no entanto, já havia sido ultrapassada pelo grupo Top 5 de médio prazo. Entre esses analistas, a perspectiva para a taxa foi mantida em 6,50% como na semana anterior. Um mês antes, essas instituições apontavam para um IPCA de 6,40%.

A primeira pesquisa após a divulgação do recuo de 3,8% na atividade econômica do ano passado mostra uma piora de 0,05 ponto percentual na expectativa para o PIB deste ano, que deve encolher 3,5%. Foi a sétima semana seguida em que a perspectiva para o desempenho da economia neste ano piorou. Para 2017, o relatório feito pelo Bacen com analistas do mercado financeiro manteve a taxa pela segunda semana consecutiva em 0,50%.

A produção industrial é o principal setor responsável pelas previsões para o PIB em 2016 e 2017. A mediana das estimativas do mercado para o setor manufatureiro revela uma expectativa de baixa de 4,50%, a mesma prevista na semana passada. Na pesquisa realizada quatro semanas atrás, a mediana das estimativas estava em -4,00%.

Para 2017, a previsão mudou de 0,80% para 0,57%. Quatro semanas antes, estava em 1,50%.

Perspectivas

Os investidores deverão estar preparados para mais volatilidade nos preços dos ativos, já que o cenário político deverá se manter no foco do mercado. É possível que o chamado “rally da Lava Jato” mantenha o fôlego e alimente ainda mais o apetite dos investidores ao risco, especialmente se os fatos pavimentarem o caminho da presidente Dilma Rousseff rumo ao impeachment.

Um importante passo para se entender o movimento político futuro será a convenção nacional que o PMDB promove nesta semana, para escolha de seu presidente. Michel Temer é candidato a reeleição, e tem rodado o País em busca de apoio. É possível que seja discutido o desembarque do partido do governo, fato que deixaria a presidente Dilma isolada e definitivamente enfraquecida.

Do lado da economia, na quinta-feira (10) será divulgado o IPCA de fevereiro. As projeções indicam que o índice deve avançar 1,26%, de acordo com a mediana das expectativas, com os itens alimentos e transporte puxando o número. Em janeiro, o índice avançou 1,27%.

No mesmo dia será divulgada a ata do Copom, que manteve a taxa básica de juros inalterada em 14,25% ao ano. Não se espera que a ata seja muito diferente do que já foi dito antes. Apesar da melhora recente do cenário internacional, a inflação insiste em não convergir para o centro da meta.

Lá fora, terá grande repercussão a reunião do Banco Central Europeu (BCE), que deve ocorrer na quinta-feira (10). O mercado prevê novos estímulos a economia da região, via redução da taxa de depósito e aumento do programa de compra de ativos dos países da zona do euro.

Outro evento importante será o Congresso do Partido Comunista da China, que deve anunciar novos estímulos a economia local, como redução de impostos.

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 30%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 10% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

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