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Nossa Visão – 25/01/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 0,83%, aos 38.031 pontos, em dia de recuperação após as sucessivas quedas do índice em meio à contínua queda do preço do petróleo, que nos últimos dias atingiu a mínima em 12 anos, e mais dados ruins vindos da China. Na semana, a desvalorização foi de 1,39%, enquanto no mês o índice desaba 12,27%.

O petróleo manteve-se como principal driver do mercado, com os mercados globais se afogando num excesso de oferta do óleo. De acordo com as previsões da Agência Internacional de Energia (AIE), os preços devem ficar ainda mais baixos, conforme diminui o crescimento da demanda em linha com a desaceleração do crescimento econômico da China. Há ainda a volta do petróleo iraniano ao mercado, após a retirada das sanções comerciais impostas pelos EUA e pela União Européia.

Na China, dados oficiais divulgados mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) chinês teve crescimento de 6,9% em 2015, o mais baixo crescimento desde 1990. Acostumada com crescimentos acima dos dois dígitos nas últimas décadas, o país viu o PIB crescer 6,8% no último trimestre do ano, comparado com o mesmo período de 2014. A ausência de qualquer estímulo relevante pelo governo chinês para contrabalançar o desaquecimento da economia vem assustando os investidores, reforçando o viés negativo dos mercados.

No cenário local, repercutiu a decisão do Copom em manter a taxa Selic a 14,25% ao ano, em decisão controversa que adicionou incerteza entre investidores. A mudança de rota na estratégia do Banco Central trouxe à tona questionamentos sobre a credibilidade sobre a instituição e a sua independência em relação ao Planalto. A carta do presidente do banco, Alexandre Tombini, justificando de véspera a mudança de avaliação da conjuntura, surpreendeu o mercado e fez com que a curva de juros dos contratos futuros do DI atingisse uma inclinação recorde, aumentando os prêmios dos vencimentos mais longos.

Com isso, o dólar atingiu a maior cotação na história do Plano Real, quando encerrou a sessão de quinta-feira cotado a R$ 4,16. A moeda encerrou a semana com valorização de 1,6%. É a quarta semana seguida de valorização. No mês, a moeda acumula ganhos de 4,12%, mesma variação que tem no ano.

Pesquisa Focus

A decisão do Copom em manter a taxa de juros inalterada mudou as expectativas do mercado financeiro em relação ao fechamento do ano. Foi o que revelou o relatório Focus divulgado hoje pelo Banco Central.

A maioria dos analistas que participaram da pesquisa semanal revisou as projeções para manutenção da Selic neste patamar em 2016. De acordo com o documento, a expectativa foi alterada para uma taxa de 14,64% ao ano, ante 15,25% da semana anterior. Quatro semanas atrás, estava nos mesmos 15,25% ao ano.

Para 2017, a mediana das estimativas para a SELIC do encerramento caiu de 12,88% ao ano para 12,75% ao ano, o que implica numa revisão daqueles economistas que acreditavam que o nível dos juros no encerramento de 2017 seria de 13,00% ao ano.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa, a previsão para a SELIC no fim de 2016, que havia disparado para 15,38% ao ano na semana anterior, agora despencou para 13,75%, o que significa um ajuste de 0,75 pontos base na taxa. Para o encerramento de 2017, esses mesmos analistas projetam agora uma taxa de 12,63% ao ano, ante mediana de 13,00% vista no documento anterior.

Os economistas voltaram a elevar sua estimativa de inflação para 2016, que atingiu a marca dos 7,23%, de acordo com o relatório, após o Copom “afrouxar” o aperto monetário. Antes, a previsão estava em 7,00%. Com isso, o mercado financeiro prevê que a inflação ficará, novamente, acima do teto de 6,50% do sistema de metas brasileiro neste ano – algo que já aconteceu em 2015. A meta central de inflação é de 4,50% neste ano e em 2017.

Para 2017, a previsão do mercado financeiro para o IPCA subiu de 5,40% para 5,65% na semana passada, se distanciando ainda mais da meta central no ano que vem.

As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano seguem no terreno negativo. A mediana das estimativas aumentou para 2016 recuaram a -3,00%, ante -2,99% apontados no levantamento anterior – há quatro semanas, a aposta era de queda menor, de -2,81%.

Já para 2017, a expectativa é mais otimista, de expansão de 0,80%, apesar do recuo em relação ao patamar verificado na semana passada de 1,00%. Quatro semanas atrás, a mediana das projeções de crescimento do PIB no ano que vem também era de 1,00%.

Perspectivas

Em meio ao feriado da cidade de São Paulo, a bolsa de valores permanecerá fechada nesta segunda-feira, dando uma trégua forçada aos mercados domésticos.

Já as bolsas europeias operam no vermelho, com o preço do barril do petróleo recuando 3% após o Iraque anunciar produção recorde, em meio a um mercado que já tem sofrido pelo excesso de oferta.

Nos EUA, destaque para a reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) que ganha importância por conta da volatilidade recente dos mercados. A instabilidade dos mercados pode gerar expectativas de que o aumento da taxa básica de juro americana seja mais gradual e suave. Porém, se o comitê exagerar na dose, espera-se novas quedas das bolsas mundiais por temores de que a economia norte americana não esteja tão bem.

Por aqui, destaque para a divulgação da ata da última reunião do Copom, que decidiu pela manutenção da Selic em 14,25% ao ano. O mercado espera que o documento traga uma boa explicação para a mudança de rumo da política monetária. Caso a ata sinalize uma manutenção da Selic no futuro, a curva de juros deve inclinar ainda mais nos vértices mais longos, embutindo um aumento de risco para a economia como um todo.

Na quinta-feira (29), sai a Pesquisa Mensal de emprego (PME) de dezembro, com o mercado estimando taxa de desemprego na casa dos 7,5%, mesmo número de novembro.

Na sexta-feira (30), será divulgado o resultado primário consolidado das contas públicas de dezembro, que deve atingir um superávit de R$ 3 bilhões, sem o pagamento das pedaladas, o suficiente para o cumprimento da meta revisada de -R$ 51,8 bilhões.

Mantemos nossa recomendação para a renda fixa, sugerindo uma exposição da carteira para os vértices mais longos em no máximo 30% (no máximo 10% no IMA-B, e o restante no IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 10% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação -FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira. As quedas recentes do Ibovespa levaram o índice a romper o suporte dos 40.000 pontos, abrindo uma janela de oportunidade para os investidores com baixa exposição no segmento montarem posições, objetivando o ganho de capital no longo prazo.

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