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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 18/01/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em queda de 2,36%, aos 38.569 pontos, em meio ao desempenho negativo dos preços do petróleo e dados fracos nos EUA. Na semana, a desvalorização foi de 5,03%, enquanto no mês o índice despenca 11,64%.

Principal destaque na semana, o petróleo voltou a cair forte na sexta-feira, com o preço do barril WTI recuando 4,78% em meio a preocupações com o aumento da oferta pelo Irã. Já o barril do petróleo tipo Brent encerrou cotado abaixo de US$ 30 pela primeira vez em 12 anos, diante de preocupações com a fragilidade da demanda chinesa e manutenção dos níveis da produção da commodity globalmente e, por enquanto, não há perspectivas de recuperação, sobretudo pela falta de acordo entre os países produtores sobre um corte da produção.

Também fez preço a divulgação de dados negativos da economia dos EUA, que indicam crescimento mais fraco do que o esperado. As vendas no varejo recuaram 0,1% em dezembro após subirem 0,4% em novembro, com as temperaturas quentes atípicas diminuindo as vendas de roupas de frio e com a gasolina mais barata pesando sobre as receitas dos postos de gasolina, na mais recente indicação de que o crescimento econômico teve forte desaceleração no quarto trimestre.

Por aqui, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada pelo IBGE, mostraram que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 9,0% no trimestre até outubro. O resultado ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas, que esperavam taxa entre 8,90% e 9,50%, com mediana de 9,00%. No mesmo período de 2014, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua ficou em 6,6%.

Pesquisa Focus

Em semana de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), analistas do mercado financeiro reforçaram a aposta de que haverá alta de 0,50 ponto porcentual da taxa básica de juros na quarta-feira, mas ampliaram a expectativa para a SELIC ao final do ano que vem. Atualmente, a SELIC está em 14,25% ao ano e passará para 14,75% ao ano de acordo com o relatório Focus revelado hoje.

Para o fechamento do ano, o documento mostra que a expectativa é de uma taxa de 15,25% ao ano – a mesma do levantamento anterior. Quatro semanas atrás, estava em 14,75% ao ano. No caso da SELIC média, porém, a taxa de 2016 caiu de 15,38% ao ano no documento para 15,30% ao ano. Um mês atrás, estava em 15,09%.

Para 2017, a mediana das estimativas para a SELIC do encerramento subiu de 12,75% ao ano para 12,88% ao ano, o que implica numa divisão do mercado sobre o patamar da taxa no final do período – metade dos analistas ainda acredita que ficará em 12,75%, enquanto a outra metade já começa a acreditar que o nível dos juros no encerramento de 2017 será de 13,00% ao ano.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa, a previsão para a SELIC no fim de 2016, que havia disparado de 13,75% ao ano para 15,25% ao ano na semana anterior, agora subiu para 15,38%, o que também representa uma divisão entre 15,25% e 15,50%. Para o encerramento de 2017, esses mesmos analistas projetam agora uma taxa de 13,00% ao ano ante mediana de 12,75% vista no documento anterior.

Os economistas voltaram a elevar sua estimativa de inflação para 2016, que atingiu a marca dos 7,00%, de acordo com o relatório. Antes, a previsão estava em 6,93%. Com isso, o mercado financeiro prevê que a inflação ficará, novamente, acima do teto de 6,50% do sistema de metas brasileiro neste ano – algo que já aconteceu em 2015. A meta central de inflação é de 4,50% neste ano e em 2017.

Para 2017, a previsão do mercado financeiro para o IPCA subiu de 5,20% para 5,40% na semana passada, se distanciando ainda mais da meta central no ano que vem.

As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano seguem no terreno negativo, mas as estimativas de 2017 mostram alguma expectativa de recuperação, ainda que não seja tão forte. A mediana das estimativas permaneceu em -2,99% para 2016, como já apontava no levantamento anterior – há quatro semanas, a aposta era de queda menor, de -2,80%.

Já para 2017, a expectativa é mais otimista, de expansão de 1,00%. Com o aumento visto hoje nas projeções, a taxa volta para o patamar verificado há duas semanas – na semana passada, havia recuado para +0,86%. Quatro semanas atrás, a mediana das projeções de crescimento do PIB no ano que vem também era de 1,00%.

A produção industrial segue como principal setor responsável pelas previsões para o PIB em 2016 e 2017. A mediana das estimativas do mercado para o setor manufatureiro revela uma expectativa de baixa de -3,47% para este ano ante -3,45% prevista na semana passada. Na pesquisa realizada quatro semanas atrás, a mediana das estimativas já estava em -3,45%. Para 2017, as apostas são de expansão de 1,80% para a indústria – na semana passada, a mediana estava em 1,98%, o mesmo número de quatro semanas antes.

Perspectivas

O clima ruim deve permear os negócios realizados no mercado financeiro para os próximos dias, e não promete muita melhora no cenário geral.

O feriado desta segunda-feira nos EUA dará uma trégua ao mercado internacional, que ficará sem a referência da maior economia do planeta. Mas já na terça-feira, será conhecido o PIB da China em 2015. Pequim também divulgará a produção industrial e as vendas no varejo no mesmo período.  Indicadores europeus também estão agendados e reuniões de vários bancos centrais, inclusive, do Banco Central Europeu (BCE).

Por aqui, destaque para a primeira reunião do COPOM do ano, que acontecerá nos dias 19 e 20. Nos últimos dias, aumentou o ruído em relação ao resultado do encontro, apesar da clareza indicada no relatório Trimestral de Inflação (RTI). Assim, espera-se que o BACEN não surpreenda e promova um aumento na taxa básica de juros, afastando-se dos rumores de interferência do PT e de setores da base governista na política monetária, sob o risco de perder credibilidade.

Mas a decisão do Copom não é tudo. A semana reserva ainda a divulgação relativa aos dados de emprego formal em dezembro que serão anunciados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), monitorado pelo Ministério do Trabalho. A data da divulgação não está definida, mas os analistas estimam o fechamento de 650 mil vagas no último mês do ano. Esse dado, se confirmado, vai rivalizar com o mais negativo computado pelo Caged, em dezembro de 2008, quando 655 mil postos de trabalho desapareceram no Brasil.

Alteramos nossa recomendação para a renda fixa, sugerindo uma exposição da carteira para os vértices mais longos em no máximo 30% (no máximo 10% no IMA-B, e o restante no IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1.

Na renda variável, sugerimos uma exposição de no máximo 10% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação -FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira. As quedas recentes do Ibovespa levaram o índice a romper o suporte dos 40.000 pontos, abrindo uma janela de oportunidade para os investidores com baixa exposição no segmento montarem posições, objetivando o ganho de capital no longo prazo.

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