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Nossa Visão – 11/01/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana acumulando queda de 6,31%, aos 40.612 pontos, em meio à turbulência global que teve origem na China, na medida em que indicadores econômicos chineses eram divulgados por lá, com dados ruins do PMI trazendo maior aversão ao risco, e intervenções do Banco Central sobre a moeda local, o Yuan, desestabilizando os mercados. Por duas vezes a bolsa chinesa interrompeu o pregão com o acionamento do mecanismo de “circuit breaker”.

Também fez preço o anúncio de que a Coreia do Norte teria feito um teste nuclear, causando nervosismo nas relações diplomáticas regionais e globais. No Oriente Médio, o rompimento das relações diplomáticas entre a Arábia Saudita e o Irã, após a execução de um líder religioso, trouxe mais tensão aos mercados globais. Com isso, o dólar operou acima dos R$ 4,00 durante a semana.

Nos EUA foi divulgado o relatório de emprego, conhecido como payroll, apontando a criação de 292 mil novas vagas de trabalho em dezembro, ante previsão otimista de criação de 200 mil vagas, ratificando a volta da economia americana aos trilhos. Já a taxa de desemprego se manteve em 5%. O Departamento de Trabalho também revisou os dados de novembro, afirmando que foram criadas 252 mil vagas ante 211 mil projetadas inicialmente. Os números reforçam a expectativa de novos movimentos de alta do juro americano pelo FED, talvez mais intenso do que o mercado esperava.

Por aqui, destaque para a divulgação do IPCA relativo a dezembro. O índice avançou 0,96%, frente à alta de 1,01% em novembro, e ligeiramente menor que nas previsões do mercado. Assim, a inflação fechou o ano em 10,67%. Com isso, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, terá que enviar uma carta ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, explicando o porquê o teto da meta (6,50%)foi ultrapassado.

Pesquisa Focus

Analistas do mercado financeiro que participam do Relatório de Mercado Focus, revelado hoje, acreditam que a taxa básica de juros – SELIC subirá 0,50 pontos porcentuais na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para terça e quarta-feira da semana que vem. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano. Dessa forma, portanto, irá para 14,75% ao ano, segundo a pesquisa semanal realizada com cerca de 120 instituições financeiras.

Para o fechamento do ano, o boletim mostra que a expectativa é de uma taxa de 15,25% ao ano, a mesma do levantamento anterior. Quatro semanas atrás, estava em 14,63% ao ano. No caso da Selic média, a taxa de 2016 seguiu em 15,38% ao ano no documento. Um mês atrás, estava em 14,92% ao ano.

Para 2017, a mediana das estimativas para a Selic do encerramento subiu de 12,50% ao ano para 12,75% ao ano. Quatro edições atrás do boletim Focus, estava em 12,00% ao ano. Sobre a Selic média do ano que vem, o documento trouxe mudança de 12,85% ao ano para 13,19%. No levantamento realizado quatro semanas antes estava em 12,50% ao ano.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5, a previsão para a Selic no fim de 2016 disparou de 13,75% ao ano para 15,25% ao ano, o que pode ser explicado pela mudança dos componentes do grupo. Para o encerramento de 2017, esses mesmos analistas projetam uma taxa de 12,75% ao ano, a mesma do documento anterior.

A pesquisa mostrou uma piora das expectativas de inflação para este ano. A mediana das projeções dos analistas para o IPCA no fim de 2016 subiu de 6,87% para 6,93%. O grupo dos Top 5 está mais descrente ainda. Para ele, o IPCA encerrará este ano em 7,49%. Na semana a anterior, o ponto central entre esses cinco participantes estava em 7,44% e, quatro semanas atrás, em 7,21%. Esta é a quinta semana consecutiva em que há alta das estimativas deste grupo.

Já a mediana das projeções para o IPCA de 2017 foi mantida em 5,20%, também distante do objetivo do BC de levar a inflação para mais perto de 4,50%. Para o ano que vem, a taxa permaneceu em 5,50% no grupo Top 5 de médio prazo pela quarta vez seguida.

As projeções para o PIB deste ano seguem no terreno negativo. A mediana das estimativas ficou em -2,99% para 2016 ante taxa de -2,95% apontada no levantamento anterior. Há quatro semanas, a aposta era de uma queda menor, de -2,67%. Um ano atrás, os especialistas consultados pelo BC acreditavam que haveria crescimento este ano, de 1,80%.

Já para 2017, a expectativa é mais otimista, de expansão de 0,86%. Mesmo assim, está menor do que a taxa mediana de 1,00% calculada na edição anterior. Quatro semanas atrás, a mediana das projeções de crescimento do PIB no ano que vem também era de 1,00%.

Perspectivas

O mercado doméstico deverá repercutir a carta enviada pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, em que reforça o compromisso com a convergência da inflação para a meta em 2016, após o IPCA registrar alta de 10,67% em 2015, dizendo que adotará medidas para convergir o IPCA à meta em 2017, reiterando manter-se vigilante com a política monetária para conter eventuais pressões inflacionárias.

A volatilidade estará garantida para os próximos pregões, diante de diversos eventos e indicadores a serem divulgados durante a semana.

Destaque para o Livro Bege do FED, que revelará os indicadores de atividade econômica regional dos EUA, e ganha importância diante do cenário de incerteza a cerca da política monetária por lá.

Também serão conhecidos os dados da balança comercial de dezembro da China, com expectativa de superávit de US$ 52 bilhões, e deverá mostrar queda tanto nas exportações quanto nas importações, ratificando o mau momento vivido pela economia daquele país.

Por aqui, serão conhecidos os dados da Pesquisa Mensal do Comércio, com a divulgação das vendas de varejo de novembro que deverá mostrar uma retração de 1,4%, após subir 0,6% em outubro.

Fechando a semana, na sexta-feira será conhecido o IBC-Br, também conhecido como uma prévia do PIB, relativo ao mês de novembro. O indicador deverá mostrar um recuo da economia doméstica estimado em 0,8%, depois de cravar retração de 0,63% em outubro. Na comparação anual, a queda do indicador deve ser de 6,5%.

Mantemos nossa recomendação para a renda fixa, sugerindo uma exposição da carteira para os vértices mais longos em no máximo 35% (no máximo 5% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20 A, no máximo 15% no IMA-B, e o restante no IMA-B 5).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

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