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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 30/11/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em queda de 2,70%, aos 45.872 pontos, pressionada pela apreensão de agentes financeiros com a deterioração política e fiscal no país, em sessão negativa para mercados emergentes em geral e com liquidez reduzida por sessão mais curta e entrecortada por feriado nos Estados Unidos. Na semana, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou baixa de 4,71%, pressionado particularmente pela percepção de maior risco político. Foi o pior desempenho semanal desde o final de setembro.

No mercado de juros, a volatilidade foi potencializada após o Copom se mostrar dividido em relação a taxa básica de juros. Os juros futuros mantiveram o movimento de alta, mais concentrado nos vértices curtos e intermediários.

O mercado acionário passou a maior parte da semana operando no vermelho, em meio ao nervosismo dos investidores após as prisões do líder do governo no Senado, senador Delcídio do Amaral (PT-MS), e do presidente do Banco BTG Pactual, André Esteves, por suspeita de obstruírem a operação Lava Jato, que investiga um esquema bilionário de corrupção que envolve a Petrobras.

Em relação ao senador, o Senado teve que referendar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a prisão, e por 59 votos favoráveis, 13 contrários e uma abstenção, manteve a decisão.

Na percepção dos investidores, tais eventos afetam a confiança no mercado pois envolvem pessoas relevantes nas cenas política e financeira, assustando inclusive investidores estrangeiros, que vinham sustentando ganhos recentes do Ibovespa apesar dos fundamentos negativos para as ações.

Diante do ocorrido, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), suspendeu sessão no Congresso Nacional, quando deveria ser votado o Orçamento de 2016 e a mudança da meta fiscal de 2015.

O cenário fiscal também endossou a cautela, com agentes financeiros atentos à visita de representantes da agência classificação de risco Standard & Poor’s ao Brasil, conforme informações na mídia, em meio a novos dados negativos sobre contas públicas na semana. Após o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), suspender sessão no Congresso Nacional, que deveria votar o Orçamento de 2016 e a mudança da meta fiscal de 2015, o governo federal vai editar na segunda-feira um decreto contingenciando mais de R$ 10 bilhões do orçamento deste ano.

Também fez preço o resultado da reunião do Copom, a última do ano, que manteve a Selic em 14,25% ao ano, sem viés. Entretanto, a decisão não foi unânime. Dois diretores votaram por uma elevação de 0,50 ponto percentual, e a falta de consenso indica que há desconforto entre os diretores do BC sobre a trajetória da inflação. Uma elevação da taxa pode dificultar ainda mais uma retomada da atividade econômica.

Pesquisa Focus

Depois de a última reunião do Copom do ano manter a Selic inalterada em 14,25% ao ano, mas com dois votos dissidentes de alta, o mercado financeiro voltou a mudar suas expectativas para o comportamento da taxa básica de juros ao fim do ano que vem.

No Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 30, pelo Banco Central, a mediana das expectativas para a Selic de 2016 passou de 13,75% ao ano para 14,13% ao ano, o que revela uma divisão dos participantes da Focus entre um patamar de 14,00% e 14,25% ao ano. De qualquer forma, a nova projeção indica uma trajetória ainda mais conservadora para a taxa básica. Um mês antes, a mediana das estimativas no boletim Focus para a Selic do mesmo período era de 13,00% ao ano.

Com essa mudança, a Selic média de 2016 foi ajustada de 14,16% para 14,25% ao ano. Um mês antes, a mediana das previsões para essa variável estava em 13,95% ao ano. O foco do Banco Central para a meta é o ano de 2017.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, a estimativa para 2016 seguiu em 13,00% ao ano pela terceira vez consecutiva – quatro semana antes estava em 12,75%.

Na véspera de mais uma divulgação oficial sobre a economia doméstica, o relatório trouxe novos ajustes para as expectativas em torno dos dados de atividade do Brasil. De acordo com o documento, a perspectiva de retração do Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem passou de 2,01% para 2,04%. Há um mês, a mediana das projeções estava em -1,51%. Para 2015, a perspectiva de contração aumentou de 3,15% para 3,19% – um mês antes estava em queda de 3,05%.

Depois de ultrapassar o teto da meta no relatório da semana passada, a mediana das projeções para o IPCA de 2016 se estabilizou em 6,64%. Quatro semanas atrás, estava em 6,22%.

A mediana das previsões para 2015 avançou de 10,33% para 10,38%, registrando a 11ª semana consecutiva em que há alta das estimativas para esta variável. Há quatro edições do documento, a mediana estava em 9,91%. No caso do Top 5 de 2015, o ponto central da pesquisa passou de 10,53% para 10,56%. Há quatro semanas, essa mediana estava em 10,03%.

Para 2016, o grupo dos analistas que costuma acertar mais as estimativas aumentou a perspectiva para o IPCA de 6,98% para 7,07%, após duas semanas de estabilidade. Quatro edições atrás do boletim Focus, estava em 7,33%.

Perspectivas

A semana será recheada de eventos importantes que estarão no radar dos investidores.

No campo fiscal, a expectativa estará concentrada nas discussões do Congresso Nacional, que deve ser reunir para votar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2016, em sessão adiada por conta da prisão do senador Delcídio do Amaral.

Os investidores continuarão atentos aos desdobramentos das prisões do senador Delcídio Amaral (PT-MS) e do banqueiro André Esteves, do BGT Pactual. No caso do parlamentar, o Planalto teme que o petista decida fazer uma delação premiada comprometedora, após ter sido abandonado pelo PT. Adicionalmente, o substituto de Delcídio na liderança do governo no Senado segue indefinido e a presidente Dilma Rousseff corre contra o tempo para fazer mais este ajuste numa combalida base aliada faltando pouco mais de 20 dias para o Congresso entrar em recesso.

O mercado também estará atento a divulgação da Ata do último encontro do Copom. A leitura do texto será importante para entender como os membros do comitê estão pensando os próximos passos. O texto do comunicado pós reunião retirou a avaliação divulgada anteriormente, de que a manutenção dos juros por um “período suficientemente prolongado” de tempo seria necessária para a “convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária”, abrindo espaço para especulações sobre mais aperto à frente.

Outro ponto de inquietação é a notícia de que uma missão da agência de classificação de risco Standard & Poor’s desembarca no Brasil para uma nova análise do quadro político e econômico do país.  A chegada dos analistas da S&P surpreende o mercado financeiro, e ocorre menos de dois meses depois de a agência ter retirado o grau de investimento – o selo de bom pagador -, colocando a nota do País em grau especulativo para os investidores. Como o viés da nota do Brasil está negativo, a percepção é de que aumentou o risco de um novo rebaixamento do país em meio ao agravamento da crise brasileira.

Na terça-feira (1) será divulgado o PIB relativo ao terceiro trimestre de 2015. De acordo com pesquisa da Reuters, a retração deverá ser de 4,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. Na comparação trimestral, a mediana das expectativas dos analistas se encontra em uma queda de 1,2% da atividade.

La fora, teremos a divulgação do relatório de emprego dos EUA, que deve mostrar um arrefecimento na criação de vagas. Ainda assim, será um número forte o bastante para manter a taxa de desemprego do país em níveis próximos a 5%, que é uma situação considerada pelos analistas de pleno emprego.

Nossa recomendação para a renda fixa é de uma exposição da carteira para os vértices mais longos em no máximo 45% (no máximo 5% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20 A, o restante no IMA-B e IMA-B 5).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

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