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Nossa Visão – 23/11/2015

Retrospectiva

Em semana encurtada devido ao feriado da Consciência Negra em São Paulo, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de quinta-feira em alta de 1,48%, aos 48.138 pontos, em sua quarta sessão seguida no azul, atingindo seu melhor fechamento desde 09 de outubro. Na semana, embalada pela agenda política, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou alta de 3,48%.

Contribuíram pelo maior apetite por riscos de mercado as vitórias do Planalto no Congresso, com a manutenção de todos os vetos que haviam sido aplicados pela presidente Dilma Rousseff às chamadas pauta-bomba – matéria com potencial para fazer barulho e prejudicar o estado das contas públicas.

Após a dramática vitória da terça-feira, quando por seis votos conseguiu manter a decisão que impede um reajuste de até 78% no reajuste dos servidores do judiciário, o governo conseguiu na quarta-feira o veto presidencial ao reajuste do benefício pago aos aposentados e pensionistas do INSS de acordo com o reajuste do salário mínimo. Foram 211 votos pela derrubada, contra 160 pela sua manutenção e doze abstenções na Câmara. Como são necessários 257 votos para a derrubada entre deputados, não foi preciso que os senadores também avaliassem o caso.

Se o veto não fosse derrubado, o impacto para os cofres da União para os próximos quatro anos poderia chegar a R$ 11 bilhões de acordo com projeções do Ministério do Planejamento. Dessa forma, os aposentados que recebem mais de um salário mínimo continuarão recebendo seus pagamentos com a reposição da inflação apenas.

Já a Comissão Mista de Orçamento, formada por deputados e senadores, aprovou nesta terça-feira (17) projeto de lei que reduz a meta fiscal de 2015. Entre os deputados, o projeto foi aprovado por 22 votos favoráveis e oito contrários. Já entre os senadores, a votação foi simbólica (sem a contagem de votos). Segundo o texto, o governo está autorizado pelo Legislativo a fechar as suas contas com um rombo recorde de até R$ 119,9 bilhões em 2015. O valor considera o abatimento de até R$ 57 bilhões para compensação das chamadas “pedaladas fiscais”, que são os pagamentos atrasados a bancos públicos em 2014. Agora, o presidente do Congresso, Rena Calheiros, deve convocar uma sessão conjunta para votar o projeto.

No embalo das vitórias conseguidas no Congresso nos últimos dias, o governo encaminhou alteração à Lei Orçamentária de 2016 incluindo a receita com a CPMF na previsão de receitas. O governo estima um impacto líquido positivo nas na arrecadação de R$ 24 bilhões.

Também fez preço a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed). No documento, o banco central norte-americano sinalizou que as condições estão propícias para um aumento do juro em dezembro, mas reforçou que o aperto monetário se dará de forma gradual. As apostas no aumento de juros no mês que vem, que pode atrair para a maior economia recursos aplicados no Brasil, já vinham crescendo nas últimas semanas. Nesse contexto, investidores priorizavam a mensagem de que o aperto monetário deve ser lento, trazendo algum alívio para os mercados emergentes.

No campo econômico as notícias foram péssimas, como já era esperado, porém praticamente ignoradas pelo mercado.

O IBC-Br mostrou recuo de 0,50% em setembro sobre agosto e terminou o terceiro trimestre com queda de 1,41% ante os três meses imediatamente anteriores, de acordo com dados dessazonalizados divulgados pelo Banco Central. O IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses e é considerado uma prévia do PIB.

A taxa de desemprego subiu para 7,9% em outubro, ante 7,6% no mês anterior – o índice mais elevado para outubro desde 2007, quando a desocupação chegou a 8,7%. A população desocupada somou 1,9 milhões de pessoas e mostrou um aumento de 67,5% em relação a outubro de 2014, quando a taxa era de 4,7%. Na comparação com setembro, o principal crescimento da desocupação ocorreu no grupo de pessoas de 18 a 24 anos.

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou entre outubro e novembro, de 0,66% para 0,85%. Esse foi o índice mais elevado para novembro desde 2010, quando subiu 0,86%. Nos 12 meses encerrados em novembro, o índice subiu 10,28%, ultrapassando a barreira dos 10%. Essa taxa acumulada ficou não somente acima dos 12 meses imediatamente anteriores (9,77%) como foi a mais alta desde novembro de 2003 (12,69%).

Pesquisa Focus

Na semana da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano, o mercado financeiro promoveu ainda uma mudança nas expectativas para o comportamento da taxa básica de juros ao final do ano que vem. No Relatório de Mercado Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira, a mediana das expectativas para a Selic de 2016 passou de 13,25% para 13,75% ao ano, o que indica uma trajetória ainda mais conservadora para a taxa básica. Um mês antes, a mediana das projeções no boletim Focus para a Selic do mesmo período era de 13,00% ao ano.

Com essa mudança, a Selic média de 2016 foi ajustada de 14,06% para 14,16% ao ano. Um mês antes, a mediana das previsões para essa variável estava em 13,88% ao ano.

Para este ano, as projeções ficaram inalteradas: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% ao ano, taxa em que se encontra atualmente e o juro médio deste ano deve ser de 13,63% ao ano. O foco do Banco Central para a meta foi deslocado para 2017, mas com a promessa de que seguirá “vigilante”.

Depois de mais uma queda do IBC-Br em setembro, o Focus trouxe ajustes para as expectativas em torno dos dados de atividade do País. De acordo com o documento, a perspectiva de retração do Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem passou de 2,00% para 2,01%. Há um mês, a mediana das projeções estava em -1,43%. Para 2015, a perspectiva de contração aumentou de 3,10% para 3,15% – um mês antes estava em queda de 3,02%.

Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), têm início em 1948.

A pesquisa mostrou que a expectativa para a alta do IPCA em 2015 avançou de 10,04% para 10,33%, registrando a décima semana consecutiva em que há alta das estimativas para esta variável. Há quatro edições do documento, a mediana estava em 9,85%. No caso do Top 5 de 2015, o ponto central da pesquisa passou de 10,28% para 10,53%. Há quatro semanas, essa mediana estava em 9,95%.

Já para 2016, a mediana das projeções para o IPCA do ano ultrapassou o teto da meta e está agora em 6,64%. No levantamento anterior, o ponto central da pesquisa estava em 6,50%. No levantamento de quatro semanas atrás, em 6,22%. O grupo Top 5 manteve a perspectiva para o IPCA em 6,98% pela segunda semana seguida.

Perspectivas

A sexta-feira foi dia de bolsa fechada, em razão do feriado, mas as ações de empresas brasileiras negociadas na forma de ADR’s (American Depositary Receipts) negociadas em Wall Street fecharam com ganhos, levando o índice Brazil Titans 20 – índice que reúne as 20 ações mais negociadas na bolsa americana – a fechar em alta de 1,04%. Isso, por si só, já é um prenúncio de abertura positiva no pregão paulista de hoje.

Mas a agenda trás indicadores que podem mudar o rumo do mercado, que aparentemente engatou um movimento de calmaria.

Na lista, destaque para a reunião do Copom, a última do ano. Embora a expectativa é de que os juros sejam mantidos em 14,25% ao ano, os olhos se voltam ao comunicado pós reunião, que podem trazer algum indicativo de pressão extra devido à manutenção do crescimento da inflação apresentada pelo IPCA-15 da semana passada.

No exterior, as atenções serão concentradas nos EUA, que deve divulgar o PIB, índice de confiança e dados inflacionários. As projeções indicam uma expansão do PIB no terceiro trimestre próximo a 2% em relação ao trimestre anterior. Na zona do Euro serão divulgados dados do PMI e de confiança na economia – em ambos o mercado projeta queda.

No campo político, o governo se prepara para nova batalha na terça-feira: tentar aprovar em nova sessão do Congresso a meta fiscal de 2015, de déficit de até R$ 119,9 bilhões este ano, e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016, que trará a meta fiscal de 0,7% do PIB para o ano que vem.

Nossa recomendação para a renda fixa é de uma exposição da carteira para os vértices mais longos em no máximo 45% (no máximo 5% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20 A, o restante no IMA-B e IMA-B 5).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

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