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Consultoria em Investimentos

Nossa visão – 16/11/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em queda de 0,78%, aos 46.517 pontos, com o mercado ainda especulando sobre as notícias que dão conta da saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, do comando da pasta. Na semana, entre sessões de alta e de baixa, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou baixa de 0,78%.

No mercado de câmbio, o dólar acumulou alta de 1,88% frente o real na semana, com a cotação da moeda atingindo R$ 3,8331 na venda, maior nível de fechamento  desde 30 de outubro.

A semana iniciou com o mercado repercutindo os dados da balança comercial chinesa. A China anunciou retração de 18,80% das importações em outubro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, queda maior do que a de 15,00% projetada pelo mercado. Já as exportações cederam 6,90%, ante os 4,10% de baixa previstos, resultando num superávit da balança de US$ 61,64 bilhões, ante projeção de US$ 60,3 bilhões.

Os dados chineses, em especial os de importação, penalizaram as divisas de países exportadores de commodities, e joga pressão sobre o câmbio.

No cenário político, o Planalto obteve uma importante vitória ao conseguir aprovar na Câmara dos Deputados a chamada Lei de Repatriamento de Recursos. Enviado pelo Executivo, o projeto de Lei é uma das medidas do ajuste fiscal do governo que regulariza, através do pagamento de multa, dinheiro enviado por brasileiros ao exterior sem declaração à Receita Federal. A votação da matéria foi concluída logo após a aprovação de emenda, de autoria do PSDB, que exclui políticos da regra.

Também fez preço os rumores sobre uma eventual ida do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para o comando do Ministério da Fazenda, em substituição a Joaquim Levy. A leitura dos analistas é de que a substituição seria positiva para o mercado no curto prazo, porém no médio prazo o ceticismo prevaleceria pois o governo continuaria a enfrentar dificuldades enormes para implementar um plano de austeridade fiscal e aprovar reformas estruturais no Congresso

Pesquisa Focus

De acordo com o Relatório de Mercado Focus, revelado nesta segunda-feira, a mediana da taxa básica de juros de 2016 foi mantida em 13,25%, após ter subido 25 pontos bases na semana passada, quando a Selic para 2016 era estimada em 13,00%.

Com isso, a mediana da Selic média do ano que vem foi mantida em 14,06%. Um mês atrás, estava em 13,75% ao ano. Um mês antes estava em 12,63%. O foco da instituição sobre a meta agora foi deslocado para 2017, mas com a promessa de que seguirá “vigilante”.

Para este ano, os analistas deixaram suas projeções para a Selic inalteradas. A mediana permaneceu em 14,25% ao ano pela 16ª semana seguida, assim como a mediana para a Selic média de 2015, que continuou em 13,63% ao ano pelo mesmo período.

Do lado da atividade, a perspectiva para a economia em 2015 parou de se deteriorar após 17 semanas seguidas de piora. A contração do Produto Interno Bruto de 2015 continua sendo projetada em 3,10%.

Mas em meio ao atual ambiente de incertezas fiscais e políticas, a projeção para a retração econômica em 2016 foi piorada para 2,0%, ante 1,90% da pesquisa semanal anterior.

Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), têm início em 1948.

A piora na expectativa para a atividade econômica em 2016 veio acompanhada de mais uma revisão para baixo na produção da indústria, de queda de 2,00% para recuo de 2,15%. Há um mês, a estimativa era de um recuo de 1,00%. Para 2015, a expectativa seguiu em contração de 7,40%.

A pesquisa mostrou que a expectativa para a alta do IPCA em 2015 subiu a 10,04%, cinco pontos bases a mais do que na semana anterior.

Já para 2016 a piora foi de três pontos bases, para 6,50%, exatamente o teto da meta do governo, que é de 4,50% com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A expectativa para a alta dos preços administrados no ano que vem piorou pela nona semana seguida e chegou a 7,00%, contra 6,95% antes. Para este ano permaneceu em 17,00%.

O Banco Central mudou recentemente o discurso e passou a destacar que fará o que for preciso para levar a inflação ao centro da meta em 2017, quando antes dizia que esse nível seria atingindo ao final de 2016.

Perspectivas

A semana deve seguir tensa, após a série de atentados que vitimaram mais de cem pessoas em Paris na sexta-feira. Em retaliação, a França bombardeia alvos do Estado Islâmico na Síria, em coordenação com as forçar americanas.

Na agenda da semana está prevista a divulgação de diversos indicadores econômicos, que certamente irão mexer com o humor do mercado.

Dentre os principais indicadores, destaque para a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, que incorpora a trajetória de variáveis consideradas essenciais ara o desempenho  de três setores da economia: agropecuário, indústria e serviços.

Na quinta-feira (19), está prevista a divulgação da Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do IBGE. A pesquisa, cujo levantamento engloba as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife, certamente evidenciará a piora no mercado de trabalho. Em setembro, a desocupação da população chegou a 7,6%, o pior resultado para o mês desde 2009.

No campo político, além da pauta de votações de vetos presidenciais pelo Congresso, as atenções estarão voltadas para o Deputado Federal Fausto Pinato (PRB-SP), relator do processo contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara. O deputado deve entregar o parecer preliminar sobre a admissibilidade, ou não, do processo por falta de decoro parlamentar, que pode levar a cassação do mandato do parlamentar.

Na quarta-feira (18), o Fomc (Comitê de Mercado Aberto do Fed) revelará a ata do último encontro, e o mercado espera por mais sinalizações sobre se, de fato, os juros americanos serão elevados ainda este ano.

Alteramos nossa recomendação para a renda fixa, com uma exposição da carteira para os vértices mais longos em no máximo 45% (no máximo 5% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20 A, o restante no IMA-B e IMA-B 5).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

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