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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 09/11/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em forte queda de 2,35%, aos 46.918 pontos, com o mercado atribuindo maior chance de alta do juro norte-americano em dezembro e também pressionada pelas ações da Vale, após o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, joint venture da brasileira com a australiana BHP, em Minas Gerais. Ainda assim, na semana o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou alta de 2,29%. A ausência de novas notícias políticas que deprimissem o mercado colaborou para o bom humor nos negócios.

No primeiro pregão pós feriado, a sessão foi marcada por uma entrada forte de investidores estrangeiros na bolsa. A Hypermarcas anunciou a venda da divisão de cosméticos a francesa Coty por R$ 3,8 bilhões, reforçando a percepção geral de que os ativos brasileiros estão baratos.

Já o dólar operou no terreno negativo na maior parte do tempo. Além da operação da Hypermarcas, que garante uma entrada de US$ 1,0 bilhão em divisas, a atuação da autoridade monetária via leilão de linhas trouxe liquidez ao mercado cambial.

Passada a euforia inicial, o mercado passou a ceder após a afirmação da chair do Fed, Janet Yellen, de que uma alta do juro nos EUA em dezembro de fato pode ocorrer. Yellen disse que a economia dos Estados Unidos está apresentando “boa performance” e poderia justificar aumento da taxa de juros em dezembro.

No noticiário a divulgação do relatório de emprego dos EUA, com a criação de vagas nos setores público e privado, que mostrou abertura de 271 mil postos de trabalho fora do setor agrícola em outubro, ante expectativa de 180 mil vagas, segundo pesquisa da Reuters, aumentando nas chances de que os juros nos EUA devem subir no próximo mês.

Na economia local, tivemos a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA revelado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. O índice acelerou para 0,82% em outubro, ante 0,54% registrada um mês antes. É a maior taxa para outubro desde 2002, quando o indicador oficial de inflação do país subiu 1,31%. Em outubro do ano passado, o IPCA tinha avançado 0,42%. Com o resultado, houve alta de 8,52% no ano, a maior taxa desde 1996, quando foi de 8,70%. Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 9,93%, maior taxa desde novembro de 2003, quando foi de 11,02%. O IPCA de outubro ficou acima da média das estimativas, de 0,80%. O intervalo das estimativas era de 0,75% a 0,84% de aumento. Em outubro, os combustíveis, que detêm parte significativa das despesas das famílias, participando com 4,89% de peso no IPCA, lideraram o ranking dos principais impactos na inflação. Mais caros em 6,09%, os combustíveis responderam por 0,30 ponto percentual, ou 37% da taxa geral do mês. Sozinha, a gasolina representou 0,19 ponto percentual do IPCA de outubro ao subir 5,05%.

Pesquisa Focus

O discurso do novo diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, produziu mudanças nas previsões do mercado financeiro para a Selic do ano que vem. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, revelado nesta segunda-feira, a mediana da taxa básica de juros de 2016 subiu de 13,00% para 13,25% ao ano.

Com isso, a mediana da Selic média do ano que vem avançou de 13,95% para 14,06%. Um mês atrás, estava em 13,75% ao ano. Um mês antes estava em 12,63%. O foco da instituição sobre a meta agora foi deslocado para 2017, mas com a promessa de que seguirá “vigilante”.

Para este ano, os analistas deixaram suas projeções para a Selic inalteradas. A mediana permaneceu em 14,25% ao ano pela 15ª semana seguida, assim como a mediana para a Selic média de 2015, que continuou em 13,63% ao ano pelo mesmo período.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5, não houve mudanças para 2015 e a Selic segue em 14,25% – previsão apontada já há 20 semanas. Já a mediana das previsões para 2016 subiu de 12,75% para 13,00% ao ano – quatro semana antes estava em 12,13% ao ano.

O boletim trouxe nova rodada de deterioração para o Produto Interno Bruto (PIB) deste e do próximo ano. De acordo com o documento, a perspectiva de retração da economia este ano passou de 3,05% para 3,10% – um mês antes estava em queda de 2,97%. Para 2016, a mediana das previsões saiu de -1,51% para -1 90%. Quatro semanas atrás estava negativa em 1,20%.

Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), têm início em 1948.

As previsões para a inflação de 2015 bateram na trave dos dois dígitos. A mediana avançou de 9,91% para 9,99%. Esta é a oitava semana consecutiva em que há alta das estimativas para esta variável.

Há quatro edições do documento, a mediana estava em 9,70%. No caso do Top 5 de 2015, o ponto central da pesquisa já havia atingido dois dígitos na semana passada e agora avançou mais, passando de 10,03% para 10,16%. Há quatro semanas, essa mediana estava em 9,61%.

Para 2016, a mediana das previsões também disparou: passou de 6,29% para 6,47% na 14ª vez seguida de elevação. Há quatro edições, o ponto central da pesquisa era de 6,05%. No Top 5, houve queda de 7,33% para 6,98%. Quatro edições atrás estava em 6,72%. A meta de inflação de 2015 e 2016 é de 4,5% com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, o BC havia apresentado estimativa de 9,5% para este ano tanto no cenário de referência quanto no de mercado. Pelos cálculos da instituição revelados no RTI, o IPCA para 2016 subiu de 4,8% para 5,3% no cenário de referência e passou de 5,1% para 5,4% no de mercado. Na ata do Copom mais recente, o BC informou que suas projeções subiram ainda mais tanto no cenário de mercado quanto no de referência.

Para a inflação de curto prazo, a estimativa para novembro subiu de 0,60% para 0,62% de uma semana para outra ante taxa de 0,57% verificada há um mês. No caso de dezembro, que aparece pela primeira vez no relatório, a taxa passou de 0,70% para 0,71%. Quatro semanas atrás estava em 0,67%.

As expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente também voltaram a ultrapassar o teto da meta, saindo de 6,47% para 6,70% – quatro edições atrás estavam em 6,24%.

Perspectivas

Os negócios na semana abriram em baixa, após a China divulgar dados desapontadores relativos ao comércio. As exportações de outubro recuaram 6,9% comparado com o mesmo período do ano passado, em queda pelo quarto mês, enquanto as importações despencaram 18,8%.

Na quarta-feira (11) serão conhecidos os dados da Produção Industrial e vendas no varejo da China, que pelas características da economia do país será um verdadeiro teste para conhecermos a força do gigante asiático.

Por aqui, os olhos estarão voltados à votação do Projeto de Lei de Repatriação na terça-feira (10), que devem elevar a arrecadação do governo em até R$ 100 milhões segundo estimativas. Obviamente, não há garantias de que será votado, pois depende da vontade do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, um ponto de conflito com os projetos do governo.

Nos EUA, destaque para indicadores que podem indicar se o juro americano aumenta ainda este ano. Na sexta-feira (13) serão conhecidos os indicadores de vendas no varejo. Também estão previstos diversos discursos de membros do Fed, que sempre trazem expectativas em suas falas.

Semana sem viés definido, não havendo uma clara indicação de qual rumo o mercado deve tomar.

Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

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