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Consultoria em Investimentos

Nossa visão – 19/10/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 0,16%, aos 47.236 pontos, mas longe da máxima do dia, com ruído sobre demissão do ministro da Fazenda Joaquim Levy no final do pregão praticamente anulando os ganhos nos ajustes finais da sessão. Na semana, mais curta em razão do feriado, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou queda de 4,26%.

No primeiro pregão pós feriado, o noticiário externo deu o tom dos negócios com a queda acima do esperado nas importações pela China reforçando as preocupações com a desaceleração global.

As exportações da China caíram menos do que o esperado em setembro, com os dados mensais mostrando recuperação, mas uma queda mais forte nas importações deixou o mercado dividido sobre se o setor comercial do país está mostrando sinais de recuperação. As exportações caíram 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Entretanto, as importações por valor total caíram pelo 11º mês consecutivo, perdendo mais de 20% em setembro na comparação anual, devido aos preços fracos das commodities e à demanda doméstica fraca.

Na cena local, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liminares que, na prática, suspendem momentaneamente o andamento de um eventual processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, que ganha mais tempo em meio à intensa disputa política que trava no Congresso.

Os mercados mantiveram-se pressionados após a agência classificadora de riscos Fitch ter anunciado um corte na nota de crédito do Brasil de “BBB” para “BBB-“, último degrau que garante o chamado grau de investimento, enquanto manteve a perspectiva negativa para a nota. De certa forma a decisão já estava precificada, dadas as limitações de políticas econômicas e o contexto político instável e incerto, mas a manutenção da perspectiva negativa para a nota é um alerta de que o país precisa reagir.

Pesquisa Focus

Pela décima segunda semana consecutiva, o Relatório de Mercados Focus trás a perspectiva de juros estáveis em 14,25% ao ano Para o fim de 2016, a estimativa subiu de 12,63% para 12,75% ao ano – o que pressupõe a manutenção do juro elevado ao longo do ano que vem.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% – previsão apontada já há 16 semanas, enquanto a mediana das previsões para 2016 subiu para 12,42%.

Para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, os analistas passaram a estimar uma retração de -3,00%. Foi a décima quarta queda seguida deste indicador. Até então, a expectativa do mercado era de um recuo de -2,97% para o PIB de 2015. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%. Para 2016, os economistas das instituições financeiras passaram a prever uma contração de -1,22% na economia do país. Na semana anterior, os analistas haviam estimado uma retração de -1,20% para a economia no próximo ano. Para se ter uma ideia, no início de 2015, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,80% para a economia brasileira no ano que vem.

A estimativa dos economistas dos bancos é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano de 2015 em 9,75% – na semana anterior, a taxa esperada era de 9,53%. Se confirmada, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando somou 12,53%. O BC informou a poucas semanas que estima um IPCA de 9,70% para este ano. Segundo economistas, a alta do dólar e, principalmente, dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis, gás e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. No Top 5 de médio prazo da Focus, a mediana para o IPCA de 2015 saiu de 9,61% para 9,81%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras mantiveram sua expectativa de inflação em 6,26%. Cabe destacar que o indicador continua distante da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem.

Perspectivas

O cenário político deve continuar gerando volatilidade nos mercados, após as notícias de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, seria demissionário. Levy sente-se desgastado por não contar com o apoio do Planalto às pressões por sua saída de dentro do Partido dos Trabalhadores, liderada pelo ex-presidente Lula. Por outro lado, o Planalto não veio a público desmentir as notícias, somente uma nota da assessoria do ministério da Fazenda negando o que seria um boato.

No âmbito da Operação Lava Jato, foram descobertas e comprovadas diversas contas bancárias secretas na Suíça movimentadas pelo Deputado Federal e presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. Na quinta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federa, (STF), Teori Zavascky, autorizou a abertura de um novo inquérito para investigar Cunha.

Na terça-feira, o PSDB deverá protocolar o pedido de impeachment dos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal. Enfraquecido e para salvar a própria pele, Cunha protelará sobre a abertura de um processo de impeachment da presidente. Quanto mais essa história se arrastar, mais força ele teria para negociar com o governo e a oposição a preservação do seu mandato que corre o risco de ser cassado.

Além do cenário político conturbado, a semana reserva uma série de indicadores que prometem mexer com os mercados.

Na China, serão conhecidos os dados de vendas no varejo, produção industrial e o PIB do terceiro trimestre, que confirmarão ou não a desaceleração da economia do gigante asiático.

Por aqui, teremos a divulgação da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, que deverá mostrar um avanço na taxa de desemprego para 7,7% em setembro, ante 7,6% de agosto.

Também é aguardada a divulgação do IPCA-15, considerada uma prévia da inflação do mês. O índice deverá superar a casa dos 0,65%, ante 0,39% do período anterior.

Na agenda, teremos a penúltima reunião anual do COPOM. Na quarta-feira será conhecida a decisão do comitê, para a qual se espera pela manutenção da Selic em 14,25%, apesar da inflação alta e do câmbio depreciado.

Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

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