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Consultoria em Investimentos

Nossa Visão – 13/10/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 0,47%, aos 49.338 pontos, com os investidores precificando que o Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês) não eleve os juros este ano. Na semana, o índice acumulou alta de 4,90%, depois de ter subido 4,91% na semana anterior, um movimento atípico dado que o cenário político só piorou para a presidente Dilma Rousseff.

Já o dólar recuou 0,90%, a R$ 3,75, retornando ao nível anterior ao rebaixamento do rating pela Standard & Poor’s, no começo de setembro.

Após ser derrotado por dois dias consecutivos no Congresso, ao não conseguir quórum para análise dos vetos presidenciais, o governo assumiu acordos de nomeações para cargos do segundo escalão e conseguiu a promessa de líderes de partidos da base aliada de que a votação ocorrerá na próxima semana, apesar do presidente do Senado, Renan Calheiros, ter afirmado que não há previsão de convocação de nova sessão do Congresso Nacional antes de novembro.

O governo ainda teve outros reveses. Um deles, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de abrir ação de impugnação de mandato da presidente Dilma Rousseff, que pode cassar o diploma eleitoral da petista e também do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB).

É a primeira vez que a Justiça Eleitoral autoriza uma investigação como essa contra um presidente da República empossado.

Outro revés veio do Tribunal de Contas da União (TCU), que por unanimidade aprovou o parecer do relator do processo, Augusto Nardes, e recomendou a reprovação das contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff, o que eleva a pressão para um eventual processo de impeachment. Agora, o relatório segue para deliberação do Congresso Nacional.

Fez preço a divulgação da ata do encontro de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), ao revelar que o Fed acredita que a economia estava próxima de justificar aumento de juros em setembro, mas integrantes decidiram que era prudente esperar por evidências de que a desaceleração da economia global não está tirando os EUA dos trilhos. O mercado de juros futuros norte-americanos aponta que o aperto monetário (ou seja, a alta nos juros no país) só terá início em março que vem, segundo a Reuters.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice de Preços ao Consumi dor Amplo (IPCA) de setembro. A inflação acelerou em setembro para 0,54%, refletindo principalmente o reajuste do botijão de gás e das passagens aéreas. De acordo com o IBGE, com peso importante no cálculo das despesas das famílias, a alta de 12,98% no gás – abaixo dos 15% autorizados pela Petrobras – foi responsável por 25% do avanço do índice. Entre janeiro e setembro, a inflação soma alta de 7,64%. É a maior para esse período do ano desde 2003, quando chegou a 8,05%. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula avanço de 9,49%, menor do que aquela verificada nos 12 meses até agosto, de 9,53%.

Pesquisa Focus

Após o Banco Central ter mantido os juros estáveis em 14,25% ao ano no começo de setembro, o maior patamar em nove anos, o mercado manteve a estimativa de que não devem ocorrer novos aumentos de juros em 2015. Para o fim de 2016, a estimativa subiu de 12,50% para 12,63% ao ano – o que pressupõe a manutenção do juro elevado ao longo do ano que vem.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% – previsão apontada já há 16 semanas, enquanto a mediana das previsões para 2016 foi reduzida para 12,13%.

Para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, os analistas passaram a estimar, na semana passada, uma retração de -2,97%. Foi a décima terceira queda seguida deste indicador. Até então, a expectativa do mercado era de um recuo de -2,85% para o PIB de 2015. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%. Para 2016, os economistas das instituições financeiras passaram a prever uma contração de -1,20% na economia do país. Na semana anterior, os analistas haviam estimado uma retração de -1,00% para a economia no próximo ano. Para se ter uma ideia, no início de 2015, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,80% para a economia brasileira no ano que vem.

A estimativa dos economistas dos bancos é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano de 2015 em 9,70% – na semana anterior, a taxa esperada era de 9,53%. Se confirmada, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando somou 12,53%. O BC informou a poucas semanas que estima um IPCA de 9,5% para este ano. Segundo economistas, a alta do dólar e, principalmente, dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis, gás e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, revelado a algumas semanas, o BC havia apresentado estimativa de 9,5% tanto no cenário de referência quanto quando usou os parâmetros de mercado. No Top 5 de médio prazo da Focus, a mediana para o IPCA de 2015 saiu de 9,66% para 9,61%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras elevaram sua expectativa de inflação de 5,94% para 6,05% na última semana. Foi a décima alta seguida do indicador – que continua se distanciando da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem. Pelos cálculos do BC revelados no RTI de setembro, o IPCA para 2016 subiu de 4,8% para 5,3% no cenário de referência e passou de 5,1% para 5,4% no de mercado.

Perspectivas

A volatilidade certamente estará presente nos negócios durante a semana, com o Ibovespa provavelmente interrompendo a sequencia histórica de nove pregões consecutivos de alta.

No campo político, governo e oposição iniciam a batalha pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. No centro das atenções, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, tem nas mãos uma série de pedidos para abertura do processo. Nos bastidores, os líderes do governo no Congresso passaram o final de semana preparando-se para o confronto, em reuniões com a base aliada buscando os votos necessários para barrar o processo.

Além do cenário político conturbado, a semana reserva uma série de indicadores que serão conhecidos mundo afora.

A China divulgará seus indicadores de inflação na terça-feira. A importância será minimizada após o governo chinês indicar que está confortável com o patamar atual de crescimento do gigante asiático. A previsão para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) é de 1,9% em setembro, contra 2% registrados em julho. Já o Índice de Preços ao Produtor (IPP) deverá recuar 5,8%. Ainda assim, deve trazer algum impacto aos negócios, principalmente se o clima em Brasília azedar.

Na quarta-feira será conhecido o “Livro Bege” do Fed e vendas no varejo. Na quinta-feira será a vez da inflação ao consumidor norte-americana, enquanto os dados da produção industrial serão revelados na sexta-feira. Esperam-se números que indiquem a manutenção da recuperação da economia americana, o que pode trazer alguma pressão nos mercados domésticos, diante da expectativa de alta do juro nos EUA.

Por aqui, destaque para a divulgação do IBC-Br, considerado a prévia do PIB nacional. As expectativas são de retração de 0,5% em agosto, após ficar praticamente estável em julho.

Atenção também para o discurso de diversos presidentes regionais do FED, que devem trazer indicativos sobre os rumos da política monetária americana.

Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

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