Retrospectiva
O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a sexta-feira em queda pelo sexto pregão consecutivo. O Ibovespa caiu 1,02%, aos 44.831 pontos, o menor patamar em um mês, diante das persistentes incertezas políticas e econômicas no País. Na semana, o índice de referência contabilizou perdas de 5,15%, enquanto no mês a queda acumula 3,85%.
No mercado de câmbio, o dólar encerrou o pregão de sexta-feira cotado a R$ 3,9757 na venda, após ter atingido máximas históricas nos últimos dias. Após realizar leilões extras de contratos de swap cambial (venda de dólares no mercado futuro), o BC informou que não descarta a possibilidade de venda de dólares das reservas internacionais no mercado à vista. Com isso, o dólar que chegou a ser cotado a R$ 4,248 na quinta-feira, passou a cair. Na semana, acumulou alta de 0,4%.
No front doméstico, o Congresso Nacional manteve boa parte dos vetos presidenciais a medidas com potencial impacto nas contas públicas, mas adiou dois dos temas mais polêmicos: o reajuste dos servidores do judiciário e o que atrela o reajuste das aposentadorias pelo mesmo índice de correção do salário mínimo, considerados cruciais para o ajuste fiscal.
Ainda no cenário político, o anúncio da reforma ministerial ficou para a próxima semana. Num primeiro momento, a presidente Dilma Rousseff pretendia entregar aos peemedebistas apenas cinco ministérios, menos do que eles têm hoje. Alertada por Lula, aumentou a cota para seis, desistindo de fundir a Aviação Civil com os Portos e segurando o deputado Eliseu Padilha na equipe.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referente a agosto, mostraram o pior resultado para o mês em 20 anos e o quinto mês seguido de perdas. O Brasil fechou 86.543 vagas formais de trabalho no mês, e já registra demissão líquida de 572,8 mil trabalhadores no ano. O maior número de demissões ocorreu nos setores industrial (-47.944), construção civil (-25.069) e comércio (-12.954). A agricultura perdeu 4.448 postos, mas o desempenho foi melhor do que no mesmo período do ano passado. Os dados apresentados reforçam o quadro de fraqueza do mercado de trabalho e permanência do cenário negativo, em meio ao aprofundamento da recessão, inflação elevada e crise política e econômica persistente.
No front externo, foi divulgada a terceira prévia do PIB americano do segundo trimestre de 2015. Foi registrado um avanço de 3,9% na atividade econômica do País, acima dos 3,7% apurados na segunda prévia e também acima da mediana das expectativas, que era de 3,7% de expansão. O melhor desempenho da economia americana é um ponto que fortalece as apostas para um aumento de juros pelo Fed ainda este ano. Nesta linha, o presidente do Fed em Saint Louis, James Bullard, voltou a pressionar pela elevação da taxa de juros, ao dizer que o estado atual da economia norte-americana não exige mais juros de curto prazo em níveis próximos de zero.
Pesquisa Focus
Após o Banco Central ter mantido os juros estáveis em 14,25% ao ano no começo de setembro, o maior patamar em nove anos, o mercado manteve a estimativa de que não devem ocorrer novos aumentos de juros em 2015. Para o fim de 2016, a estimativa subiu de 12,25% para 12,50% ao ano – o que pressupõe reduções da taxa Selic ao longo do ano que vem.
Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% – previsão apontada já há 14 semanas, enquanto a mediana das previsões para 2016 foi mantida em 12,38%, mesmo número da semana passada.
Para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, os analistas passaram a estimar, na semana passada, uma retração de 2,8%. Foi a décima primeira queda seguida deste indicador. Até então, a expectativa do mercado era de um recuo de 2,7% para o PIB de 2015. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%. Para 2016, os economistas das instituições financeiras passaram a prever uma contração de 1,00% na economia do país – na oitava revisão para baixo seguida. Na semana anterior, os analistas haviam estimado uma retração de 0,80% para a economia no próximo ano. Para se ter uma ideia, no início de 2015, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,80% para a economia brasileira no ano que vem.
A estimativa dos economistas dos bancos é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano de 2015 em 9,46% – na semana anterior, a taxa esperada era de 9,34%. Se confirmada, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando somou 12,53%. O BC informou na semana passada que estima um IPCA de 9,5% para este ano. Segundo economistas, a alta do dólar e, principalmente, dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, revelado na semana passada, o BC havia apresentado estimativa de 9,5% tanto no cenário de referência quanto quando usou os parâmetros de mercado. No Top 5 de médio prazo da Focus, a mediana para o IPCA de 2015 saiu de 9,37% para 9,61%, bem acima da projeção de um mês atrás, quando estava em 9,41%.
Para 2016, os economistas das instituições financeiras elevaram sua expectativa de inflação de 5,70% para 5,87% na última semana. Foi a oitava alta seguida do indicador – que continua se distanciando da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem. Pelos cálculos do BC revelados no RTI de setembro, o IPCA para 2016 subiu de 4,8% para 5,3% no cenário de referência e passou de 5,1% para 5,4% no de mercado.
Perspectivas
A volatilidade permanecerá presente em nossos mercados, suportada por uma agenda intensa tanto no Brasil como nos EUA.
No front político, as atenções estarão voltadas para o anúncio da reforma ministerial conduzida pela presidente Dilma Rousseff, bem como na votação dos vetos presidenciais que faltaram na sessão conjunta da Câmara e Senado na semana passada.
Do lado da economia, destaque para o resultado primário das contas públicas no Brasil, previsto para ser divulgado na quarta-feira (30), e também para o relatório de emprego nos EUA, a ser divulgado na sexta-feira (02). As expectativas de consenso no mercado são de que os EUA tenham criado 200 mil novas vagas em agosto, e que a taxa de desemprego fique estável em 5,1%.
Também na quarta-feira, serão conhecidos os dados do PMI (Índice de Gerente de Compras) industrial e de serviços das China em setembro, importante indicador para avaliar a economia do gigante asiático.
Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).
Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.
Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.
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