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Nossa Visão – 29/06/2015

O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo, encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 1,58%, aos 54.016 pontos. O avanço na semana foi de 0,49%, engatando a quarta consecutiva de valorização, enquanto no mês a alta acumulada é de 2,38%.

A volatilidade esteve presente em todos os pregões da semana, mas sem sair da tendência “de lado” que perdura desde maio. A tensão na zona do euro manteve-se no foco dos mercados, e mais uma semana se passou sem que uma solução negociada fosse concluída. Agora, aproxima-se o prazo fatal para que a Grécia honre com a parcela de 1,6 bilhões de euros, sem um sinal de que isso vá acontecer.

Do lado doméstico, a notícia da semana foi a aprovação do texto base da Medida Provisória 672, que estende até 2019 a política de valorização do salário mínimo.  Porém, no texto base foi incluída uma emenda que amplia a aplicação da regra do salário mínimo a todas as aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social. Foi mais uma prova da dificuldade que o governo enfrenta em aprovar as medidas do ajuste fiscal. Caso a medida passe do jeito que está pelo Senado e não sofra o veto da presidente Dilma, gerará um gasto adicional ao Executivo de R$ 9,2 bilhões por ano.

Também ficou no radar a redução, pelo Conselho Monetário Nacional – CMN, da margem de tolerância para a meta da inflação. O Conselho confirmou a meta de inflação para 2017 em 4,5%, porém reduziu a margem para 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos, o que significa que o teto da meta passará de 6,5% para 6,0%. A decisão era defendida por Joaquim Levy e Alexandre Tombini e, na prática, mostra o compromisso do governo com a redução da inflação. Com a redução do teto, mesmo que para daqui a dois anos, eleva-se a expectativa do mercado com a alta nos juros nas próximas reuniões do Copom.

O Banco Central divulgou o relatório trimestral de inflação do segundo trimestre. Nele, o BC admitiu que a inflação deve atingir 9% em 2015. Além disso, o BC também admitiu que a economia brasileira deve “encolher” 1,1% neste ano – a maior contração em 25 anos. A principal mensagem do relatório é que a política monetária esteja e se mantenha “vigilante para assegurar a convergência da inflação à meta de 4,5% ao final do ano de 2016”. O documento reconhece inflação elevada em 2015 e reitera a “necessidade de determinação e perseverança no combate à inflação no curto, médio e longo prazos”.

Durante a semana, ainda foi destaque a notícia de que o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, teria entrado com pedido de habeas corpus para não ser preso na operação Lava Jato. Contudo, a informação se provou falsa após a confirmação de que o pedido, na verdade, partiu de um cidadão em favor de Lula.

O Relatório de Mercado Focus, revelado pela manhã, mostrou que a mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma retração de 1,45% da semana anterior para 1,49%, registrando a sexta semana consecutiva de queda no indicador. Para 2016, a mediana das projeções também foi reduzida, de crescimento de 0,70% para 0,50%.

Em relação à SELIC, os economistas das instituições financeiras ajustaram suas perspectivas da taxa para o fim deste ano, acreditando que encerrará 2015 em 14,50%, ante 14,25% da semana anterior. Para 2016, as expectativas foram mantidas em 12,00%.

Em relação a inflação, os economistas consultados elevaram pela décima primeira vez consecutiva a previsão para o IPCA deste ano. A expectativa é que o índice oficial de inflação encerre 2015 em 9,00%, contra 8,97% na semana anterior. Para 2016 as projeções foram mantidas em 5,50%.

O noticiário movimentado traz um viés de tensão para os mercados nesta semana.

O desenrolar da crise grega será o grande evento do mercado nos próximos dias. Um possível acordo já está, em parte, precificado pelo mercado. Por outro lado, um calote grego torna as coisas mais complicadas e a instabilidade dos mercados se intensificará.

Na próxima terça-feira termina o prazo para a Grécia devolver 1,6 bilhões de euros aos credores, e termina igualmente o atual programa de assistência, o que vai aumentar a pressão sobre o sistema financeiro grego.

Alexis Tsipras, líder do governo grego, conseguiu a aprovação, pelo Parlamento, de um referendo para que o povo possa se pronunciar sobre as últimas propostas dos credores internacionais. Para que o referendo possa ser convocado e realizado, Tsipras deve pedir uns dias adicionais para o fim do programa. Tsipras usa todas as armas que têm para impor um acordo em melhores condições para o país.

No Brasil, o mercado seguirá de olho nas votações do Congresso. O Senado poderá votar na semana que vem a última medida do ajuste fiscal, o projeto de lei que reduz as desonerações da folha de pagamentos. Aprovado pela Câmara, o PL 863/2015 aumenta as alíquotas incidentes sobre a receita bruta das empresas de 56 setores da economia.

Na agenda dos indicadores, destaque para a divulgação dos dados de atividade e emprego dos EUA, conhecido como payroll. Por aqui, uma série de indicadores serão conhecidos: IGP-M mensal, confiança do consumidor, resultados do governo, balança comercial, produção industrial, dentre outros.

Reafirmamos nossa recomendação de, por hora, manter uma carteira posicionada para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral). O reposicionamento deverá ser gradativo, visando formar um preço médio para a carteira.

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

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