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Nossa Visão – 22/06/2015

O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo, encerrou o pregão de sexta-feira em queda de 0,90%, aos 53.749 pontos. Ainda assim, na semana o Ibovespa subiu 0,75%, enquanto no mês a alta acumulada é de 1,87%.

A volatilidade esteve presente em todos os pregões da semana, com o mercado precificando as tensões na zona do euro e a decisão do FED sobre o juro americano. Ao final da quarta-feira, o FOMC anunciou que manteve a taxa de juros inalterada na banda entra 0% e 0,25%. O mais importante, contudo, foi a sinalização de que o BC dos EUA subirá os juros de maneira mais lenta. Serão mais quatro reuniões esse ano, mas a maior parte dos analistas assume que o FED não deve começar a elevar as taxas de juros em julho, jogando luz para as reuniões de setembro, outubro e dezembro. O comitê da autoridade monetária destacou ver duas altas na taxa de juros ainda este ano, o que deixa na mesa a expectativa que a alta dos juros deve começar em setembro.

Na Grécia, as tensões se multiplicaram. Os gregos sacaram mais de 1 bilhão de euros de seus bancos em um único dia, disseram fontes do setor bancário na sexta-feira, conforme o país se aproxima de um default apesar das declarações otimistas do primeiro-ministro, Alexis Tsipras.

Investidores temem que a Grécia seja incapaz de realizar o pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI) no fim deste mês, entrando em default e deprimindo o apetite por ativos de risco nos mercados financeiros globais.

No Brasil, destaque para a divulgação do chamado Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), calculado pelo BC e que busca ser uma espécie de “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB). O índice registrou uma contração de 0,84% em abril, primeiro mês do segundo trimestre. A variação, após ajuste sazonal, aconteceu sobre o mês de março. Foi o segundo mês seguido de queda do indicador que, em março, havia recuado 1,51% (valor revisado). Desde outubro do ano passado, o IBC-Br não registrou recuo somente em fevereiro deste ano – quando subiu 0,70%.

O Relatório de Mercado Focus, revelado pela manhã, mostrou que a mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma retração de 1,35% da semana anterior para 1,45%, registrando a quinta semana consecutiva de queda no indicador. Para 2016, a mediana das projeções também foi reduzida, de crescimento de 0,90% para 0,70%.

Em relação à SELIC, os economistas das instituições financeiras ajustaram suas perspectivas da taxa para o fim deste ano, acreditando que encerrará 2015 em 14,25%, ante 14,00% da semana anterior. Para 2016, as expectativas foram mantidas em 12,00%.

Em relação a inflação, os economistas consultados elevaram pela décima vez consecutiva a previsão para o IPCA deste ano. A expectativa é que o índice oficial de inflação encerre 2015 em 8,97%, contra 8,79% na semana anterior. Para 2016 as projeções foram mantidas em 5,50%.

O noticiário movimentado promete não dar tréguas ao mercado nesta semana.

A Grécia continuará sendo o grande foco desta semana, ofuscando ao menos por enquanto o assunto sobre a probabilidade de alta de juros nos EUA ainda este ano. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, convocou uma reunião de emergência dos líderes da zona do euro para a próxima segunda-feira (22) para discutir a situação da Grécia. Embora um eventual “default” do governo grego esteja no cenário do mercado, uma saída do país da zona do euro não está descartada, e poderá aumentar a aversão ao risco.

Depois do fracasso da reunião dos ministros das Finanças da zona do euro na quinta-feira, várias autoridades europeias advertiram que a reunião excepcional de chefes de Estado e de Governo na próxima segunda-feira não terá serventia, se não se trabalhar seriamente já no fim de semana.

E o governo grego trabalhou. Alexis Tsipras apresentou uma proposta concreta de reforma, com alterações na aposentadoria e aumento de impostos. Apesar de considerada “razoável”, não se espera por um acordo ainda hoje.

De concreto a notícia, a confirmar, de que o BC Europeu concordou em aumentar a reserva de liquidez do sistema bancário grego em 1,5 bilhão de euros, afim de evitar que o sistema entre em colapso, já que a corrida dos poupadores aos bancos nos últimos dias foi grande. O aumento da reserva funciona como uma linha de crédito, que poderá ser acessada dependendo das condições.

No lado doméstico, o mercado vai digerir os desdobramentos da operação Lava Jato, que também promete trazer bastante pressão aos mercados. Além disso, o mercado volta as atenções para o Congresso Nacional. Na próxima quarta-feira deverá ocorrer a votação do projeto de lei que reduz as desonerações da folha de pagamentos, a última medida do ajuste fiscal. O projeto aumenta de 1% ou 2% para 2,5% e 4,5% as alíquotas incidentes sobre a receita bruta das empresas de 56 setores da economia que deixaram de contribuir com 20% da folha de pagamentos ao INSS.

Reafirmamos nossa recomendação de, por hora, manter uma carteira posicionada para os vértices mais longos em torno de 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral). O reposicionamento deverá ser gradativo, visando formar um preço médio para a carteira.

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

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