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Mercado volta a elevar estimativa para IPCA em 2015

Pela nona semana seguida, o Relatório de Mercado Focus publicado nesta segunda-feira, 15/06, pelo Banco Central sinaliza a expectativa de elevação da inflação ao final de 2015. Enquanto a percepção dos analistas é elevada em relação à inflação, recua no que diz respeito ao desempenho da economia medida pelo PIB.

Inflação

Após a divulgação do IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de maio acima das expectativas do mercado, os analistas das instituições financeiras elevaram mais uma vez as suas estimativas para o índice oficial de inflação do governo em 2015. O mercado estima que o IPCA vá encerrar o ano em 8,79%, contra 8,46% da semana anterior. Para o próximo ano o mercado continua acreditando em recuo do IPCA para a banda da meta de inflação e encerre 2016 em 5,50%.

A estimativa dos economistas dos bancos para a inflação suavizada nos próximos 12 meses, foram elevadas e passaram de 5,95% para 6,10% em função do desencontro entre a expectativa do mercado e o índice real da inflação de maio.

Inflação de curto prazo

A inflação de curto prazo na visão dos analistas considerados Top 5 foram elevadas nesta edição do Focus. Para junho a estimativa subiu de 0,41% e 0,46%, já para a inflação de julho o mercado estima elevação do índice de 0,35% para 0,40%.

Crescimento da Economia

Com a elevação dos índices de inflação e a consequente manutenção do aperto monetário por parte da autoridade monetária os analistas das instituições financeiras continuam apostando em um crescimento da economia menor para 2015. Nesta semana a estimativa para o crescimento do PIB foi reduzida de -1,30% para 1,35%. Para 2016 a estimativa dos agentes do mercado financeiro recuou de 1,00% para 0,90%. Esta é a primeira vez neste ano que o mercado mexe na estimativa de 2016.

Já para o desempenho da produção industrial, os agentes do mercado financeiro mantiveram as suas projeções em -3,20% em 2015. Surpreendentemente os economistas dos bancos elevaram as suas estimativas para a produção industrial de 2016 de 1,50% para 1,60%.

Taxa de juros

O mercado financeiro continua apostando que o Copom vá interromper o ciclo de aperto monetário na próxima reunião quando poderá elevar a Selic para 14,0% ao ano, o que significa uma elevação de 0,25 pontos base. Da mesma forma mantiveram a estimativa para a taxa básica de juros em 12,0% para 2016, o que pressupõe redução dos juros já para o próximo ano.

A taxa Selic é usada nas negociações de títulos públicos no SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia e serve como referência para as demais taxas de juros da economia. Ao elevar a taxa de juros, a autoridade monetária controla o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos faz com que o crediário seja desestimulado o que por sua vez estimula a poupança. Quando reduz a taxa de juros, o Banco Central incentiva o crédito e a produção, o que por sua vez estimula o consumo, e alivia o controle sobre a inflação.

Se por um lado a elevação da Selic contribua para o controle dos preços, prejudica a economia, que atravessa um ano difícil, com queda na produção e no consumo.

Câmbio

Pela sétima semana seguida os analistas do mercado financeiro mantiveram as suas projeções para a taxa de câmbio ao final de 2015 que permaneceu em R$ 3,20 por unidade da moeda norte-americana. Para o próximo ano, a estimativa dos economistas dos bancos para a taxa de câmbio também permaneceu estável em R$ 3,30 por dólar.

Balanço de pagamentos e IED

OS analistas das instituições financeiras reduziram nesta semana as suas estimativas para o saldo do balanço de pagamentos para 2015. Na conta Balança Comercial foi registrada redução das projeções de US$ 3,10 bilhões para US$ 3,00 bilhões neste ano. Para 2016, a mediana das estimativas, entretanto, foram elevadas de um superávit US$ 10,00 bilhões para US$ 10,35 bilhões.

Ao contrario do que vinham ocorrendo nas últimas sete semanas, os economistas dos bancos reduziriam as suas estimativas o ingresso de IED – Investimento Estrangeiro Direto em 2015 de US$ 67,50 bilhões para US$ 67,00 bilhões. Para o próximo ano as projeções foram mantidas em U$ 65,00 bilhões.

Preços administrados

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato ou administrados”, refere-se aos preços que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contratos por contrato ou por órgão público.

Os preços administrados estão divididos nos seguintes grupos: os que são regulados em nível federal – pelo próprio governo federal ou por agências reguladoras federais – e os que são determinados por governos estaduais ou municipais. Nos primeiro grupo, estão incluídos os preços de serviços telefônicos, derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha, óleo para motores), eletricidade e planos de saúde. Os preços controlados por governos subnacionais incluem a taxa de água e esgoto, o IPVA, o IPTU e a maioria das tarifas de transporte público, como ônibus municipais e serviços ferroviários.

Para 2015, as projeções dos economistas dos bancos para os preços administrados foram elevadas de 13,94% para 14,00%.  Para 2016 as estimativas permaneceram em 5,80%.

Perspectiva

Como não há alterações significativas nas expectativas trazidas pelo Relatório de Mercado Focus, neste momento, mantemos nossa recomendação de reposicionar os investimentos para os vértices mais longos, de 40% para 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 15 ou 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral). O reposicionamento deverá ser gradativo, visando formar um preço médio para a carteira.

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2 ou 3A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendamos de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Um comentário para “Mercado volta a elevar estimativa para IPCA em 2015”

  • Roberta

    Paula,

    Segue matéria que encontrei sobre taxa de juros e Selic. Pela matéria a indicação é que o governo quer desacelerar o consumo e a produção.
    Para um tomador de um empréstimo a hora não é boa, pois os juros estão altos. Já para quem quer investir é uma boa opção investir em títulos indexados a taxa Selic e IPCA (NTN-B).
    Fiquei em duvida se a poupança atualmente é um bom investimento também…

    Abs,
    Roberta

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