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Copom eleva Selic para 13,75% ao ano

A autoridade monetária ratificou a expectativa do mercado financeiro e elevou a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) em 0,5 ponto percentual, para 13,75% ao ano no encerramento da reunião do Copom – Comitê de Politica Monetária, nesta quarta-feira (03/06). Com esta é a sexta alta consecutiva desde o fim de outubro de 2014. Ao final da reunião o Copom divulgou o seguinte comunicado, “Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 13,75% a.a., sem viés.

O avanço da Selic, que é referência para o custo do dinheiro na economia, veio em linha com as expectativas do mercado. A elevação e 0,5 pontos base era esperada por 55 dos 56 economistas participantes de pesquisa realizada pela Bloomberg. A única estimativa que destoou das demais apostava em uma elevação de 0,25 ponto percentual.

A decisão do Copom vem em um momento em que a moeda norte-americana e o reajuste de tarifas públicas pressionam a inflação e a atividade econômica enraíza em um processo recessivo — conforme a projeção do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 01/06 o PIB deverá recuar 1,27% neste ano.

A taxa básica de juros serve como parâmetro de correção dos empréstimos que o Banco Central concede as instituições financeiras. Ela ainda é utilizada pela economia e para os juros cobrados aos consumidores e empresas.

A agenda do Copom informa que a próxima reunião está marcada para 28 e 29 de julho, as projeções de uma nova alta da Selic são divergentes. Uma nova elevação traria mais efeitos negativos para a atividade econômica, e a perspectiva é que a inflação passa a reagir positivamente aos efeitos da política monetária.

Um segmento do mercado aposta que o ciclo de aperto monetário deve ter chegado ao fim com a elevação da Selic para 13,75% nesta quarta-feira.

Uma das razões para esta expectativa é a divulgação do PIB – Produto Interno Bruto do primeiro trimestre deste ano, que recuou 0,2%.  É esperada uma contração mais acentuada no segundo trimestre.

Por outro lado, existe uma correte que aguardam novas altas da taxa básica de juros neste ano. O que leva a esta percepção é o elevado nível da inflação oficial. O índice oficial de inflação utilizado pelo governo para a definição das metas de inflação marcou no mês de abril, alta de 0,71%. Esta foi o maior patamar do índice para desde abril de 2011, quando marcou 0,77%.

Mas há ainda quem aposte em uma alta da Selic a 14,5% ao ano em 2015.  A justificativa é de que a autoridade monetária esta seguindo o manual de economia e assim que perceba estabilidade das expectativas deverá acelerar o passo e cortar os juros no próximo ano para até 11,0% no fim do ano. Caso esta expectativa ocorra, haverá um ganho considerável para os investimentos em renda fixa, especialmente para títulos corrigidos pela variação do IPCA com vencimento de curto prazo.

Inflação em alta

Frente a elevação dos preços que traz a reboque a inflação, não terá outra alternativa a não ser a elevação dos juros, em que pese o ajuste fiscal e da desaceleração econômica. A perspectiva da inflação já assinala para uma insistência muito forte do IPCA acima do teto da meta. A percepção da maioria dos analistas das instituições financeiras aponta para o recuo da inflação, para o intervalo de referência da banda da meta, apenas a partir do primeiro trimestre do próximo ano.

O centro da meta definido pelo CMN – Conselho Monetário Nacional para a inflação é de 4,5% neste ano, com uma margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Até abril, a inflação em 12 meses, com base no IPCA já acumulava alta de 8,17%.

Outra corrente do mercado, a maioria, aposta em mais uma elevação de 0,25 ponto percentual da Selic em julho, para 14% ao ano, encerrando, então, o ciclo de aperto monetário promovido pela autoridade monetária. Os avisos trazidos pela Ata do Copom têm tendido para a vigilância necessária e suficiente para fazer a inflação ao consumidor e suas expectativas convergirem para o centro da meta no final de 2016.

Após as elevações promovidas até esta reunião finda nesta quarta-feira e uma interrupção nas reuniões de setembro e outubro, há a probabilidade de comitê de o Banco Central dar inicio ao processo de redução da Selic no final deste ano, na ultima reunião do ano em novembro. O que levaria a autoridade monetária conduziria esta posição seria a atividade econômica negativa, o “fraco desempenho” da produção agregada no próximo ano e a verificação do fraco desempenho da produção industrial, além da elevação da taxa de desemprego para números superiores a 8% neste ano.

Dado o cenário, reafirmamos nossa recomendação de, por hora, manter uma carteira posicionada para os vértices mais longos em torno de 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral). O reposicionamento deverá ser gradativo, visando formar um preço médio para a carteira.

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

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