Ata do Copom sugere persistência da inflação

O COMPOM – Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC) voltou a afirmar que os elementos disponíveis sobre inflação “sugerem persistência” do movimento de alta de preços. Para o COMPOM, a sequência dos índices de inflação elevados “reflete em parte a dinâmica dos preços no segmento de serviços, e, no curto prazo, o processo de realinhamento dos preços administrados [aqueles são os regulados pelo governo ou por contrato, como por exemplo, gasolina e da energia]“.

As avaliações fazem parte da ata originada na última reunião do Comitê de Política Monetária, que aconteceu nos dias 28 e 29 de abril. A ata foi divulgada na manhã de hoje (7/05) pela autoridade monetária. No encontro realizado na semana que passou, o Copom elevou em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros da economia, que agora está na casa de 13,25% ao ano. Com esta, foi o quinto aumento seguido: a taxa de juros é o principal instrumento de controle da inflação por parte do Banco Central. Na ata, o COPOM destacou que a inflação com base no IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo acumulada nos 12 meses anteriores registrou 8,13% em março. Observou, ainda, que a elevação especialmente dos preços administrados ficou em 13,37% no mesmo período.

O documento, divulgado pelo Banco Central, estima alta de 11,8% nos preços administrados para 2015. Na reunião anterior a projeção estava em 10,7%. A estimativa engloba alta de 9,80% no preço da gasolina, de 1,90% no do gás de cozinha, de 4,1% nas tarifas de telefonia e de 38,3% nos preços da energia elétrica.

O comitê pondera que há “dados indicando início de um processo de distensão [perda de dinamismo] no mercado de trabalho”, o que beneficia a queda da inflação. Ainda assim, para o COPOM, “ainda prevalece risco significativo relacionado, particularmente, à possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade, com repercussões negativas sobre a inflação”.

Ainda no cenário interno, o COPOM ratificou que o cenário “contempla expansão moderada do crédito, o que já está sendo observado”. Mas, em que pese avaliar que “os riscos [para a inflação] no segmento de crédito ao consumo vêm sendo mitigados”, o comitê pondera que são indispensáveis ações no sentido de administrar “concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito”. Para o Copom, o consumo das famílias brasileiras deve se estabilizar devido a fatores como emprego, renda e crédito. Por outro lado, o financiamento imobiliário, a concessão de serviços públicos e a ampliação de renda agrícola devem favorecer o investimento, segundo a autoridade monetária. Já as exportações devem ser beneficiadas pela desvalorização do real.

Em relação ao panorama externo, o documento informa que, apesar de o Copom identificar “baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos (…), o ambiente externo permanece complexo”. O comitê destaca que há tendência de “recuperação do crescimento em algumas economias maduras e intensificação da atividade em outras”. Enquanto isso, avalia o Copom, economias emergentes estão em período de “transição” e “moderação” no ritmo de atividade econômica. Também em referencia aos mercados internacionais, o Copom diz que há moderação dos preços de commodities (produtos básicos com cotação internacional). Com relação exclusivamente ao petróleo, “a evolução dos preços internacionais tende a se transmitir à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto por intermédio das expectativas de inflação”.

Neste contexto, o comitê do Banco Central novamente avaliou que os avanços obtidos no controle da inflação “ainda não se mostraram suficientes” e reafirmou que “a política monetária deve manter-se vigilante”. O Copom repetiu mais uma vez que o cenário de convergência da inflação em 2016 para o centro da meta estabelecida pelo CMN – Conselho Monetário Nacional, que é 4,5%, “tem se fortalecido”. O COPOM reúne novamente nos dias 2 e 3 de junho, para definir sobre os rumos da taxa Selic para o próximo período de 45 dias.

“Nesse contexto, o Copom reafirma que a política monetária deve manter-se vigilante”, este trecho do documento divulgado pelo COPOM, sugere que se necessário a Selic pode ser elevada além das expectativas do mercado. O cenário continua a sugerir cautela.

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