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Mercado volta a elevar projeção do IPCA em 2015

Os economistas do mercado financeiro, na semana pós Copom, voltaram a elevar sua projeção para o índice oficial de inflação do governo para este ano. As informações constam do Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 6/3, pelo Banco Central.

Inflação

Os analistas das instituições financeiras elevaram, pela 10ª semana seguida, as suas estimativas para a inflação medida pelo IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo para 2015, de 7,47% para 7,77%. Para 2016, após a redução da semana passada, os economistas dos bancos elevaram ligeiramente a estimativa para a inflação de 5,50% para 5,51%. Desta forma, no curto prazo, a meta atuarial é elevada enquanto o retorno da carteira recua com o avanço dos juros.

Inflação de curto prazo

Os agentes do mercado financeiro, considerados Top 5, voltaram a elevar as suas projeções para o IPCA de março de 1,03% para 1,16%. As estimativas para a inflação de abril foram reduzidas de 0,57% para 0,56%.

Crescimento da Economia

Os analistas dos bancos continuam acreditando no retrocesso da economia brasileira. Nesta semana a projeção para o PIB – Produto Interno Bruto recuou de -0,58% para -0,66%. Para 2016 a 3estimativa também recuou, só que de 1,50% para 1,60%.

Taxa de juros

Após elevar as estimativas para a taxa básica de juros na semana passada, os economistas dos bancos passaram a projetar que a taxa Selic deva encerrar 2015 em 13,00% ao ano, com isso na avaliação do mercado o Banco Central deve encerrar o ciclo de aperto monetário. Para 2016 a estimativa permaneceu em 11,50%, pela decima semana seguida.

Câmbio

Os analistas das instituições financeiras elevaram as suas estimativas para o fechamento da taxa de cambio para o final de 2015 de R$2,91 para R$2,95 por unidade da moeda norte-americana. Para o próximo ano, a projeção para o fechamento do dólar foi mantida em R$3,00.

Balanço de pagamentos e IED

Os agentes dos bancos reduziram, nesta semana, as suas estimativas para o saldo da balança comercial brasileira (exportações menos importações) de2015 de US$ 5,00 bilhões para US$ 4,00 bilhões. Para o próximo ano as projeções para o saldo da balança comercial foram reduzidas de US$ 11,24 bilhões para US$ 10,40 bilhões.

As projeções para a entrada de IED – Investimentos Estrangeiros Diretos para 2015 ficaram em US$60,00 bilhões. Para 2016 a estimativa para a entrada de recursos de investidores estrangeiros foi reduzida de US$58,50 bilhões para US$58,00 bilhões.

Preços administrados

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato ou administrados”, refere-se aos preços que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contratos por contrato ou por órgão público.

Os preços administrados estão divididos nos seguintes grupos: os que são regulados em nível federal – pelo próprio governo federal ou por agências reguladoras federais – e os que são determinados por governos estaduais ou municipais. Nos primeiro grupo, estão incluídos os preços de serviços telefônicos, derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha, óleo para motores), eletricidade e planos de saúde. Os preços controlados por governos subnacionais incluem a taxa de água e esgoto, o IPVA, o IPTU e a maioria das tarifas de transporte público, como ônibus municipais e serviços ferroviários.

Para 2015, as projeções dos analistas do mercado financeiro para os preços administrados foram elevadas de 11,00% para 11,18%.  Para 2016 a estimativa foi mantida em 5,50%.

Perspectiva

O Ibovespa, principal indicador do mercado de ações brasileiro, encerrou a semana aos 49.981 pontos e queda de 3,11%. No ano, acumula baixa de 0,05%.

O mal humor do mercado foi sentido logo na terça-feira, e refletiu por toda semana. O governo central enfrentou nova derrota política, após o presidente do Senado, Renan Calheiros, rejeitar a MP 669, que elevou as alíquotas de Contribuição Previdenciária das empresas sobre a receita bruta, que na prática reduz a desoneração da folha de pagamento implementada no primeiro mandato do governo Dilma. Renan considerou a MP inconstitucional, argumentando que medidas provisórias devem cumprir os preceitos constitucionais de urgência e relevância, o que não seria o caso. O remédio legal, para o caso, é uma lei. Imediatamente, o governo enviou um projeto de Lei com urgência constitucional ao Congresso.

No mercado de juros, as taxas dos DI’s deram continuidade ao movimento de avanço observado nas últimas semanas, especialmente nos vértices intermediários e longos. Este movimento esteve ligado à cautela com o cenário doméstico, além do avanço do dólar frente ao real. A cotação da moeda norte americana chegou a superar os R$ 3,00.

A alta do juro foi potencializada após a divulgação do relatório oficial de emprego dos EUA (payroll) de fevereiro confirmar que a economia norte-americana criou 295 mil empregos, acima da previsão de 240 mil. Com isso, a taxa de desemprego caiu a 5,5% em fevereiro, mais que a expectativa de 5,6%. São alguns sinais de recuperação da economia americana que reforçam apostas de que o juro por lá seja elevado antes do esperado, revertendo com isso o fluxo de capitais para dentro do país.

A decisão do Copom em elevar a taxa Selic para 12,75% ao ano não pesou nos negócios, pois já vinha sendo precificada pelo mercado. Apesar de ter deixado a taxa básica de juros no Brasil no maior patamar desde 2009, não parece ser o fim do ciclo de aperto monetário iniciado em outubro. O comunicado pós reunião mostra que a autoridade monetária segue aberta para novos aumentos na Selic. Por outro lado, o crédito já vem minguando em uma economia enfraquecida, e com perspectiva de inflação em prazos mais longos reduzida, sendo possível que este ajuste tenha sido o derradeiro.

O IBGE divulgou na sexta-feira, que o IPCA de fevereiro foi de 1,22%, a maior para o mês desde 2003. Com isso, o índice acumulado em 12 meses foi a 7,7%. Entre os itens que mais pesaram estão a energia elétrica e os combustíveis.

Na semana que se inicia estará no radar dos investidores alguns eventos importantes, que devem mexer com o mercado. Na quinta-feira, o COPOM divulga a ata da última reunião, que elevou a Selic a 12,75%, e o mercado poderá ter mais informações sobre os próximos passos do comitê. Também na agenda a divulgação de indicadores do mercado de trabalho e dados do varejo, ambos no Brasil.

Porém, o mercado estará particularmente atento aos desdobramentos da “briga” entre o Congresso e o Planalto, após o “não” de Renan Calheiros à aprovação da MP 669. O mercado segue reticente sobre potenciais efeitos da deterioração no ambiente político no ajuste fiscal e na retomada da economia, que dificultam a recuperação da credibilidade do País. Um forte sinal de como será o comportamento do Congresso está previsto para ocorrer esta semana, quando deverá ser votado o veto presidencial feito à correção da tabela do Imposto de Renda em 6,5%.

Para complicar o quadro, os olhos estarão voltados para o desdobramento da operação Lava-Jato, e a repercussão da lista contendo os nomes de 47 políticos que serão investigados pelo STF.

O clima de pessimismo deve dar o tom dos mercados nesta semana, e os investidores devem permanecer cautelosos. Para o curto prazo, mantemos nossa recomendação de menores exposições aos mercados de risco, priorizando investimentos atrelados ao CDI/SELIC.

A estratégia indica uma carteira posicionada no IMA-B e IMA-Geral em no máximo 40%, redirecionando recursos para o curto prazo, em ativos indexados ao CDI e/ou IRF-M 1. Na renda variável, recomendamos manter uma exposição reduzida ao mínimo possível, e aguardar uma melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos.

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