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Mercado estima maior aperto monetário em 2015

Na semana em que o COPOM – Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir sobre o ritmo da politica monetária, o Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 2/3, pelo Banco Central, mostra que os analistas do mercado financeiro elevaram as projeções para o IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e para a Selic de 2015. Há apenas um mês, as estimativas para o índice de inflação oficial do governo estavam em 7,01%. Com esta é a nona semana seguida que o mercado eleva as suas projeções para a inflação deste ano.

Inflação

Os agentes do mercado financeiro alteraram para cima as suas projeções para a inflação medida pelo IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo para 2015, de 7,33% para 7,47%. Para 2016 a estimativa foi reduzida de 5,60% para 5,50%.

Inflação de curto prazo

Os economistas das instituições financeiras considerados Top 5, elevaram as suas estimativas para o IPCA de fevereiro de 1,04% para 1,06%. Para março, as projeções para a inflação de curto prazo foram elevadas de 0,82% para 1,03%.

Crescimento da Economia

A evolução da economia brasileira medida pelo PIB – Produto Interno Bruto foi reduzida nesta semana, de -0,50% para -0,58%. Para o próximo ano a projeção foi mantida em 1,50%.

Taxa de juros

A elevação persistente dos índices de inflação fez com que os analistas das instituições financeiras elevassem nesta semana as suas estimativas para a taxa básica de juros – Selic de 12,75% para 13,00% ao ano, desta forma o mercado espera mais aperto monetário no curto prazo. Para o próximo ano a projeção permaneceu em 11,50%.

Câmbio

Nesta semana, os agentes do mercado financeiro elevaram as suas projeções para a variação da taxa de cambio para este ano de R$2,90 para R$2,91 por dólar. Para 2016, a estimativa para o fechamento da moeda norte-americana foi mantida em R$3,00.

Balanço de pagamentos e IED

Os economistas do mercado financeiro elevaram as suas projeções para o saldo da balança comercial brasileira (exportações menos importações) em 2015 de US$ 4,40 bilhões para US$ 5,50 bilhões. Para 2016 as estimativas para o saldo da balança comercial foram elevadas de US$ 11,00 bilhões para US$ 11,24 bilhões.

As estimativas para a entrada de IED – Investimentos Estrangeiros Diretos para 2015 permaneceram em US$60,00 bilhões. Para 2016 a projeção para a entrada de recursos de investidores estrangeiros foi elevada de US$60,00 bilhões para US$58,50 bilhões.

Preços administrados

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato ou administrados”, refere-se aos preços que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contratos por contrato ou por órgão público.

Os preços administrados estão divididos nos seguintes grupos: os que são regulados em nível federal – pelo próprio governo federal ou por agências reguladoras federais – e os que são determinados por governos estaduais ou municipais. Nos primeiro grupo, estão incluídos os preços de serviços telefônicos, derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha, óleo para motores), eletricidade e planos de saúde. Os preços controlados por governos subnacionais incluem a taxa de água e esgoto, o IPVA, o IPTU e a maioria das tarifas de transporte público, como ônibus municipais e serviços ferroviários.

Para 2015, as projeções dos analistas do mercado financeiro para os preços administrados foram elevadas de 10,40% para 11,00%.  Para 2016 a estimativa foi mantida em 5,50%.

Perspectiva

A expectativa de que o Banco Central não entregará, portanto, a inflação de 2015 sem estourar o teto da meta de 6,50% também pode ser vista no Top 5 de médio prazo, que é o grupo dos economistas que mais acertam as previsões. Para esses profissionais, a mediana para o IPCA deste ano segue acima da banda superior da meta e passou de 7,12% na semana passada para 7,51%. Quatro semanas atrás, estava em 6,86%.

É no curto prazo que os preços mostram mais descontrole. Depois da alta de 1,24% de janeiro, revelada pelo IBGE, os analistas preveem que o IPCA suba 1,07% em fevereiro – na semana anterior estava em 1,04% e quatro antes, em 1,01%. Para março, é aguardada uma pequena desaceleração da taxa, que pode ser de 0 95%. Na semana anterior, porém, a mediana das projeções estava mais baixa, em 0,79% e um mês antes, em 0,59%.

Este cenário corrobora a revisão do PIB para baixo, pela nona vez consecutiva. Com a deterioração das estimativas para a produção industrial, a mediana das previsões para o PIB em 2015 aprofundou a perspectiva de retração, e passou de 0,50% para 0,58%. Para 2016, as perspectivas seguem um pouco mais otimistas. A previsão de alta de 1,50% foi mantida pela quarta semana consecutiva.

A produção industrial segue como referência para a confecção das previsões para o PIB de 2015 e 2016. No boletim, a mediana das estimativas para o setor manufatureiro revela uma expectativa de queda de 0,72% para este ano, bem maior do que a previsão de baixa de 0,35% vista na semana passada.

Neste contexto, mantemos nossa recomendação para a renda fixa, neste momento, no sentido de manter uma carteira posicionada no IMA-B e IMA-Geral em no máximo 40%, redirecionando recursos para o curto prazo, em ativos indexados ao CDI e/ou IRF-M 1.

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