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Mercado reduz estimativa para PIB em 2015

Os analistas das instituições financeiras elevaram, pela 5º semana seguida, as suas projeções para o índice que mede a inflação oficial no Brasil. Em contrapartida houve a redução das estimativas tanto para o crescimento da economia quanto para a evolução da produção industrial. Os dados constam no Relatório de Mercado Focus, divulgado, hoje 02/02, pelo Banco Central.

Inflação

Os economistas do mercado financeiro elevaram as suas estimativas  em relação ao índice de inflação oficial do governo para o ano de 2015 que saltou de 6,99% para 7,01%. Para o próximo ano a projeção foi mantida em 5,60%. Desta forma o mercado está apostando que as alterações no rumo da politica monetária já comecem a surtir efeito a partir de 2016.

Crescimento da Economia

As estimativas para a evolução da economia brasileira medida pelo PIB – Produto Interno Bruto continuam nada animadoras. Os analistas das instituições financeiras estimam que o PIB para 2015 encerre em 0,50% ante 0,69% da semana passada.  Para 2016 a projeção recuou de 1,54% para 1,50%.

Taxa de juros

Os agentes dos bancos mantém suas apostas em uma elevação da Selic de 0,25%, o que faria com que a taxa básica de juros da economia encerrasse este ano em 12,50% Para 2016 a estimativa é de que a taxa básica de juros da economia brasileira seja mantida em 11,50%.

Câmbio

Os economistas do mercado financeiro mantiveram as suas projeções para o fechamento da taxa de cambio em 2015 em R$2,80 por dólar. Para 2016, a projeção para o fechamento da moeda norte-americana permaneceu em R$2,90.

Balanço de pagamentos e IED

Os agentes dos bancos elevaram nesta semana as suas estimativas para o saldo da balança comercial brasileira (exportações menos importações) em 2015 em US$ 4,50 bilhões para US$5,00 bilhões. Para 2016 as projeções para o saldo da balança comercial foram, também, elevadas só que de US$ 10,02 bilhões para US$ 10,51 bilhões.

As estimativas para a entrada de IED – Investimentos Estrangeiros Diretos para 2015 foram reduzidas de US$60,00 bilhões para US$ 59,20 bilhões. Para 2016 a projeção para a entrada de recursos de investidores estrangeiros foi mantida em US$60,00 bilhões.

Preços administrados

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato ou administrados”, refere-se aos preços que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contratos por contrato ou por órgão público.

Os preços administrados estão divididos nos seguintes grupos: os que são regulados em nível federal – pelo próprio governo federal ou por agências reguladoras federais – e os que são determinados por governos estaduais ou municipais. Nos primeiro grupo, estão incluídos os preços de serviços telefônicos, derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha, óleo para motores), eletricidade e planos de saúde. Os preços controlados por governos subnacionais incluem a taxa de água e esgoto, o IPVA, o IPTU e a maioria das tarifas de transporte público, como ônibus municipais e serviços ferroviários.

Para este ano, as estimativas dos analistas das instituições financeiras para os preços administrados foram elevadas de 8,70% para 9,00%.  Para 2016 a projeção foi mantida em 5,80%.

Perspectiva

A alta do dólar e o sentimento global de aversão ao risco fizeram com que os juros futuros fechassem em forte alta no pregão de sexta-feira, 30/01, na BM&F. Outro fato que colaborou para a elevação das taxas, principalmente na ponta mais da curva de juros, foi à ratificação de que o setor público consolidado fechou o ano de 2014 com déficit primário.

A afirmação do ministro Joaquim Levy, pela manhã, sobre a ausência de “intenção de manter o câmbio artificialmente valorizado” gerou uma série de boatos e fez com que o mercado passasse a acreditar que a autoridade monetária poderia alterar o programa, em vigor, de interferência no mercado de câmbio, que tem como foco principal as vendas e rolagens de swaps cambiais.  Mesmo como as explicações da assessoria do ministério da Fazenda retificando a informação e afirmado que o ministro se referia ao cenário internacional, o dólar seguiu pressionado ao longo do dia.

O enfraquecimento do real frente ao dólar eleva os riscos de uma maior pressão inflacionária  e consequentemente a taxa exigida pelos investidores para aplicações no renda fixa brasileiro, o que leva a uma alta tanto das taxas dos contratos de DIs curtos quanto dos mais longos.

Uma vez que a autoridade monetária quer impedir os “efeitos secundários” do ajuste de preços relativos, o potencial repasse cambial de uma nova rodada de desvalorização do moeda brasileira dá traz de volta a expectativa de que o Copom – comitê de Politica Monetária  mantenha o ritmo de alta da Selic, hoje em 12,25% ao ano, em 0,50 ponto percentual.

No cenário internacional, o sentimento de aversão ao risco prevaleceu, com a perspectiva de desaceleração da economia mundial e a continuidade da deflação na Europa fazendo com que os investidores procurem abrigo nos títulos soberanos de países desenvolvidos. A prévia do CPI da zona do Euro em janeiro recuou 0,6%, acima do previsto por analistas, que esperavam queda de 0,5%.

Nos EUA a economia também decepcionou. A segunda leitura do PIB americano no quatro trimestre mostrou elevação de 2,6%, abaixo das expectativas, de alta de 3,2%.

A perspectiva em relação à abertura do pregão na Bovespa, nesta segunda-feira (02/02), não é favorável. Além do pessimismo que reina no mercado, após o horrível resultado fiscal verificado em dezembro, incidem ainda sobre o mercado o peso do enfraquecimento da economia chinesa e a queda nas cotações das principais commodities. No cenário cambial, merece atenção o fluxo da moeda norte-americana para avaliar se as entradas recentes são sólidas.

No mercado de juros, destaque para os dados de atividade (produção industrial, ANFAVEA) além do IPCA de janeiro. Ao passo que os dados de produção industrial revelarão enfraquecimento da atividade econômica, por sua vez a inflação deverá mostrar a maior variação para janeiro desde 2003.

Em vista das perspectivas nada animadoras, a recomendação se mantém. Cautela.

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