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Focus: Mercado eleva projeção de IPCA para 2015

Mesmo já passados mais de 20 dias do primeiro mês de 2015, os economistas do mercado financeiro seguem com uma perspectiva nada animadora em relação ao desempenho da economia do país neste ano. Na visão dos analistas das instituições financeiras, a economia brasileira deve beirar mais uma vez a estabilidade. Em relação ao PIB – Produto Interno Bruto para deste ano, conforme o Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira (26/01) pelo Banco Central, a estimativa é de crescimento da ordem de 0,13% contra 0,38% registrada na publicação da semana passada – há quatro semanas, a projeção era de uma elevação em 2015 de 0,55%.

Inflação

Os agentes dos bancos, mais uma vez elevaram as suas estimativas em relação à inflação medida pelo IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo para 2015. A estimativa passou de 6,67% para 6,99%. Para 2016 a projeção recuou de 5,70% para 5,60%.

Crescimento da Economia

Como colocado acima, os economistas do mercado financeiro reduziram a suas estimativas referentes ao crescimento do PIB – Produto Interno Bruto, que recuou de 0,38% para 0,13%. Para o próximo ano a projeção recuou de 1,80% para 1,54%.

Taxa de juros

Os analistas do mercado financeiro permanecem confiantes em sua aposta de que a autoridade monetária deva elevar a Selic em mais 0,25%, o que elevaria a Selic a encerrar este ano em 12,50% Para 2016 a projeção é de que a taxa básica de juros da economia brasileira seja mantida em 11,50%.

Câmbio

A projeção dos agentes do mercado financeiro para o fechamento da taxa de cambio neste ano foi mantida estável em R$2,80 por  dólar. Para 2016, entretanto, o mercado financeiro aposta em uma elevação da projeção da moeda norte-americana de R$2,85 para R$2,90.

Balanço de pagamentos e IED

Os economistas das instituições financeiras reduziram as suas projeções para o saldo da balança comercial brasileira (exportações menos importações) em 2015 em US$ 4,50 bilhões para US$5,00 bilhões. Para o próximo ano as estimativas para o saldo da balança comercial foram reduzidas de US$ 13,00 bilhões para US$ 10,02 bilhões.

As projeções dos analistas dos bancos para a entrada de IED – Investimentos Estrangeiros Diretos para 2015 foram elevadas de US$58,20 bilhões para US$ 60,0 bilhões. Para 2016 a estimativa para a entrada de recursos de investidores estrangeiros foi mantida em US$60,00 bilhões.

Preços administrados

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato ou administrados”, refere-se aos preços que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contratos por contrato ou por órgão público.

Os preços administrados estão divididos nos seguintes grupos: os que são regulados em nível federal – pelo próprio governo federal ou por agências reguladoras federais – e os que são determinados por governos estaduais ou municipais. Nos primeiro grupo, estão incluídos os preços de serviços telefônicos, derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha, óleo para motores), eletricidade e planos de saúde. Os preços controlados por governos subnacionais incluem a taxa de água e esgoto, o IPVA, o IPTU e a maioria das tarifas de transporte público, como ônibus municipais e serviços ferroviários.

Para este ano, as projeções dos analistas do mercado financeiro para os preços administrados foram elevadas de 8,20% para 8,70%.  Para 2016 a estimativa recuou de 5,90% para 5,80%.

Perspectiva

O principal ponto de atenção nesta semana deverá ser a divulgação da ata da reunião do Copom realizada nos dias 20 e 21 da semana passada. A decisão do comitê da autoridade monetária, que elevou a Selic para 12,25%, veio em linha com a aposta da grande maioria dos analistas do mercado financeiro. Entretanto, o comunicado após o termino da reunião foi sucinto, neutro, deixando em aberto às apostas para o que deve acontecer no próximo encontro do Copom. Ante a realidade que se apresenta potencialmente desafiadora em que se confrontam pressões inflacionárias e forças recessivas, o Banco Central tem buscado restabelecer a credibilidade e recobrara as expectativas. Esse esforço indica a sustentação do ritmo atual do aperto monetário na próxima reunião que acontece em 3 e 4 de março.

Contudo, a aposta geral e nossa, é que o Copom deverá no próximo encontro desacelerar a alta em 0,25 ponto percentual, encerrando o ano com a Selic em 12,50%, que fica sujeito a avaliação que será efetuada da ata, a ser divulgada na próxima quinta-feira, 29/01.

No cenário internacional, o foco deverá ser os Estados Unidos, onde importantes indicadores serão divulgados, devendo ratificar a estabilidade do atual momento econômico. O grande destaque fica por conta da divulgação da primeira estimativa do PIB do 4º trimestre, que mesmo apresentando desaceleração quando comparado ao terceiro, que atingiu significativos 5,0% anualizado, deve crescer pujantes 3,3%, anualizados. O bom momento de indicadores proporcionados pela economia americana corrobora a importância da reunião do FED (FOMC), que acontecerá na próxima quarta-feira, 29/01. Por se tratar de uma reunião em que não se divulgarão novas estimativas e nem acontecerá à entrevista da presidente do FED, Janet Yellen, com os jornalistas, a ênfase se resume ao comunicado, que não deverá trazer grandes modificações em relação ao anterior. Os prováveis sinais sobre o momento em que o Banco Central norte-americano deverá iniciar a alta dos juros deverão ficar para as discussões contempladas na ata do encontro, que será divulgada nas próximas semanas.

Destaque também para os resultados finais dos índices PMI-manufatura da Zona do Euro e da China. Os números preliminares revelaram fraca atividade industrial, tanto na China como na Europa. As revelações finais não transformarão esse cenário. Além disso, o índice governamental na China também deverá confirmar esse quadro de baixa atividade, apontando para um cenário de lenta redução do crescimento.

Neste sentido fica mantida a recomendação de cautela.

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