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Poupou por conta própria até a aposentadoria? Veja quanto gastar por mês para que o dinheiro dure os próximos anos

Você poupou, poupou, poupou e finalmente chegou aos 60 anos, a idade em que planejava parar de trabalhar. Vitória! É hora de começar a usufruir um cotidiano mais tranquilo, sem o estresse típico da vida profissional. Mas eis que uma dúvida – e das cruéis, acredite – começa a ganhar espaço entre os seus primeiros planos de aposentado. Quanto, afinal, você poderá gastar das suas economias sem depauperá-las, assegurando que elas resistam enquanto você também resistir?

O questionamento é um dos mais comuns para quem chega a esse momento e que vai depender financeiramente de quanto conseguiu acumular ao longo dos anos, seja por meio de um plano de previdência privada, seja investindo por conta própria em produtos bancários ou imóveis, por exemplo. E não é à toa. Ninguém quer ter de apertar o cinto justo nessa fase. Ah, e só para lembrar: quanto mais se vive, maior a expectativa de viver ainda além. Calcula-se que os brasileiros que alcançam os 60 anos vivam ainda até quase os 82 anos, de acordo com o IBGE. Aos 65 anos, a idade sobe para 83.

Como, então, responder aquela fatídica pergunta? Não existe uma receita milagrosa. Mas alguns estudiosos até já tentaram criar as suas. Nos Estados Unidos, por exemplo, não há aposentado que não conheça a “regra dos 4%”, amplamente disseminada nos últimos 20 anos. Ela foi desenvolvida ainda na década de 1990 pelo planejador financeiro americano William Bengen, que estudou dados históricos sobre a performance de aplicações financeiras como títulos públicos e ações para chegar a uma “taxa de resgate” sustentável para a aposentadoria. Calma, calma, que a gente explica. De acordo com os levantamentos de Bengen, seria seguro usar 4% das suas economias voltadas para a aposentadoria a cada ano – elas durariam, pelo menos, 30 anos. Assim, segundo a teoria do estudioso, um americano que tivesse poupado US$ 1 milhão poderia resgatar daí US$ 40 mil por ano (equivalente a US$ 3.330 por mês) e, com isso, viver com a tranquilidade de que tudo estaria sob controle.
Para os poupadores, o modelo de Bengen sempre aparentou ser muito conveniente, pois evita dor de cabeça ao fixar uma taxa anual. Mas ele passou a ser fortemente questionado por não levar em consideração itens como possíveis mudanças nas condições de mercado. Veja bem: na década de 1990, quando a “regra dos 4%” surgiu, a taxa básica de juros nos Estados Unidos chegou a 6% ao ano. Por conta da crise financeira de 2008, no entanto, os juros americanos foram reduzidos a praticamente zero – e permanecem nesse patamar há mais de cinco anos. Com uma remuneração tão baixa em aplicações como títulos públicos, os americanos que confiarem cegamente nessa regra de bolso possivelmente verão suas economias sendo reduzidas num ritmo maior do que a rentabilidade dos investimentos seria capaz de compensar. Por outro lado, em países com condições econômicas diferentes – como o Brasil – a conta de Bengen também não fecha. “Regras desse tipo podem acabar sendo simplistas demais”, avalia Claudia Kodja, gestora de investimentos.
São cada vez mais difundidas estratégias sustentáveis de resgate que evolvem uma análise muito mais profunda e completa das características de cada candidato a aposentado. Recentemente, o banco JP Morgan, por exemplo, divulgou um modelo novo baseado em uma série de informações – como a idade de aposentadoria, a expectativa de vida, o volume de recursos acumulado, a composição do portfólio, outras rendas recebidas, além das preferências pessoais de cada um. Com base nesses dados, o banco simula mais de 10 mil possibilidades de renda diferentes – isso mesmo, 10 mil – para cada cliente, para só então escolher a que melhor se encaixa às necessidades. Isso mostra ou não mostra a relevância do assunto?

É claro que a definição de quanto gastar por mês ao parar de trabalhar depende de uma decisão prévia, tomada muito tempo antes: que valor poupar enquanto estiver em atividade, com base em uma estimativa de gastos durante a velhice. Mas contas muito bem feitinhas na hora de começar a usar o dinheiro fazem toda a diferença. Para Claudia, há pelo menos cinco itens básicos para considerar nesse momento: o volume de recursos guardado, a rentabilidade projetada para os investimentos, a inflação esperada para os próximos anos, a expectativa de vida e as necessidades mensais de recursos que cada um tem. “Isso tudo é importante porque ainda que os recursos cresçam com o tempo, devido à remuneração das aplicações, a inflação também está aí, depreciando o valor do dinheiro”, diz a especialista.

A recomendação mais usual entre os especialistas é de que os resgates mensais durante a aposentadoria fiquem o mais próximo possível do valor do rendimento das aplicações, descontada a inflação. Isso é para evitar que o principal – ou seja, o dinheiro poupado – seja consumido muito rapidamente. Afinal, quanto menor for o principal, menores também serão os rendimentos dele. Então, se uma aplicação rende 0,8% ao mês e a inflação gira em torno de 0,3%, uma taxa de 0,5% ao mês pode servir como uma baliza para os resgates. Mas há ainda outros fatores a considerar, como o peso da tributação e das taxas de serviço. Por isso, o melhor a fazer é procurar ajuda profissional. Um planejador financeiro pode indicar, com base em cálculos precisos, a forma mais eficiente de usar o seu dinheiro nessa fase da vida.

E não esqueça nunca: é importante reavaliar com frequência as condições em que se encontram suas economias da aposentadoria. Tanto é preciso acompanhar o volume de gastos mensais, quanto a rentabilidade dos investimentos e a inflação. Isso porque essas variáveis podem mudar ao longo do tempo. Os juros podem subir ou cair, assim como a inflação – e consequentemente, seu custo de vida. Tudo isso tem impacto sobre a sua possibilidade de renda. “Tire tempo para revisar seus gastos todos os anos. Não dê aumentos automáticos a si mesmo”, recomenda o estrategista de investimentos Scott Thoma, da consultoria Edward Jones, em um relatório sobre estratégias de resgate de aposentadoria. “Ser flexível com sua renda é o que pode ajudar seu dinheiro a garantir suas necessidades com o passar do tempo.”

Fonte: Boletim como Investir

http://www.comoinvestir.com.br/

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