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MERCADO ELEVA PROJEÇÃO DO PIB E REDUZ SELIC PARA 2014

O Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta quarta-feira, 05/03, pelo Banco Central do Brasil revela que os agentes do mercado financeiro reduziram as suas estimativas  para a taxa Selic e elevaram a projeção para o crescimento da economia em 2014. Em relação ao IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, as estimativas permaneceram inalteradas.

Inflação

Os economistas  dos bancos  mantiveram a sua estimativa para a evolução do IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo em  6,00% para o final de 2014. Para 2015, a estimativa para a inflação medida pelo IPCA permaneceu em 5,70%, pela quinta semana seguida.

Inflação de curto prazo

Os analistas das instituições financeiras, considerados Top 5, mantiveram a sua projeção para a inflação de fevereiro em 0,60%. Também mantiveram a sua estimativa para a inflação de março medida pelo IPCA, em 0,64%.

A expectativa dos analistas do mercado financeiro para a inflação medida pelo IPCA para os próximos 12 meses foi elevada de 6,11% para 6,12%.

PIB

Após uma sequencia de três quedas consecutivas, os economistas dos bancos elevaram a sua projeção para crescimento da economia brasileira medida pelo PIB – Produto Interno Bruto de 1,67% para 1,70%.

A estimativa para o crescimento da produção industrial brasileira para 2014 foi reduzida de 1,87% para 1,80%.

Para o PIB de 2015, os agentes do mercado financeiro mantiveram  a estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2,00%.

Para a produção industrial brasileira de 2015, os agentes das instituições financeiras mantiveram a sua estimativa em 3,00%.

Taxa de juros

Os analistas dos bancos reduziram a sua estimativa para a taxa básica de juros para 2014 de 11,25% para 11,13%.

Com isso o mercado continua acreditando em uma redução no ritmo do aperto monetário iniciado no início de 2013.

Para 2015, a projeção doa analistas do mercado financeiro para a taxa básica de juros permaneceu em 12,00%.

Perspectiva

Os dados econômicos melhores dos EUA em março tendem a fazer com que o dólar volte a subir forte em relação ao real, influindo negativamente também no desempenho bolsa brasileira.

No cenário corporativo, o mercado financeiro permanecerá atento à temporada de balanços, que deve durar até o fim do mês de março.

O mês de março deve ser muito parecido a fevereiro, no que diz respeito a uma pressão tão forte de venda, pois o mercado já veio descontado, mas não há uma visão de efetiva melhora de contas públicas e recuo de inflação (no Brasil).

Posteriormente ao choque dos mercados no inicio do ano, fevereiro parece ter acalmado em parte os ânimos dos investidores, apesar de que a aversão a risco não tenha se desaparecido. Com a taxa Selic juros básicos agora no maior patamar em mais de dois anos, como afirmamos no inicio desta análise, o ambiente macroeconômico doméstico ainda inspira cautela.

O ponto mais importante, do ponto de vista investidor racional em 2014 é a liquidez. Se por um lado a taxa de juros está maior, o cenário está mais difícil e qualquer investidor racional até aceitaria abrir mão de uma rentabilidade maior para garantir liquidez.

A ligeira melhora apresentada pelos mercados em fevereiro é apenas momentânea. A divulgação da meta de superávit primário e o corte no orçamento anunciados na penúltima semana do mês trouxeram um certo conforto ao câmbio e ao mercado de juros. O dólar fechou o mês em queda após quatro meses seguidos de valorização frente ao real. Já na renda fixa, depois de títulos públicos pagando juro real em torno de 7,0%, a curva mostrou um fechamento e levou ao aumento dos preços dos papéis.

Apesar do temor de uma nova elevação dos juros até o fim deste ano e de eventuais alterações por parte do governo em virtude das eleições, é importante ficar atentos às oportunidades vinculadas à inflação. O foco deve ficar em títulos curtos, como NTN-Bs com vencimentos até o fim de 2015 ou pré de curto prazo como os títulos atrelados ao IRF M1. Com a Selic no patamar atual não é necessário correr riscos mais elevados, porque a base dos juros já está alta. O juro real subiu muito mais que a inflação.

É também recomendável direcionar uma parcela dos recursos da carteira para fundos atrelados ao CDI. No longo prazo, é preciso ter ações, um fundo multimercado com estratégia em índice de ações. Em um momento como o atual é possível buscar retorno acima do CDI nesta modalidade de investimento.

No cenário nacional a discussão presente em todas as rodas é se o governo federal vai permanecer com esta postura mais amigável em relação ao mercado. Uma postura de maior comprometimento com a politica fiscal, por exemplo, ou se apenas fez um discurso com foco maior no curto prazo, para fugir de um possível rebaixamento da nota de risco do país até as eleições. Neste momento, o mercado trabalha com uma perspectiva positiva.

O fechamento (queda) não apenas da ponta curta da curva de juros, mas também da longa, na qual habitualmente se posicionam investidores estrangeiros, é um sinal de que o mercado está observando uma alteração de postura do governo.

Além da mudança vinda de Brasília, cabe destacar que as revisões para baixo do crescimento da economia neste ano colaboraram para a trégua nas taxas de juros, assim como indicadores mais fracos vindos dos Estados Unidos.

O movimento de fechamento das taxas de juros não deve se prolongar, como observado no último dia no mês.

O mercado deve seguir, ainda, sem um movimento definido, o desempenho visto em fevereiro foi apenas um alívio. A possibilidade de novas ondas de pressão ainda são muito grandes, logo não há uma tendência definida de melhora para este ano. Não teremos ainda uma tendência, um movimento tão claro, que aponte uma direção clara para a renda fixa, em que o investidor possa se sentir confortável. Se faz necessário, neste momento uma gestão mais ativa que busque oportunidades em distorções pontuais, dada a complexidade do mercado.

A melhora dos indicadores em fevereiro foi proporcionada pela combinação de dois fatores que precisam ser apontados. No cenário externo, está em xeque a tendência de elevação das taxas de juros globais. No Brasil, está em julgamento o quanto as questões domésticas vão acrescentar a esse movimento internacional, ou seja, se haverá um prêmio adicional por conta da situação do país. Neste mês, os dois elementos contribuíram para o alívio dos investidores.

Na bolsa, a história tão diferente. O índice Bovespa mostrou mais um mês de quedas, mas com variação mais suave que a queda de 7,5% apresentada em janeiro. Em um mês de forte volatilidade, em que o Ibovespa se aproximou da linha dos 45 mil pontos, ficou mais claro ao investidor que nem tudo estava no preço. Isso quer dizer que o piso pode estar ainda mais distante, o que não quer dizer que haja oportunidades.

A falta de fluxo é o principal problema enfrentado pelo mercado de renda variável no momento.

Por enquanto a palavra de ordem ainda é cautela objetivando principalmente a proteção da carteira contra a volatilidade que ainda se mantem persistente.

Câmbio

Os economistas dos bancos reduziram a sua projeção para a taxa de câmbio no fim do período de 2014 de R$2,50 para R$2,49 por unidade da moeda norte-americana. Para 2015, a projeção permaneceu em R$ 2,55.

Balanço de pagamentos e IED

A estimativa dos agentes do mercado financeiro para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) em 2014 foi reduzida de US$ 7,9 bilhões para US$ 7,0 bilhões. Para 2015 a projeção também foi reduzida de US$ 10,5 bilhões para US$ 10,0 bilhões.

Em 2014 a projeção de entrada de IED – Investimentos Estrangeiros Diretos foi reduzida de US$ 58,8 bilhões para US$ 58,0 bilhões. Para 2015, a estimativa dos analistas dos bancos para a entrada de investimentos estrangeiros foi também reduzida só que de US$ 57,3 bilhões para US$ 55,5 bilhões.

Preços administrados

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato ou administrados”, refere-se aos preços que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contrato ou por órgão público.

Os preços administrados estão divididos nos seguintes grupos: os que são regulados em nível federal – pelo próprio governo federal ou por agências reguladoras federais – e os que são determinados por governos estaduais ou municipais. Nos primeiro grupo, estão incluídos os preços de serviços telefônicos, derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha, óleo para motores), eletricidade e planos de saúde. Os preços controlados por governos subnacionais incluem a taxa de água e esgoto, o IPVA, o IPTU e a maioria das tarifas de transporte público, como ônibus municipais e serviços ferroviários.

Para 2014 e 2015, as projeções dos analistas do mercado financeiro para os preços administrados elevaram-se, respectivamente, em 4,10% e 5,00%.

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