MERCADO ESTIMA DÓLAR EM R$ 2,45 AO FINAL DE 2014

O primeiro Relatório de Mercado Focus de 2014 divulgado hoje, 06/01 mostra que os agentes do mercado estimam que o dólar feche o ano em R$2,45 por unidade da moeda norte-americana.

Inflação

Os analistas das instituições financeiras elevaram ligeiramente a sua projeção, para a inflação medida pelo IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, de 5,73% para 5,74% de 2013. Para este ano, a estimativa para o índice de inflação oficial do governo foi reduzida de 5,98% para 5,97%.

Inflação de curto prazo

Os agentes do mercado financeiro, considerados top 5, mantiveram a sua estimativa para a inflação de dezembro de 2013 em 0,72%, com isso a meta atuarial para o mês de ficar em 1,21%, assim a meta atuarial para 2013 medida pelo IPCA deve ficar em 12,07%. Para a inflação de janeiro os analistas das instituições financeiras mantiveram a sua estimativa  para o IPCA em 0,74%.

A inflação medida pelo IPCA para os próximos 12 meses foi reduzida pelos analistas dos bancos, de 6,03% para 6,00%.

PIB

Os economistas do mercado financeiro reduziram ligeiramente a sua estimativa para crescimento da economia brasileira medida pelo PIB – Produto Interno Bruto em 2,30% para 2,28% em 2013.

A estimativa para a evolução da produção industrial em 2013 também foi reduzida pelos economistas dos bancos de 1,59% para 1,53%.

Para 2014, os agentes do mercado financeiro, reduziram a sua projeção para o crescimento da economia brasileira de 2,00% para 1,95%.

Para a produção industrial brasileira em 2014, os analistas das instituições financeiras reduziram as suas projeções de 2,23% para 2,20%.

Juros

Com a elevação dos juros pelo Copom – Comitê de Política Monetária do Banco Central, em 27/11 a taxa básica de juros da economia brasileira encerra 2013 em 10,0% ao ano.

Para 2014, os analistas das instituições financeiras mantiveram a sua projeção para a taxa básica de juros para 2014 em 10,50% ao ano.

Perspectiva

O ano de 2014 será especialmente favorável aos investimentos em renda fixa mais conservadores, precisamente por conta do cenário econômico incerto.

A probabilidade de uma repetição do que foi o ano de 2013, ainda que em menor proporção, sugere cautela.

Logo, destacam-se os investimentos em taxas de juros, tais como as LFT’s – Letras Financeiras do Tesouro, títulos atrelados à variação da taxa Selic, ou as LTN’s – Letras do Tesouro Nacional mais curtas. Com a Selic em 10,00% ao ano, e com probabilidade de alcançar 10,50%, optar por aplicações atreladas a elas pode ser interessante para se proteger da inflação no curto prazo.

Na outra ponta, há os títulos que protegem o passivo dos Regimes Próprios de Previdência Social, e que pagam juros acima da variação do IPCA. Dentre eles, destacam-se as NTN-B’s, títulos emitidos pelo Tesouro Nacional com grandes volumes de negociações diárias. O IMA-B é o subsegmento do IMA que replica a variação desses títulos. Sua atratividade está no fato de proteger o dinheiro da corrosão inflacionária, e por estarem pagando juros acima dos 6,0% ao ano nos vencimentos mais longos.

Entretanto, a aplicação requer certo cuidado. Caso a expectativa da taxa Selic futura seja de alta, esses títulos tendem a se ajustar ao novo cenário e perder valor. Por outro lado, com a Selic em queda, esses títulos se valorizam.

O mercado de ações deve se confrontar com um ano também difícil em 2014, em função de fatores como o baixo crescimento econômico projetado para o Brasil, a retirada dos estímulos à economia norte-americana, a possível elevação da taxa de juros nos EUA e, para algumas empresas, a temida alta do dólar.

O Relatório de Mercado divulgado semanalmente pelo Banco Central estima um crescimento da economia brasileira medido pelo PIB – Produto Interno Bruto de 2,30% em 2013 e de somente 2,00% em 2014. A projeção do crescimento econômico brasileiro vem sendo paulatinamente reduzida pelos analistas do mercado financeiro.

Com elevação da inflação, a autoridade monetária iniciou em abril de 2013 o ciclo de aperto monetário com a elevação da taxa básica de juros, o que sacrifica ainda mais o já combalido crescimento da economia.

O fraco crescimento econômico é o principal fator que impacta negativamente o desempenho da Bolsa de Valores, pois a performance das ações acaba sendo um reflexo dos maus resultados das empresas brasileiras.

Se somarmos a isso o fraco desempenho das contas públicas em 2013, que podem levar ao rebaixamento rating de crédito e consequente perda do grau de investimento em 2014, o que seria desastroso para a economia do Brasil.

A recuperação da economia norte-americana deve dar inicio a retirada dos estímulos à economia, via redução do volume de recompra de títulos públicos e hipotecários pelo FED – Federal Reserve, que pode ter um efeito bom no longo prazo, entretanto o efeito imediato não deve ser nada positivo para a bolsa brasileira.

Com menos dinheiro em circulação no mercado e uma provável elevação da taxa básica de juros nos EUA, o capital estrangeiro mais especulativo pode deixar o Brasil, o que comumente provoca quedas na Bolsa.

O efeito da retirada dos estímulos e do crescimento norte-americano será uma valorização ainda maior da moeda norte-americana, o que deve prejudicar as empresas que dependem de importações, ou que têm grande parte da dívida atrelada ao dólar.

Por sua vez, empresas exportadoras e com baixo endividamento na moeda norte-americana, devem se beneficiar dessa conjuntura. Com o dólar encerrando 2013 na casa de 2,357 reais, a projeção para o fim de 2014 já se aproxima do patamar de 2,50 reais.

Somado a tudo isso, o mercado de renda variável deve sofrer com o sobe e desce radical em 2014, devido as eleições presidenciais.

Mesmo assim, para quem desejar uma pequena exposição a Bolsa na carteira, a opção é procurar bons gestores de fundos não atrelados ao Ibovespa.

Uma outra opção em um cenário volátil seriam os fundos multimercados de estratégia macro, que investem em diversas classes de ativos, tanto na renda fixa quanto na variável, posicionando-se de forma a tirar proveito do cenário no curtíssimo prazo.

Cambio

Os economistas dos bancos elevaram a sua projeção para a taxa de câmbio de 2014 em R$2,45 para R$2,34 por unidade da moeda norte-americana.

Balanço de pagamentos e IED

Os analistas das instituições financeiras mantiveram  a sua projeção para o saldo positivo da balança comercial brasileira de 2014 em US$ 8,03 bilhões.

Em 2013 a projeção de entrada de IED – Investimentos Estrangeiros Diretos permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2014, a estimativa dos analistas dos bancos para a entrada de investimentos estrangeiros permaneceu em US$ 60 bilhões.

Preços administrados

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato ou administrados”, refere-se aos preços que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contrato ou por órgão público.

Os preços administrados estão divididos nos seguintes grupos: os que são regulados em nível federal – pelo próprio governo federal ou por agências reguladoras federais – e os que são determinados por governos estaduais ou municipais. Nos primeiro grupo, estão incluídos os preços de serviços telefônicos, derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha, óleo para motores), eletricidade e planos de saúde. Os preços controlados por governos subnacionais incluem a taxa de água e esgoto, o IPVA, o IPTU e a maioria das tarifas de transporte público, como ônibus municipais e serviços ferroviários.

Para 2013, a projeção dos analistas do mercado financeiro para os preços administrados foi elevada de 1,33% para 1,40%. Para 2014 a estimativa dos economistas dos bancos, foi elevada de 3,85% para 4,00%.

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