Inflação será desafio até 2015, indica ata do Copom

A alta da inflação continuará a ser um desafio para o Banco Central até, pelo menos, meados de 2015, primeiro ano do próximo governo, de acordo com a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na manhã desta quinta-feira, 5. O documento detalha a decisão de aumentar a Selic para 9,00% ao ano.

De acordo com o BC, o IPCA seguirá acima do centro da meta de 4,5% até o segundo trimestre de 2015. No documento, o colegiado sinalizou que continuará a subir os juros, diante da piora nas suas próprias previsões de inflação.

O documento traz ainda mudança importante em relação à avaliação da instituição sobre a política fiscal e cita também a necessidade de fortalecer a confiança de empresas e famílias para garantir a aceleração da economia brasileira. A avaliação do comitê, no entanto, é a de que o ritmo de alta dos juros praticado até o momento tem sido “apropriado”, o que abre portas para expectativa de novas elevações de 0,50 ponto porcentual.

Em meio à continuidade de tendência de alta do dólar, o BC repetiu que o repasse dessa elevação para a inflação pode e deve ser limitado pela política monetária. Mesmo assim, a perspectiva do Copom é de alta para a inflação neste e no próximo ano, com todas as previsões, independente do cenário utilizado, acima do centro da meta de 4,5%. Ainda sobre inflação, a ata destacou que o aumento dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação mostre resistência. Apesar de citar uma menor dispersão dessas elevações, o documento voltou a mostrar preocupação em relação à piora da percepção dos agentes sobre a dinâmica dos preços. É preciso, de acordo com o BC, que esse processo seja revertido o mais rápido possível.

Numa ata marcada pela repetição de vários trechos, houve mudanças relevantes em apenas quatro dos 15 parágrafos que compõem sua parte principal, os que tratam da implementação da política monetária. Além da questão da resistência inflacionária, um dos temas mais relevantes entre os alterados é o da avaliação da política fiscal. Foram retiradas em dois parágrafos as menções de que a condução dessa política é expansionista e o BC diz agora que criam-se condições para que o setor público caminhe em direção a uma zona de neutralidade, o que pode indicar a concretização desse “deslocamento” apenas em 2014. O tema era motivo de tensão com o Ministério da Fazenda e a mudança se dá após o anúncio de novo corte do orçamento, que começou, inclusive, a ser implementado pelo BC.

Outro tema modificado foi em relação à preocupação do colegiado com a confiança das empresas e famílias. Na ata anterior, o BC dizia que a piora do humor poderia conter a recuperação econômica se não fosse revertida. Agora, a instituição afirma apenas que é preciso fortalecer a confiança para garantir a recuperação.

A ata frustrou o mercado financeiro ao não trazer uma nova perspectiva para o aumento dos preços da gasolina este ano. Foi mantida a projeção de reajuste de 5% para 2013. Já para o gás, o Copom colocou nas contas uma elevação de 2,5%. Se, por um lado diminuiu o alívio com a percepção de redução de preços de telefonia fixa, que era de 2% para este ano e passou para 1%, por outro aumentou a previsão de que a energia elétrica terá um recuo de 16%, e não mais de 15% como era esperado antes para 2013.

Mais dois assuntos ficaram de fora do documento. No setor externo, apesar de o BC citar que o petróleo pode subir por causa da piora dos riscos geopolíticos, em nenhum momento o documento menciona a possibilidade de intervenção iminente americana à Síria. No âmbito doméstico, ficou de fora o pacote do próprio BC para tentar conter a disparada do câmbio. No dia 22 de agosto, a autoridade monetária anunciou que faria leilões diários nesse mercado até o final do ano, numa intervenção total de cerca de US$ 100 bilhões.

Fonte primária da informação: Agencia Estado

Deixe um Comentário

Repetir o Post


Arquivos
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • outubro 2015
  • setembro 2015
  • agosto 2015
  • julho 2015
  • junho 2015
  • maio 2015
  • abril 2015
  • março 2015
  • fevereiro 2015
  • janeiro 2015
  • dezembro 2014
  • novembro 2014
  • outubro 2014
  • setembro 2014
  • agosto 2014
  • julho 2014
  • junho 2014
  • maio 2014
  • abril 2014
  • março 2014
  • fevereiro 2014
  • janeiro 2014
  • dezembro 2013
  • novembro 2013
  • outubro 2013
  • setembro 2013
  • agosto 2013
  • julho 2013
  • junho 2013
  • maio 2013
  • abril 2013
  • março 2013
  • fevereiro 2013
  • janeiro 2013
  • dezembro 2012
  • novembro 2012
  • outubro 2012
  • setembro 2012
  • agosto 2012
  • julho 2012
  • junho 2012
  • maio 2012
  • abril 2012
  • março 2012
  • fevereiro 2012
  • janeiro 2012
  • dezembro 2011
  • novembro 2011
  • outubro 2011
  • setembro 2011
  • agosto 2011
  • julho 2011
  • junho 2011
  • maio 2011
  • abril 2011
  • março 2011
  • fevereiro 2011
  • janeiro 2011
  • dezembro 2010
  • novembro 2010
  • outubro 2010
  • setembro 2010
  • agosto 2010
  • julho 2010
  • junho 2010