INVESTIMENTOS: DESAFIOS SE RESPONDE COM SEGURANÇA

Os fundos de pensão são investidores de longo prazo e como tal deve o retorno de seus investimentos ser avaliado. É à luz desse conceito tão antigo quanto verdadeiro que, afirmam os especialistas, devem ser vistas duas informações agora tornadas públicas. Uma vem no relatório anual da Previc, divulgado dias atrás, e que mostra que títulos públicos adquiridos antes dos juros começarem a baixar ainda estarão por um longo tempo presentes nas carteiras, assegurando assim ganhos efetivos até o resgate em seu vencimento. A outra notícia deixa claro o tamanho do impacto da desarumação do mercado no primeiro semestre do ano. Pesquisa da Mercer, elaborada junto a  70 de suas clientes, um universo onde preponderam entidades com patrimônio entre R$ 100 milhões e R$ 1 bilhão, trouxe como resultado uma rentabilidade negativa no período.

Títulos públicos federais, vistos pelo mercado como ativos livres de risco e, por conta disso, instrumentos até mesmo de hedge, estão fortemente representados nas carteiras dos fundos de pensão. A esse respeito, é suficiente dizer que esses instrumentos financeiros de longo prazo (acima de 10 anos) emitidos pelo governo  representam aproximadamente 23,4% de todos os investimentos das entidades e com elas deverão permanecer ainda por um longo tempo, uma vez que o seu vencimento encontra-se  ainda distante.

Dos títulos públicos em poder dos fundos de pensão, incluindo os da carteira própria e os que estão distribuídos pelos fundos de investimentos,  20,2% vencem em até três anos; 25,5% têm vencimento entre três  e dez anos; e 54,3% têm prazo  superior a dez anos. O número destes últimos até cresceu, levando em conta que em 2011 o seu percentual ainda era de 45,0%.

Nota o relatório anual da Previc que “esses números  demonstram que os fundos de pensão estão mitigando risco de reinvestimento quando aplicam valores elevados em ativos de longo prazo, concentrados principalmente em títulos públicos indexados a índices de inflação (NTN-B e NTN-C)”.

Nenhum desses números, claro, evitou os magros resultados que foram para o registro do primeiro semestre. E nem poderiam.

“Nesse semestre tivemos as duas principais classes de ativos, as rendas fixa e variável, em queda e isso não é comum acontecer”, resume Jorge Simino, Diretor de Investimentos da Fundação Cesp, como a sugerir que combinação igual de fatores tão negativos provavelmente vai demorar a suceder outra vez. Ele não tem dúvida em afirmar que “esse momento é uma realidade muito peculiar”, mesmo porque “é difícil encontrar um período com títulos longos de renda fixa abrindo tanto a taxa”.

Enfim, para Simino, a primeira metade do ano “pode até não ter sido um ponto fora da curva, mas ficou perto”.

Maurício Wanderley, Diretor de Investimentos da Valia, um pouco na mesma linha lembra que “a volatilidade alcançou todas as classes de ativos”. O semestre configurou um período que a seu ver mostrou ainda mais claramente o quanto é necessário se investir em educação previdenciária, no intuito de fazer o participante conviver melhor com fases de maior instabilidade.

Para Maurício, entretanto, sobra um claro consolo: “o período pode ser visto também como uma oportunidade para comprar”.

François Racicot, da Mercer, reconhece que no semestre “faltou o porto seguro da renda fixa, cujo desempenho negativo reforçou o impacto da Bolsa em queda”. Especialmente porque as entidades estavam mais investidas em papéis atrelados à inflação, justo os que em passado recente propiciaram algumas das melhores performances.

Resultado disso tudo, as 70 entidades monitoradas pela Mercer, em sua grande maioria de pequeno e médio porte, encerraram o primeiro semestre com uma rentabilidade média negativa de 2,34% (mediana de -  2,11%).

O monitoramento da Mercer mostrou um resultado negativo de 0,68% na renda fixa e de 11,03% na variável.

Fonte: Diário da ABRAPP

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