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Fundos de pensão: Alguns private equity ajudam, outros atrapalham

Abaixo reproduzimos matéria divulgada no Jornal Valor Econômico sobre a experiencia de quase 10 anos dos fundos de pensão nas aplicações em Fundos de Investimentos em Participações. Esta experiencia deve servir como exemplo aos gestores dos RPPS’s.

Rerportagem

Quase dez anos depois dos primeiros aportes em private equity, os grandes fundos de pensão brasileiros começam a fazer um balanço da experiência que tiveram com esses portfólios. As percepções são díspares: há fundações decepcionadas e que não querem voltar a investir, e outras que têm boas expectativas para o futuro, tendo em vista que algumas companhias já começam a dar retorno.

Segundo dados da associação do setor, a Abrapp, os fundos de pensão brasileiros tinham R$ 13,439 bilhões investidos em Fundos de Investimento em Participações (FIP) em junho, alta de 42% na comparação com a posição dezembro de 2010. Apesar de o volume ser pequeno perto do patrimônio total das entidades, de R$ 596,4 bilhões, os FIPs têm contribuído para engordar a rentabilidade das fundações. Segundo dados de junho, os produtos estruturados – que além do private equity incluem multimercados – subiram 10,66% no período.

Mesmo assim, durante a última década houve fundos de pensão que tiveram experiências frustrantes. Foi o caso da Fundação Cesp que em 2007 iniciou aportes em dois portfólios, um private equity – que compra participações em empresas – e outro mezanino, modalidade que investe em títulos de dívida e pode também obter participação nos resultados das companhias.

“Não estamos felizes com os resultados do private equity. Uma das empresas entrou em recuperação judicial e perdemos com isso. Mas foi um aprendizado”, afirma Jorge Simino Júnior, diretor de investimentos da Fundação Cesp. O investimento no FIP foi de R$ 40 milhões, dos quais R$ 10 milhões evaporaram.

A entidade não divulga o nome dos gestores. No entanto, fontes do setor indicam que as aplicações estão no FIP Governança e Gestão (FIP GG I), da GG Investimentos, do ex-ministro do Planejamento Antonio Kandir. Uma das empresas investidas, o supermercado Gimenes, entrou em recuperação judicial em 2008 e provocou as perdas do fundo.

Procurada, a gestora confirmou que o FIP GG I deverá sofrer impacto, mas completou que ainda é cedo determinar valores, pois dependerá do desinvestimento das demais empresas, como a fabricante de não tecidos Cia Providência e a editora Ediouro.
“Agora esperamos que as demais empresas compensem”, disse Simino. Quanto ao mezanino da Darby Overseas, a Fundação Cesp tem visto bons resultados. “Estamos otimistas”, disse Simino, descartando, no entanto, novos investimentos em FIPs.

O fundo de pensão dos funcionários da Vale, o Valia, começou a aplicar em private equity quatro anos atrás e está concluindo agora o período de investimentos. Com cerca de R$ 1 bilhão em 14 fundos, Maurício Wanderley, diretor de investimentos da entidade, diz estar contente com o desempenho das carteiras. Ele cita o IPO da Abril Educação, no ano passado, empresa que estava no fundo BR Investimentos, como exemplo positivo. “O private equity tem essa complementaridade com as carteiras de renda variável.”

Recentemente, a entidade aportou R$ 88 milhões no fundo Carlyle que tem participação na varejista Tok & Stok. Este ano investiu em outros quatro fundos: Brasil Petróleo (Mantiq Investimentos), Portos (BRZ Investimentos), e outros dois das gestoras 2BCapital e Kinea. Para 2013, ainda não há previsão de novos aportes.

Desde 2005, ano de sua primeira incursão nos FIPs, a Real Grandeza tem profissionalizado sua experiência com private equity. Segundo Eduardo Garcia, diretor de investimentos, foram criadas políticas de “due dilligence” (investigação das contas) mais rígidas. “Sofisticamos o processo de escolha de gestores, que respondem questionários e passam por verificações de governança.” A entidade exige que o fundo supere o Ibovespa no longo prazo.
A entidade está satisfeita com o desempenho do Brasil Energia (BTG Pactual), um dos primeiros e principais fundos em que aplicou. Este ano, uma das empresas investidas, a geradora de energia eólica Bons Ventos, foi vendida para uma subsidiária da CPFL por R$ 1,09 bilhão. “O fundo atingiu, nesse projeto, a rentabilidade alvo, de 15%”, diz Garcia.

Em 2012, a fundação investiu em quatro novos fundos. Passou de R$ 80 milhões comprometidos para R$ 450 milhões com a categoria. “Há uma série de tendências da economia brasileira que não são refletidas na bolsa. Compramos hoje as empresas que vão abrir capital lá em 2020″, afirma Garcia.
Um dos primeiros a investir em private equity, em 2003, o fundo de pensão dos funcionários da Caixa, o Funcef, tem R$ 3 bilhões alocados nesses portfólios, de um patrimônio de R$ 50 bilhões. Das carteiras em que investe, Humberto Lima, gerente de participações, destaca o Brasil Energia e o Logística Brasil (BRZ Investimentos), nos quais espera obter em alguns anos retorno de 12% mais inflação.

* Fonte primária da informação Valor

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