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De olho no cambio e pressionado pelo PIB, Copom pode acelerar redução da Selic.

Ao termino do segundo dia de reunião que acontece hoje, quarta-feira dia 07/03, o COPOM – Comitê de Política Monetária do Banco Central deve reduzir, pela quinta vez, a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic.

O Relatório de Mercado – Focus, divulgado pela autoridade monetária esta semana, revela que a projeção de grande parte dos analistas das instituições financeiras, espera uma da taxa de 0,5 ponto percentual, ou seja, um recuo dos juros de 10,5% para 10% ao ano, no mesmo ritmo das dos cortes anteriores. O comitê da autoridade monetária iniciou o processo de flexibilização da economia em agosto de 2011.

Entretanto, há segmentos do mercado que creem em uma elevação da intensidade no processo de corte nos juros básicos da economia. Esta ala crê em uma redução maior, de 0,75 ponto percentual, com isso os juros básicos cairiam para 9,75% ao ano, há ainda quem aposte em um corte mais agressivo, de 01 ponto percentual, reduzindo a Selic para 9,50% ao ano. Caso esta expectativa venha sem confirmar, seria a maior redução da taxa básica de juros desde junho de 2009 e na casa de um dígito, fato que não acontece desde junho de 2010, momento em que a Selic subiu de 9,50% para 10,25% ao ano.

O que justifica uma redução de 0,75 ponto percentual nesta quarta-feira é o comportamento do mercado futuro, pois as taxas negociadas projetam queda de aproximadamente de 0,7 ponto percentual nesta semana. Da mesma forma, o mesmo mercado futuro trabalha com a possibilidade de juros na casa de 9,00% ao ano até julho de 2012. Hoje, o Relatório de Mercado – Focus revela que da maior parte dos analistas dos bancos espera que a Selic encerre 2012 em 9,50% ao ano.

Crise financeira

A avaliação dos analistas do mercado financeiro está em linha com o do Ministro da fazenda, Guido Mantega. Tanto o mercado quanto o governo acreditam que a crise financeira internacional reduz o nível de atividade econômica tanto no Brasil como no mundo. A queda no preço das commodities (matéria-prima, com baixo grau de industrialização), tende a causar menor pressão sobre os índices de inflação no Brasil. Com isso, há a possibilidade da manutenção no processo de corte nos juros e até a aceleração do ritmo por parte do Copom. O Banco Central já deu sinais existe uma “elevada probabilidade” de juros abaixo de um digito, ou seja, abaixo de 10,00% ao ano, porem deu indícios do prazo que isso poderia ocorrer.

Cambio

Na avaliação do ministro da fazenda, há uma “guerra cambial” em curso, pois afim de dar liquidez ao mercado os Bancos Centrais norte-americano e europeu, injetaram perto de R$ 9 trilhões nos mercados financeiros nos últimos três anos. Este com certeza é mais uma razão que pode pressionar o Copom a reduzir a taxa de juros.

Para ser ter ideia, última semana, o Banco Central Europeu injetou no mercado algo em torno de US$ 712 bilhões em empréstimos de longo prazo. Em dezembro de 2011, foram US$ 658 bilhões para dar liquidez ao mercado. O que justifica a expectativa é que parte destes recursos seria direcionada para as economias emergentes, como o Brasil, com uma das taxas de juros reais mais elevadas do, proporcionando com isso um retorno financeiro maior para os investidores, e com uma possibilidade de crescimento econômico mais elevado. Hoje, a taxa de juros reais praticados no Brasil (taxa nominal com base na Selic média, 9,81%, menos a inflação esperada para os próximos 12 meses) está ao redor de 4,34% ao ano, são considerados os mais elevados do mundo.

Com juros mais baixos, poderia haver uma entrada menor de recursos no mercado financeiro brasileiro, logo, isso aliviaria a pressão e reduziria a valorização do Real frente ao dólar. Isto, por si só encareceria as importações e torna as vendas externas brasileiras mais atraentes, elevando, com isso, a competitividade da produção nacional.

Em nossa avaliação uma redução de 0,75% poderá ser considerada normal, mas a possibilidade de uma redução maior em torno de 1% não será assim tão surpreendente, contudo o mercado acredita que hoje a autoridade monetária deverá reduzir a taxa Selic a 1 digito, ou seja, abaixo de 10% ao ano.

PIB 2011

Outro fator pressiona negativamente a autoridade monetária é o crescimento do PIB em 2011. Ainda que o IPCA tenha ficado em 6,50% no ano passado, no teto da meta de inflação, o crescimento da economia, medido pelo PIB – Produto Interno Bruto ficou em 2,7%. Se deixarmos de lado o ano de 2009, quando o PIB caiu 0,6% em virtude da crise do subprime, foi o menor crescimento econômico desde o ano de 2003.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ponderou que a redução da taxa básica de juros da economia é um dos fatores que vai ajudar a estimular a economia em 2012. O ministro afirmou que, “há uma série de estímulos monetários que estão sendo implantados, como redução da taxa de juros e estímulos aos investimentos”.

Uma redução acima de 0,75 ponto percentual, na taxa básica de juros deve influenciar positivamente o retorno dos fundos atrelados ao IMA- Índice de Mercado Anbima.

Cabe acompanhar os movimentos do mercado para aproveitar as oportunidades.

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