Panorama da semana
A semana de 21 a 25 de setembro foi dominada pela reprecificação dos juros globais. Uma semana depois de o Federal Reserve iniciar um ciclo de alta, o rendimento do Treasury de 10 anos chegou a 5,23%, maior nível desde junho de 2007, e o de 30 anos tocou 5,53%. Na Europa, PMIs mais fortes reforçaram a chance de nova alta do BCE em outubro, enquanto a China manteve juros em mínimas históricas e estendeu a trégua comercial com os EUA.
No Brasil, a ata do Copom e o Relatório de Política Monetária confirmaram uma atividade em desaceleração, mas com inflação ainda acima da meta, e o IPCA-15 de setembro surpreendeu para cima. O petróleo seguiu volátil em torno das negociações entre EUA e Irã sobre o Estreito de Ormuz, e a proximidade do primeiro turno eleitoral (4 de outubro) manteve o Ibovespa em compasso de espera.
Foco especial: Juros globais na máxima desde 2007 e reta final eleitoral
O movimento dos Treasuries é o principal vetor de risco para as carteiras neste momento. A combinação de Fed em modo de aperto (Fed Funds em 3,75–4,00% após alta unânime em 16/09), PMI composto americano de 58,4 em setembro (maior desde julho de 2021), custos de insumos na maior alta em quatro anos e demanda fraca no leilão de US$ 70 bilhões de títulos de 5 anos levou os juros longos americanos a patamares não vistos há quase duas décadas. Os 10 anos encerrou a semana perto de 5,18%, e o mercado atribui cerca de dois terços de probabilidade a nova alta do Fed em 28 de outubro.
Para o Brasil, o choque externo se soma à reta final da campanha. Juros globais mais altos estreitam o diferencial que sustenta o real e pressionam a curva doméstica, justamente quando o mercado monitora as chances de alternância de poder. Na prática, as próximas duas semanas tendem a concentrar volatilidade em prêmios de risco, câmbio e bolsa, o que recomenda disciplina de execução e escalonamento nas decisões de alocação.
Estados Unidos: Fed e Treasuries
O FOMC elevou os juros em 0,25 p.p. para 3,75–4,00% na reunião de 15 e 16 de setembro, a primeira alta desde julho de 2023, com placar de 12 a 0. O dot plot passou a indicar mais uma alta de 0,25 p.p. em 2026, e a projeção para o núcleo do PCE de 2026 subiu para 3,4%. Nesta semana, os presidentes do Fed de Nova York (Williams) e da Filadélfia (Paulson) sinalizaram disposição para novas altas diante da inflação persistente. O CPI de agosto marcou 3,4% em 12 meses, e o payroll de agosto criou 162 mil vagas com desemprego em 4,1%.
Mesmo com os juros em alta, o S&P 500 fechou a semana no positivo (7.743 pontos), apoiado por resultados de tecnologia e pela queda do petróleo na sexta-feira, quando o Brent recuou para cerca de US$ 104. A visita de Estado de Xi Jinping a Washington estendeu a trégua tarifária até 10 de janeiro, sem avanços comerciais relevantes.
Brasil: Copom, IPCA-15 e RPM
Com a Selic em 13,75% após o corte de 0,25 p.p. de 16/09, a ata do Copom (22/09) não ofereceu sinalização clara sobre os próximos passos: reforçou a desaceleração da atividade e do crédito livre, mas manteve a ênfase em cautela diante de expectativas desancoradas e destacou o crédito direcionado como contrapeso expansionista. O Relatório de Política Monetária (24/09) reduziu a projeção de PIB de 2026 de 2,0% para 1,8% e estimou 1,4% para 2027, mantendo o IPCA de 2026 em 5,2% e a projeção do 1º trimestre de 2028 em 3,2%.
O IPCA-15 de setembro subiu 0,70%, acima dos 0,53% esperados, revertendo a deflação de agosto e levando o acumulado em 12 meses a 4,47%. O Focus de 21/09 reduziu a Selic projetada para o fim de 2026 a 13,50% e elevou o IPCA de 2026 a 4,92%, com o mercado dividido entre novo corte e pausa na reunião de 3 e 4 de novembro. O Ibovespa recuou 0,95% na semana, aos 183.477 pontos, pressionado por Petrobras, e o dólar terminou em R$ 5,18.

Zona do Euro: BCE
O BCE elevou a taxa de depósito para 2,50% em 10 de setembro, segunda alta em três meses, citando os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços. O PMI composto preliminar de setembro subiu de 52,0 para 53,1, maior nível desde abril de 2023, com a indústria estável em 52,7 e a Alemanha liderando a produção. Com crescimento resiliente e pressões de preços renovadas, uma nova alta já em outubro passou a ser tratada como possibilidade concreta.
China: PBoC e atividade
O PBoC manteve as LPRs de 1 e 5 anos em 3,00% e 3,50% pelo 16º mês consecutivo, em linha com o consenso, em contraste com o aperto nas economias avançadas. O PMI oficial da indústria de agosto (49,8) segue ligeiramente em contração, enquanto exportações e o setor de chips sustentam os lucros industriais (+17,6% no acumulado até julho). A demanda mais fraca por minério pesou sobre mineradoras brasileiras na semana, e os PMIs de setembro saem antes do feriado da Golden Week (1 a 7 de outubro).
Visão comparativa das economias
Estados Unidos: ciclo de alta iniciado; juros longos na máxima desde 2007 e viés de nova alta em outubro.
Brasil: Selic em 13,75% com corte lento ou pausa; atividade desacelerando, inflação acima da meta e risco eleitoral.
Zona do Euro: BCE em aperto (2,50%) com crescimento mais firme; alta em outubro no radar.
China: política estável e juros em mínimas; crescimento sustentado por exportações e tecnologia.
Implicações para RPPS
Renda fixa pós-fixada: com Selic em 13,75% e perspectiva de redução lenta, Tesouro Selic e fundos DI seguem como âncora de liquidez e de proteção em um período de volatilidade elevada.
Títulos indexados à inflação: as taxas reais das NTN-B permanecem atrativas para aderência à meta atuarial, mas a combinação de Treasuries a 5,2% e eleição recomenda compras escalonadas, evitando concentrar movimentos antes do primeiro turno.
Renda variável: manter exposição neutra e evitar aumentos táticos até a definição do cenário eleitoral; juros globais altos reduzem o espaço para reprecificação positiva no curto prazo.
Exterior e câmbio: a diversificação internacional segue relevante, com entradas graduais e atenção ao efeito dos juros americanos sobre as bolsas globais e o real.
Governança: registrar em ata as deliberações do comitê, verificar aderência à Política de Investimentos e observar os limites e requisitos da Resolução CMN nº 5.272/2025.
PANORAMA DA SEMANA
A semana de 13 a 18 de setembro de 2026 foi dominada pela convergência de decisões de política monetária em quatro grandes economias, em meio à escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que mantiveram o petróleo Brent acima de US$ 100 o barril e elevaram o risco inflacionário global. No Brasil, o Copom deu sequência ao ciclo de flexibilização, enquanto Estados Unidos e Zona do Euro caminharam na direção oposta, elevando juros pela primeira vez em anos diante da pressão inflacionária associada ao choque de energia.
Esse descolamento de trajetórias — cortes no Brasil e altas nas economias desenvolvidas — reduziu o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e trouxe volatilidade adicional ao câmbio e à bolsa doméstica, que encerrou a semana rompendo uma sequência de quatro semanas consecutivas de valorização.
BRASIL — COPOM, SELIC E IBOVESPA
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, na reunião realizada em 15 e 16 de setembro — o quinto corte consecutivo do ciclo de flexibilização. O comunicado manteve o tom cauteloso dos encontros anteriores, sem sinalizar o ritmo dos próximos passos, e reiterou que a magnitude total do ciclo será calibrada à luz de novas informações sobre a convergência da inflação à meta.
O IPCA de agosto surpreendeu ao registrar deflação de 0,32%, puxada majoritariamente pela queda de energia elétrica associada ao crédito extraordinário do Bônus de Itaipu — um efeito pontual e não recorrente. A inflação acumulada em 12 meses desacelerou de 4,44% para 4,22%, ainda acima do centro da meta (3,0%), mas dentro do teto da banda de tolerância. A leitura de serviços subjacentes e a difusão em alta recomendam cautela: o efeito Itaipu deve reverter em setembro, junto de pressão de alimentos in natura e passagens aéreas.
O Ibovespa encerrou a sexta-feira, 18, em queda de 0,41%, aos 185.229,17 pontos, acumulando recuo de 1,06% na semana — a primeira perda semanal em quase um mês, interrompendo uma sequência de quatro semanas de alta. O movimento refletiu o desempenho negativo de bancos e papéis ligados a petróleo, o vencimento de opções na B3 e o contágio das altas de juros no exterior (EUA, Zona do Euro e, também nesta janela, o Banco do Japão). O dólar fechou a semana em alta frente ao real, a R$ 5,144. Ainda assim, o fluxo estrangeiro em setembro seguia positivo, em R$ 6,287 bilhões acumulados até o dia 16, segundo dados da B3.

ESTADOS UNIDOS — FED E FOMC
Em decisão unânime e histórica, o Federal Reserve elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano, na reunião de 15 e 16 de setembro — a primeira alta de juros americana desde 2023 e a primeira sob a gestão do novo presidente do Fed, Kevin Warsh. A decisão, associada ao pacote de projeções econômicas trimestrais (SEP) e ao dot plot, sinalizou a possibilidade de mais um aumento ainda em 2026.
O movimento foi respaldado pela persistência da inflação: o CPI de agosto subiu 0,4% no mês e acumulou alta de 3,4% em 12 meses, pressionado pelo custo de energia em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã (a gasolina acumulou alta de 27,4% em 12 meses). O mercado de trabalho seguiu resiliente, com a criação de 162 mil vagas em agosto (payroll) e taxa de desemprego estável em 4,1%, reforçando o argumento do FOMC de que a atividade econômica segue se expandindo em ritmo sólido.
ZONA DO EURO — BCE
O Banco Central Europeu elevou as três taxas diretoras em 25 pontos-base na reunião de 10 de setembro, com a taxa de depósito passando de 2,25% para 2,50% — a segunda alta do ciclo em três meses, após o movimento inaugural em junho (2,00% para 2,25%). A decisão consolidou a guinada da autoridade monetária europeia frente ao choque de oferta de energia gerado pelo conflito no Oriente Médio, e não uma resposta a superaquecimento da economia.
A inflação da Zona do Euro acelerou para 3,3% em agosto, bem acima da meta de 2%, com projeções apontando para uma média próxima de 3% em 2026 e retorno à meta apenas na segunda metade de 2027. A presidente Christine Lagarde reafirmou a abordagem dependente de dados, reunião a reunião, e destacou o risco de efeitos de segunda ordem — a propagação do choque energético para salários e preços de outros bens e serviços — como o principal fator de atenção do Conselho para os próximos meses.
CHINA — PBOC, PMI E ATIVIDADE
O PMI industrial oficial da China (NBS) subiu para 49,8 pontos em agosto, ante 49,2 em julho, superando ligeiramente as expectativas de mercado, mas permanecendo abaixo da linha de 50 pontos pelo segundo mês consecutivo — sinal de contração ainda presente na atividade fabril. O PMI de serviços (não industrial) ficou estável em 49,0, também em zona de contração. Já o PMI privado RatingDog (ex-Caixin), com maior peso em empresas exportadoras, avançou a 51,5 pontos, o nível mais alto em meses, com novas encomendas em expansão pelo décimo quinto mês consecutivo.
O quadro é de recuperação parcial e desigual: o segmento exportador e de maior valor agregado (equipamentos e alta tecnologia, PMIs de 51,4 e 52,9) mostra dinamismo mais consistente que o setor industrial oficial, em linha com o esforço de Pequim de sustentar a atividade via estímulo fiscal local, após o PIB do 2º trimestre desacelerar para 4,3% a/a — o ritmo mais fraco desde o 4º trimestre de 2022.
PANORAMA COMPARATIVO DAS ECONOMIAS
Brasil: Selic em 13,75% a.a. (corte de 0,25 p.p.); IPCA em deflação de 0,32% em agosto (12m: 4,22%); Ibovespa em 185.229 pts, -1,06% na semana.
Estados Unidos: Fed funds em 3,75%–4,00% (alta de 0,25 p.p.); CPI de agosto em 3,4% em 12 meses; payroll de agosto em +162 mil vagas, desemprego em 4,1%.
Zona do Euro: Taxa de depósito do BCE em 2,50% (alta de 0,25 p.p.); inflação de agosto em 3,3% em 12 meses, acima da meta de 2%.
China: PMI industrial oficial em 49,8 pontos (contração); PMI de serviços em 49,0; PIB do 2º tri. em +4,3% a/a, abaixo da meta oficial de 4,5%–5%.
IMPLICAÇÕES PARA RPPS
O descolamento entre o corte da Selic no Brasil e a alta de juros nas economias desenvolvidas exige atenção redobrada dos comitês de investimento de RPPS na gestão do risco cambial e na alocação entre renda fixa e renda variável, nos termos da Resolução CMN nº 5.272/2025.
— Renda fixa doméstica: com a Selic ainda em 13,75% a.a. e o ciclo de cortes gradual, títulos pós-fixados (Tesouro Selic) e indexados à inflação (Tesouro IPCA+) de prazo intermediário seguem atrativos para liquidez e metas atuariais, com juro real robusto.
— Renda variável: a quebra da sequência de altas do Ibovespa, o contágio das altas de juros no exterior e a proximidade do 1º turno das eleições recomendam cautela tática e disciplina de rebalanceamento, sem alterar a alocação estrutural de longo prazo.
— Risco cambial e geopolítico: a escalada no Oriente Médio e a alta simultânea de juros em EUA, Zona do Euro e Japão pressionam o dólar; comitês devem reavaliar a exposição a ativos e fundos com componente cambial não protegido.
— Monitoramento: acompanhar a ata do Copom (22/09) e o IPCA de setembro — que deve reverter o efeito Itaipu — como sinalizadores do ritmo dos próximos cortes da Selic.
Destaque da semana
A semana de 7 a 11 de setembro de 2026 foi marcada pela convergência de decisões e divulgações de política monetária nas principais economias monitoradas. Nos Estados Unidos, o mercado absorveu um payroll de agosto surpreendentemente forte e um CPI em linha com o esperado, mas com núcleo levemente acima das projeções, reforçando as apostas em alta de juros pelo Federal Reserve na reunião do FOMC da próxima semana.
Na Zona do Euro, o BCE elevou as taxas básicas em 25 pontos-base, sua segunda alta do ano, em resposta às pressões inflacionárias associadas ao choque de energia. No Brasil, o IPCA de agosto trouxe deflação mensal, mas a inflação em 12 meses seguiu próxima ao teto da meta, às vésperas da reunião do Copom marcada para os dias 15 e 16 de setembro. O Ibovespa encerrou a semana em alta, acumulando a quarta valorização semanal consecutiva, mesmo com a sessão de sexta-feira marcada por cautela política doméstica.
● Destaque 1: Payroll dos EUA surpreende com criação de 162 mil vagas em agosto, quase o triplo da expectativa de mercado (55-56 mil), reforçando as apostas de alta de juros pelo Fed.
● Destaque 2: BCE eleva juros em 25 pontos-base pela segunda vez no ano, levando a taxa de depósito a 2,50%, em meio a riscos de segunda rodada inflacionária ligados à energia.
● Destaque 3: IPCA de agosto no Brasil registra deflação de 0,32%, mas mercado ainda projeta corte moderado da Selic na reunião do Copom de 15 e 16 de setembro, fora do período coberto por este relatório.
Brasil
Atividade e Inflação
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto de 2026, divulgado pelo IBGE na sexta-feira (11), registrou deflação de 0,32% no mês, ante expectativa de mercado de recuo de 0,29%. O resultado foi puxado principalmente pela queda nos preços de energia elétrica, refletindo o bônus de Itaipu. Na comparação anual, o índice avançou 4,22%, abaixo da projeção de 4,27% colhida pela Reuters e ainda dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação. A leitura reforça a percepção de convergência gradual da inflação corrente, ainda que as expectativas de mercado para o fechamento de 2026 permaneçam acima do centro da meta.
Juros e Mercado
A taxa Selic segue em 14,00% ao ano, nível definido na reunião de agosto do Copom. O Comitê volta a se reunir nos dias 15 e 16 de setembro — já fora do período coberto por este relatório —, com o mercado precificando probabilidade relevante de novo corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A pesquisa Focus aponta Selic terminal de 13,75% para o fim de 2026, sugerindo um ritmo de flexibilização monetária gradual e dependente de dados.
O Ibovespa encerrou a sexta-feira (11) em queda de 0,56%, aos 187.206,89 pontos, em sessão marcada por cautela política após decisão judicial sobre a quebra de sigilo de documentos ligados às investigações do Banco Master, com potencial impacto sobre a corrida presidencial. Ainda assim, o índice acumulou alta de 1,11% na semana — a quarta valorização semanal consecutiva — e de 16,19% no acumulado do ano. O dólar frente ao real fechou a sexta-feira em R$ 5,125, com variação semanal marginal de -0,09%.

Estados Unidos
Emprego
O relatório de emprego (payroll) de agosto, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics, mostrou criação de 162 mil vagas, muito acima da expectativa de mercado de 55 a 56 mil postos. Os dados de junho e julho foram revisados para cima, somando 55 mil vagas adicionais em relação ao previamente reportado. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,1%, e o ganho médio por hora subiu 0,3% no mês e 3,1% em 12 meses, levemente acima do esperado. A geração de vagas se concentrou em serviços de alimentação e educação pública local, o que limita a leitura de uma expansão disseminada por toda a economia.
Inflação
O CPI de agosto avançou 0,4% no mês, após alta de 0,1% em julho, em linha com o consenso. Na comparação anual, a inflação cheia permaneceu em 3,4%. O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3% no mês — acima da expectativa de 0,2% — mantendo a taxa anual em 2,4%. O resultado foi impulsionado principalmente pelo avanço nos preços de energia, com destaque para a gasolina. Este foi o último grande indicador de inflação antes da reunião do FOMC da próxima semana.
Atividade e Juros
O PMI composto da S&P Global subiu a 56,0 pontos em agosto, ante 54,5 em julho, com o PMI de serviços avançando a 56,5 pontos — ambos em território de expansão robusta. Com a combinação de payroll forte, inflação resiliente e atividade em expansão, o mercado passou a precificar probabilidade relevante de alta de 0,25 ponto percentual pelo Federal Reserve na reunião do FOMC de 16 e 17 de setembro, que ocorrerá na semana seguinte ao período coberto por este relatório. A taxa de juros básica americana (fed funds) segue no intervalo de 3,50% a 3,75%.
Zona do Euro
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu, em 10 de setembro, elevar as três taxas básicas de juros em 25 pontos-base, a segunda alta do ano. A decisão foi unânime entre os membros do Conselho de Governadores, embora a presidente Christine Lagarde tenha reconhecido divisão interna quanto ao ritmo dos próximos passos. A autoridade monetária europeia justificou a medida pelos riscos de efeitos de segunda rodada da alta de preços de energia sobre salários e demais bens, em meio à escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio e à cotação do petróleo Brent próxima de US$ 107 por barril. A inflação na Zona do Euro segue em torno de 2,9%, acima da meta de 2% do BCE, com projeções indicando persistência da pressão inflacionária até meados de 2027.
China
Os indicadores de atividade chineses divulgados ao longo do mês seguem sinalizando desaceleração. O PMI industrial oficial (NBS) avançou para 49,8 em agosto, ante 49,2 em julho, mas permanece pelo segundo mês consecutivo em zona de contração, abaixo do patamar de 50 pontos. O PMI não industrial (serviços e construção) ficou estável em 49,0, também em contração. O PIB do segundo trimestre cresceu 4,3% em base anual, abaixo da meta oficial de 4,5% a 5,0% para o ano.
O Banco Popular da China (PBoC) já promoveu dois cortes de compulsório (RRR) e uma redução da taxa de referência de empréstimos (LPR) neste ano, e o mercado avalia como provável um novo pacote de estímulos ainda em 2026, ainda que restrito pelas preocupações com estabilidade financeira e depreciação do renminbi.
Panorama Comparativo das Economias
● Brasil: Selic em 14,00% a.a.; IPCA em 4,22% em 12 meses; Ibovespa em alta de 16,19% no ano; Copom se reúne em 15-16/09 com expectativa de corte para 13,75%.
● Estados Unidos: Fed funds em 3,50%-3,75%; CPI em 3,4% em 12 meses; payroll surpreende com 162 mil vagas; FOMC se reúne em 16-17/09 com viés de alta.
● Zona do Euro: Taxa de depósito do BCE em 2,50% após alta de 25 pontos-base em 10/09; inflação em torno de 2,9%, acima da meta.
● China: PMI industrial em 49,8, ainda em contração; PIB do 2T em 4,3% a/a, abaixo da meta oficial; PBoC sinaliza novos estímulos.
Foco da Semana: Divergência entre Bancos Centrais
A semana evidenciou um movimento de divergência entre as principais autoridades monetárias globais. Enquanto Fed e BCE caminham para, ou já promoveram, novas altas de juros diante de pressões inflacionárias associadas ao choque de energia gerado pelo conflito no Oriente Médio, o Banco Central do Brasil se prepara para uma possível continuidade do ciclo de cortes na reunião de 15 e 16 de setembro.
Esse descompasso tende a manter o diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas relativamente elevado no curto prazo, o que pode sustentar o apetite por ativos brasileiros de renda fixa, ainda que o cenário externo mais restritivo eleve a volatilidade cambial e de commodities. Para comitês de investimento de RPPS, o momento reforça a importância de acompanhar de perto o balanço entre o diferencial de juros e os riscos de contágio via câmbio, especialmente diante da proximidade das decisões de política monetária do Copom e do FOMC, ambas previstas para a semana seguinte ao período coberto por este relatório.
Implicações para RPPS
● Renda fixa doméstica: Com a Selic ainda em patamar elevado (14,00% a.a.) e viés de corte gradual, títulos públicos pós-fixados e indexados à inflação seguem oferecendo carrego atrativo, compatível com as metas atuariais da maioria dos regimes.
● Renda variável: A sequência de quatro semanas consecutivas de alta do Ibovespa sugere fôlego para ativos de risco doméstico, mas a proximidade das eleições presidenciais e o noticiário em torno do caso Banco Master recomendam cautela na exposição tática de curto prazo.
● Câmbio e ativos internacionais: A postura mais restritiva de Fed e BCE, somada às tensões geopolíticas, tende a manter a volatilidade cambial elevada; RPPS com exposição internacional devem reavaliar hedge cambial à luz desse cenário.
● Enquadramento normativo: Todas as alocações e limites devem observar os parâmetros estabelecidos pela Resolução CMN nº 5.272/2025, vigente desde 2 de fevereiro de 2026, que disciplina as aplicações dos recursos dos Regimes Próprios de Previdência Social.
Brasil — Cenário doméstico
No Brasil, boletim Focus de 31/08 trouxe o primeiro recuo da mediana da Selic para o fim de 2026 desde março, de 14,00% para 13,75% ao ano, com o mercado passando a incorporar dois cortes de 0,25 p.p. até dezembro — o primeiro deles esperado já na reunião de 15 e 16 de setembro. A projeção do IPCA para 2026 também recuou, de 5,02% para 5,01%, ajudada pela expectativa de deflação em agosto.
• O IPCA acumulado em 12 meses fechou julho em 4,44%, dentro da meta perseguida pelo Banco Central (centro de 3%, com tolerância de 1,5 p.p.).
• O Ibovespa teve a segunda melhor semana do ano, com alta acumulada de 5,40%, aos 185.147 pontos — após uma sequência de 11 pregões seguidos em alta, interrompida apenas na sexta-feira (04/09) por realização de lucros. O retorno de fluxo estrangeiro e a redução da percepção de risco eleitoral impulsionaram o movimento.
• O dólar fechou a semana em queda de 1,28%, a R$ 5,13, acumulando desvalorização de 6,55% no ano, em meio à melhora do apetite a risco e ao alívio nas taxas de Treasuries.
• No radar político, o empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno para as eleições de outubro seguiu reduzindo a percepção de risco de cauda para os ativos locais — fator a monitorar como determinante para o prêmio de risco fiscal nos próximos meses.

Estados Unidos — Federal Reserve
O payroll de agosto, divulgado na sexta-feira (04/09), surpreendeu o mercado ao mostrar a criação de 162 mil vagas — quase três vezes acima da projeção de 56 mil — com a taxa de desemprego estável em 4,1% e revisões para cima dos meses anteriores. O resultado devolveu força à tese de um Federal Reserve mais hawkish: a probabilidade de alta de 0,25 p.p. na reunião de 15 e 16 de setembro, hoje na faixa entre 3,50% e 3,75%, saltou ao longo da semana e encerrou a sexta-feira em torno de 58% segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, ante praticamente zero há poucas semanas.
• A nota do Tesouro de 2 anos, a mais sensível à política monetária, subiu ao maior nível desde janeiro de 2025 (4,38%), refletindo a reprecificação das apostas de juros.
• Wall Street reagiu com cautela: o Dow Jones caiu 0,51% na sexta-feira, o S&P 500 recuou 0,38%, enquanto o Nasdaq, sustentado por tecnologia, fechou em alta de 0,29%.
• O presidente Donald Trump voltou a defender publicamente cortes de juros, em contraste com o tom mais hawkish sinalizado pelo mercado sob a liderança de Kevin Warsh no Fed.
• O foco agora migra para os dados de inflação: o CPI de agosto será divulgado em 11/09, a apenas cinco dias da decisão do FOMC — ver agenda da próxima semana.
Zona do Euro e China
Zona do Euro: a inflação acelerou a 3,3% em agosto, ante 2,8% em junho, pressionada por um choque de custos de energia ligado ao conflito no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz. O mercado passou a precificar uma nova alta de juros na reunião do BCE de 9 e 10 de setembro, com a taxa de depósito hoje em 2,25%; o pano de fundo de crescimento fraco (PIB do 1º trimestre em contração de 0,2% e expansão de apenas 0,5% esperada para todo o 2026) mantém o debate dividido entre falcões e pombas dentro do Conselho.
China: o PMI de serviços (RatingDog) subiu a 51,4 pontos em agosto, ante 50,4 em julho e acima do consenso, elevando o PMI composto a 52,1 — recuperação da mínima de quase dois anos registrada em julho. Ainda assim, o crescimento fraco do varejo (+0,6% na comparação anual em julho) e o avanço da taxa de desemprego pesquisada a 5,2% mantêm o quadro de demanda doméstica frágil, com o PBoC preservando espaço para novo afrouxamento monetário caso a atividade perca fôlego adicional no final do ano.
Especial: semana decisiva de bancos centrais (08 a 16/09)
A semana que se inicia marca o prenúncio de um dos períodos mais concentrados de decisões de política monetária do ano: BCE (9 e 10/09), Copom (15 e 16/09) e FOMC (15 e 16/09) definem suas taxas em um intervalo de praticamente uma semana, com sinalizações que podem divergir fortemente entre si — alta na Europa, corte no Brasil e um Fed dividido entre manutenção e alta.
• Para o BCE, a leitura de inflação de 3,3% e o choque de energia elevam a probabilidade de uma alta de 0,25 p.p., que seria a primeira desde junho.
• Para o Copom, o mercado segue projetando um corte de 0,25 p.p., para 13,75% ao ano, na contramão do movimento esperado na Europa e do risco de alta nos EUA.
• Para o FOMC, o payroll forte e a inflação ainda resistente elevam o risco de uma decisão mais hawkish, com o CPI de agosto (11/09) funcionando como o dado decisivo antes da reunião.
• Para RPPS: a divergência de rumos entre os principais bancos centrais reforça a importância de calibrar a exposição cambial e a duration da carteira de renda fixa internacional antes da semana de decisões, evitando concentrar rebalanceamentos justamente no período de maior volatilidade potencial.
Implicações para os RPPS
• A revisão para baixo da projeção de Selic no Focus (13,75% ao final de 2026) reforça a atratividade relativa de títulos públicos pós-fixados e prefixados de prazo intermediário, em linha com os limites de renda fixa da Resolução CMN nº 5.272/2025.
• A forte valorização do Ibovespa na semana (+5,40%) e o retorno do fluxo estrangeiro oferecem janela tática para revisão da exposição em renda variável dentro dos sublimites regulamentares, sem abandonar a disciplina de rebalanceamento estrutural do plano de investimentos.
• A perspectiva de decisões divergentes entre Fed, BCE e Copom na semana de 8 a 16/09 recomenda cautela redobrada em posições direcionais de câmbio e em fundos multimercado macro com exposição internacional relevante.
• O cenário eleitoral brasileiro (empate técnico Lula x Flávio Bolsonaro) segue reduzindo a percepção de risco de cauda, mas recomenda-se manter buffers de liquidez e monitorar o prêmio de risco fiscal embutido na curva de juros doméstica.
