A semana foi dominada pela forte escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que levou o petróleo a romper a marca psicológica de US$ 100 o barril na quinta-feira (23/07) pela primeira vez desde maio, com o Brent avançando mais de 6% no dia. No plano das políticas monetárias, o Banco Central Europeu manteve suas taxas inalteradas em 23/07, enquanto o mercado brasileiro navegou entre a cautela com o tarifaço americano de 25% sobre produtos nacionais — já em vigor — e o alívio dos preços de petróleo na sexta-feira, com o dólar recuando 0,58% na semana, a R$ 5,08.
Panorama da semana em números: o petróleo (Brent) foi cotado a aproximadamente US$ 97, após romper a marca de US$ 100 em 23/07 pela primeira vez desde maio; a Selic (BCB) segue em 14,25%, com o próximo Copom previsto para 04 e 05/08; a taxa de depósito do BCE foi mantida em 2,25% na reunião de 23/07; e o dólar (USD/BRL) fechou a semana em R$ 5,08, recuo de 0,58% no período.

01 RETROSPECTIVA POR ECONOMIA
Estados Unidos — Federal Reserve
Sem reunião de política monetária nesta semana — a próxima decisão do Fed ocorre em 28 e 29/07, com o mercado atribuindo alta probabilidade de nova manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75%. O foco dos agentes financeiros permaneceu nas incertezas trazidas pelo agravamento do conflito no Oriente Médio, que tende a pressionar a inflação via preços de energia, e no discurso do Fed chair Kevin Warsh, que pouco sinalizou sobre o rumo dos juros no curto prazo. Analistas consultados por veículos internacionais seguem projetando que a maioria dos dirigentes prefere aguardar mais dados antes de qualquer corte.
Zona do Euro — Banco Central Europeu
O BCE manteve as três taxas diretoras inalteradas na reunião de 23/07, com a taxa de depósito em 2,25%, a de refinanciamento em 2,40% e a de cedência de liquidez em 2,65% — decisão amplamente esperada após a alta de junho (a primeira em quase três anos). A presidente Christine Lagarde classificou como preocupante a evolução do conflito no Mar Vermelho e reforçou que o impacto inflacionário total do choque energético ainda não se manifestou por completo. A maioria dos economistas espera nova reavaliação das taxas apenas na reunião de 9-10 de setembro.
Brasil — Banco Central
Sem reunião do Copom nesta semana (próxima em 04–05/08); a Selic segue em 14,25% após o corte de 0,25 p.p. em junho. O mercado doméstico ficou dividido entre a cautela com a entrada em vigor do tarifaço americano de 25% sobre produtos brasileiros e o comportamento do petróleo. Na sexta-feira (24/07), o dólar fechou em R$ 5,08, praticamente estável no dia, mas com queda acumulada de 0,58% na semana, enquanto o Ibovespa recuou mais de 1,5%, pressionado pela aversão a risco externo e pela queda do petróleo no fechamento da semana, em meio a sinais de uma articulação diplomática da China (com participação do Paquistão) para reaproximar Estados Unidos e Irã.
China
Não houve novos dados de atividade divulgados nesta semana após o PIB do segundo trimestre (+4,3% a/a, pior ritmo trimestral em 3,5 anos, divulgado em 20/07). O mercado permanece atento à reunião do Politburo prevista para o final de julho: casas como Standard Chartered esperam que o encontro priorize a execução dos planos fiscais já existentes em vez de anunciar novos estímulos, com a política monetária em papel secundário — a menos que o crescimento desacelere de forma mais acentuada.
Estados Unidos (Fed): taxa de juros mantida entre 3,50% e 3,75% na decisão de 17/06; CPI de junho em 3,5% em 12 meses; próxima decisão em 28–29/07, com manutenção esperada pelo mercado.
Brasil (BCB): Selic em 14,25%, após corte de 0,25 p.p. em junho/26; IPCA em 4,64% em 12 meses (junho); próxima decisão do Copom em 04–05/08.
Zona do Euro (BCE): taxa de depósito em 2,25%, mantida na reunião de 23/07; IPCA-UE em 2,8% em 12 meses (junho); próxima reavaliação das taxas em 09–10/09.
China: sem taxa de juros de referência divulgada; PIB do 2º trimestre de 2026 cresceu 4,3% a/a, o pior ritmo trimestral em 3,5 anos; próximo marco relevante é a reunião do Politburo, prevista para o final de julho.
02 DESTAQUE DA SEMANA — CONFLITO EUA-IRÃ E PETRÓLEO
O evento que mais moveu os mercados na semana foi a intensificação do conflito militar entre Estados Unidos e Irã, com os EUA completando 12 noites consecutivas de ataques a alvos iranianos e o envio de reforços militares à região. Os houthis do Iêmen, alinhados a Teerã, passaram a atacar petroleiros sauditas, ampliando o temor de um segundo ponto de estrangulamento nas rotas de escoamento de petróleo, além do risco já monitorado sobre o Estreito de Ormuz. Como resultado, o Brent chegou a superar US$ 100 por barril na quinta-feira (23/07) — alta acumulada de mais de 40% em 20 dias — antes de recuar na sexta-feira em meio a sinais de possível reaproximação diplomática entre EUA e Irã, mediada pela China com apoio do Paquistão.
• Risco inflacionário global elevado: nova alta de energia pode reverter parte do arrefecimento recente da inflação nos EUA, Brasil e Zona do Euro.
• Volatilidade cambial e de bolsa: Ibovespa e outros ativos de risco reagiram negativamente à escalada, mesmo com o petróleo mais caro beneficiando os termos de troca do Brasil.
• Bancos centrais em compasso de espera: Fed, BCE e BCB preferem aguardar mais clareza sobre a duração e intensidade do choque antes de sinalizar novos movimentos.
03 PERSPECTIVA ECONÔMICA
Para a próxima semana, os principais catalisadores são a decisão do Fed (28 e 29/07) e a evolução do conflito no Oriente Médio, cujo desfecho — escalada ou trégua — deve ditar o comportamento do petróleo e, por consequência, das expectativas de inflação globais. No Brasil, o mercado seguirá monitorando os efeitos do tarifaço americano sobre a atividade e o câmbio, além de sinais que antecipem a decisão do Copom de 04 e 05/08. Na China, a reunião do Politburo deve ser acompanhada de perto, ainda que sem expectativa de estímulos agressivos no curto prazo.
Implicações práticas para a gestão de RPPS: a manutenção do ambiente de maior volatilidade em ativos de risco e câmbio, associada à possibilidade de novo choque inflacionário via energia, recomenda cautela na exposição a renda variável e câmbio, com atenção redobrada ao enquadramento dos limites de alocação previstos na Resolução CMN nº 5.272/2025, sem prejuízo da avaliação específica de cada Política de Investimentos (PI).

A semana de 13 a 17 de julho de 2026 começou com dois choques simultâneos: os EUA reestabeleceram o bloqueio naval ao Irã na segunda-feira, o petróleo disparou 9,42% em um único dia e o Ibovespa caiu 1,2%, a 175.739 pontos. O mercado entrou em alerta máximo. Na terça-feira (14), porém, o CPI americano de junho reverteu o humor: deflação de 0,4% no mês, a maior queda mensal desde 2020 —, com o índice anual recuando de 4,2% para 3,5%. O Ibovespa reagiu com alta de 0,51% e o dólar caiu a R$ 5,07. A partir da quarta, o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros anunciado pelos EUA devolveu a pressão e a semana terminou oscilando entre esperança e cautela.
No front doméstico, os dados foram amplamente positivos. O Focus registrou a segunda queda consecutiva na projeção do IPCA para 2026, de 5,30% para 5,16%, o recuo mais expressivo desde o início da deterioração. O IBC-Br de maio avançou 0,10%, acima do esperado, confirmando que a atividade econômica mantém resiliência. E o IGP-10 de julho registrou deflação de 1,13%, a maior queda do índice em meses, fruto direto da queda do petróleo em junho, que reduziu os custos na cadeia produtiva. No exterior, o BCE mantém o viés de alta de juros com a reunião de 22 e 23 de julho como próximo evento crítico, e a China segue sob pressão energética com a sexta noite consecutiva de ataques americanos ao Irã.

1. Inflação: Focus registra segunda queda seguida: IPCA cai de 5,30% para 5,16% e IPC-S desacelera para 4,14%
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (13) trouxe a segunda queda consecutiva na projeção do IPCA para 2026: a estimativa recuou de 5,30% para 5,16%, o movimento mais expressivo desde o início do processo de deterioração. Para 2027, a projeção subiu marginalmente de 4,18% para 4,20%. Para 2028, a estimativa permaneceu em 3,70%. A projeção para a Selic em 2026 foi mantida em 14,00% ao ano, e a estimativa de crescimento do PIB para 2027 caiu de 1,69% para 1,65%.
Também na semana, a FGV divulgou o IPC-S, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal, que mede a variação dos preços de bens e serviços consumidos pelas famílias com renda de 1 a 33 salários-mínimos nas principais capitais do país. Por ser divulgado semanalmente, ele funciona como um termômetro antecipado da inflação, permitindo acompanhar a tendência dos preços antes da divulgação do IPCA oficial. O resultado da segunda quadrissemana de julho mostrou alta de 0,20%, com acumulado de 4,14% em 12 meses, desaceleração relevante em relação ao mês anterior. Seis das oito classes de despesa componentes do índice registraram recuo em suas taxas de variação, com destaque para alimentação, que passou de 0,01% para -0,33%.
A combinação de projeção do IPCA em queda no Focus, pela segunda semana consecutiva, de 5,33% para 5,16% e IPC-S desacelerando para 4,14% em 12 meses mostra que a trajetória inflacionária começa a dar sinais de melhora. A cautela, porém, é necessária: a retomada dos ataques no Oriente Médio e a nova disparada do petróleo podem reverter parte desse alívio nos próximos meses.
2 Juros: Selic em 14,25%, tarifaço americano e petróleo em alta reabrem debate sobre pausa no corte de agosto
A Selic permaneceu em 14,25% ao ano, com a próxima reunião do Copom marcada para 4 e 5 de agosto. A semana trouxe dois vetores que complicam o cenário para a decisão: o anúncio do tarifaço americano de 25% sobre produtos brasileiros, que pressiona custos e pode realimentar a inflação e a retomada dos ataques entre EUA e Irã, que empurrou o petróleo para cima e reacendeu o risco de nova pressão nos combustíveis.
O mercado segue dividido sobre o que o Copom fará em agosto. De um lado, os dados de inflação recentes, IPCA de junho em 0,16% e projeção do Focus caindo pela segunda semana consecutiva para 5,16%, abrem espaço para um novo corte de 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic para 14,00% ao ano. De outro, o petróleo voltando a subir com a retomada dos ataques e o impacto ainda incerto do tarifaço sobre os preços domésticos pedem cautela. A reunião de 4 e 5 de agosto será, portanto, uma das mais difíceis de calibrar no ano e seu resultado dependerá em boa parte do comportamento do petróleo e do câmbio nas próximas semanas.
3. Crescimento Econômico: IBC-Br avança 0,10% em maio e IGP-10 registra deflação de 1,13% em julho
Na sexta-feira (17), o Banco Central divulgou o IBC-Br de maio, o indicador considerado a prévia mensal do PIB. O resultado foi positivo: avanço de 0,10% em maio na comparação com abril, ficando acima da expectativa do mercado, que projetava estagnação. Na comparação anual, o indicador mostra crescimento consistente com o bom desempenho do primeiro trimestre.
No mesmo dia, a FGV divulgou o IGP-10 de julho, com um resultado expressivo: queda de 1,13% no mês, a maior deflação do índice em meses, fruto diretamente da queda do petróleo observada em junho, que reduziu os preços ao produtor de forma intensa. O IGP-10 é um índice que capta os preços dez dias antes do fim do mês anterior até dez dias antes do fim do mês corrente, funciona como um termômetro antecipado das pressões de custo na cadeia produtiva. Uma deflação de 1,13% significa que os custos das empresas caíram de forma expressiva, o que tende a se refletir nos preços ao consumidor nos meses seguintes.
4. Mercado de Capitais: Semana de dois tempos: euforia com o CPI americano na terça e cautela com tarifas e petróleo no resto da semana
A semana do Ibovespa foi dividida em dois momentos bem distintos. Na segunda-feira (13), o índice fechou em queda de 1,2%, a 175.739,08 pontos, pressionado pela retomada do bloqueio naval americano ao Irã e pela disparada do petróleo, o WTI subiu 9,42% no dia, a maior alta diária em meses, fechando a US$ 78,14 o barril e renovando a máxima desde 17 de junho.
Na terça-feira (14), o dado do CPI americano virou o jogo: o Ibovespa fechou em alta de 0,51%, a 176.641,10 pontos, chegando a ultrapassar os 177 mil pontos na máxima do dia, com volume financeiro de R$ 22,1 bilhões. O mercado comemorou a maior deflação mensal americana desde 2020. Na quarta (15), o índice fechou em queda na contramão do exterior. Na quinta (16), as tarifas de 25% sobre produtos brasileiros anunciadas pelos EUA voltaram a pressionar o índice, que encerrou em queda. Na sexta-feira (17), o Ibovespa fechou estável, com Petrobras subindo mais de 1% com o petróleo em alta, enquanto Vale e grandes bancos caíam, encerrando uma semana que oscilou entre esperança e cautela, sem conseguir sustentar os ganhos da terça.
5. Câmbio: Dólar oscila entre R$ 5,07 e R$ 5,13; CPI alivia, tarifas e petróleo pressionam
O câmbio da semana foi um espelho fiel dos dois eventos que dominaram o noticiário: o CPI americano na terça e o tarifaço sobre o Brasil nas demais sessões. Na segunda-feira (13), o dólar subiu para R$ 5,13, pressionado pela volta dos ataques entre EUA e Irã e pela alta do petróleo. Na terça (14), a deflação americana derrubou o dólar a R$ 5,07, queda de 1,12% no dia, o menor nível desde o início do mês.
A partir de quarta (15), o tarifaço americano de 25% sobre produtos brasileiros voltou a pressionar o real: o dólar subiu e fechou a semana próximo de R$ 5,09 a R$ 5,11. No ano, a moeda americana ainda acumula queda de cerca de 7% frente ao real, reflexo do diferencial de juros elevado e do fluxo de capital estrangeiro que, mesmo reduzido pelas incertezas, permanece positivo para o Brasil.
EUA: Bloqueio naval ao Irã reestabelecido, CPI registra maior deflação mensal desde 2020 e Warsh depõe ao Congresso
A semana americana foi das mais intensas do ano. Na segunda-feira (13), os EUA anunciaram oficialmente o reestabelecimento do bloqueio marítimo ao Irã, cobrindo todos os portos, terminais de petróleo e áreas costeiras, com vigência a partir de 14 de julho. Trump também sinalizou a cobrança de 20% de taxa sobre navios que tentassem passar pelo Estreito de Ormuz, gerando protestos do Irã.
Na terça-feira (14), porém, o grande destaque econômico da semana: o CPI de junho dos EUA registrou deflação de 0,4% no mês, a primeira baixa mensal desde maio de 2020 e bem acima da expectativa de queda de apenas 0,1%. Na base anual, o CPI recuou de 4,2% em maio para 3,5% em junho. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, ficou estável no mês e desacelerou de 2,9% para 2,6% em 12 meses. A queda foi puxada principalmente pelos preços de energia, que recuaram 5,7% no mês com o cessar-fogo de junho ainda reduzindo os custos da gasolina. Com o dado, a probabilidade de alta de juros do Fed na reunião de 28 e 29 de julho caiu de 35% para cerca de 15%. No mesmo dia, Kevin Warsh prestou seu primeiro depoimento semestral ao Congresso americano, reforçando a postura de cautela do Fed.
China: Sexta noite consecutiva de ataques americanos ao Irã ameaça Ormuz e pesa sobre o abastecimento
A China viveu mais uma semana sob a sombra dos conflitos no Estreito de Ormuz. O Irã afirmou ter lançado novos ataques contra instalações americanas no Golfo Pérsico na sexta-feira (17), após a sexta noite consecutiva de ataques norte-americanos a instalações militares iranianas. O recrudescimento do conflito ameaça novamente o fluxo de petróleo pelo estreito, rota que abastece cerca de 50% das importações de energia da China.
Do lado econômico, a TSMC que é principal fabricante de chips do mundo, sediada em Taiwan e fornecedora estratégica da cadeia tecnológica chinesa, anunciou que seu lucro do segundo trimestre superou com folga as previsões. A ASML, principal fornecedora de equipamentos para fabricação de chips, também elevou suas projeções de vendas para 2026. Os dados do setor de tecnologia global seguem positivos e a China, como principal polo de fabricação de eletrônicos do mundo, beneficia-se diretamente desse ciclo, mesmo com os desafios energéticos impostos pelo conflito.
Zona do Euro. Pesquisa Mensal de Serviços e Varejo no Brasil na pauta; BCE mantém vigilância com petróleo voltando a subir
A agenda europeia da semana foi mais esvaziada de indicadores próprios, mas o BCE manteve sua postura de vigilância diante do petróleo voltando a subir com a retomada dos ataques no Oriente Médio. A reunião de 22 e 23 de julho do BCE é o próximo evento crítico para os mercados europeus e o retorno das tensões no Estreito de Ormuz complica o cenário para o banco central, que havia conseguido algum alívio com a queda do petróleo em junho.
O CPI americano de junho, ao mostrar deflação de 0,4% puxada pela energia, oferece um sinal de que a pressão energética pode arrefecer também na Europa, desde que o conflito não escale novamente. Mas a retomada do bloqueio naval americano ao Irã e os novos ataques da semana colocam em xeque esse cenário de alívio. O mercado segue precificando possibilidade de nova alta de juros pelo BCE em julho ou setembro, a depender da evolução do petróleo nas próximas semanas.
Conclusão
A semana resumiu em cinco dias o ambiente que o RPPS enfrenta desde o início da guerra: um dado positivo na terça, um choque negativo na quarta, petróleo subindo e caindo conforme o noticiário do Oriente Médio e, no meio disso tudo, os fundamentos brasileiros seguindo firmes. O Focus registrou a segunda queda consecutiva na projeção do IPCA para 2026, de 5,30% para 5,16%. O IGP-10 de julho registrou deflação de 1,13%, a maior em meses. O IBC-Br de maio avançou 0,10%, acima do esperado. E o CPI americano de junho trouxe a maior deflação mensal desde 2020, reduzindo a chance de alta de juros pelo Fed em julho de 35% para 15%. São sinais que apontam na mesma direção: o pico inflacionário da guerra pode ter ficado para trás.
Mas a cautela segue obrigatória. O tarifaço americano de 25% sobre produtos brasileiros entrou em vigor e já gerou revisão de projeções de exportação em setores como calçados. O petróleo voltou a subir com a retomada dos ataques — o WTI disparou 9,42% em um único dia. E o BCE mantém o viés de alta de juros para a reunião de 22 e 23 de julho, evento que pode pressionar os títulos europeus e gerar volatilidade nas carteiras com diversificação internacional. O Copom de 4 e 5 de agosto será o próximo teste doméstico: se o petróleo ceder e o tarifaço não contaminar a inflação, há espaço para novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,00% ao ano. Se o cenário piorar, uma pausa será inevitável.
Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.

A semana de 6 a 10 de julho de 2026 ficará marcada como aquela em que a inflação finalmente deu a melhor notícia desde o início da guerra. Na sexta-feira (10), o IBGE divulgou o IPCA de junho: alta de apenas 0,16%, menos da metade do que o mercado esperava, e o menor resultado mensal desde outubro de 2025. Nos 12 meses até junho, a inflação recuou de 4,72% para 4,64%, o primeiro recuo nessa métrica desde fevereiro de 2026, quando o conflito começou. O mercado reagiu com intensidade: o Ibovespa disparou 2,97% na sexta e fechou a 177.866 pontos, o maior nível desde maio, acumulando alta de 2,18% na semana, a terceira consecutiva de alta. O dólar recuou a R$ 5,10, a menor cotação em quase um mês.
Mas a semana não foi apenas de boas notícias. O Focus registrou pela primeira vez em 16 semanas uma queda na projeção do IPCA para 2026 de 5,33% para 5,30%, mas o petróleo voltou a subir no meio da semana após novos ataques entre EUA e Irã na quarta-feira (8), reacendendo o alerta sobre os próximos índices de inflação. Nos EUA, a ata do Fed revelou divisão interna sobre o futuro dos juros e o prazo das tarifas sobre o Brasil vence em 15 de julho. Na China, o PMI de serviços desacelerou para o menor nível em 9 meses. E na zona do euro, o BCE manteve o viés de alta de juros, com a reunião de 22 e 23 de julho como próximo evento crítico. A grande surpresa positiva da semana foi o FMI, que elevou a projeção do PIB brasileiro para 2,4% em 2026, a maior revisão do ano.

1. Inflação: Focus registra primeira queda nas projeções do IPCA em 16 semanas — e IPCA de junho surpreende com alta de apenas 0,16%
semana trouxe a melhor notícia sobre inflação desde o início da guerra. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (6) mostrou, pela primeira vez em 16 semanas, uma queda na projeção do IPCA de 2026: a estimativa recuou de 5,33% para 5,30%. O IGP-M também cedeu, de 6,15% para 5,68%. As demais projeções foram mantidas: PIB em 1,99%, câmbio em R$ 5,20 e Selic em 14,00% ao ano.
A grande notícia da semana, porém, veio na sexta-feira (10): o IBGE divulgou o IPCA de junho, e o resultado surpreendeu o mercado inteiro. O IPCA subiu apenas 0,16% em junho, bem abaixo da projeção de 0,31% e desacelerou fortemente em relação ao mês anterior, quando havia subido 0,58%. Nos 12 meses até junho, a inflação recuou de 4,72% para 4,64%, o primeiro recuo nessa métrica desde fevereiro de 2026, quando a guerra começou. A queda foi puxada pelos alimentos, que recuaram 0,24% após subirem 1,33% em maio, e pelos combustíveis, que caíram 0,48% com o petróleo mais barato. O resultado reforçou as apostas de novo corte da Selic em agosto.
2 Juros: Selic em 14,25% — IPCA fraco reabre debate sobre corte em agosto e mercado revê trajetória
A Selic permaneceu em 14,25% ao ano. A grande questão da semana foi: o IPCA de junho muda o jogo para a reunião do Copom de 4 e 5 de agosto?
A resposta do mercado foi sim, com ressalvas. O resultado do IPCA reforçou a aposta de novo corte de 0,25 ponto percentual em agosto, que levaria a Selic para 14,00% ao ano. A média dos núcleos de inflação, os componentes que mostram a tendência estrutural dos preços, excluindo itens voláteis, recuou de 0,45% para 0,21% no mês, voltando a rodar abaixo do teto da meta em 12 meses, a 4,44%. Esse é exatamente o tipo de dado que o Banco Central acompanha de perto para calibrar o ciclo de cortes.
A ressalva, porém, é real: o petróleo voltou a subir ao longo da semana, com o Brent encerrando perto de US$ 72 o barril, ainda abaixo dos patamares da guerra, mas com viés de alta. Economistas alertaram que o IPCA de junho capturou preços de até o fim do mês, sem refletir essa nova pressão energética. O quadro fiscal complexo e a proximidade das eleições também foram citados como fatores que devem impedir uma reestabilização mais clara das expectativas de inflação para 2027 e 2028.
3. Crescimento Econômico FMI eleva projeção do PIB do Brasil para 2,4% em 2026, a maior revisão do ano
A semana trouxe uma notícia expressiva sobre o crescimento da economia brasileira. Na quarta-feira (8), o Fundo Monetário Internacional divulgou nova atualização do relatório Perspectiva Econômica Mundial e elevou a projeção para o PIB do Brasil em 2026 de 1,9% para 2,4%, alta de 0,5 ponto percentual, a maior revisão positiva do ano. Para 2027, o FMI também revisou para cima, de 2,0% para 2,2%.
O FMI destacou que o crescimento do Brasil deve permanecer resiliente em 2026, citando o desempenho positivo do primeiro trimestre, a solidez do mercado de trabalho e o impacto favorável da condição de exportador líquido de petróleo — que transforma parte da guerra em receita. Para 2026, o Brasil ficou em linha com a média de crescimento da América Latina e Caribe, também projetada em 2,4%. O dado reforça a percepção de que o Brasil é uma das economias emergentes mais bem posicionadas para navegar o ambiente global incerto — e tem impacto direto nas projeções de longo prazo dos regimes previdenciários.
4. Mercado de Capitais: Ibovespa fecha semana com alta de 2,18% e volta aos 177 mil pontos, maior nível desde maio
A semana foi a terceira consecutiva de alta para o Ibovespa, a melhor sequência desde o período pré-guerra e encerrou com um pregão histórico na sexta-feira.
Na segunda-feira (6), a eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo no domingo gerou um efeito negativo isolado: a Ambev caiu 2,52% com o entendimento de que haverá menos consumo de bebidas com o Brasil fora da competição. O Ibovespa fechou em queda, a 172.590 pontos, mas o dólar recuou ao menor nível desde 17 de junho, a R$ 5,13.
Na sexta-feira (10), o IPCA de junho foi o gatilho para um pregão extraordinário. O Ibovespa fechou em alta de 2,97%, a 177.866,37 pontos — ultrapassando os 178 mil pontos durante o dia pela primeira vez desde maio. O volume financeiro somou R$ 25,17 bilhões. Na semana, o índice acumulou ganho de 2,18% e, em julho, já avança 3,40%. A última vez que o Ibovespa havia superado os 178 mil pontos em pregão foi em 21 de maio.
5. Câmbio: Dólar recua a R$ 5,10 na sexta com IPCA fraco, menor cotação em quase um mês
O câmbio da semana foi dominado pelo dado de inflação de sexta-feira. Antes disso, a moeda americana tinha oscilado em torno de R$ 5,13 a R$ 5,16, pressionada pela incerteza geopolítica e pelo fortalecimento global do dólar diante da perspectiva de alta de juros nos EUA.
Na sexta-feira (10), com o IPCA de junho surpreendendo para baixo, o dólar à vista encerrou em queda de 0,31%, a R$ 5,1078, a menor cotação de fechamento desde 16 de junho, quando atingiu R$ 5,0894. Na semana, a moeda acumulou baixa de 1,18% e, no ano, recuo de 6,94%. O resultado do IPCA fortaleceu a perspectiva de novo corte da Selic em agosto, o que em tese reduz o diferencial de juros entre Brasil e EUA, mas por ora o real continuou se valorizando, sustentado pelo fluxo de capital estrangeiro e pela melhora do humor global com ativos brasileiros.
EUA: Ata do Fed revela divisão interna e tarifas sobre o Brasil entram na reta final
Na segunda-feira (6), os EUA divulgaram dois indicadores relevantes: o PMI composto da S&P Global e o ISM de serviços de junho. Na quarta-feira (8), o principal evento da semana americana: a divulgação da ata da reunião do FOMC de 16 e 17 de junho, a primeira presidida por Kevin Warsh. O documento mostrou que houve consenso entre todos os dirigentes pela manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas divisão sobre o futuro: alguns membros avaliaram que existiam justificativas para um aperto monetário adicional, enquanto outros preferiram aguardar mais dados. O Fed destacou que os integrantes continuam vendo riscos significativos para a estabilidade de preços e que os riscos de deterioração do mercado de trabalho foram considerados um pouco menores.
Também na semana, os EUA aceleraram o prazo das tarifas sobre o Brasil: o representante comercial Jamieson Greer afirmou que uma decisão seria tomada “muito em breve”, com prazo legal vencendo em 15 de julho. Warsh reforçou o tom duro em fala pública, afirmando que a inflação americana segue “alta demais”. O conjunto dos dados americanos da semana, ata cautelosa, prazo tarifário e inflação resistente, mantém o Fed em modo de espera, sem sinalizar cortes de juros no horizonte próximo.
China: Petróleo volta a cair com OPEP+ elevando produção e Ormuz com fluxo crescente
A China divulgou no início da semana o PMI de serviços do Caixin/S&P Global referente a junho, publicado habitualmente nos primeiros dias do mês seguinte. O indicador caiu de 51,1 em maio para 50,6 em junho, marcando a expansão mais fraca desde setembro de 2024. O número permaneceu acima de 50, linha que separa expansão de contração, mas o ritmo de crescimento foi o mais lento em nove meses, refletindo o enfraquecimento da demanda e a queda dos novos pedidos de exportação em meio à frágil trégua no Oriente Médio.
O dado confirma o padrão que vem se consolidando na economia chinesa: o setor de serviços segue em expansão, mas perdendo força. A crise imobiliária persistente e a demanda interna ainda fraca continuam pressionando o consumo das famílias, mesmo com o PMI oficial da China tendo mostrado ligeira alta na atividade de serviços. Para o Brasil, o sinal de desaceleração chinesa é monitorado de perto: a China é o principal destino das exportações brasileiras de soja, minério de ferro e petróleo, e qualquer redução no ritmo de sua atividade impacta diretamente nossa balança comercial.
Zona do Euro. Ações europeias encerram sequência de quatro semanas de alta com tensões renovadas no Oriente Médio
Na segunda-feira (6), a diretora do BCE, Isabel Schnabel, discursou em evento em Roma ao lado do dirigente do Fed, Christopher Waller. Schnabel reforçou a postura de vigilância do banco central europeu diante de uma inflação que, em maio, estava em 3,2%, bem acima da meta de 2% e de um cenário energético ainda incerto após a guerra no Oriente Médio. A mensagem do BCE para a reunião de 22 e 23 de julho permanece a mesma: novas altas de juros estão na mesa se a inflação não ceder.
Do lado dos mercados, as bolsas europeias encerraram a semana sob pressão. As ações do continente interromperam uma sequência de quatro semanas consecutivas de alta, pressionadas pela correção do setor de tecnologia americano e pelo ressurgimento das tensões no Oriente Médio na quarta-feira (8), quando os EUA realizaram novos ataques contra o Irã em resposta a ataques iranianos contra navios mercantes no Estreito de Ormuz. Para o RPPS com exposição internacional, a combinação de BCE hawkish — isto é, com viés de alta de juros — e bolsas europeias voláteis exige monitoramento redobrado da carteira de diversificação internacional nas próximas semanas.
Conclusão
A semana entregou o que o mercado esperava há meses: um IPCA abaixo do esperado, uma bolsa em alta pelo terceiro pregão consecutivo e o FMI revisando o crescimento do Brasil para 2,4% em 2026, a maior revisão positiva do ano. São sinais concretos de que o pior do choque inflacionário da guerra pode estar ficando para trás. A média dos núcleos de inflação recuou de 0,45% para 0,21% em junho, voltando a rodar abaixo do teto da meta em 12 meses. O Ibovespa fechou a 177.866 pontos — maior nível desde maio e o dólar recuou a R$ 5,10. O Focus registrou a primeira queda na projeção do IPCA em 16 semanas, de 5,33% para 5,30%. O ciclo de cortes da Selic ganhou novo fôlego: o mercado precifica novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom de 4 e 5 de agosto, que levaria a taxa para 14,00% ao ano.
A ressalva é real e não pode ser ignorada. Na quarta-feira (8), os EUA realizaram novos ataques contra o Irã em resposta a ataques iranianos a navios mercantes no Estreito de Ormuz, reacendendo a tensão que parecia estar arrefecendo. O petróleo voltou a subir, e os dados do IPCA de junho não capturaram esse novo movimento de alta nos combustíveis. O prazo das tarifas americanas sobre o Brasil vence em 15 de julho. O BCE mantém o viés de alta de juros para a reunião de 22 e 23 de julho. E a China desacelerou seu setor de serviços ao menor nível em 9 meses.
Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.

O primeiro semestre de 2026 terminou com um placar que resume bem o que foi vivido: Ibovespa com alta de 6,76% no semestre, mas queda de 8,24% no segundo trimestre, período que concentrou os efeitos mais duros da guerra entre EUA e Irã. A semana de 29 de junho a 3 de julho chegou com mais um capítulo do conflito: novos ataques entre as duas potências no fim de semana, seguidos de um novo cessar-fogo e retomada das negociações no Catar. O CAGED de maio trouxe um sinal de alerta: apenas 72.960 vagas formais criadas, o pior resultado desde 2020 e menos da metade das 175 mil esperadas pelo mercado. O IGP-M de junho, por sua vez, recuou 0,50%, e o Boletim Focus estabilizou o IPCA projetado para 2026 em 5,33% pela segunda semana consecutiva, após 15 altas seguidas.

No exterior, a grande surpresa foi o payroll americano de junho: apenas 57.000 vagas criadas, contra expectativa de 110.000, levando o mercado a reduzir as apostas em alta de juros pelo Fed em setembro. O resultado animou as bolsas globais e ajudou o Ibovespa a encerrar a semana em alta. Na zona do euro, o desemprego ficou em 6,2% em maio, abaixo do esperado e a inflação da Alemanha desacelerou, aliviando levemente a pressão sobre o BCE, que ainda mantém a reunião de 22 e 23 de julho como o próximo evento de atenção máxima.
1. Inflação: Focus mantém IPCA em 5,33% pela segunda semana seguida e IGP-M cai 0,50% em junho
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (29) trouxe relativa estabilidade nas projeções: a estimativa para o IPCA de 2026 permaneceu em 5,33%, sem alteração pela segunda semana consecutiva, após 15 altas seguidas. A projeção para a Selic ao fim de 2026 também foi mantida em 14,00% ao ano. O PIB teve leve alta marginal, de 1,98% para 1,99%. O câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar.
Na mesma segunda-feira, a FGV divulgou o IGP-M de junho: queda de 0,50% no mês, revertendo a alta de 0,84% de maio. Com o resultado, o índice acumula alta de 3,27% no ano e 3,16% em 12 meses. A queda foi puxada pelos preços ao produtor, que recuaram com a relativa estabilidade do petróleo nas últimas semanas. O IGP-M é um índice relevante para contratos de aluguel e acordos comerciais; quando ele cai, a pressão sobre esses custos diminui.
2 Juros: Selic em 14,25%, mercado projeta pausa no ciclo e debate corte apenas em agosto
A Selic permaneceu em 14,25% ao ano, nível definido pelo Copom em 17 de junho. A próxima reunião está marcada para 4 e 5 de agosto. O mercado, conforme o Questionário Pré-Copom divulgado na semana anterior, espera manutenção da taxa em agosto e setembro, com eventual retomada de cortes apenas no quarto trimestre, dependendo da evolução da inflação e da geopolítica.
O índice de confiança de serviços da FGV subiu 2,1 pontos em junho, para 90,8 pontos, o maior nível desde janeiro de 2026, indicando que o setor de serviços ainda mantém certo otimismo, mesmo com juros elevados. O governo anunciou na segunda-feira medidas de incentivo à adimplência das famílias, em iniciativa para aliviar o peso das dívidas sobre a renda dos consumidores. As medidas reforçam o esforço de sustentar o consumo interno em um ambiente de crédito caro.
3. Crescimento Econômico: CAGED registra apenas 72.960 vagas em maio, o pior resultado desde 2020
Na terça-feira (30), o Ministério do Trabalho divulgou o CAGED de maio: o Brasil abriu apenas 72.960 vagas formais de trabalho em maio, o menor saldo desde 2020 e bem abaixo da expectativa do mercado, que projetava 175 mil vagas. O resultado confirma a tendência de moderação no mercado de trabalho que vinha sendo sinalizada desde abril, quando o saldo havia sido de apenas 85.888 vagas.
A desaceleração do emprego formal é um dado de dupla leitura: por um lado, reduz a pressão inflacionária via renda, abrindo espaço para o Banco Central calibrar a Selic de forma mais gradual. Por outro, sinaliza que a guerra e os juros elevados já estão deixando marcas na capacidade das empresas de contratar. Com dois meses seguidos de resultados fracos no CAGED, o mercado de trabalho brasileiro está convergindo para o que os economistas chamam de “equilíbrio de baixa velocidade”; poucas contratações e poucas demissões.
4. Mercado de Capitais: Ibovespa encerra segundo trimestre com queda de 8,24%, semestre ainda no positivo em 6,76%
A semana trouxe o encerramento do segundo trimestre de 2026 e o balanço não foi animador. O Ibovespa acumulou queda de 8,24% no segundo trimestre e de 1,01% no mês de junho. No semestre, porém, ainda registra ganho de 6,76%, sustentado pela forte alta do primeiro trimestre, quando o acordo de paz ainda era esperado com otimismo e o índice chegou a bater recordes acima dos 199 mil pontos.
Na segunda-feira (29), o Ibovespa operou em leve alta, acima dos 173,6 mil pontos, impulsionado pelo novo cessar-fogo entre EUA e Irã após ataques do fim de semana. Na quinta-feira (02 de julho), a bolsa fechou em alta após o payroll americano de junho vir bem abaixo do esperado, 57 mil vagas contra expectativa de 110 mil, reduzindo a pressão por alta de juros nos EUA e melhorando o humor global com ativos de risco.
5. Câmbio: Dólar fecha junho com alta de 2,23%, mas recua após payroll fraco nos EUA
O câmbio da semana foi marcado por dois movimentos opostos. Na segunda-feira (29), o dólar subia frente ao real em meio à renovação das tensões geopolíticas, EUA e Irã haviam trocado novos ataques no fim de semana, antes de concordarem em suspender as hostilidades. O câmbio encerrou junho com alta acumulada de 2,23% no mês, revertendo parte da valorização do real do período pré-acordo de paz.
Na quinta-feira (02 de julho), o payroll americano de junho fraco mudou o humor do mercado. O dólar recuou, e o Ibovespa fechou em alta. O real, que havia acumulado queda de 6,04% do dólar no acumulado de 2026, mantém posição de uma das moedas emergentes de melhor desempenho no ano, mesmo com a volatilidade do segundo trimestre.
EUA: Novo cessar-fogo, payroll de junho frustra e Fed mantém cautela
A semana americana começou com novo episódio de tensão no Oriente Médio: EUA e Irã trocaram ataques no fim de semana antes de concordarem em suspender as hostilidades e retomar as negociações no Catar na terça-feira. A retomada da via diplomática veio após dias de ataques recíprocos, iniciados depois que um projétil iraniano atingiu um navio cargueiro no Estreito de Ormuz. Na quarta-feira (1º de julho), Kevin Warsh participou do painel de política monetária do Fórum de Sintra, na Europa, e reforçou o tom duro: a inflação americana segue “alta demais”.
A grande surpresa veio na quinta-feira (2): o payroll de junho dos EUA criou apenas 57.000 vagas, bem abaixo das 110.000 esperadas pelo mercado. Os dados de abril e maio também foram revisados para baixo, com corte conjunto de 74 mil postos. A taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2% em junho, mas acompanhada de forte encolhimento de 720 mil pessoas na força de trabalho, reflexo das políticas de controle migratório do governo Trump, que reduziram a oferta de mão de obra disponível. O resultado foi lido como alívio pelo mercado: com emprego mais fraco, o Fed tem menos pressão para subir juros, e as apostas em alta de taxas em setembro recuaram significativamente.
China: Retomada de ataques EUA-Irã ameaça abastecimento energético e afeta fluxo de Ormuz
A China viveu uma semana de incerteza renovada. A retomada dos ataques entre EUA e Irã no fim de semana anterior, que resultou em um projétil atingindo um navio cargueiro no Estreito de Ormuz, ameaçou novamente o fluxo de energia para Pequim, que depende da rota para cerca de 50% do seu petróleo importado. Apesar disso, a China manteve seus canais diplomáticos com Teerã e seguiu recebendo tratamento diferenciado para o trânsito de seus navios pelo estreito.
Do lado econômico, o PMI industrial da China, divulgado na quarta-feira (1º de julho), seguiu como indicador de atenção. O índice reflete o humor dos gerentes de compras das fábricas chinesas: acima de 50 indica expansão, abaixo indica contração. O padrão de “duas velocidades” persiste: exportações de tecnologia sustentadas pela demanda global por inteligência artificial, mas consumo interno ainda fraco, refletindo a crise imobiliária e a cautela das famílias. Para o Brasil, a China resiliente, mesmo com desequilíbrios, sustenta a demanda por soja, minério de ferro e petróleo, pilares da nossa balança comercial.
Zona do Euro. Desemprego fica em 6,2% em maio e inflação da Alemanha desacelera, BCE mantém postura de vigilância
A zona do euro trouxe dois dados relevantes na semana. Na quinta-feira (02 de julho), a Eurostat divulgou que a taxa de desemprego da zona do euro permaneceu em 6,2% em maio, abaixo dos 6,3% esperados pelo mercado. O dado de abril foi revisado para baixo, também para 6,2%, de 6,3% originalmente. A Eurostat estima que havia 10,986 milhões de desempregados na zona do euro em maio.
A desaceleração da inflação na Alemanha, maior economia do bloco, também foi destaque na semana, contribuindo para o bom desempenho das bolsas europeias no encerramento do trimestre, com o índice pan-europeu subindo 0,97%. Para o BCE, o dado de desemprego estável e a inflação alemã mais comportada oferecem um cenário levemente menos tenso do que nas últimas semanas, embora a inflação da zona do euro em 3% siga bem acima da meta e a reunião de 22 e 23 de julho permaneça como o próximo evento de atenção máxima para os mercados.
Conclusão:
O primeiro semestre encerrou com sinais mistos e o início do segundo já trouxe novos desafios. O CAGED de maio registrou apenas 72.960 vagas formais, o pior resultado desde 2020, confirmando que a guerra e os juros elevados já deixam marcas no mercado de trabalho. O Ibovespa acumulou queda de 8,24% no segundo trimestre e o dólar fechou junho com alta de 2,23%, revertendo parte dos ganhos do real. Ao mesmo tempo, o Focus estabilizou o IPCA projetado para 2026 em 5,33% pela segunda semana seguida, após 15 altas consecutivas, e o IGP-M recuou 0,50% em junho, sinais de que a inflação pode estar encontrando um teto, ainda que elevado.
No exterior, o payroll americano fraco, 57.000 vagas criadas contra 110.000 esperadas, reduziu a pressão por alta de juros nos EUA e trouxe alívio aos mercados globais, incluindo o Ibovespa, que fechou a semana em alta. Na zona do euro, o desemprego estável em 6,2% e a inflação alemã desacelerando oferecem um respiro ao BCE antes da reunião de 22 e 23 de julho.
Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.
