junho, 2026

NOSSA VISÃO: Semana de 22 a 26 de Junho de 2026

A semana de 22 a 26 de junho de 2026 chegou com uma novidade que o mercado esperava e outra que ele temia. O Boletim Focus registrou a 15ª alta consecutiva na projeção do IPCA para 2026, que chegou a 5,33%, e a Selic projetada para o fim do ano subiu para 14,00%, sinal de que o mercado não espera mais cortes de juros expressivos em 2026. Nos EUA, o PCE, principal termômetro de inflação do Federal Reserve, superou 4% pela primeira vez em três anos, e o mercado passou a precificar 80% de chance de alta de juros americanos em setembro. Na China, o banco central manteve os juros pelo 13º mês consecutivo, e na zona do euro o BCE alertou que o cessar-fogo no Oriente Médio não é motivo para baixar a guarda, estimando que a guerra já reduziu o PIB europeu em 0,4 ponto percentual.





Na quinta-feira (25), os dados domésticos surpreenderam positivamente. O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, abaixo da expectativa de 0,44%, com desaceleração puxada pelos alimentos e pela relativa estabilidade dos combustíveis, embora o componente de serviços siga pressionado. No mesmo dia, o Banco Central revisou para cima sua projeção de crescimento do PIB de 2026, de 1,6% para 2,0%, citando aceleração da atividade e resiliência do mercado de trabalho. O Índice de Confiança da Indústria atingiu 100,1 pontos, acima do patamar de otimismo pela primeira vez no ano, e o Ibovespa encaminhou sua primeira semana positiva em dois meses, com três altas seguidas, sustentado pelo fluxo de capital estrangeiro de US$ 8,196 bilhões registrado em junho até o dia 19.


1. Inflação: Focus registra 15ª alta consecutiva e IPCA-15 de junho desacelera para 0,41%


O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (22) mostrou nova deterioração: a projeção do IPCA para 2026 subiu de 5,30% para 5,33%, marcando a 15ª alta consecutiva. A expectativa para a Selic ao fim de 2026 avançou de 13,75% para 14,00%, três semanas seguidas de revisão para cima. A projeção do PIB subiu de 1,96% para 1,98%. O câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar.


O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, abaixo da expectativa de 0,44%, e desacelerou frente à alta de 0,62% em maio. Na base anual, o avanço foi de 4,80%, também abaixo dos 4,82% projetados pelo mercado. A desaceleração foi puxada pelos alimentos, que arrefeceram em junho, e pela relativa estabilidade dos combustíveis, dois fatores que tendem a ser voláteis e podem se reverter nos próximos meses. O ponto de atenção fica com o componente de serviços, que seguiu pressionado: esse grupo é o mais difícil de controlar porque depende do mercado de trabalho e do consumo das famílias, não do petróleo e sua resistência indica que a inflação de fundo ainda não cedeu de forma estrutural.


2 Juros: Ata do Copom confirma cautela e mercado eleva Selic projetada para 14% em 2026


Na terça-feira (23), o Banco Central divulgou a ata da reunião do Copom de 17 de junho, documento que detalha os motivos da decisão de cortar a Selic de 14,50% para 14,25% e sinaliza o caminho à frente. O mercado financeiro, antes da reunião do Copom da semana anterior, esperava que a Selic encerrasse 2026 em 14,00% e 2027 em 12,00%, conforme mostrou a mediana do Questionário Pré-Copom divulgado na quarta-feira (24). A maior parte dos agentes esperava que o BC cortasse 0,25 ponto percentual na reunião de junho, em linha com o que foi feito, e previa manutenção nas duas reuniões seguintes, em agosto e setembro.


O Boletim Focus da semana já antecipava esse movimento, elevando a Selic projetada para o fim do ano de 13,75% para 14,00%, sinal de que o mercado aguarda uma pausa no ciclo de cortes nas próximas reuniões.


3. Crescimento Econômico: BC eleva previsão do PIB de 2026 para 2,0% e confiança da indústria sobe para 100 pontos


Na quinta-feira (25), o Banco Central surpreendeu positivamente com a divulgação do Relatório de Política Monetária. O BC elevou sua projeção de crescimento econômico em 2026 de 1,6% para 2,0%, apontando que a atividade registrou aceleração e o mercado de trabalho manteve resiliência, citando também medidas de estímulo do governo.


Na sexta-feira (26), mais um dado positivo. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da FGV subiu 3,0 pontos em junho, para 100,1 pontos. O indicador acima de 100 sinaliza que os empresários industriais estão, em média, otimistas com o cenário à frente. A combinação entre a revisão do BC e a melhora da confiança industrial mostra que a economia brasileira mantém resiliência estrutural, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados e inflação acima da meta.


4. Mercado de Capitais: Ibovespa tem três altas seguidas e encaminha primeira semana positiva em dois meses


Após semanas difíceis, o Ibovespa mostrou recuperação. Na terça-feira (23), o índice registrou a terceira alta seguida, com bancos e Petrobras liderando os ganhos, na contramão do exterior. O alívio geopolítico, com imagens de negociadores americanos e iranianos trocando apertos de mão na Europa no fim de semana anterior, ajudou a reduzir o prêmio de risco e impulsionou os ativos brasileiros.


Na quinta (25), o índice voltou a subir, operando em alta de 1% acima dos 172,6 mil pontos, impulsionado pelo IPCA-15 abaixo do esperado e pelo PCE americano (principal termômetro de inflação utilizado pelo Federal Reserve para calibrar sua política de juros) em linha com as projeções. Por fim, na sexta (26), o fluxo cambial total positivo de US$ 8,196 bilhões em junho até o dia 19 foi divulgado pelo Banco Central, sinal de entrada consistente de capital estrangeiro no país.


5. Câmbio: Dólar oscila entre R$ 5,16 e R$ 5,20 em semana de dados de inflação no Brasil e nos EUA


O câmbio da semana foi ditado pelas expectativas de inflação nos dois lados do Atlântico. Na segunda-feira (22), o Ibovespa fechou em alta na contramão do exterior e o dólar recuou levemente, refletindo o fluxo de capital estrangeiro positivo para o Brasil. O Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em moeda à vista e realizou operações de swap cambial reverso (é uma ferramenta que o BC usa para equilibrar o mercado de câmbio quando o real está muito forte, sem precisar comprar ou vender dólares de verdade, apenas no mercado de contratos futuros) no valor de outros US$ 1 bilhão na sexta-feira (26) que garante liquidez ao mercado sem impacto líquido sobre as cotações. I


Na quinta-feira (25), o dólar comercial subia a R$ 5,20 nos primeiros negócios, antes de recuar após o IPCA-15 desacelerar mais do que o esperado e o PCE americano vir em linha com as estimativas. O real terminou a semana com desempenho misto: pressionado no início pelos dados do Focus, aliviado no meio da semana pelo IPCA-15 e pelo PCE, e novamente pressionado no fim pelo fluxo de saída de ações de tecnologia americanas que afetou ativos emergentes globalmente.


EUA: PCE supera 4% pela primeira vez em três anos e mercado precifica alta de juros em setembro
A grande novidade econômica da semana veio na quinta-feira (25): a divulgação do PCE, o índice de inflação preferido do Federal Reserve. O índice de preços PCE subiu 4,1% nos 12 meses até maio, o maior aumento e a primeira leitura acima de 4,0% desde abril de 2023. O PCE subiu 3,8% em abril. O índice teve alta de 0,4% em maio em relação ao mês anterior. A guerra liderada pelos EUA contra o Irã elevou os preços do petróleo, levando a um aumento nos custos da gasolina.


O dado consolidou uma mudança importante nas expectativas de mercado. O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, teve alta de 3,4% em maio na base anual, ante 3,3% em abril. Os mercados financeiros precificam cerca de 30% de chance de alta de juros na reunião do Fed de 28 e 29 de julho e cerca de 80% de chance de alta na reunião de 15 e 16 de setembro. Para o Brasil, essa precificação é relevante: juros americanos mais altos reduzem o diferencial com a Selic e podem pressionar o real nas próximas semanas.


China: Banco central mantém juros pelo 13º mês consecutivo e emite alerta sobre desequilíbrio econômico


Na segunda-feira (22), a China divulgou sua decisão de política monetária. O banco central chinês manteve as taxas de empréstimo de referência pelo 13º mês consecutivo em junho, em linha com as expectativas. A LPR de um ano foi mantida em 3,00%, enquanto a LPR de cinco anos permaneceu em 3,50%. A estabilidade das taxas indica que as autoridades não têm pressa em afrouxar a política monetária, mesmo com a persistência de divergências econômicas mais amplas.


O presidente do banco central chinês, Pan Gongsheng, descreveu o cenário como uma “profunda reestruturação econômica”, reconhecendo que o crescimento dos empréstimos desacelerou nos últimos anos, mesmo com o financiamento por títulos ganhando força. O padrão de “duas velocidades” persiste: dados econômicos recentes mostram o setor industrial impulsionado pela resiliência das exportações, mas com a demanda interna se deteriorando em meio a uma crise imobiliária que já dura anos. Para o Brasil, a China estável, mesmo que com desequilíbrios internos, sustenta a demanda por commodities que são o pilar da nossa balança comercial.


Zona do Euro: Inflação confirma alta para 3,2% em maio, dado final supera abril


A zona do euro encerrou a semana com dois dados relevantes. O primeiro foi o alerta de um economista do próprio BCE: o BCE precisará continuar aumentando as taxas de juros, já que os preços da energia permanecem altos e um cessar-fogo no Oriente Médio não é motivo para que as autoridades monetárias baixem a guarda.


O segundo foi um estudo técnico do BCE que quantificou o impacto da guerra na economia europeia. O economista do BCE Johannes Gareis estimou que a guerra no Oriente Médio deve reduzir o crescimento do PIB real da zona do euro em cerca de 0,4 ponto percentual ao longo do primeiro ano, com base em análise de choques do petróleo desde 1985. O ataque ao Irã e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz encareceram o combustível para a zona do euro, que é importadora de energia, levando o BCE a reduzir suas estimativas de crescimento duas vezes desde março e a aumentar os custos dos empréstimos neste mês.


Conclusão


A semana trouxe um sinal raro e bem-vindo: a inflação mensal começou a ceder. O IPCA-15 de junho subiu apenas 0,41%, abaixo do esperado, puxado pela desaceleração dos alimentos e pela estabilidade dos combustíveis. O Banco Central revisou para cima sua projeção do PIB de 2026, de 1,6% para 2,0%, e a confiança da indústria superou os 100 pontos pela primeira vez no ano. O Ibovespa encaminhou sua primeira semana positiva em dois meses, com entrada de US$ 8,196 bilhões em capital estrangeiro em junho até o dia 19. São sinais de que os fundamentos brasileiros seguem firmes, mesmo com a inflação acumulada ainda acima da meta e a Selic projetada para encerrar 2026 em 14,00%, nível que indica pausa no ciclo de cortes nas próximas reuniões de agosto e setembro.


No exterior, o cenário exige atenção redobrada. Nos EUA, o PCE superou 4% pela primeira vez em três anos, e o mercado precifica 80% de chance de alta de juros americanos em setembro, o que reduziria o diferencial de juros com o Brasil e poderia pressionar o real nas próximas semanas. Na China, o banco central manteve os juros pelo 13º mês consecutivo, sinalizando cautela diante de uma economia de “duas velocidades”: indústria forte, consumo interno fraco. E na zona do euro, o BCE alertou que a guerra já reduziu o PIB europeu em 0,4 ponto percentual e que o cessar-fogo não é motivo para abandonar o aperto monetário.


Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.


Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.


A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.


A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.


A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.


Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.

NOSSA VISÃO: Semana de 15 a 19 de Junho de 2026

A semana de 15 a 19 de junho de 2026 marcou um ponto de virada: na quarta-feira (17), Trump assinou o acordo de paz com o Irã, encerrando quase quatro meses de guerra, no mesmo dia em que o Fed estreou o novo presidente Kevin Warsh e o Copom cortou a Selic para 14,25%. Mas o alívio geopolítico não se traduziu em alívio para o mercado: o Focus registrou a 14ª alta consecutiva no IPCA de 2026, que chegou a 5,30%, e o Ibovespa fechou a “Super Quarta” em queda após o Fed sinalizar possível alta de juros americanos ainda este ano. O dólar voltou a R$ 5,17.





1. Inflação: Focus registra 14ª alta consecutiva: IPCA chega a 5,30%


O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (15) mostrou a estimativa para o IPCA de 2026 subindo de 5,11% para 5,30%, na 14ª alta consecutiva. Em fevereiro, antes da guerra, o IPCA projetado era de 3,91%, a deterioração já soma quase 1,4 ponto percentual em pouco mais de três meses.


Na quarta-feira (17), o próprio Banco Central reforçou esse diagnóstico em seu comunicado de decisão de juros. O Banco Central elevou sua estimativa para o IPCA de 2026, de 4,6% para 5,2%. A elevação simultânea do Focus e da projeção oficial do BC mostra que a deterioração não é percepção isolada de mercado, é também o diagnóstico da própria autoridade monetária.


2 Juros: Copom corta Selic para 14,25%, mas deixa próximos passos em aberto


O Copom decidiu, por unanimidade, cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, a terceira queda seguida. O comitê deixou os próximos passos em aberto, afirmando que a restrição acumulada pela política monetária permite diferentes trajetórias de juros compatíveis com a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028.


No comunicado, a autoridade monetária destacou que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio. Tal cenário, segundo o Copom, exige cautela por parte de países emergentes diante da elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities. A próxima reunião está marcada para 4 e 5 de agosto.


3. Crescimento Econômico: Copom reconhece aceleração da atividade no 1º trimestre, mas mercado de trabalho começa a perder força


No comunicado da decisão de juros divulgado na quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária disse que o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, “com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência.”


Ao mesmo tempo, o Copom destacou que os indicadores correntes de atividade mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mas seguem consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026, cenário ainda marcado por “expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.”


O diagnóstico do próprio Banco Central confirma um quadro de duas faces: a economia entrou no ano com força, fruto do consumo das famílias e da recuperação de setores cíclicos —, mas o ritmo já dá sinais de perda de fôlego ao longo do ano, em parte pelo efeito acumulado dos juros altos


4. Mercado de Capitais: Ibovespa tem forte volatilidade na “Super Quarta” e fecha em queda mesmo com acordo de paz assinado


O Ibovespa Futuro operava em baixa, na terça-feira (16), mesmo com o acordo de paz provisório entre EUA e Irã reduzindo o prêmio de risco geopolítico nos mercados globais, os investidores mantinham o foco nas decisões de política monetária do Fed e do Copom, ambas previstas para o dia seguinte.


Na quarta-feira (17), a “Super Quarta”, com decisões de Fed e Copom no mesmo dia, o índice teve forte volatilidade. Antes da decisão do Fed, por volta das 15h, o Ibovespa chegava a subir cerca de 1%. Após o comunicado do banco central americano, o mercado foi reduzindo os ganhos, e a baixa se intensificou na reta final do pregão: o índice fechou em queda de 0,70%, aos 168.453,93 pontos, após cair cerca de 1%, a 167.915,71 pontos, na mínima do dia.


Mesmo com a confirmação da assinatura do acordo de paz, na quinta-feira (18), o ambiente mais tranquilo no exterior não foi suficiente para sustentar uma recuperação. O recuo de 3,48% do petróleo Brent e de 4,09% do WTI, além do declínio de 1,13% do minério de ferro em Dalian, impuseram cautela ao pregão, enquanto investidores digeriam o comunicado do Copom.


5. Câmbio: Dólar sobe 1,25% após Fed e Copom na mesma quarta-feira e volta a R$ 5,17


Na quarta-feira (17), o dólar à vista fechou em alta de 0,41%, a R$ 5,1104, depois de o Fed manter a taxa básica de juros americana entre 3,50% e 3,75%, mas com projeções apontando possível aumento ainda em 2026, movimento que fortaleceu o dólar frente às principais moedas globais.


O efeito se intensificou no dia seguinte. Na quinta-feira (18), o dólar à vista fechou com alta de 1,25%, a R$ 5,1745. No ano, a moeda passou a acumular queda de 5,73% frente ao real. O movimento refletiu o contraste entre as duas decisões de política monetária da véspera: enquanto o Federal Reserve sinalizou que sua taxa de referência pode subir ainda em 2026, o Copom, ao cortar a Selic, preparou terreno para mais reduções de juros no Brasil, um diferencial que reduziu a atratividade relativa dos ativos brasileiros.


EUA: Acordo de paz com o Irã é assinado e Fed estreia Kevin Warsh com tom mais duro


Na quarta-feira (17), Trump assinou um acordo de paz com o Irã que prevê a diluição do estoque de urânio altamente enriquecido iraniano em troca do alívio das sanções americanas. O pacto entrou em vigor imediatamente, com prazo de 60 dias para negociações sobre o programa nuclear.


No mesmo dia, o Fed teve sua primeira reunião sob o comando de Kevin Warsh. O Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, mas retirou do comunicado trechos que indicavam viés para cortes futuros. As novas projeções mostraram que 9 dos 19 membros do comitê acreditam que será necessário subir os juros ainda em 2026 — nenhum deles tinha essa opinião há apenas três meses. A mediana de projeção para o índice de inflação cheio do Fed saltou de 2,7% para 3,6% em 2026, e o núcleo avançou de 2,7% para 3,3%.


China: Vendas no varejo caem pela primeira vez em mais de 3 anos


Dados divulgados na terça-feira (16) mostraram que as vendas no varejo da China caíram pela primeira vez em mais de três anos em maio, sinalizando aprofundamento da fraqueza no consumo interno. A produção industrial, por sua vez, registrou aumento de 4,5% em maio, superando a estimativa de 4,3%. A taxa de desemprego caiu para 5,1% em maio, ante 5,2% em abril.


O quadro confirma um padrão de “duas velocidades” na economia chinesa: fábricas seguindo resilientes, beneficiadas pela demanda global por tecnologia, enquanto o consumo das famílias chinesas enfraquece, refletindo a cautela do consumidor mesmo com o acordo de paz assinado.


Zona do Euro. Inflação confirma alta para 3,2% em maio, dado final supera abril


A inflação ao consumidor da zona do euro acelerou para 3,2% em maio na comparação anual, confirmando a leitura preliminar divulgada pela Eurostat. O resultado ficou acima da meta de 2% do BCE e superou a alta de 2,6% registrada em abril. O dado, confirmado na quarta-feira (17), reforça a trajetória de deterioração observada desde o início da guerra.


A confirmação do número trouxe reação imediata de um dirigente do BCE: Gediminas Simkus afirmou que ao menos mais uma alta de juros é mais provável do que a manutenção das taxas, diante da persistência das pressões inflacionárias.


Conclusão


O fim formal da guerra é uma boa notícia de longo prazo, mas não trouxe alívio imediato. A inflação brasileira segue acima da meta mesmo após o terceiro corte seguido da Selic, e o novo Fed adotou tom mais duro, reduzindo o diferencial de juros que sustentava o capital estrangeiro no Brasil e pressionando o real e o Ibovespa. O Copom reconheceu que a atividade acelerou no primeiro trimestre, mas o mercado de trabalho já perde força; equilíbrio que vai pautar a próxima decisão, em 4 e 5 de agosto.


Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.


Estrutura de Alocação de Recursos


A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.


A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:


• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.


A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.


A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.


Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.




NOSSA VISÃO: Semana de 08 a 12 de Junho de 2026

A semana trouxe uma combinação rara: o pior susto geopolítico em meses e o melhor resultado da bolsa em mais de dois meses.
O Irã lançou mísseis contra Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril, e o dólar abriu a semana em R$ 5,18, a terceira derrota seguida do real. Mas Trump agiu rápido para conter a escalada, e o restante da semana trouxe uma sequência de dados relevantes: o IPCA de maio desacelerou para 0,58%, o PIB do primeiro trimestre foi revisado para R$ 3,3 trilhões, recolocando o Brasil entre as dez maiores economias do mundo, e o Ibovespa encerrou a maior sequência negativa da sua história, oito semanas consecutivas no vermelho, com alta semanal de 1,25%.


Nos EUA, o CPI de maio subiu para 4,2% em 12 meses, o maior nível em três anos, e Trump reagiu dizendo “adoro a inflação”. Na China, o CPI ficou em 1,2% e o PPI atingiu 3,9%, maior alta desde 2022. E na zona do euro, o BCE revisou a inflação para 3% em 2026 e cortou a projeção de crescimento, confirmando o cenário de estagflação que a Europa tenta evitar.





1. Inflação: Focus registra 3ª alta consecutiva e IPCA de maio confirma desaceleração para 0,58%


O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (08 de junho) trouxe a projeção do IPCA para 2026 subindo de 5,09% para 5,11%, a terceira alta consecutiva. O IGP-M avançou de 6,00% para 6,10%, na 14ª alta consecutiva. Apesar da nova alta nas projeções, o dado oficial trouxe um respiro: o IPCA de maio de 2026 subiu 0,58%, desacelerando frente aos 0,67% de abril.
A combinação dos dois números mostra um quadro de transição: a inflação corrente está desacelerando mês a mês, mas o mercado ainda revisa as projeções anuais para cima, reflexo do acúmulo de pressão dos meses mais críticos da guerra (março e abril).


2 Juros: Selic em 14,50% — Focus eleva projeção para 13,50% em 2026 antes do Copom


A projeção do mercado para a taxa Selic voltou a subir no Boletim Focus divulgado na segunda (08 de junho de 2026). A estimativa para os juros básicos ao fim de 2026 passou de 13,25% para 13,50% ao ano, enquanto a previsão para 2027 avançou de 11,25% para 11,50%.


A semana antecedeu a reunião do Copom marcada para 17 e 18 de junho, a mais aguardada do ano. Com o IPCA de maio desacelerando para 0,58%, mas as projeções anuais ainda subindo, o Banco Central enfrenta um dilema clássico: os dados recentes melhoraram na margem, mas as expectativas de longo prazo continuam se deteriorando. A elevação da Selic projetada para 13,50%, mais de 2 pontos percentuais acima do que se estimava antes da guerra, sinaliza que o mercado já não espera uma normalização rápida dos juros, mesmo com a desaceleração recente da inflação mensal.


3. Crescimento Econômico: Brasil ultrapassa o Canadá e volta ao top 10 das maiores economias do mundo


O PIB do primeiro trimestre de 2026 subiu 1,1% e chegou a R$ 3,3 trilhões, ultrapassando o Canadá e recolocando o Brasil entre as dez maiores economias do mundo. Os números dos dois trimestres anteriores também foram revistos para cima. O Ministério da Fazenda mantém a previsão de alta da economia em 2,3% para 2026.


A notícia é simbólica e relevante: voltar ao top 10 global mostra que, mesmo em meio à guerra, à inflação pressionada e aos juros elevados, a economia brasileira mantém um tamanho e uma resiliência que poucos emergentes conseguem sustentar. Para o RPPS, esse é um sinal de que a base econômica que sustenta a arrecadação, o emprego e o consumo no país continua sólida, o que reduz o risco de um cenário de estagnação prolongada, mesmo com os desafios de curto prazo.


4. Mercado de Capitais: Ibovespa encerra sequência de 8 semanas negativas, a maior da história, com alta de 1,25%


A semana trouxe um alívio importante para o Ibovespa, mas começou difícil. Na segunda-feira (08 de junho de junho), o índice caiu 0,21%, para 168.668,72 pontos.
A virada veio ao longo da semana. Na sexta-feira (12 de junho de 2026), o Ibovespa terminou a sessão com queda de 0,21%, aos 171.134 pontos, mas na semana acumulou alta de 1,25%, encerrando uma série de oito perdas semanais consecutivas, a maior sequência negativa da história.


5. Câmbio: Dólar sobe para R$ 5,18 com terceira derrota seguida do real em meio à incerteza sobre a guerra


Na segunda-feira (08 de junho de 2026), o real teve a terceira derrota seguida, com o dólar comercial subindo 0,45%, para R$ 5,18. O movimento refletiu a tensão renovada no Oriente Médio: no fim de semana anterior, o Irã havia lançado mísseis contra Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril, reacendendo o temor de uma escalada do conflito.


Ao longo da semana, contudo, o tom mudou. Israel anunciou suspensão temporária dos ataques ao Irã a pedido de Trump, e o petróleo recuou com a notícia. O alívio geopolítico ajudou o real a se recuperar parcialmente ao longo da semana, embora o nível de R$ 5,18 do início da semana ainda reflita o quanto o câmbio brasileiro permanece sensível a qualquer sinal de escalada ou desescalada no Oriente Médio, um padrão que se repete desde o início do conflito, no fim de fevereiro.


EUA: CPI sobe para 4,2%, maior nível em três anos, e Trump diz “adoro a inflação”


Além da tensão geopolítica, a semana trouxe um dado econômico relevante: a inflação americana de maio. O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA subiu 0,5% em maio frente a abril, em linha com o esperado, e acumulou alta de 4,2% em 12 meses, o maior nível desde abril de 2023. Em abril, o índice havia avançado 3,8% na base anual. A alta em energia se repete pelo terceiro mês consecutivo, refletindo o impacto do conflito no Oriente Médio: em três meses, o avanço foi de quase 20%.


A reação do presidente Trump ao dado chamou atenção. Questionado sobre a aceleração da inflação, Trump disse não estar preocupado e classificou os números como “ótimos”, afirmando: “Eu adoro a inflação.” Para o mercado, porém, o dado é motivo de cautela: economistas avaliam que não há espaço para cortes de juros nos EUA neste ano, com possibilidade inclusive de o Fed voltar a subir os juros. A projeção predominante é de manutenção da taxa no intervalo de 3,5% a 3,75% até o fim de 2026, cenário que impacta diretamente os mercados emergentes, com reflexos na saída de capital da bolsa brasileira e na variação do câmbio. Combinado com o ataque do Irã a Israel no domingo anterior, o CPI reforça o ambiente de cautela que pressionou o real e o Ibovespa no início da semana.


China: Inflação ao consumidor fica abaixo do esperado e preços ao produtor atingem maior alta em quase 4 anos


Na quarta-feira (10 de junho de 2026), a China divulgou seus dados de inflação de maio. O CPI (Índice de Preços ao Consumidor) mede a variação dos preços pagos pelas famílias por bens e serviços no varejo, é a inflação que o consumidor sente no dia a dia. Ele subiu 1,2% na comparação anual, levemente abaixo da expectativa de 1,3% e caiu 0,1% frente a abril.


Já o PPI (Índice de Preços ao Produtor) mede a variação dos preços na saída das fábricas, ou seja, quanto as empresas cobram entre si antes que o produto chegue ao consumidor final, funcionando como um termômetro antecipado de pressões inflacionárias. O PPI subiu 3,9% na comparação anual, o maior nível desde julho de 2022, com os preços da energia pressionando os custos dos fabricantes. Os preços da gasolina acumulam alta de 23,5% em 12 meses, enquanto os alimentos caíram 1,7%, com a carne suína recuando 16,1%, fator que ajuda a conter a inflação geral por enquanto.


O quadro reflete o dilema global: o PPI em alta mostra o custo do petróleo da guerra chegando às fábricas, mas o CPI fraco indica que as empresas ainda não conseguem repassar esses custos aos consumidores, pressionando suas margens. Com o Estreito de Ormuz só devendo normalizar no terceiro trimestre de 2026, o cenário de custos energéticos elevados deve persistir.


Zona do Euro. BCE revisa inflação para 3% em 2026 e reduz projeção de crescimento


Na quinta-feira (11), na sequência da histórica alta de juros da semana anterior, o Banco Central Europeu divulgou suas novas projeções macroeconômicas e o quadro piorou em ambas as frentes. Para a inflação, o banco passou a prever 3% em 2026 (ante 2,6% estimados anteriormente) e 2,3% em 2027 (acima dos 2% projetados em março). Para 2028, a expectativa recuou de 2,1% para 2%, em linha com a meta da instituição.


Para o crescimento, o movimento foi inverso. O Banco Central Europeu cortou a projeção do PIB da zona do euro de 0,9% para 0,8% em 2026 e de 1,3% para 1,2% em 2027. Para 2028, a estimativa foi elevada de 1,4% para 1,5%. As revisões confirmam o diagnóstico que vinha se desenhando nas últimas semanas: o choque de energia da guerra no Oriente Médio pressiona os preços e enfraquece a atividade ao mesmo tempo, o cenário de estagflação que o BCE tentava evitar.


Conclusão


A semana resume bem o momento atual: a guerra continua sendo o fator que move os mercados de um dia para o outro, mas os fundamentos brasileiros seguem mostrando resiliência.
O susto do fim de semana, com o Irã atacando Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo, levou o dólar a R$ 5,18 logo na abertura da semana, mas a rápida intervenção de Trump evitou uma escalada maior. A partir daí, os dados domésticos surpreenderam positivamente: o IPCA de maio desacelerou para 0,58%, o PIB do primeiro trimestre confirmou o Brasil entre as dez maiores economias do mundo, com R$ 3,3 trilhões, e o Ibovespa rompeu a maior sequência de perdas semanais da história com alta de 1,25%. Ainda assim, o Boletim Focus elevou a projeção da Selic para 13,50% em 2026, sinal de que o mercado ainda não vê uma normalização rápida dos juros, mesmo com a inflação mensal desacelerando.


No exterior, o cenário é de cautela redobrada. Nos EUA, o CPI subiu para 4,2% em 12 meses, maior nível em três anos, reduzindo ainda mais o espaço para cortes de juros pelo Fed. Na China, o PPI atingiu 3,9%, a maior alta desde 2022, mostrando que os custos da guerra já chegam às fábricas, mesmo com o consumo interno ainda fraco. E o BCE revisou sua inflação para 3% com crescimento mais fraco, o pior dos cenários para qualquer banco central.


Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime. 


Estrutura de Alocação de Recursos


A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.


A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:


• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.


A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.


A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.


Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.




NOSSA VISÃO: Semana de 01 a 05 de Junho de 2026

A semana de 1 a 5 de junho de 2026 chegou com dois recados claros: a guerra ainda não acabou e suas consequências nos preços ainda não terminaram de chegar.


Na segunda-feira (1º de junho), o Irã suspendeu todas as comunicações com os EUA por meio de mediadores, enterrando o otimismo da semana anterior sobre o acordo de paz. O petróleo voltou a pressionar, o capital estrangeiro saiu do Brasil e o Ibovespa abriu junho com queda de 0,91%, fechando a 172.197 pontos, o nível mais baixo desde janeiro. Já são três meses consecutivos de perdas na bolsa e mais de 16 mil pontos perdidos desde o início da guerra. No front da inflação, o Boletim Focus registrou a 12ª alta consecutiva do IPCA projetado para 2026, que chegou a 5,09%, saindo de 3,91% em fevereiro, antes do conflito. Na sexta-feira (5), o payroll americano de maio criou 172 mil vagas contra expectativa de apenas 85 mil, derrubando os mercados emergentes e empurrando o dólar acima de R$ 5,15. No lado positivo, a produção industrial brasileira avançou 0,7% em abril, a quarta alta consecutiva, e o BCE subiu os juros pela primeira vez desde 2023, confirmando que a guerra mudou a direção da política monetária europeia.





1. Inflação: Focus registra 12ª alta consecutiva: IPCA chega a 5,09% e PMI industrial sinaliza contração


Boletim Focus divulgado na segunda-feira (1º de junho) trouxe a 12ª alta consecutiva nas projeções do IPCA para 2026, uma sequência que não tem precedente desde o período mais agudo da pandemia.


A estimativa para o IPCA passou de 5,04% para 5,09%, marcando essa alta. No caso do IGP-M, a projeção para 2026 avançou de 5,91% para 6,00%, acumulando 13 semanas consecutivas de alta.


O que está por trás dessa sequência de altas? Três fatores principais: o petróleo ainda acima de US$ 100 o barril, que pressiona combustíveis e fretes; a guerra no Oriente Médio, que mantém a incerteza sobre os preços de energia globais; e a inflação de serviços rodando próxima de 6% ao ano no Brasil, o componente mais difícil de controlar porque depende do mercado de trabalho e do consumo das famílias, não do petróleo.


O acumulado de deterioração é expressivo: em fevereiro, antes da guerra, o IPCA projetado para 2026 era de 3,91%. Em pouco mais de três meses, o mercado revisou essa estimativa para 5,09%, uma alta de 1,18 ponto percentual. O teto da meta é de 4,50%. O IPCA projetado está 0,59 ponto percentual acima desse limite, e o dado oficial de maio, a ser divulgado em junho, pode confirmar esse estouro na prática.


2 Juros: Selic em 14,50%, mercado aguarda Copom de junho com dados piores do que os esperados


A Selic permanece em 14,50% ao ano. Com o Copom marcado para 17 e 18 de junho, a semana foi de crescente tensão sobre o que o Banco Central fará diante de um cenário que piorou nas últimas semanas.
O Fundo Monetário Internacional avaliou que manter a flexibilidade nas próximas etapas da política monetária no Brasil é justificável dada a elevada incerteza e as novas pressões inflacionárias decorrentes dos altos preços globais da energia, calculando que a economia crescerá 2,5% no médio prazo. Em relatório divulgado após visita de equipe da instituição ao país, o FMI disse que a economia do Brasil tem permanecido resiliente diante de múltiplos choques e que o crescimento vai se recuperar em 2026, após desacelerar em 2025.


O recado do FMI é relevante: ao recomendar “flexibilidade” na política monetária, o fundo sinaliza que o Banco Central brasileiro acertou ao manter o ciclo de cortes gradual e que não seria prudente acelerar o ritmo neste momento. O mercado projeta a Selic em 13,25% ao fim de 2026, quase 2 pontos percentuais acima do que se estimava antes da guerra e o Copom de junho deverá confirmar um novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,25%.


3. Crescimento Econômico: Produção industrial avança 0,7% em abril, quarta alta consecutiva


Em meio ao cenário desafiador, um dado positivo sobre a atividade econômica brasileira chegou na quarta-feira (3).
Em abril de 2026, a produção industrial nacional avançou 0,7% frente a março, quarta taxa positiva consecutiva, acumulando neste período expansão de 4,4%. Em relação a abril do ano passado, a indústria ampliou a produção em 2,7%, após avançar 4,4% em março.


O resultado foi bem recebido pelo mercado e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, aproveitou para reforçar o otimismo com a economia. Durigan disse que a economia brasileira no segundo trimestre de 2026 vai “de novo surpreender”. “Deveria aguardar um segundo trimestre na mesma linha. Muita gente estava pessimista, dizendo que viria ruim. Vamos de novo surpreender no segundo trimestre de 2026″, afirmou.


A quarta alta consecutiva da produção industrial é um sinal de resiliência importante: mesmo com juros em 14,50%, inflação acima de 5% nas projeções e guerra no Oriente Médio, a indústria brasileira manteve a trajetória de recuperação iniciada no início do ano. O acumulado de 4,4% em quatro meses é o melhor resultado desde 2024.


4. Mercado de Capitais: Ibovespa inicia junho com queda expressiva e acumula mais de 16 mil pontos perdidos desde o início da guerra


Junho começou com o pé esquerdo para o Ibovespa. A semana foi marcada por novas quedas, saída de capital estrangeiro e o impacto combinado da má notícia sobre o acordo EUA-Irã e do payroll americano.


Na primeira sessão de junho, o Ibovespa registrou nova queda de 0,91%, fechando a 172.197,46 pontos, o nível mais baixo desde 21 de janeiro de 2026. Já são três meses consecutivos de perdas e, nos últimos 30 pregões, apenas 9 terminaram positivos. Desde o início da guerra no Irã, foram perdidos mais de 16 mil pontos.


Na terça (2 de junho), o índice conseguiu interromper a sequência negativa, subindo após cinco quedas consecutivas. O alívio durou pouco. Na quarta (3 de junho), o humor voltou a azedar com o agravamento dos conflitos no Oriente Médio e a saída de capital estrangeiro, o Ibovespa despencou mais de 2% no dia, devolvendo os ganhos da véspera. O movimento refletiu um fenômeno que vem se repetindo ao longo das últimas semanas: o capital estrangeiro deixa o Brasil e retorna para Wall Street sempre que as tensões geopolíticas se intensificam, pressionando o índice independentemente dos fundamentos locais.


Na sexta-feira (5de junho), o payroll americano de maio com 172 mil vagas criadas contra expectativa de apenas 85 mil, derrubou os ativos emergentes e empurrou o Ibovespa para baixo, encerrando uma semana que começou mal e terminou pior. O índice acumula perdas relevantes desde as máximas históricas de abril, e o ambiente de curto prazo segue desafiador enquanto o acordo de paz não for formalizado e o petróleo não ceder de forma sustentada.


5. Câmbio: Dólar dispara para R$ 5,15 na sexta com payroll americano acima do esperado


O dólar fechou com forte alta na sexta-feira (5 de junho) acima dos R$ 5,15, após a divulgação dos dados de emprego nos EUA. O número de empregos criados nos EUA aumentou em 172 mil em maio, bem acima dos 85 mil esperados pelo consenso de mercado. A moeda americana acumula ganhos de 2,27% frente ao real na primeira semana de junho, após avanço de 1,82% em maio. No ano, as perdas do dólar chegaram a superar 10% quando a taxa de câmbio rondava R$ 4,90 no início de maio, mas agora são de 6,04%.


A moeda tem se mantido relativamente estável perto de R$ 5,00 por dólar durante quase dois meses. Olhando para o futuro, o real deverá enfraquecer gradualmente à medida que a campanha para as eleições de outubro se intensifica. Em seis meses, a moeda é estimada em R$ 5,20, de acordo com a mediana das estimativas de 26 estrategistas de câmbio consultados entre 1 e 3 de junho. Em um ano, o real é estimado a R$ 5,30 por dólar.


O impacto do payroll no câmbio brasileiro tem uma lógica simples: quando os EUA criam muitos empregos, o Fed tem menos motivos para cortar juros. Juros americanos altos por mais tempo atraem capital global para os EUA e esse capital sai de economias emergentes como o Brasil. O efeito imediato é a valorização do dólar e a queda do real.


EUA: Acordo com o Irã suspende comunicações, payroll surpreende e Fed mantém cautela.


A semana americana foi marcada por dois eventos que moveram os mercados em direções opostas. Na segunda-feira (1º de junho), o Irã suspendeu todas as comunicações com os EUA por meio de mediadores, em protesto contra ataques israelenses no Líbano, jogando por terra o otimismo da semana anterior sobre o acordo de paz. A notícia levou à revisão das expectativas de cortes de juros, fortalecimento do dólar e aumento da aversão a risco, impactando diretamente os ativos de mercados emergentes, incluindo o Brasil. Na quinta-feira (4 de junho), Jerome Powell presidiu sua última reunião no Fed e o banco central americano manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, como esperado, sem sinalizar qualquer movimento à frente.


A grande surpresa veio na sexta-feira (5 de junho). Os Estados Unidos criaram 172.000 novas vagas não-agrícolas em maio, bem acima da estimativa de consenso de 80.000 e da pesquisa da Reuters, de 85.000. A taxa de desemprego manteve-se estável em 4,3%. O resultado é o que os economistas chamam de “boa notícia que vira má notícia”: um mercado de trabalho tão forte reduz ainda mais as chances de corte de juros pelo Fed e aumenta o risco de uma alta de juros nos EUA. A projeção do mercado é de que os juros sejam mantidos no intervalo atual de 3,50% a 3,75% até o fim de 2026, diante da combinação de mercado de trabalho aquecido, inflação pressionada e incertezas sobre o conflito no Oriente Médio.


China: OPEP+ considera aumento de produção para julho e 26 navios cruzam Ormuz


A OPEP+ — grupo que reúne os principais países produtores de petróleo do mundo, incluindo Arábia Saudita, Rússia e Iraque, controlando cerca de 40% da produção global deve aprovar novo aumento de produção para julho, sinalizando retorno gradual à normalidade apesar do fechamento do Estreito de Ormuz. Para a China, mais oferta significa petróleo mais barato e menos pressão sobre seus custos industriais. O país depende de Ormuz para cerca de 50% do petróleo importado e segue recebendo tratamento preferencial do Irã, que coordena a passagem de navios de bandeira chinesa mesmo com o canal praticamente fechado para o restante do mundo.


Essa posição privilegiada não é por acaso. A China é o principal comprador do petróleo iraniano e mantém canais diplomáticos diretos com Teerã, independentemente do estado das negociações com os EUA. Mesmo após a suspensão das comunicações entre EUA e Irã na segunda-feira (1º de junho), que colocou em risco o acordo de princípio da semana anterior, Pequim seguiu operando nos bastidores com total estabilidade. É essa diplomacia discreta que garante à China um papel insubstituível na resolução do conflito e que explica por que qualquer acordo de paz duradouro precisará, inevitavelmente, passar por Pequim.


Zona do Euro. BCE sobe juros pela primeira vez desde 2023, alta de 0,25 ponto na reunião de junho


A grande decisão da semana no front europeu veio na quinta-feira (4): o BCE realizou a reunião de junho, a mais esperada em anos, e confirmou a alta de juros que o mercado precificava.


A inflação anual da zona do euro saltou para 3% em abril, bem acima da meta de 2% do banco, e espera-se um aumento ainda maior, já que a guerra do Irã levou os preços do petróleo à máxima em quatro anos. Os mercados financeiros precificavam aumentos dos juros em junho e julho, seguidos por pelo menos mais um movimento no outono, com base na premissa de que o BCE estará interessado em acabar rapidamente com qualquer espiral de inflação, principalmente porque foi criticado por agir tardiamente em 2022.


Os empréstimos bancários para empresas da zona do euro cresceram no ritmo mais rápido em três anos em abril, mostraram dados do BCE, ampliando uma aceleração gradual, mas constante, pouco antes da alta das taxas.


A decisão do BCE de subir os juros é histórica: foi a primeira alta desde 2023, encerrando um longo ciclo de estabilidade e cortes que havia levado as taxas europeias para 2%. Com a alta de 0,25 ponto percentual, a taxa de depósito do BCE passou para 2,25%. O banco deixou claro que novas altas estão no horizonte, a depender da evolução da inflação e do conflito no Oriente Médio.


Conclusão


A semana foi de retrocesso. O acordo de paz com o Irã voltou à estaca zero após a suspensão das comunicações, o Ibovespa acumula mais de 16 mil pontos perdidos desde o início da guerra, o IPCA projetado para 2026 chegou a 5,09%, a 12ª alta consecutiva e acima do teto da meta, o dólar voltou a R$ 5,15 e o BCE subiu os juros pela primeira vez desde 2023. Nos EUA, o payroll de maio com 172 mil vagas criadas, o dobro do esperado, eliminou qualquer chance de corte de juros pelo Fed em 2026.


Do lado positivo, os fundamentos brasileiros seguem firmes: a produção industrial avançou 0,7% em abril, a quarta alta consecutiva, acumulando 4,4% no período. O FMI projeta crescimento de 2,5% para o Brasil no médio prazo. E o Copom de 17 e 18 de junho deverá realizar novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,25%. O ciclo de afrouxamento, embora lento, segue em curso


Estamos acompanhando de perto a evolução deste cenário e faremos os devidos ajustes na estrutura de alocação de recursos sempre que as condições assim exigirem, preservando a segurança e a solvência do regime.


Estrutura de Alocação de Recursos


A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.


A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.


A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.


A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.


Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.


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