maio, 2026

NOSSA VISÃO: Semana de 18 a 22 de Maio de 2026

A semana de 18 a 22 de maio de 2026 começou com uma sequência que já virou rotina e que não pode mais ser ignorada: a décima alta consecutiva na projeção do IPCA para 2026, que chegou a 4,92%, saindo de 3,91% em fevereiro. Em menos de três meses e meio, o mercado revisou a inflação brasileira para cima em 1 ponto percentual. O IGP-M, índice que reajusta aluguéis e contratos, acumula sua 11ª semana seguida de alta. E a projeção da Selic para o fim de 2026 subiu novamente, de 13% para 13,25% — quase 2 pontos percentuais acima do que se esperava antes da guerra.


Mas a semana também reservou surpresas positivas. A prévia do PIB mostrou que a economia brasileira cresceu 1,3% no primeiro trimestre de 2026, o melhor resultado desde 2024, provando que o país chegou ao conflito com fundamentos sólidos. Na quarta-feira dia 20 de maio, o Ibovespa registrou sua maior alta desde o início de abril, impulsionado por sinais concretos de avanço nas negociações de paz: dois petroleiros chineses cruzaram o Estreito de Ormuz e, na quinta-feira dia 21de maio, EUA e Irã chegaram a uma versão preliminar de acordo, com previsão de cessar-fogo imediato e reabertura de Ormuz com monitoramento partilhado. O petróleo chegou a cair quase 6% em um único dia. Na sexta, dia 22 de maio, o secretário de Estado americano Marco Rubio afirmou que há “bons sinais”, mas alertou que o acordo será “inviável” se o Irã insistir em cobrar pedágio pelo estreito. A paz está mais perto. Mas ainda não chegou.





1. Inflação: Focus registra décima alta consecutiva: IPCA chega a 4,92% e IGP-M acumula 11ª semana de elevação.


A semana começou com mais uma notícia preocupante para a inflação. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira, dia 18 de maio trouxe a décima alta consecutiva nas projeções do IPCA para 2026.


A mediana para o IPCA de 2026 subiu de 4,91% para 4,92%. Para 2027, a estimativa permaneceu em 4% pela terceira semana consecutiva. Em 2028, a expectativa avançou de 3,64% para 3,65%. No caso do IGP-M, a mediana para 2026 avançou de 5,60% para 5,63%, registrando a 11ª alta consecutiva.


Para entender o que essa sequência de altas significa na prática: em fevereiro, antes da guerra, o IPCA projetado para 2026 estava em apenas 3,91%. Em pouco mais de três meses, o mercado já revisou essa estimativa para quase 5%, uma alta de 1 ponto percentual que reflete diretamente o impacto do petróleo elevado sobre combustíveis, fretes e alimentos. O IGP-M, índice que mede a inflação no atacado e serve de base para reajuste de aluguéis e contratos, já acumula 11 semanas seguidas de alta, sinalizando que a pressão de custos na economia real não dá trégua.


2. Juros: Selic em 14,50%, mercado eleva projeção para o fim de 2026 e Copom de junho vira o evento do mês.


A Selic permaneceu em 14,50% ao ano. Não houve reunião do Copom na semana, mas o mercado não parou de revisar suas estimativas sobre os próximos passos da política monetária.


A projeção para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 13% para 13,25% ao ano. A elevação da Selic projetada para o fim do ano tem um significado claro: o mercado está apostando que o Banco Central vai cortar menos do que o planejado antes da guerra. Em fevereiro, a estimativa era de Selic encerrando 2026 entre 11% e 11,50%. Hoje, o consenso aponta para 13,25%, quase 2 pontos percentuais acima.


A próxima reunião do Copom está marcada para 17 e 18 de junho e será decisiva para calibrar o ritmo e a extensão do ciclo de cortes.


3. Crescimento Econômico: IBC-Br cai em março, mas primeiro trimestre cresce 1,3%, o melhor resultado desde 2024.


A prévia do Produto Interno Bruto (PIB), medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), revelou que a economia brasileira cresceu 1,30% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com os três meses anteriores. Este resultado representa o melhor desempenho trimestral registrado desde o terceiro trimestre de 2024, mostrando que o país iniciou o período de instabilidade internacional em boa forma. Apesar desse saldo positivo no acumulado, o indicador apresentou uma retração de 0,70% no mês de março, um recuo mais intenso do que a queda de 0,20% estimada pelos analistas. Essa desaceleração pontual reflete os primeiros impactos dos conflitos globais sobre os custos das empresas, mas não anulou os ganhos anuais, que registraram uma alta de 3,10% em relação a março do ano anterior e um avanço de 1,80% no acumulado de 12 meses.


As perspectivas para a continuidade do crescimento seguem sustentadas pela expansão da renda real das famílias e pelo avanço de medidas de estímulo financeiro, como os programas de renegociação de dívidas. Projeções de mercado indicam que esse pacote de incentivos ao crédito possui potencial para adicionar mais de 1,0 ponto percentual ao crescimento total do PIB ao longo deste ano


4. Mercado de Capitais: Ibovespa tem maior alta desde o início de abril, mas guerra segura o índice abaixo dos 192 mil


O principal índice da Bolsa de Valores brasileira (Ibovespa) apresentou um movimento de recuperação após cinco semanas consecutivas em queda, trazendo um alívio temporário para os investidores. O momento de maior otimismo ocorreu na quarta-feira, dia 20 de maio, impulsionado pela divulgação da ata do Banco Central americano (Fed), pelos resultados corporativos globais históricos de empresas de tecnologia e por sinais iniciais de recuo nas tensões internacionais. A sinalização de progresso nas negociações diplomáticas e a movimentação de dois petroleiros chineses fora das áreas de conflito alimentaram a perspectiva de que o impasse global poderia ser solucionado de forma célere.


Contudo, o cenário de calmaria foi revertido na quinta-feira, dia 21 de maio, após o anúncio de novas diretrizes estratégicas por parte da liderança do Irã, que restringiram o envio de urânio enriquecido para o exterior. Essa decisão travou as negociações de paz, reavivando o temor de uma guerra prolongada e pressionando negativamente os ativos de maior risco, o que provocou a queda das ações e a elevação das taxas futuras de juros. Com a oscilação entre otimismo e prudência, a Bolsa encerrou o período sem forças para romper a barreira dos 192 mil pontos, patamar que se mantém como a máxima histórica recente do mercado.


5. Câmbio: Dólar oscila em torno de R$ 5; notícias da guerra ditam o ritmo do real


O câmbio da semana foi um espelho fiel do noticiário geopolítico: avançou quando surgiram sinais de acordo, recuou quando as negociações travaram.


A Comissão Europeia revisou sua previsão de crescimento do PIB da zona do euro para 0,90% em 2026, de 1,30% em 2025, com aceleração para 1,20% em 2027. O cenário europeu mais fraco contribuiu para aumentar a aversão ao risco global e pressionar o real.


O mercado manteve a projeção do dólar em R$ 5,20 para o encerramento de 2026, abaixo dos R$ 5,25 projetados nas semanas anteriores, indicando que os analistas ainda veem espaço para valorização do real no longo prazo, especialmente se as negociações de paz avançarem e o petróleo ceder.


O diferencial de juros entre Brasil e EUA, com a Selic em 14,50% contra taxas americanas entre 3,50% e 3,75%, segue sendo o principal fator de suporte para o real. Enquanto esse diferencial se mantiver elevado, o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil tende a continuar positivo, servindo como amortecedor natural para o câmbio.


EUA: Negociações com o Irã avançam e versão preliminar de acordo surge na quinta-feira


As negociações internacionais viveram uma semana de forte oscilação, registrando avanços e recuos significativos. O adiamento de ações militares e a retomada parcial da circulação de navios fizeram o preço do barril de petróleo recuar ao patamar de US$ 104,15 (tipo WTI) e US$ 111,28 (tipo Brent). Na quarta-feira, dia 20de maio, a commodity chegou a despencar quase 6%, ignorando até mesmo uma redução expressiva de 7,863 milhões de barris nos estoques dos Estados Unidos, número bem maior do que a queda de 3 milhões esperada pelo mercado. O ponto alto ocorreu na quinta-feira, dia 21de maio, com a divulgação de um rascunho preliminar para um cessar-fogo que prevê a abertura monitorada do Estreito de Ormuz. Contudo, o governo americano alertou que as conversas podem travar caso o Irã insista em controlar permanentemente a navegação da rota estratégica.


No campo monetário, a ata do Banco Central americano (Fed) adotou uma postura mais rígida e trouxe um recado de alerta para os investidores. O documento revelou que as autoridades econômicas dos Estados Unidos discutiram, pela segunda reunião consecutiva, a possibilidade de realizar um novo aumento na taxa de juros caso a inflação global permaneça distante da meta estabelecida. O mercado financeiro interpretou o comunicado com prudência, consolidando a percepção de que os juros norte-americanos não serão reduzidos enquanto as pressões causadas pelos conflitos internacionais continuarem sustentando o preço do petróleo em patamares elevados.


China: Petroleiros chineses cruzam Ormuz;Pequim colhe os frutos da diplomacia discreta


A China teve uma semana relevante no front geopolítico, ainda que silenciosa nos comunicados oficiais. Dois petroleiros chineses saíram do Estreito de Ormuz na quarta-feira, dia 20 de maio, mostrando dados de navegação, um sinal concreto de que Pequim mantém canais privilegiados com Teerã, fruto da diplomacia discreta exercida nos bastidores desde o início do conflito.


A passagem dos navios chineses é mais do que um dado logístico. Ela confirma que o Irã está honrando os acordos pontuais com a China, seu principal comprador de petróleo, mesmo enquanto bloqueia o tráfego geral pelo estreito. Para a China, garantir o fluxo de energia é prioridade estratégica: o país depende de Ormuz para cerca de 50% do seu petróleo importado. Para o Brasil, a capacidade chinesa de manter o abastecimento energético sustenta a demanda por commodities brasileiras: soja, minério de ferro e petróleo, que são o motor da nossa balança comercial.


Do lado econômico, a China segue monitorando os efeitos da guerra sobre seus custos industriais e seu ritmo de crescimento. O PIB de 5% no primeiro trimestre de 2026 deu fôlego, mas a desaceleração nas exportações, que cresceram apenas 2,5% em março, contra 21,8% em janeiro-fevereiro, mostra que a guerra já começa a deixar marcas na cadeia produtiva chinesa.


Zona do Euro. Comissão Europeia revisa crescimento para baixo e tensões no BCE aumentam às vésperas de junho


A Europa encerrou a semana com dados que reforçam o dilema que o Banco Central Europeu precisará resolver em junho: inflação acima da meta e crescimento cada vez mais fraco.


A Comissão Europeia revisou sua previsão de crescimento do PIB da zona do euro para 0,90% em 2026, de 1,3% em 2025, com aceleração para 1,20% em 2027. Em suas últimas previsões, em novembro, as expectativas eram de 1,20% e 1,40%, respectivamente.


A revisão para baixo confirma o que os dados vinham sinalizando há semanas: a guerra no Oriente Médio está travando a recuperação europeia. O encarecimento da energia eleva os custos de produção, reduz o poder de compra das famílias e força as empresas a segurar investimentos. Ao mesmo tempo, a inflação em 3%, a maior desde setembro de 2023, impede que o BCE adote uma postura mais flexível para estimular o crescimento.


O mercado continua precificando pelo menos uma alta de juros pelo BCE em junho, com grande probabilidade de uma segunda alta até dezembro. A reunião de 30 de junho será a mais importante do banco central europeu em anos e seu resultado terá impacto direto sobre os títulos europeus e sobre os ativos globais de renda fixa.


Conclusão


A semana que passou pode ser descrita em uma frase: a guerra chegou mais perto do fim e o mercado já está precificando esse cenário, mas com cautela.


A versão preliminar de acordo entre EUA e Irã, divulgada na quinta-feira, dia 21 de maio, foi o evento mais relevante desde o cessar-fogo de abril. Com previsão de cessar-fogo imediato e reabertura do Estreito de Ormuz com monitoramento partilhado, o documento representa o avanço mais concreto em semanas de negociação. O petróleo chegou a cair quase 6% em um único dia. O Ibovespa registrou sua maior alta desde o início de abril. E o real se valorizou, mantendo o dólar próximo de R$ 5,00.


Mas o acordo ainda não está assinado e o mercado aprendeu, ao longo de quase três meses de guerra, a não comemorar antes da hora. O impasse sobre o urânio iraniano persiste. O secretário Rubio deixou claro que pedágio no Estreito de Ormuz é linha vermelha para os EUA. E a décima alta consecutiva do IPCA no Focus, que chegou a 4,92% para 2026, lembra que as cicatrizes da guerra nos preços não somem com a assinatura de um documento. A Selic projetada para o fim de 2026 já está em 13,25%, quase 2 pontos percentuais acima do que o mercado esperava antes do conflito. O Copom de junho será decisivo: se o acordo se confirmar e o petróleo ceder, pode haver espaço para acelerar os cortes. Se o acordo rachar, o ciclo de afrouxamento perde força. Por fim, a reunião do BCE em junho, com a zona do euro crescendo apenas 0,90% em 2026 e inflação em 3%.


Seguimos monitorando de perto cada variável que impacta o patrimônio do RPPS. Nosso compromisso é com análises claras, decisões fundamentadas e ajustes oportunos, sempre com foco no que importa: garantir que o regime cumpra sua missão de pagar os benefícios dos servidores com segurança, pontualidade e sustentabilidade no tempo.


Estrutura de Alocação de Recursos


A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.


A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:


• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.


A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.


A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.


Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.


NOSSA VISÃO: Semana de 11 a 15 de Maio de 2026

Dois meses e meio de guerra. Inflação na nona alta consecutiva. Ibovespa na quinta semana negativa seguida. E o dólar de volta aos R$ 5,00, depois de semanas operando abaixo desse nível. A semana de 11 a 15 de maio de 2026 não trouxe alívio. Trouxe contas.


O IPCA de abril subiu 0,67% e o acumulado em 12 meses chegou a 4,39%, perigosamente próximo do teto da meta de 4,50%. A gasolina desacelerou e maquiou o número, mas os núcleos de inflação, aqueles que mostram a real tendência dos preços, subiram de 0,44% para 0,49%. A pressão está se espalhando. O mercado já projeta IPCA de 4,91% para 2026, com algumas estimativas chegando a 5,30%. A Selic, que em fevereiro se encaminhava para 11% no fim do ano, agora deve encerrar 2026 acima de 13%. No front externo, Trump foi à China, anunciou “acordos fantásticos”, incluindo a compra de 200 aeronaves da Boeing e produtos agrícolas, mas voltou com o Irã exatamente onde estava: sem acordo, com o Estreito de Ormuz praticamente fechado e as negociações de paz suspensas. A Europa, por sua vez, enfrenta o dilema mais delicado dos últimos anos: inflação em 3% acima da meta, PIB revisado para apenas 0,90% em 2026 e uma reunião do BCE em junho que pode mudar a direção de toda a política monetária europeia.





1 Inflação: IPCA de abril sobe 0,67%, alívio pontual que esconde pressão persistente


A inflação oficial do país registrou uma alta de 0,67% em abril, acumulando 4,39% nos últimos doze meses. À primeira vista, o resultado traz um alívio, já que mostra uma desaceleração em relação aos 0,88% de março e veio ligeiramente abaixo do que o mercado esperava (0,69% no mês e 4,40% no ano). No entanto, esse recuo é apenas superficial, pois foi provocado quase que exclusivamente pela gasolina, que desacelerou de uma alta de 4,59% para 1,86%. Por outro lado, os gastos essenciais continuaram pressionados, como no caso de alimentos e bebidas, que subiram 1,34% e saúde e cuidados pessoais, com alta de 1,16%. O sinal mais preocupante vem da média dos núcleos de inflação, indicador que exclui itens voláteis para mostrar a real tendência dos preços, que subiu de 0,44% para 0,49%, demonstrando que o aumento de preços está se espalhando pela economia.


Como essa pressão está mais espalhada, a inflação acumulada no bimestre março-abril ficou 0,80% acima do que a autoridade monetária previa, o que piorou as expectativas para o futuro. Nos relatórios de mercado, a projeção para a inflação de 2026 subiu de 4,89% para 4,91%, marcando a nona alta consecutiva, com algumas estimativas chegando a 5,30%.


2 Juros: Selic em 14,50%, mercado projeta que os juros vão cair menos do que o esperado e devem encerrar 2026 acima de 13%.


A taxa básica de juros (Selic) permanece em 14,50% ao ano, mas os debates sobre o futuro da nossa economia ganharam força. Diante de uma inflação resistente e do aumento das incertezas globais, a projeção do mercado para os juros no fim de 2026 subiu de 13% para 13,25%, sinalizando que o ritmo de queda será menor do que o estimado antes do cenário de conflito internacional. As análises indicam que o Banco Central deve realizar um corte muito sutil de apenas 0,25% na taxa Selic em junho, sem qualquer garantia de novas reduções nos meses seguintes. Essa postura conservadora se justifica por pressões internas importantes, como a inflação de serviços rodando próxima a 6,0% ao ano, o mercado de trabalho bastante aquecido e a previsão de maiores estímulos fiscais e de crédito antes das eleições que ocorrem no quarto trimestre de 2026.


Em fevereiro, as projeções de mercado indicavam uma taxa Selic final entre 11% e 11,5%, mas hoje o consenso já aponta para um patamar entre 13% e 13,75%. Essa diferença de comportamento na taxa básica de juros mexe diretamente com o planejamento financeiro, pois altera a rentabilidade esperada para os títulos prefixados e exige um acompanhamento rigoroso dos cálculos atuariais para garantir o atingimento das metas.


3 Crescimento Econômico: BNDES abre R$ 21 bilhões para apoiar setor produtivo afetado pela guerra.


Como resposta aos impactos econômicos do conflito internacional entre Estados Unidos e Irã, foi liberada uma linha de crédito de R$ 21 bilhões para apoiar o setor produtivo nacional e fortalecer as exportações. Esse suporte financeiro, que faz parte do plano Brasil Soberano, é composto por R$ 15 bilhões do governo federal e R$ 6 bilhões em recursos de fomento ao desenvolvimento. A medida busca blindar a economia em um momento delicado, visto que o desempenho das pequenas indústrias no primeiro trimestre de 2026 recuou para o menor patamar desde 2020, período do início da pandemia. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor vem sendo severamente afetado, com as preocupações agora concentradas na escassez e no alto custo das matérias-primas.


Em contrapartida, a temporada de balanços corporativos do primeiro trimestre trouxe sinais de forte resiliência em setores estratégicos. No segmento financeiro, uma das principais instituições do país reportou um lucro líquido ajustado de R$ 4,81 bilhões, o que representa um crescimento expressivo de 42% em relação ao mesmo período do ano anterior. O setor de telecomunicações também exibiu solidez, com a Telefônica Brasil registrando uma alta de 19,2% em seu lucro trimestral, que atingiu a marca de R$ 1,26 bilhão. Esses resultados demonstram que, apesar das dificuldades enfrentadas pela atividade industrial na base da economia, as grandes empresas de grande porte ainda conseguem sustentar uma performance financeira robusta.


4. Mercado de Capitais: Ibovespa acumula quinta semana negativa e opera abaixo dos 185 mil pontos.


A semana foi mais uma de pressão para o Ibovespa, que acumulou a quinta semana negativa consecutiva, a maior sequência de perdas do ano. O índice abriu a segunda-feira (11de maio) próximo dos 184,3 mil pontos e foi cedendo ao longo da semana, pressionado pelo impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã, pela inflação persistente e pela cautela dos investidores globais. Na terça (12de maio), com a divulgação simultânea do IPCA brasileiro e do CPI americano, ambos acima do esperado, o índice recuou para a faixa dos 182,6 mil pontos. A Petrobras, que chegou a valorizar mais de 50% no acumulado de 2026, acumula perdas de quase 7% em maio, refletindo um movimento de realização após a disparada dos últimos meses.


Na sexta-feira (15), o Ibovespa encerrou mais uma semana no vermelho, consolidando uma correção de cerca de 8% em relação à máxima histórica registrada em meados de abril. O resultado reflete o efeito combinado de três fatores negativos que se retroalimentam: inflação estruturalmente pressionada, guerra no Oriente Médio sem solução à vista e o impasse na cúpula Trump-Xi que não trouxe avanços concretos para o encerramento do conflito. Apesar da queda recente, analistas ressaltam que os fundamentos brasileiros permanecem sólidos e que o recuo do índice pode representar um ponto de entrada mais atrativo para investidores de longo prazo.


5. Câmbio: Dólar volta a R$ 5 na sexta, real perde força com inflação e impasse no Oriente Médio.


A semana marcou uma virada relevante no câmbio: o dólar, que havia se firmado abaixo de R$ 5 desde o início de abril, voltou a testar esse patamar com força.
Na sexta-feira (15de maio), o dólar voltou aos R$ 5,00 encerrando a sequência em que a moeda americana havia operado consistentemente abaixo desse nível. O movimento refletiu a combinação de inflação pressionada nos EUA, impasse nas negociações sobre o Irã e a postura mais cautelosa dos investidores globais.


Ainda assim, o real permanece como uma das moedas de melhor desempenho no mundo em 2026, com queda acumulada do dólar de cerca de 7% a 9% no ano. O mercado reduziu a projeção do dólar para R$ 5,20 ao fim de 2026, abaixo dos R$ 5,25 projetados na semana anterior, indicando que analistas ainda veem espaço para valorização do real no longo prazo, mesmo com a volatilidade de curto prazo.


EUA: Trump vai à China, anuncia “acordos fantásticos”, mas Irã segue sem solução.


As relações globais ganharam um novo capítulo com a visita histórica do presidente americano Donald Trump à China entre os dias 13 e 15 de maio, marcando a primeira viagem de um líder dos Estados Unidos ao país em nove anos. No encontro oficializado no dia 14 de maio, as duas potências demonstraram alinhamento diplomático ao declararem que o Irã não deve desenvolver armas nucleares e que o Estreito de Ormuz precisa seguir aberto para garantir o livre fluxo de energia. O encerramento da agenda trouxe otimismo comercial com o anúncio de acordos de cooperação que incluem a compra, por parte da China, de produtos agrícolas, energéticos e de 200 das maiores aeronaves da Boeing.


Apesar dos avanços comerciais e da cordialidade exibida, a cúpula trouxe resultados práticos limitados para o encerramento da guerra. A China, que é a principal compradora do petróleo iraniano, evitou citar o país nominalmente em seus discursos, indicando que o apoio direto à estratégia americana na região ainda é restrito. Diante disso, o governo dos Estados Unidos endureceu o tom, afirmando que sua paciência está se esgotando e que um acordo precisa ser feito. O cenário de resolução continua complexo, uma vez que as conversações de paz mediadas pelo Paquistão seguem suspensas desde a semana passada, após ambas as partes rejeitarem as últimas propostas apresentadas mutuamente.


China: Recebe Trump com pompa, mas protege seus interesses e o Irã.


A recepção do líder americano em Zhongnanhai, sede do Partido Comunista Chinês, sinalizou uma busca por relações construtivas, embora a China tenha blindado firmemente seus interesses nos bastidores. O presidente Xi Jinping adotou um posicionamento mais rígido sobre Taiwan, alertando abertamente para o risco de um conflito com os Estados Unidos. Paralelamente às conversas presidenciais, a tensão no Oriente Médio aumentou com novos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica que permanece praticamente fechada para o comércio global, com exceção de liberações pontuais garantidas pelo Irã para navios de bandeira japonesa e chinesa. Diante desse cenário, a cúpula acabou apenas reforçando termos que Pequim já sustentava, como a garantia do livre fluxo marítimo e o compromisso de não fornecer equipamentos militares ao governo iraniano.


Na vertente comercial, os resultados foram mais palpáveis, com o governo chinês se comprometendo a adquirir aeronaves da Boeing, além de energia e produtos agrícolas no mercado norte-americano. Esse rearranjo nas trocas comerciais globais gera um reflexo indireto e favorável para o Brasil, uma vez que a concentração de compras na América do Norte diminui a concorrência por fornecedores e ajuda a sustentar o forte apetite da China pelas commodities brasileiras. Assim, a dinâmica econômica fechada entre as duas maiores potências do mundo acaba preservando o fluxo de exportações e o planejamento de mercado para os produtores nacionais.


Zona do Euro. Banco Central Europeu na encruzilhada: subir juros para conter a inflação ou segurar a mão para não sufocar a economia?


A Europa chegou à semana de 11 a 15 de maio com um dilema de difícil solução: a inflação da zona do euro chegou a 3% em abril — acima da meta de 2% do BCE, pressionada pelo petróleo elevado desde o início da guerra. Ao mesmo tempo, a economia europeia dá sinais claros de enfraquecimento, com o crescimento do PIB da zona do euro revisado para apenas 0,90% em 2026. Subir juros ajuda a conter a inflação, mas pode sufocar uma economia que já está cambaleando, esse é o dilema que o BCE precisará resolver na reunião de junho.


O presidente do Banco da Grécia e membro do conselho do BCE, Yannis Stournaras, resumiu bem o cenário: “As preocupações com a possibilidade de uma recessão na zona do euro são reais e justificadas.” O mercado já precifica pelo menos uma alta de juros pelo BCE até julho, com grande chance de uma segunda alta até dezembro.


Conclusão.


A semana confirmou o que os dados vinham sinalizando há semanas: o conflito no Oriente Médio deixou de ser apenas um problema externo e passou a ser um problema doméstico. O IPCA de abril, embora menor que o de março, revelou núcleos pressionados, serviços rodando próximos de 6% ao ano e alimentos ainda em alta. A inflação acumulada no bimestre março-abril ficou 0,80 ponto percentual acima do que o Banco Central projetava. Isso tem consequência direta na Selic: o mercado já precifica um ciclo de cortes menor e mais lento, com os juros encerrando 2026 entre 13% e 13,75%, bem acima dos 11% projetados antes da guerra. Para o RPPS, isso significa que a renda fixa de curto prazo segue entregando retornos elevados, mas o planejamento atuarial precisa ser revisado com base em uma taxa terminal mais alta e um ciclo de cortes mais contido.


No cenário externo, a cúpula Trump-Xi em Pequim foi o grande evento da semana e a maior decepção. Cordialidade, fotos e “acordos fantásticos”, mas nenhum avanço concreto sobre o Irã. O Estreito de Ormuz segue fechado para a maior parte do tráfego mundial. As negociações de paz estão suspensas. O petróleo permanece acima de US$ 100 o barril. E a Europa já discute abertamente a possibilidade de subir os juros pela primeira vez desde 2023, com o BCE diante da escolha mais difícil desde a crise da dívida: combater inflação de 3% ou proteger uma economia que crescerá apenas 0,9% em 2026. Para o RPPS com diversificação internacional, a reunião do BCE em junho é um evento de atenção máxima.


Para o RPPS com carteira doméstica, o recado é igualmente claro: o Ibovespa acumula queda de cerca de 8% desde as máximas históricas de abril, mas os fundamentos brasileiros permanecem sólidos e momentos de correção com fundamentos intactos historicamente representam pontos de entrada mais atrativos para o longo prazo.


Seguimos monitorando de perto cada variável que impacta o patrimônio do RPPS. Nosso compromisso é com análises claras, decisões fundamentadas e ajustes oportunos, sempre com foco no que importa: garantir que o regime cumpra sua missão de pagar os benefícios dos servidores com segurança, pontualidade e sustentabilidade no tempo.


Estrutura de Alocação de Recursos.


A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.


A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:


• Curto prazo garante liquidez imediata;


• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;


• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.


A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.


A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.


Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.


Cálculo de Rentabilidade sobre Resgates: Precisão, Transparência e Aderência às Melhores Práticas

A mensuração da rentabilidade em carteiras com múltiplos aportes e resgates é um dos principais desafios da gestão de investimentos, especialmente no contexto dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). A ausência de uma metodologia clara e consistente pode gerar distorções relevantes, comprometendo não apenas a leitura da performance real, mas também a transparência perante órgãos de controle e a qualidade da tomada de decisão.


Nesse cenário, a adoção de critérios técnicos robustos deixa de ser apenas uma escolha operacional e passa a ser um requisito essencial de governança. Uma abordagem estruturada para o cálculo da rentabilidade sobre resgates contribui diretamente para a confiabilidade das informações e para o fortalecimento dos processos de controle.


A metodologia baseada no conceito FIFO (First In, First Out) se destaca como uma das mais adequadas para esse tipo de análise. Por esse critério, os primeiros aportes realizados são considerados como os primeiros a serem resgatados. Na prática, isso significa que cada resgate é vinculado a aportes históricos específicos, permitindo que a rentabilidade seja apurada com base no custo efetivo de cada entrada de recurso.


Esse modelo assegura maior fidelidade ao histórico do investimento, além de garantir consistência na apuração dos resultados. Ao evitar médias simplificadas ou critérios genéricos, o FIFO proporciona uma visão mais precisa da performance, especialmente em carteiras com elevada movimentação.


Além disso, a metodologia está alinhada às diretrizes do IPC 14, que orienta a correta mensuração dos resultados das carteiras dos RPPS. Entre os princípios destacados estão a fidedignidade na apuração da rentabilidade, a consistência metodológica ao longo do tempo, a rastreabilidade das informações e a transparência dos critérios utilizados. Esses elementos são fundamentais para assegurar que os resultados apresentados possam ser verificados e auditados com clareza.


A integração com o Pro-Gestão RPPS reforça ainda mais a relevância dessa abordagem. A utilização de metodologias estruturadas contribui para a evolução dos níveis de governança, aprimora os processos internos e fortalece a capacidade dos institutos de atender às exigências regulatórias.


Do ponto de vista prático, a implementação desse modelo é especialmente indicada para instituições que buscam aprimorar a prestação de contas, reduzir riscos operacionais, aumentar a segurança técnica das análises e oferecer melhor suporte ao Comitê de Investimentos.


Em um ambiente cada vez mais regulado e exigente, não basta apresentar resultados — é indispensável demonstrar, com rigor técnico, como eles foram obtidos. A adoção de uma metodologia aderente às melhores práticas representa, portanto, um avanço significativo no nível de maturidade da gestão.


Mais do que uma solução técnica, trata-se de um passo estratégico: fortalecer a governança, elevar a credibilidade institucional e garantir que a gestão dos recursos previdenciários seja conduzida com precisão, transparência e responsabilidade.


Por: Diego Lira de Moura
Economista | Diretor de Investimentos

NOSSA VISÃO: Semana de 4 a 8 de Maio de 2026

A primeira semana de maio de 2026 foi marcada pelo colapso da trégua entre Estados Unidos e Irã, após ataques nos Emirados Árabes que levaram o petróleo a ultrapassar a barreira dos US$ 110 o barril. Esse choque geopolítico travou as exportações chinesas e pressionou a inflação global, forçando os grandes bancos centrais a uma postura mais rígida. Enquanto Jerome Powell manteve os juros americanos entre 3,50% e 3,75% sem sinais de queda, a Europa já discute novos aumentos para junho para frear a inflação de 3%.


No Brasil, o impacto foi sentido na deterioração das expectativas de longo prazo. Embora o câmbio tenha resistido abaixo dos R$ 5,00, o Boletim Focus registrou a oitava alta seguida na projeção do IPCA para 2026, agora em 4,89%. O dado mais alarmante para a gestão de recursos é a descontrole em das expectativas para 2028, sinalizando que o mercado perdeu a confiança na convergência da inflação mesmo em horizontes distantes. Esse cenário de preços em alta e bolsa em queda coloca em xeque o ciclo de cortes da Selic e impõe desafios severos para o cumprimento das metas atuariais dos RPPS, exigindo uma revisão defensiva nas estratégias de alocação.





1 Inflação: Focus registra oitava alta consecutiva: IPCA projetado a 4,89% e mercado já vê Selic em dois dígitos em 2029.


A deterioração das expectativas de inflação no Boletim Focus de 4 de maio de 2026 trouxe um alerta crítico para a gestão de ativos. O IPCA projetado para 2026 atingiu 4,89%, consolidando a oitava alta consecutiva e evidenciando o choque provocado pelo conflito entre EUA e Irã, que elevou a estimativa em quase 1 ponto percentual desde fevereiro. Esse movimento não é isolado, com o IGP-M também escalando para 5,50%, refletindo a pressão do petróleo sobre toda a cadeia de custos, desde os fretes até os alimentos.


O ponto de maior gravidade para o horizonte de investimentos, contudo, é a mudança na percepção de longo prazo: pela primeira vez, o mercado projeta a Selic em dois dígitos até 2029. Essa precificação de um ambiente de juros altos por tempo prolongado sinaliza que o mercado perdeu a confiança em uma normalização rápida da economia após o conflito. Para o gestor de RPPS, isso traduz um cenário de restrição monetária persistente, onde as metas atuariais tornam-se mais difíceis de serem alcançadas e a volatilidade exige uma postura defensiva e estratégica na alocação de recursos.


2 Juros: Ata do Copom surpreende com tom duro: inflação fora do controle chega a 2028 e cortes da Selic ficam em risco.


A divulgação da ata do Copom no dia 5 de maio trouxe uma mensagem muito mais rigorosa do que o mercado esperava, alterando as perspectivas para o futuro dos juros no Brasil. Embora o Banco Central tenha confirmado a redução da Selic para 14,50%, o texto detalhado da ata revelou uma preocupação profunda com a inflação a longo prazo. Pela primeira vez na história recente, a autoridade monetária sinalizou que as expectativas de preços estão “desancoradas” (ou seja, fora da meta) até 2028, um horizonte muito mais distante do que o BC costuma utilizar para calibrar suas decisões.


Essa mudança de tom ocorre porque os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio estão se mostrando mais persistentes do que o previsto, contaminando as projeções para além de 2027. Na prática, para o gestor de RPPS, isso significa que o otimismo anterior deu lugar à cautela. Aquele ciclo de queda de juros que prometia levar a Selic para 11% ao final de 2026 foi frustrado; agora, a estimativa é que a taxa termine o ano em 13,25%, com o risco real de ficar ainda mais alta. Em resumo, embora os cortes de juros devam continuar, eles serão feitos em um ritmo muito mais lento (“conta-gotas”) e pararão em um patamar bem mais elevado do que o planejado antes do conflito.


3 Crescimento Econômico: Guerra reabre feridas: petróleo volta acima de US$ 100 e atividade sob pressão.


O cenário global se complicou com a quebra do cessar-fogo entre EUA e Irã, resultando em novos ataques nos Emirados Árabes e no bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do suprimento mundial de petróleo. Como consequência, o barril voltou a ser negociado acima de US$ 110, levando o Banco Mundial a projetar uma alta de 24% nos preços de energia em 2026, o maior patamar desde a invasão da Ucrânia. No Brasil, essa carestia energética pressiona diretamente os custos de frete e alimentos, corroendo o poder de compra e ameaçando o consumo das famílias, que é o grande motor da nossa economia.


Por outro lado, o setor de serviços brasileiro surge como um importante “colete à prova de balas” contra a crise externa. Em fevereiro de 2026, o volume de serviços registrou uma variação positiva de 0,1%, atingindo o topo histórico da série e ficando 20% acima do nível registrado em fevereiro de 2020. Essa resiliência é fundamental, pois atua como um amortecedor para a atividade econômica nacional, compensando parte da instabilidade internacional e garantindo que o crescimento doméstico não pare totalmente diante do cenário inflacionário global.


4. Mercado de Capitais: Quarta semana negativa em maio – Ibovespa não consegue sustentar altas com guerra renovada.


O Ibovespa iniciou o mês de maio sob forte pressão das tensões no Oriente Médio, registrando queda de 0,92% na segunda-feira (4) e fechando aos 185.600 pontos. Esse movimento consolidou a quarta semana consecutiva de perdas, marcando uma correção de aproximadamente 6% em relação ao topo histórico de mais de 199 mil pontos alcançado em abril. Atualmente, o índice oscila na faixa entre 186 mil e 188 mil pontos, refletindo uma saída de capital estrangeiro motivada pelo cenário global, e não por uma piora direta nos fundamentos da economia brasileira.


Ao longo da semana, o mercado dividiu suas atenções entre a divulgação da ata do Copom na terça-feira (05 de maio) e a safra de resultados financeiros das empresas. Apesar do clima de cautela generalizada, houve um respiro positivo na sexta-feira (08 de maio), quando o índice conseguiu encerrar o dia em alta, sustentado principalmente pelo desempenho dos grandes bancos e do setor de consumo. Esse avanço pontual reforça a visão de analistas de que a baixa recente é uma reação externa ao conflito, enquanto a estrutura das companhias nacionais segue apresentando números que servem de suporte para o mercado.


5. Câmbio: Dólar oscila abaixo de R$ 5 e fecha a semana a R$ 4,89.


O câmbio brasileiro demonstrou uma resiliência surpreendente ao se manter abaixo de R$ 5,00, mesmo com o petróleo acima de US$ 110 e a retomada das tensões globais. Na sexta-feira (08 de maio), o dólar comercial recuou 0,59%, fechando a R$ 4,894, com análises técnicas já projetando a moeda no patamar de R$ 4,79. Esse desempenho positivo reflete uma tendência sólida iniciada em abril, mês em que a divisa caiu 4,38%, acumulando uma valorização do real de aproximadamente 9% no decorrer de 2026.


O principal fator que sustenta essa força do real é o grande diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, que atrai o investidor estrangeiro. Com a Selic em 14,50% contra os juros americanos entre 3,50% e 3,75%, o Brasil permanece como um destino lucrativo para o capital internacional. Diante dessa estrutura favorável, as projeções do Itaú BBA foram ajustadas para R$ 5,15 ao final de 2026, indicando que os analistas preveem uma valorização consistente da nossa moeda ao longo de todo o ano, apesar do cenário externo desafiador.


EUA: Powell faz sua (provavelmente) última reunião no Fed e mantém juros mais uma vez.


Na quarta-feira (06 de maio), o Federal Reserve (Fed) manteve os juros americanos entre 3,50% a 3,75%, patamar que se mantém estável desde dezembro de 2025. A decisão foi influenciada pelo cenário de incerteza gerado pelo petróleo acima de US$ 100, o que dificulta a previsão entre uma recessão econômica ou uma nova escalada inflacionária. O período também marca a transição na liderança do banco central, com a saída de Jerome Powell e a provável chegada de Kevin Warsh, enquanto a dirigente Beth Hammack, do Fed de Cleveland, reforçou à rádio WOSU que as taxas devem permanecer elevadas por um longo tempo, descartando cortes imediatos.


No campo geopolítico, a tensão aumentou com o lançamento do Projeto Liberdade na segunda-feira (04 de maio), uma iniciativa de Donald Trump para escoltar navios retidos no Estreito de Ormuz. A medida gerou um confronto diplomático e militar direto com o Irã, que emitiu alertas severos contra a entrada de forças dos EUA na região. Essa disputa estratégica serviu como o principal motor para a volatilidade nos mercados globais, mantendo os preços do petróleo sob forte pressão e as bolsas em estado de alerta máximo diante dos riscos de um desdobramento militar.


China: Mantém juros pelo 11º mês consecutivo e reduz meta de crescimento para 2026.


A China optou pela estabilidade ao manter suas taxas de juros de referência inalteradas pelo 11º mês seguido, mesmo após registrar um crescimento de 5% no primeiro trimestre de 2026. Embora esse desempenho tenha superado os 4,5% do período anterior e atingido o teto das expectativas, o governo chinês adotou uma postura de cautela histórica ao reduzir a meta de crescimento anual para a faixa entre 4,5% e 5%, o patamar menos ambicioso estabelecido desde a década de 1990.


Apesar do início de ano positivo, os dados de março já mostram as cicatrizes dos conflitos globais: o crescimento das exportações desabou para 2,5%, vindo de um ritmo de 21,8% no primeiro bimestre, devido à instabilidade nas rotas marítimas. Além disso, os preços de fábrica saíram da deflação pela primeira vez em mais de três anos, trazendo o risco de uma inflação de custos que prejudica a produção. Para o Brasil, a manutenção do crescimento chinês acima de 4,5% é fundamental, pois garante a demanda por soja, minério de ferro e petróleo, sustentando a balança comercial e impulsionando indiretamente os ativos de risco no Ibovespa.


Zona do Euro. Inflação chega a 3% em abril, a maior desde setembro de 2023, e BCE se prepara para agir.


A zona do euro viveu uma semana de “curto-circuito” econômico, com a inflação dando um salto que mudou completamente o tom do discurso oficial. Joachim Nagel, presidente do Bundesbank e membro do BCE, alertou que os efeitos da guerra no Oriente Médio serão duradouros. Segundo dados da Eurostat, a inflação ao consumidor disparou de 2,6% em março para 3% em april de 2026, atingindo o maior patamar desde setembro de 2023. Esse avanço afasta o bloco da meta oficial de 2% e sinaliza que o custo de vida pode permanecer elevado enquanto o conflito persistir, exigindo uma postura mais rígida das autoridades monetárias.


O grande dilema agora é que o Banco Central Europeu (BCE) vinha em uma trajetória de estímulo, tendo realizado oito cortes de juros desde junho de 2025 para tentar reanimar uma economia fragilizada. No entanto, a aceleração para 3% força o banco a um possível “cavalo de pau” em sua estratégia. Nagel já sinalizou que a reunião de junho será o divisor de águas: se as novas projeções não mostrarem uma melhora significativa, o BCE poderá ser obrigado a subir os juros novamente. Para o mercado, isso significa que a prioridade mudou de “ajudar o crescimento” para “combater o incêndio dos preços”, mesmo que isso custe uma recessão mais profunda na Europa.


Conclusão.


A semana consolidou o fim do cessar-fogo no Oriente Médio, elevando o petróleo acima de US$ 110 o barril e empurrando a projeção do IPCA de 2026 para 4,89% (a 8ª alta consecutiva). A ata do Copom divulgada na terça-feira (5) revelou um descontrole das metas de inflação até 2028, fazendo com que o mercado já preveja juros em dois dígitos em 2029. Com isso, o ciclo de cortes da Selic, que antes do conflito era projetado para atingir 11%, foi severamente reduzido diante de um cenário de preços pressionados e incertezas geopolíticas duradouras.


Por outro lado, indicadores de resiliência ajudam a equilibrar o quadro: o dólar fechou a semana a R$ 4,89 e o setor de serviços atingiu o topo histórico em fevereiro, enquanto o setor de locação e consumo registrou lucros 45% maiores que no início de 2025. O crescimento de 5% da China no 1º trimestre também sustenta a demanda por commodities brasileiras. Para o gestor, o foco deve estar em proteger o capital com NTN-Bs contra a inflação acima de 4,5% e observar a correção de 6% na bolsa como oportunidade, aguardando as decisões do Copom e do BCE em junho.


Estrutura de Alocação de Recursos.


A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.


A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.


A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.


A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.


Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.




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