A semana de 16 a 20 de fevereiro de 2026, foi marcada pelo retorno do Carnaval no Brasil, pela divulgação da ata do Federal Reserve (banco central dos EUA) e pela decisão histórica da Suprema Corte americana derrubando as tarifas do governo Trump. No Brasil, o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), fechou acima dos 190 mil pontos pela primeira vez na história, ao mesmo tempo em que o Banco Central publicou dados positivos sobre a atividade econômica em 2025.

Inflação: Expectativas caem pela sexta semana seguida e se aproximam da meta.
O Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central do Brasil, reúne as expectativas de inflação, crescimento, juros e câmbio coletadas junto a analistas e instituições financeiras. A publicação ocorre tradicionalmente às segundas-feiras ou, em caso de feriado, na quarta-feira seguinte (como aconteceu na semana do Carnaval, em 18/02). Trata-se de uma referência importante para o mercado e para gestores de portfólio.
Na edição de 18 de fevereiro, a mediana das projeções para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, a medida oficial da inflação brasileira) recuou pela sexta semana consecutiva, passando de 3,97% para 3,95% ao ano em 2026. Para 2025, a estimativa ficou em 4,44%, dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação (3% ± 1,5 ponto percentual).
As projeções de longo prazo permanecem estáveis: 3,80% em 2027 e 3,50% em 2028 e 2029. Esses números, abaixo do teto da meta, reforçam a expectativa de uma trajetória de desinflação gradual ao longo do horizonte de projeção.
Juros: Selic em 15% ao ano, mas o ciclo de cortes está às portas
A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida a cada 45 dias pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Ela influencia diretamente o custo do crédito, os rendimentos da renda fixa e, indiretamente, o nível de preços e o crescimento econômico. Juros mais altos encarecem o crédito e reduzem o consumo, ajudando a controlar a inflação.
Atualmente, a Selic permanece em 15,00% ao ano, patamar mantido desde a última reunião do Copom em janeiro. O Banco Central sinalizou, na ata da reunião, intenção de iniciar a redução dos juros já na próxima reunião, marcada para 17 e 18 de março de 2026. O mercado projeta Selic de 12,25% ao fim de 2026 queda de 2,75 pontos percentuais ao longo do ano.
Atividade Econômica: Brasil cresceu 2,5% em 2025 e surpreendeu o mercado
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) é um indicador mensal que reúne dados de indústria, comércio, serviços, agropecuária e arrecadação de impostos. O Banco Central o utiliza para acompanhar a evolução da economia e fundamentar as decisões de política monetária. Embora não substitua o PIB oficial (calculado pelo IBGE e publicado trimestralmente), o IBC-Br oferece uma leitura mais tempestiva do ritmo de crescimento.
Em dezembro de 2025, o IBC-Br recuou 0,2% na comparação com novembro, resultado melhor que o esperado pelo mercado, que projetava queda de 0,5%. Na comparação com dezembro de 2024, houve crescimento de 3,1%. No acumulado de 2025, o indicador avançou 2,5%, superando a projeção do Ministério da Fazenda (2,2% a 2,3%) e a mediana do Boletim Focus (2,25%) à época.
O resultado foi puxado pelo forte desempenho da agropecuária, que cresceu 13,1% no ano. A indústria avançou 1,5% e os serviços 2,1%. O trimestre encerrado em dezembro registrou alta de 0,4% em relação ao trimestre encerrado em setembro, confirmando uma desaceleração ordenada no segundo semestre, sem reversão do crescimento.
Mercado de Capitais: Ibovespa entra para a história ao fechar acima dos 190 mil pontos
O Ibovespa é o principal índice de ações da B3 (bolsa de valores brasileira) e mede o desempenho médio de uma carteira teórica composta pelas ações mais negociadas, ponderadas pelo valor de mercado. Quando o índice sobe, significa que as ações das principais empresas brasileiras estão se valorizando, refletindo em geral o otimismo dos investidores em relação ao crescimento e à rentabilidade futura das companhias.
A semana foi histórica para a bolsa brasileira, mesmo com o calendário encurtado pelo Carnaval (feriado em 16 e 17 de fevereiro, retorno em 18/02). Na quarta-feira (18/02), o Ibovespa encerrou em queda de 0,24%, aos 186.016 pontos, pressionado pela cautela dos investidores após a divulgação da ata do Fed (banco central dos EUA), que adotou um tom mais conservador quanto ao corte de juros. Já na sexta-feira (20/02), a decisão da Suprema Corte dos EUA derrubando as tarifas do governo Trump impulsionou o otimismo global, e o Ibovespa disparou 1,06%, fechando em 190.534 pontos: o primeiro fechamento acima dos 190 mil pontos da história.
No acumulado de 2026, o índice já registra valorização de 18,25%, consolidando um início de ano marcado por forte desempenho do mercado acionário brasileiro.
Câmbio: Dólar recua com otimismo global e atinge menor nível em quase dois anos
A semana foi de valorização do real frente ao dólar. Na quarta-feira (18/02), com os mercados atentos à ata do Fed (Banco Central dos EUA), o dólar fechou em R$ 5,2401, leve alta de 0,21% no dia. Na sexta-feira (20/02), em sessão marcada por forte apetite ao risco nos mercados globais e continuidade do ingresso de capital estrangeiro no Brasil, o dólar encerrou em R$ 5,1759; recuo de 0,98% no dia e o menor patamar desde maio de 2024.
No acumulado de 2026, o dólar já caiu 4,53% frente ao real. Quando investidores internacionais compram ações brasileiras, precisam converter dólares em reais, o que aumenta a oferta de dólares no mercado e pressiona a cotação para baixo.
China: Ano Novo Lunar paralisa mercados, mas FMI mantém projeção de crescimento em 4,5%
Os mercados da China continental, Hong Kong e Taiwan permaneceram fechados entre 16 e 20 de fevereiro devido ao Ano Novo Lunar (Ano do Cavalo, iniciado em 17/02), o que reduziu a liquidez global, um movimento esperado nessa época.
O FMI (Fundo Monetário Internacional) manteve, em nota divulgada em 19/02, sua projeção de crescimento da China em 4,5% para 2026. Os principais riscos apontados foram a contração mais profunda do setor imobiliário e uma possível escalada das tensões comerciais com os EUA. Em 2025, a economia chinesa cresceu 5,0%, atingindo a meta do governo, embora o quarto trimestre tenha desacelerado para 4,5%.
EUA: Fed freia corte de juros e Suprema Corte anula tarifas de Trump em semana decisiva
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA decidiu, por 6 votos a 3, que o governo Trump não poderia usar a IEEPA (lei de 1977 que dá poderes emergenciais ao presidente para regular importações e exportações) como base para impor tarifas generalizadas. O relator, ministro John Roberts, destacou que apenas o Congresso tem competência para criar tributos sobre importações.
Essas tarifas, conhecidas como “Liberation Day tariffs”, haviam sido criadas em abril de 2025 e já tinham arrecadado mais de US$ 160 bilhões. A decisão não afetou tarifas específicas de outros setores, como aço e alumínio.
Em resposta, Trump anunciou novas tarifas globais de 10%, elevadas para 15% no dia seguinte, com base em outra lei (Seção 122 da Lei de Comércio de 1974), que permite tarifas temporárias sem aprovação imediata do Congresso.
O impacto foi imediato: bolsas emergentes, como a do Brasil, subiram; o dólar caiu globalmente; e as expectativas de inflação nos EUA melhoraram, já que a retirada das tarifas reduziu custos de importação. Porém, a incerteza continua, pois as novas tarifas voltaram a tensionar o comércio internacional.
Zona do Euro. BCE em compasso de espera
Na reunião de 5 de fevereiro de 2026, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de depósito em 2,00% ao ano, nível considerado neutro. A decisão foi unânime e em linha com as expectativas do mercado, com a próxima reunião marcada para 19 de março.
A inflação ao consumidor da Zona do Euro caiu para 1,7% em janeiro de 2026, ficando abaixo da meta de 2% pela primeira vez desde setembro de 2024, puxada principalmente pela queda de 4,1% nos preços de energia. A inflação núcleo também recuou, de 2,3% para 2,2%.
As projeções do BCE indicam inflação média de 1,9% em 2026, 1,8% em 2027 e 2,0% em 2028. Para o crescimento, a expectativa é de 1,2% em 2026, revisada para cima em 0,1 ponto percentual, impulsionada pela demanda interna, especialmente investimentos em infraestrutura e defesa na Alemanha.
A presidente Christine Lagarde destacou que a valorização do euro (cerca de +14% frente ao dólar em 12 meses) ajuda a conter a inflação ao baratear importações, mas também reduz a competitividade das exportações europeias. Esse fator será monitorado para avaliar se há espaço para novas reduções de juros em 2026.
Conclusão
O Brasil viveu um momento histórico, com o Ibovespa superando os 190 mil pontos pela primeira vez, apoiado pelo crescimento econômico de 2,5% em 2025, acima das projeções. O otimismo interno foi reforçado pela queda das expectativas de inflação e pela sinalização de que o Banco Central deve iniciar a redução da Selic já em março de 2026.
No cenário externo, a decisão da Suprema Corte dos EUA de anular tarifas comerciais ampliou o apetite ao risco global, levando o dólar ao menor nível desde maio de 2024 (R$ 5,17).
Na China, os mercados ficaram fechados pelo Ano Novo Lunar, mas o FMI manteve a projeção de crescimento em 4,5% para 2026, apesar dos riscos ligados ao setor imobiliário e às tensões comerciais com os EUA.
Por fim, na Zona do Euro, a inflação recuou para 1,7% em janeiro, abaixo da meta de 2%, o que permitiu ao BCE manter os juros em patamar neutro, enquanto monitora os efeitos da valorização do euro frente ao dólar.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.
A semana de 09 a 13 de fevereiro de 2026 foi positiva para o Brasil em múltiplas dimensões. A inflação de janeiro veio controlada e dentro da meta, o Ibovespa renovou recordes históricos, o real seguiu valorizando frente ao dólar e o mercado antecipa com crescente confiança o início do ciclo de cortes da Selic em março. No cenário externo, o CPI americano moderado aliviou tensões globais, embora o núcleo resistente mantenha o Fed cauteloso. A China cresce, mas em ritmo mais lento, enquanto a Zona do Euro ensaia recuperação gradual. O Brasil chega ao Carnaval com humor construtivo nos mercados, mas sem esquecer que a política monetária ainda é restritiva e que o cenário de tarifas comerciais globais segue como variável de risco a monitorar.

Inflação no Brasil: IPCA de Janeiro: 0,33%.
O IPCA de janeiro de 2026, divulgado pelo IBGE, registrou alta de 0,33%, repetindo o resultado de dezembro de 2025. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,44%, acima dos 4,26% anteriores, mas ainda dentro do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo sistema de metas contínuas.
O grupo Transportes foi o principal responsável pela pressão inflacionária, com avanço de 0,60% e impacto de 0,12 ponto percentual no índice. Dentro dele, os combustíveis tiveram destaque: gasolina (+2,06%), etanol (+3,44%), óleo diesel (+0,52%) e gás veicular (+0,20%). Essa alta foi impulsionada pelo reajuste do ICMS estadual e pelo aumento das tarifas de ônibus urbano em várias capitais.
Por outro lado, houve alívio no grupo Habitação, que caiu 0,11% em janeiro, puxado pela redução de 2,73% na energia elétrica residencial. A mudança da bandeira tarifária de amarela (com cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh) em dezembro para verde (sem custo adicional) em janeiro foi determinante para esse recuo.
Outro ponto positivo foi a inflação de alimentos, que atingiu o menor resultado desde 2006. Já o grupo de serviços avançou apenas 0,10%, o menor nível desde junho de 2024, acumulando 5,29% em 12 meses. Esse dado é relevante porque a inflação de serviços é considerada sensível ao aquecimento da demanda interna; sua desaceleração indica que a política monetária restritiva do Banco Central está surtindo efeito.
Juros no Brasil: Selic em 15% ao ano
A taxa Selic foi mantida em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006, decisão já antecipada pelo mercado. O Copom sinalizou que o próximo movimento será o início do ciclo de cortes, previsto para março, desde que a inflação permaneça sob controle e não haja mudanças inesperadas no cenário econômico. Essa expectativa é reforçada pelo Boletim Focus, que mostrou nova queda nas projeções para o IPCA de 2026, passando de 3,99% para 3,97%, além de estimativas de 3,80% para 2027 e 3,50% para 2028, indicando confiança na trajetória de desaceleração dos preços.
Quanto aos juros, o mercado projeta uma redução gradual ao longo do ano, com a mediana das previsões para a Selic em 12,25% em 2026. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou o compromisso com uma condução monetária independente e responsável, destacando que os cortes serão feitos de forma “comedida”. Essa postura trouxe tranquilidade ao mercado, que vê na combinação de inflação em queda e juros elevados um espaço seguro para iniciar a flexibilização da política monetária.
Crescimento econômico: Varejo desacelera no fim de 2025
Em dezembro de 2025, o comércio varejista nacional registrou uma queda de 0,4% em relação a novembro, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE. Apesar desse recuo no fechamento do ano, na comparação com dezembro de 2024 houve um crescimento de 2,3%, o que levou o setor a acumular uma expansão de 1,6% em 2025. Esses números refletem o impacto da política monetária restritiva, marcada pela Selic em 15% ao ano durante grande parte do período, que reduziu gradualmente a demanda interna e contribuiu para a desaceleração da atividade econômica no segundo semestre.
Para 2026, as projeções apontam para um crescimento do PIB de 1,8%, com expectativa de melhora ao longo do ano. Essa reaceleração deve ocorrer à medida que o ciclo de cortes de juros avance, estimulando o crédito e o consumo. Assim, o cenário indica uma transição: de um 2025 marcado por freio na atividade econômica para um 2026 em que a flexibilização da política monetária pode abrir espaço para maior dinamismo no mercado interno.
Bolsa (Ibovespa): Semana histórica para o Ibovespa
Na semana, o Ibovespa viveu momentos de forte valorização e marcou novos recordes históricos. Na segunda-feira, dia 09 de fevereiro, o índice fechou acima dos 186 mil pontos, impulsionado pela alta das principais ações de peso, como Itaú Unibanco, Petrobras, Vale e Bradesco, em um cenário de maior apetite global ao risco. O ponto alto veio na quarta-feira, dia 11 de fevereiro, quando o Ibovespa avançou 2,03%, encerrando o pregão em 189.699,12 pontos e atingindo 190.561,18 pontos durante o dia, superando pela primeira vez as marcas de 188 mil e 189 mil pontos.
Esse desempenho foi sustentado pelo forte fluxo de capital estrangeiro, com entrada líquida de quase R$ 4,2 bilhões em fevereiro até o dia 09, após saldo positivo de R$ 26,3 bilhões em janeiro. Esse movimento reflete a rotação global de ativos, em que recursos deixam os Estados Unidos e migram para mercados emergentes, como o Brasil. Já na sexta-feira (13), houve realização de lucros e cautela pré-Carnaval, levando o índice a recuar 0,69%, para 186.464,30 pontos. Mesmo assim, o Ibovespa acumulou alta de 1,92% na semana, 2,81% em fevereiro e expressivos 15,73% em 2026, consolidando um início de ano marcado por forte otimismo no mercado acionário brasileiro.
Dólar: Moeda americana oscila abaixo de R$ 5,25
Durante a maior parte da semana, o câmbio refletiu o enfraquecimento global do dólar, favorecendo o real. Na segunda-feira, dia 09 de fevereiro, a moeda norte-americana chegou a cair abaixo de R$ 5,19, o menor nível em meses, sustentada pelo fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira e pela queda do DXY, índice que mede o desempenho do dólar frente a outras moedas fortes. Esse movimento reforçou a valorização do real e trouxe alívio para os preços internos, já que reduz o impacto da chamada inflação importada.
Porém, na sexta-feira, 13 de fevereiro, o dólar à vista encerrou em alta de 0,60%, cotado a R$ 5,2306, em um movimento de proteção dos investidores antes do feriado prolongado de Carnaval e como reação inicial ao CPI americano, que mede a variação média dos preços de uma cesta de bens e serviços consumidos pelas famílias, veio levemente acima do esperado no núcleo. Com isso, a moeda acumulou alta semanal de 0,21%, mas ainda registra queda de 4,71% em 2026, o que mantém o real valorizado em cerca de 4,7% no ano. Esse fortalecimento da moeda brasileira tem sido um fator importante para conter pressões inflacionárias e embasar revisões para baixo nas projeções do IPCA.
China: Crescimento desacelera, mas resiste
Em 2025, a economia chinesa cresceu 5%, atingindo a meta oficial do governo. Esse desempenho foi sustentado pelas exportações, que se diversificaram para mercados como Europa e América Latina, compensando o consumo doméstico fraco e as tarifas impostas pelos Estados Unidos. No entanto, os dados do quarto trimestre mostraram sinais de perda de ritmo: o PIB avançou apenas 4,5% frente ao mesmo período do ano anterior, o menor crescimento em três anos, enquanto as vendas no varejo de dezembro também registraram a taxa mais baixa nesse intervalo, refletindo a crise prolongada no setor imobiliário e pressões deflacionárias.
Para 2026, a expectativa é de desaceleração, com projeção de crescimento em torno de 4,6%. O setor imobiliário segue como o ponto mais frágil da economia, dificultando a recuperação do consumo interno. Diante disso, Pequim sinaliza estímulos fiscais e creditícios mais fortes, com foco em inovação tecnológica e segurança de infraestrutura. Ainda assim, as tensões comerciais com os Estados Unidos, que chegaram a impor tarifas superiores a 120% em 2025, permanecem como risco relevante, tornando o equilíbrio entre estímulos internos e desafios externos essencial para sustentar o crescimento chinês.
EUA: CPI modera, mas Fed mantém cautela.
Em janeiro de 2026, o CPI americano (índice de preços ao consumidor) registrou alta de 0,2%, levando a inflação acumulada em 12 meses a 2,4%, abaixo dos 2,7% de dezembro. Esse resultado foi considerado positivo no índice cheio, mas o núcleo do CPI que exclui alimentos e energia, mostrou maior resistência, avançando 0,3% no mês, acima dos 0,2% anteriores. O principal fator de pressão continua sendo o componente de habitação (shelter), visto como uma das partes mais persistentes da inflação de serviços. Essa combinação de núcleo firme e índice cheio mais brando reforça a cautela do Federal Reserve, que evita cortes de juros no curto prazo.
O Fed manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% em sua última reunião, em um contexto de atividade econômica robusta: o emprego acelerou em janeiro e a taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%. Esse cenário, com inflação ainda acima da meta de 2%, sustenta a postura de juros estáveis por mais tempo, enquanto o mercado precifica cerca de dois cortes até o fim de 2026. Além disso, o anúncio do governo americano de impor tarifas de 25% sobre semicondutores e produtos farmacêuticos adiciona incerteza ao quadro, podendo pressionar a inflação nos próximos meses e manter a política monetária em terreno restritivo.
Zona do Euro. BCE em compasso de espera.
Na semana, o cenário europeu foi marcado por estabilidade e cautela. O Banco Central Europeu (BCE) manteve sua postura de “esperar para ver”, com as expectativas de inflação na zona do euro permanecendo estáveis: 1,8% para 2026 e 2% para 2027, segundo pesquisa divulgada pela instituição. No campo do crescimento, houve uma leve melhora, com a projeção do PIB para 2026 revisada de 1,1% para 1,2%, refletindo dados mais fortes do terceiro trimestre de 2025.
Apesar desse otimismo moderado, o setor industrial da Alemanha continua sendo motivo de preocupação, já que a produção segue abaixo dos níveis pré-guerra na Ucrânia. Ainda assim, o aumento das encomendas em dezembro trouxe sinais de recuperação e algum alívio para os próximos meses. O BCE, por sua vez, mantém a taxa de depósito em 2,00%, com baixa probabilidade de novos cortes até o fim de 2026, mostrando confiança na trajetória da inflação em direção à meta de 2%, mas aguardando mais evidências antes de acelerar ou pausar o ritmo de ajustes monetários.
Conclusão
O conjunto de informações da semana aponta para um cenário de ajuste gradual e construtivo. No Brasil, a inflação de janeiro se manteve controlada em 0,33%, dentro da meta, enquanto os juros seguem elevados em 15% ao ano, mas com expectativa de cortes a partir de março. O comércio varejista mostrou sinais de desaceleração no fim de 2025, refletindo a política monetária restritiva, mas as projeções para 2026 indicam retomada moderada do crescimento. Ao mesmo tempo, os mercados financeiros reagiram de forma positiva: o Ibovespa renovou recordes históricos, o real valorizou frente ao dólar e o fluxo estrangeiro reforçou o otimismo doméstico.
No cenário internacional, os sinais foram mistos, mas relativamente estáveis. O CPI americano veio mais brando no índice cheio, mas o núcleo manteve firmeza, mantendo o Fed cauteloso; a China cresceu 5% em 2025, mas com desaceleração para 4,5% no quarto trimestre, pressionada pelo setor imobiliário e tensões comerciais; e a Zona do Euro apresentou expectativas de inflação estáveis e leve melhora nas projeções de crescimento, ainda em compasso de espera pelo BCE. Em síntese, o quadro reforça que o início de 2026 combina otimismo nos mercados com a necessidade de prudência e diversificação, garantindo que a política de alocação preserve o patrimônio, assegure liquidez e sustente o cumprimento das obrigações previdenciárias no longo prazo.
Estrutura de Alocação de Recursos.
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.
A semana de 02 a 06 de fevereiro de 2026 foi marcada por um conjunto de informações relevantes que ajudaram a consolidar a leitura de um cenário econômico mais organizado, porém ainda desafiador. No Brasil, os dados indicaram uma inflação em processo de desaceleração, juros mantidos em patamar elevado e crescimento econômico moderado, formando um ambiente que exige cautela, mas também traz maior previsibilidade para decisões de planejamento e investimento. O comportamento dos mercados refletiu esse contexto, com destaque para a valorização da Bolsa e oscilações controladas no câmbio.
No cenário internacional, os indicadores reforçaram um quadro misto: a China apresentou sinais de desaceleração da atividade, os Estados Unidos mantiveram uma economia resiliente, embora com indícios de perda de fôlego no mercado de trabalho, e a Zona do Euro seguiu com inflação mais baixa e crescimento fraco, levando os bancos centrais a adotarem posturas cautelosas

Inflação no Brasil: desaceleração no IPCA cheio e inflação “de prévia” ainda comportada.
A inflação oficial medida pelo IPCA mostrou sinais de desaceleração no fim de 2025. Em dezembro, o índice acumulado em doze meses caiu para 4,26%, abaixo dos 4,46% registrados em novembro, indicando que os preços estão subindo em ritmo mais moderado. Já a prévia da inflação, o IPCA-15 de janeiro de 2026, apontou alta de 0,20% no mês e 4,50% em doze meses. Isso significa que os preços continuam avançando, mas sem aceleração brusca. Em termos simples, os dados revelam que a inflação segue presente, porém em patamar controlado, transmitindo maior estabilidade para o início de 2026.
Juros no Brasil: corte de juros só em março de 2026
Na semana, o tema juros seguiu central: a Selic permaneceu em 15,00%, nível restritivo que mantém o crédito e o consumo mais contidos. O mercado também reagiu às sinalizações do Banco Central de que cortes podem começar a partir de março, mas condicionados aos dados (inflação e expectativas), ou seja: a queda tende a ser gradual, não automática.
Crescimento econômico: visão de atividade moderada e ajustes de projeção
A percepção predominante foi de crescimento sem “disparar”, com ajustes de expectativa. No noticiário econômico, apareceu revisão/ajuste de projeção oficial de crescimento para 2026 (2,3%) em um dos destaques de mercado da semana. Na prática, isso reforça a leitura de uma economia em ritmo moderado, o que ajuda o combate à inflação, mas limita euforia nos ativos.
Bolsa (Ibovespa): oscilação com viés positivo no início e correções no meio da semana
O Ibovespa teve uma semana histórica: na segunda (02/02) fechou em 182.793 pontos, e na terça (03/02) reagiu à ata do Copom, atingindo a máxima intradia de 187.333 pontos e encerrando em 185.674 pontos, o maior nível da história. A quarta (04/02) trouxe ajustes, mas ainda consolidou o nono recorde de 2026, enquanto na quinta (05/02) houve leve correção, fechando em 182.127 pontos. A alta foi sustentada pela expectativa de corte da Selic, valorização da Vale e dos bancos, além da forte entrada de capital estrangeiro.
Dólar: oscilação, mas com real relativamente firme em parte do período
O dólar apresentou leve variação na semana. Na quinta-feira, fechou em R$ 5,258, alta de 0,19%, com mínima de R$ 5,237 e máxima de R$ 5,281. Já na sexta-feira (06/02), o mercado apontava a moeda em torno de R$ 5,21, enquanto os juros futuros mostravam comportamento misto, refletindo ajustes de curto prazo e o cenário externo. O câmbio oscilou pouco, mas seguiu influenciado pelo humor internacional e pelas expectativas de juros.
Cenário internacional: China -; EUA – economia segue firme e Europa – sinais de estabilização e maior previsibilidade. China: sinais mistos — PMI oficial em contração, PMI privado ligeiramente em expansão.
Em janeiro de 2026, os dois principais indicadores de atividade industrial da China mostraram sinais diferentes. O PMI oficial, ligado às grandes empresas estatais, caiu para 49,3 pontos, indicando contração e perda de fôlego. Já o PMI Caixin, que reflete o desempenho de empresas privadas menores e exportadoras, ficou em 50,3 pontos, sugerindo uma leve expansão. Essa divergência revela que, enquanto o setor estatal enfrenta dificuldades, há bolsões de resiliência no setor privado.
EUA: mercado de trabalho e inflação ao produtor no radar, com Fed cauteloso.
Na primeira semana de fevereiro de 2026, os indicadores mostraram uma economia americana ainda resiliente, mas com sinais de desaceleração. O PMI global de manufatura da S&P (52,4) e o ISM de manufatura ficaram acima de 50 (52,6), confirmando expansão industrial. Já o relatório JOLTS apontou 6,542 milhões de vagas abertas em dezembro, o menor nível em anos, enquanto a pesquisa ADP registrou apenas 22 mil novas vagas em janeiro, indicando ritmo mais fraco de contratações.
Nos preços, o PPI de serviços mostrou pressões moderadas, e os estoques de petróleo bruto caíram em mais de 3,455 milhões de barris, sinalizando demanda firme. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego subiram para 231 mil na semana encerrada em 31 de janeiro, mas sem indicar deterioração significativa. Por fim, o payroll revelou criação de 143 mil vagas em janeiro, abaixo das expectativas, com a taxa de desemprego em 4% e ganhos salariais moderados.
Zona do Euro. inflação mais baixa reforça cenário de crescimento fraco e BCE sem pressa.
Em janeiro de 2026, a inflação da zona do euro caiu para 1,7%, o menor nível desde 2024, confirmando um arrefecimento mais amplo das pressões de preços. Esse cenário reforça a combinação de crescimento econômico fraco e inflação mais baixa, aumentando o debate sobre o risco de a inflação ficar abaixo da meta oficial.
Diante do cenário de inflação mais baixa e crescimento econômico fraco, o Banco Central Europeu (BCE) optou por manter em fevereiro suas principais taxas de referência. A taxa de juros em 2,15% funciona como o parâmetro central para o custo do crédito na economia: ela influencia diretamente quanto os bancos cobram em empréstimos e financiamentos, afetando empresas e consumidores.
Além disso, a facilidade de depósito em 2,00% representa a remuneração que os bancos recebem ao deixar recursos no BCE. Esse mecanismo serve como incentivo para que instituições financeiras mantenham parte de sua liquidez sob controle da autoridade monetária, ajudando a regular o volume de dinheiro em circulação. Ao manter esses níveis estáveis, o BCE sinaliza uma postura cautelosa, buscando equilibrar a necessidade de preservar a estabilidade financeira com a observação de sinais mistos na economia europeia.
Conclusão
O conjunto de dados analisados ao longo da semana reforça a leitura de um cenário econômico em processo de ajuste gradual, tanto no Brasil quanto no exterior. No ambiente doméstico, a inflação mostra sinais de desaceleração, os juros permanecem elevados, mas com expectativa de início de cortes de forma cautelosa, e o crescimento econômico segue em ritmo moderado. Esse contexto contribuiu para um desempenho positivo dos mercados financeiros, com destaque para a valorização do Ibovespa e a relativa estabilidade do câmbio, refletindo maior previsibilidade e entrada de capital estrangeiro.
No cenário internacional, os sinais foram mistos, porém relativamente estáveis. A China apresentou desaceleração na atividade industrial, os Estados Unidos mantiveram uma economia resiliente, embora com indícios de perda de fôlego no mercado de trabalho, e a Zona do Euro avançou para um ambiente de inflação mais baixa, com crescimento fraco e postura cautelosa do Banco Central Europeu.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.
A semana de 26 a 30 de janeiro de 2026 foi marcada por movimentos relevantes no cenário econômico, tanto no Brasil quanto no exterior, que ajudaram a moldar as expectativas para o início do ano. No ambiente doméstico, os dados reforçaram a leitura de uma economia em processo de ajuste gradual, com inflação ainda presente, juros elevados e crescimento em ritmo moderado, exigindo cautela nas decisões de política monetária e de investimento. Ao mesmo tempo, os mercados financeiros reagiram de forma positiva, refletindo melhora do apetite ao risco e entrada de capital estrangeiro. No cenário internacional, o período trouxe sinais mistos: desaceleração do crescimento na China, economia ainda resiliente nos Estados Unidos e maior previsibilidade na Zona do Euro, com inflação mais controlada.

Inflação no Brasil: segue subindo, porém de forma moderada.
A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15 de janeiro, registrou alta de 0,20% no mês, em desaceleração na comparação com os meses anteriores. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice ficou em aproximadamente 4,50%, no teto da faixa de tolerância da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central. Esses números sugerem que os preços seguem subindo, porém de forma mais moderada, o que tende a contribuir para maior previsibilidade no planejamento financeiro de famílias e empresas.
Juros no Brasil: corte de juros só em março de 2026
Na chamada “Super Quarta” do calendário econômico, o Banco Central do Brasil (Copom) manteve a taxa básica de juros em 15,00% ao ano, uma das mais altas das últimas décadas. O comunicado oficial indicou que o Comitê monitora a evolução da inflação e cita começar uma rodada de cortes nos juros a partir de março de 2026, mas sempre de forma cautelosa. Essa postura visa continuar a conter pressões inflacionárias sem comprometer a estabilidade econômica.
Crescimento econômico: dados oficiais ainda não divulgados
Os números finais do PIB ainda não foram divulgados, mas os indicadores antecedentes e as projeções disponíveis sugerem que a economia brasileira mantém um ritmo de expansão moderado. O mercado acompanha de perto os dados de atividade e emprego, que funcionam como importantes termômetros da trajetória econômica e ajudam a calibrar as expectativas sobre o desempenho do país nos próximos meses.
A previsão de crescimento de 1,8% em 2026 indica que o Brasil segue avançando, ainda que em um compasso controlado. Mesmo com sinais recentes de maior dinamismo no início do ano, os especialistas têm mantido essa estimativa estável há mais de um mês, o que reflete uma postura cautelosa diante das condições de juros e do cenário internacional.
Bolsa (Ibovespa): maior apetite a risco e entrada de fluxo de capital estrangeiro
O Ibovespa apresentou uma semana de forte oscilação, influenciado por fatores externos e pelo cenário econômico doméstico. O índice chegou a renovar recordes históricos, atingindo 183.359 pontos na máxima intradia, impulsionado principalmente pela entrada de capital estrangeiro e pelas expectativas em relação à inflação e à política monetária. Apesar disso, também houve sessões de realização de lucros, com quedas pontuais, o que mostra um mercado mais cauteloso.
No acumulado da semana, o Ibovespa registrou valorização expressiva, próxima de 8,5%, reforçando um ambiente positivo, porém ainda marcado por volatilidade e atenção às decisões de juros no Brasil e no exterior.
Dólar: direção contrária à Bolsa.
No mercado de câmbio, o dólar mostrou oscilações, mas a tendência foi de ligeira valorização do real frente à moeda americana ao longo da semana. Os dados oficiais mostram que a cotação do dólar oscilou entre valores pouco acima de R$ 5,28 e R$ 5,20 no final de janeiro, com recuos em alguns dias; por exemplo, o dólar comercial caiu para cerca de R$ 5,194 na quinta-feira, 29/01/2026, marcando o menor nível em quase 20 meses.
Esse movimento de enfraquecimento da moeda americana frente ao real está ligado a fatores como maior entrada de fluxo estrangeiro em ativos brasileiros e expectativas de cortes graduais de juros no Brasil, que tornaram o real relativamente mais atrativo. Além disso, parte da tendência de queda do dólar em janeiro foi influenciada por um cenário externo em que a moeda americana perdeu força frente a outras divisas globais, refletindo menor aversão ao risco no início de 2026.
Cenário internacional: China – PIB abaixo do trimestre anterior; EUA – economia segue firme e Europa – sinais de estabilização e maior previsibilidade,
China. Os dados mais recentes apontam que a economia chinesa cresceu 5,0% ao longo de 2025, atingindo a meta estabelecida pelo governo. No quarto trimestre, o crescimento foi estimado em cerca de 4,5% em termos anuais, ligeiramente abaixo de períodos anteriores, o que indica uma desaceleração que preocupa o mercado global, especialmente por sua influência sobre o comércio e demanda por commodities. Esse ritmo mais lento de expansão, combinado com desafios no setor imobiliário e consumo interno ainda fraco, contribui para moderar expectativas de crescimento global.
Estados Unidos. Os pedidos de bens duráveis avançaram 5,3% em novembro, enquanto a confiança do consumidor teve leve alta em janeiro, refletindo cautela diante dos juros elevados. O Federal Reserve manteve a taxa básica entre 3,50% e 3,75%, reforçando uma postura prudente. No setor produtivo, o Chicago PMI subiu para 54,0 pontos, voltando à zona de expansão, e os estoques de petróleo bruto caíram, sustentando os preços da commodity. No mercado de trabalho, os pedidos iniciais de seguro-desemprego ficaram em 209 mil, confirmando a solidez do emprego. Já o PPI de dezembro avançou 0,5% no mês e 3,0% em 12 meses, mostrando que as pressões de custo seguem presentes, mas em ritmo moderado.
Zona do Euro. O Produto Interno Bruto cresceu 0,3% no quarto trimestre, superando as expectativas, e registrou 1,3% de avanço em relação a 2024, sinalizando resiliência diante de pressões externas. A inflação anual caiu para 1,9% em dezembro, ficando abaixo da meta de 2% do Banco Central Europeu, o que indica preços sob controle. Já no mercado de trabalho, o desemprego foi de 6,3% na Alemanha e 6,2% no conjunto da Zona do Euro, próximos de mínimos históricos, mas ainda com diferenças entre países. Diante desse cenário de crescimento moderado, inflação baixa e desemprego relativamente contido, o Banco Central Europeu deve manter os juros estáveis por mais tempo, adotando uma postura cautelosa para sustentar a economia.
Conclusão
O conjunto de informações analisadas reforça a leitura de um cenário econômico marcado por ajuste gradual e maior previsibilidade, tanto no Brasil quanto no exterior. No ambiente doméstico, a inflação segue em desaceleração moderada, os juros permanecem elevados, mas com sinalizações mais claras de possível início de cortes ao longo de 2026, enquanto o crescimento econômico avança em ritmo controlado. Esse contexto contribuiu para um comportamento mais favorável dos mercados financeiros, com valorização da Bolsa e fortalecimento do real frente ao dólar, impulsionados pela entrada de capital estrangeiro e pela melhora do apetite ao risco.
No cenário internacional, o ambiente permaneceu misto, porém relativamente estável. A China apresentou desaceleração do crescimento, os Estados Unidos mantiveram uma economia resiliente, sustentada por mercado de trabalho sólido e atividade industrial em expansão pontual, e a Zona do Euro seguiu com crescimento moderado e inflação mais controlada. A postura cautelosa dos principais bancos centrais reforça a importância de decisões de investimento equilibradas e bem fundamentadas. Em síntese, o cenário analisado aponta para um início de ano mais organizado, com oportunidades, mas que ainda exige disciplina, diversificação e foco no longo prazo para a preservação e o crescimento dos recursos previdenciários.
Estrutura de Alocação de Recursos
A estrutura de alocação foi definida para que o RPPS preserve o patrimônio e consiga crescer de forma consistente no longo prazo. Como o regime paga benefícios continuamente, a carteira precisa suportar períodos de estabilidade e crise sem comprometer sua solvência.
A renda fixa concentra a maior parte dos recursos porque oferece previsibilidade e menor oscilação. Dentro dela, a divisão por prazos é essencial:
• Curto prazo garante liquidez imediata;
• Médio prazo reduz impactos de mudanças nos juros;
• Longo prazo protege contra a inflação e captura ganhos quando o mercado melhora. Esse arranjo responde ao comportamento da curva de juros, que remunera prazos distintos de forma diferente. Assim, o RPPS evita que uma mudança abrupta afete toda a carteira ao mesmo tempo.
A renda variável entra para impulsionar o crescimento no longo prazo. Embora mais volátil, ela permite capturar valor de empresas, setores e ativos reais. A diversificação entre ações, multimercados e fundos imobiliários reduz riscos e amplia fontes de retorno.
A parcela de investimentos no exterior funciona como proteção estrutural. Ela reduz a dependência de eventos exclusivamente brasileiros e amplia o acesso a mercados e setores globais, diminuindo o impacto de crises locais.
Em síntese, a carteira combina três pilares: segurança na renda fixa, crescimento via renda variável e proteção com exposição internacional. Essa abordagem fortalece a capacidade do RPPS de cumprir suas obrigações e preservar recursos no tempo.