RETROSPECTIVAS
Com dados divulgados ao redor do mundo, a prévia do PIB brasileiro, o IBC-Br, apresentou queda de 0,10% em junho, abaixo das projeções que apontavam para um leve crescimento. Apesar da retração no mês, o segundo trimestre apresentou avanço de 0,3%, dado principalmente ao desempenho do setor de serviços e a arrecadação de impostos, que compensaram as quedas na agropecuária e na indústria.
Analistas destacam que a atividade econômica continua influenciada pelos juros elevados e o encarecimento dos custos de crédito e a perda de dinamismo em alguns setores, fatores que limitam uma recuperação mais robusta. Não é de se descartar que a retração de junho possa indicar que o PIB do segundo trimestre terá crescimento relativamente baixo, ao se considerar os impactos dos juros elevados e desaceleração da indústria. Para os próximos meses, a expectativa é de manutenção desse ritmo fraco.
Na China o PBoC (sigla em inglês do banco central chinês) manteve, pelo terceiro mês seguido, as taxas de juros em mínimas históricas na fixação de agosto, com a LPR de um ano em 3,0% e a de cinco anos em 3,5%, apesar de sinais de desaceleração econômica.
Já nos Estados Unidos, a ata da reunião do FOMC de julho trouxe que a manutenção da sua taxa básica de juros entre 4,25% e 4,50% foi justificada pela cautela em relação aos indicadores de inflação apesar do mercado de trabalho dar sinais de enfraquecimento. A ata trouxe que a maioria dos participantes avaliou que o crescimento havia moderado no primeiro semestre, mas que a economia permanece resiliente, com a taxa de desemprego relativamente baixa e inflação ainda em patamares elevados.
A incerteza sobre os efeitos das tarifas comerciais foi ressaltada como um complicador importante para avaliar futuros passos. Dois membros (Bowman e Waller) divergiram, defendendo um corte imediato de 0,25 p.p., e sinalizando que, sem efeitos persistentes das tarifas, a inflação já estaria próxima da meta.
Complementando, no simpósio de Jackson Hole que aconteceu na última semana, o presidente do Fed, Jerome Powell, adotou tom cautelosamente otimista, indicando abertura ao corte de juros já na reunião de setembro, diante de sinais de fragilidade no mercado de trabalho e dos persistentes riscos inflacionários vindos das tarifas. Sua fala ressaltou que os riscos para o emprego estavam “às vezes maiores” que os de inflação, e que a política monetária poderia ser ajustada se o cenário se deteriorasse.
Ainda nos Estados Unidos, o PMI composto dos EUA avançou para 55,40 pontos em julho, com serviços mantendo crescimento sólido e a manufatura se recuperando para 53,30 pontos. Custos de insumos subiram expressivamente, pressionados pelas tarifas. Embora o sentimento empresarial tenha melhorado, persistem preocupações com as políticas governamentais.
Por fim, no velho continente, a inflação da Zona do Euro permaneceu em 2% a.a em julho de 2025, em linha com a meta e um pouco acima das expectativas do mercado (1,9%). Esse resultado marcou o segundo mês consecutivo no alvo, mesmo com desaceleração nos serviços (3,2% ante 3,3%), compensada por alta nos preços de bens industriais não energéticos (0,8% ante 0,5%) e alimentos, bebidas e tabaco (3,3% ante 3,1%). Já os preços de energia continuaram em queda, mas em ritmo menor (-2,4% ante -2,6%). O núcleo da inflação ficou em 2,3%, menor nível desde janeiro de 2022. No comparativo mensal, a inflação não teve variação, o que reforça a tendência de normalização após períodos de volatilidade.
Para esta semana, contaremos com a divulgação do IPCA-15 de agosto, na terça feira e o IGP-M de agosto, na quinta; também na quinta feira, teremos dados de emprego do Brasil (CAGED de julho) e a divulgação do PIB do 2° trimestre dos Estados Unidos; na sexta feira, o principal índice de inflação observado pelo Fed, o PCE, será divulgado.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
RETROSPECTIVAS
No Brasil, o IPCA de julho registrou alta de 0,26%, acima de junho (0,24%), porém com leve perda de força em 12 meses, de 5,35% para 5,23%. Esse movimento reflete a queda nos preços de alimentos e bebidas (–0,27%) que aliviou um pouco o índice, por outro lado, houve alta no grupo Habitação (+0,91%), especialmente energia elétrica (+3,04%) que trouxe impacto relevante devido a reajustes tarifários e à manutenção da bandeira tarifária vermelha. Apesar do recuo marginal na leitura em 12 meses, a inflação continua acima do teto da meta.
Também sobre inflação ao consumidor, em julho, o CPI dos Estados Unidos avançou 0,2% em relação a junho, acima do resultado anterior de 0,3% e em linha com as expectativas do mercado. Na comparação com o ano passado, a inflação permaneceu em 2,7%, ligeiramente abaixo das projeções. O destaque foi a queda nos preços de energia, sobretudo gasolina, que ajudou a conter o índice, enquanto os alimentos tiveram estabilidade no mês. O núcleo da inflação, que exclui itens mais voláteis como energia e alimentos, subiu 0,3% em julho e alcançou 3,1% na comparação anual, o maior nível desde janeiro, o que sinaliza pressões mais persistentes nos preços de serviços e bens duráveis.
A aceleração do núcleo indica que parte da economia ainda enfrenta pressões inflacionárias, especialmente em habitação, transporte e saúde. Assim, apesar da trégua na inflação cheia, o movimento do núcleo sugere que o Fed deverá agir com cautela, evitando cortes agressivos de juros para não comprometer a convergência da inflação em direção à meta de 2%.
Ainda nos Estados Unidos, o índice de preços ao produtor (PPI) de julho de 2025 subiu 0,8% na comparação mensal, acima de junho e acima das expectativas, enquanto o núcleo, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou ainda mais, 0,9% no mês. Na comparação anual, a inflação ao produtor atingiu 2,2%, o que reforça os sinais de pressões de custos na economia. O resultado preocupa porque sugere repasse potencial para os preços ao consumidor, em um momento em que o núcleo da inflação já mostra resistência.
No segundo trimestre de 2025, o PIB da zona do euro avançou 0,1% em relação ao trimestre anterior, o que sinaliza desaceleração frente ao crescimento de 0,6% no início do ano; na comparação anual, a alta foi de 0,5%. O resultado evidencia uma economia em recuperação moderada ao mesmo tempo em que a resiliência do mercado de trabalho e o consumo em alguns setores evitam uma estagnação mais profunda.
Para esta semana, contaremos com a divulgação do IBC-Br de junho, índice antecedente do PIB na segunda feira; com a decisão de juros de 1 e 5 anos na China na terça feira; ata do FOMC da última reunião do Fed e a inflação ao consumidor na zona do euro referente ao mês de julho na quarta-feira e; índices PMI dos Estados Unidos na quinta feira.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
RETROSPECTIVAS
Na última semana, a ata da última reunião do Copom avaliou que o cenário externo segue mais incerto e adverso, influenciado principalmente pelas tarifas dos EUA, com impactos ainda incertos sobre a economia brasileira. No ambiente doméstico, há moderação no crescimento, mas o mercado de trabalho continua aquecido, sustentando o consumo e pressionando a inflação de serviços.
As expectativas de inflação para 2025 (5,1%) e 2026 (4,4%) permanecem acima da meta, e os núcleos de inflação seguem elevados, reforçando a necessidade de política monetária restritiva por mais tempo. O comitê destacou que a desancoragem das expectativas aumenta o custo de desinflação e requer postura cautelosa, especialmente diante da resiliência da atividade e das incertezas fiscais.
Do quadro exposto, o Copom decidiu manter a Selic em 15% ao ano, entendendo que o patamar atual é suficientemente contracionista para levar a inflação à meta no horizonte relevante, desde que mantido por período prolongado. A decisão foi unânime e reflete a estratégia de interromper o ciclo de alta para observar os efeitos dos ajustes já realizados, sem descartar novos aumentos se necessário. Na visão da Crédito e Mercado, as projeções de afrouxamento situam-se apenas em 2026.
Nos Estados Unidos, os indicadores de atividade do setor de serviços de julho, mostraram sinais mistos: o PMI da S&P Global avançou para 55,7, o maior nível do ano, impulsionado por novos negócios, lançamentos de produtos e forte geração de empregos, apesar da queda na demanda externa causada por tarifas e riscos de retaliação, que também pressionaram custos e preços finais. Já o PMI do ISM recuou para 50,1, próximo à estagnação, com desaceleração na atividade, novos pedidos e estoques, intensificação das pressões de preços e queda mais acentuada no emprego, enquanto exportações e importações migraram para território contracionista, refletindo os impactos das tensões comerciais globais.
Na Ásia, o CPI da China de julho ficou estável em relação ao ano anterior, contrariando a expectativa de queda de 0,1% e após alta de 0,1% em junho. O preço dos alimentos caiu 1,6%, maior queda em cinco meses. O núcleo da inflação subiu 0,8% na base anual, maior nível em 17 meses, e 0,4% na mensal, a mais alta desde janeiro, influenciada por eventos climáticos extremos. No atacado, o PPI recuou 0,4% pelo quarto mês seguido, mantendo o maior ritmo de queda mensal em seis meses.
Nesta semana, as divulgações dos dados de inflação ocuparão o calendário. Na terça feira teremos a inflação ao consumidor referente ao mês de julho para o Brasil e para os Estados Unidos.
Na quinta feira, além da divulgação do PIB do segundo trimestre da zona do euro, contaremos com a divulgação da inflação ao produtor norte americano também referente a julho.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
RETROSPECTIVAS
O mercado de trabalho dos EUA mostrou sinais de enfraquecimento em julho de 2025. A taxa de desemprego subiu para 4,2%, com uma redução de 260 mil ocupados. Os setores mais afetados foram alimentação, saúde e finanças, com quedas expressivas, enquanto o varejo e o setor de informação registraram alta nas ofertas. As contratações e desligamentos pouco mudaram no mês.
Ainda sobre o mercado de trabalho, o relatório Nonfarm Payroll trouxe um número abaixo do esperado, com criação de apenas 73 mil vagas em julho, bem abaixo da estimativa de 110 mil. Os dados de maio e junho foram revisados fortemente para baixo, com cortes que somam 258 mil empregos a menos do que o originalmente reportado, reforçando a percepção de perda de tração no mercado de trabalho.
O recém-divulgado relatório JOLTS de junho apontou uma queda de 275 mil nas vagas de emprego criadas, totalizando 7,437 milhões, abaixo das expectativas do mercado. As maiores reduções ocorreram majoritariamente nos setores de alimentação e hospedagem.
A inflação medida pelo índice PCE, principal medidor de inflação do Fed, subiu para 2,6% na comparação com os 12 meses anteriores, a maior leitura em quatro meses. No mês, o índice subiu 0,3%, também a maior variação desde fevereiro, impulsionado por aumentos de 0,4% nos bens e 0,2% nos serviços. Já o núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% na base mensal e 2,8% na anual, repetindo a leitura de maio e ficando acima das expectativas de 2,7%. Esses resultados reforçam a persistência da inflação subjacente e indicam que o processo desinflacionário segue mais lento do que o desejado pelo Federal Reserve.
Ainda nos Estados Unidos, a leitura do PIB do segundo trimestre apontou crescimento de 3%, revertendo a queda de 0,5% do trimestre anterior e acima das expectativas de 2,4%. O salto foi impulsionado principalmente pela forte queda nas importações (-30,3%), após um avanço atípico no início do ano devido à antecipação de compras frente a tarifas. O consumo das famílias acelerou para 1,4%, e os gastos do governo voltaram a crescer, mas o investimento fixo desacelerou fortemente, com quedas nos segmentos imobiliário e de estruturas. As exportações recuaram 1,8%, e os estoques reduziram significativamente o crescimento do PIB.
Também no tema de atividade econômica norte americana, a indústria demonstrou retração no mês de julho após o PMI do ISM cair para 48,00 pontos, menor nível desde outubro e o quinto mês seguido abaixo da linha de expansão, em reflexo de um ambiente fragilizado por incertezas com tarifas. Já o PMI da S&P Global foi revisado levemente para cima, de 49,5 para 49,8, mas ainda apontando deterioração nas condições operacionais. A demanda segue fraca, as exportações caíram, e o emprego voltou a recuar, com empresas focadas em controlar estoques e ajustar quadro de pessoal. Os preços dos insumos continuam pressionados pelas tarifas.
Por último referente aos Estados Unidos, o comitê de política monetária do Fed (FOMC) decidiu manter a taxa básica entre 4,25% e 4,50% ao ano, adotando postura cautelosa mesmo diante da pressão por cortes. O comunicado destacou a inflação ligeiramente acima da meta, o desemprego em patamares historicamente baixos. Fato que chamou atenção foi que dois membros da diretoria votaram contra a decisão e defenderam um corte de 0,25 ponto percentual, em uma raríssima dissidência de 9 a 2. O presidente Jerome Powell reforçou o compromisso com a independência do banco central e afirmou que o caminho da política monetária seguirá dependente dos dados econômicos futuros, sem possuir pressa para reduzir os juros.
No tema de juros, porém se tratando do Brasil, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 15% a.a., após entender que essa decisão está alinhada ao processo de convergência da política monetária para a estabilidade de preços. Segundo o comunicado, a manutenção reflete a avaliação de que as pressões inflacionárias seguem em patamares elevados e que os riscos fiscais continuam presentes, o que demanda uma postura cautelosa na condução dos juros. As expectativas de inflação de médio prazo permanecem desafiadoras, o que reforça a necessidade de manter a Selic no nível atual enquanto forem observados riscos ao equilíbrio macroeconômico. O mercado projeta corte de juros entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026.
Sobre o mercado de trabalho doméstico, o relatório CAGED reportou criação de 166 mil vagas em junho, alta de 8,8% sobre o mês anterior, mas -19,2% em relação ao ano anterior.
Também no Brasil, o IGP-M, medidor de inflação ao produtor, caiu 0,77% em julho de 2025, após recuo de 1,67% em junho, com desaceleração das quedas nos preços ao produtor e leve alta nos preços ao consumidor. O IPA recuou 1,29%, menos que os -2,53% do mês anterior, influenciado por matérias-primas, enquanto o IPC subiu 0,27%, acelerando em relação aos 0,22% de junho, puxado principalmente por alimentos.
Sobre o tema inflação, na zona do euro, a leitura apontou estabilidade em julho de 2025, com alta anual de 2,0%, repetindo o resultado de junho. No mês, os preços ficaram estáveis após avanço de 0,3% em junho. O núcleo da inflação permaneceu em 2,3%, o menor nível desde janeiro de 2022.
Na primeira semana de agosto, os principais dados a serem publicados são a ata da última reunião do Copom e PMI de serviços norte americano de julho na terça feira e a inflação chinesa ao consumidor e ao produtor referente ao mês de julho, na sexta.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.